“CONSIDEREMO-NOS TAMBÉM UNS AOS OUTROS”
“Consideremo-nos
também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10.24).
Estou plenamente
certo de que essa exortação é dirigida particularmente aos judeus. A extensão
do orgulho daquele povo é notória. Uma vez que eram filhos de Abraão,
vangloriavam-se de que, mediante a exclusão de todos os demais, foram os únicos
escolhidos pelo Senhor para participarem do pacto da vida eterna. Sentiam-se
demasiadamente ensoberbecidos por esse privilégio, e assim desprezavam todos os
demais povos, tendo-se habituado a incluir somente a si mesmos na igreja de
Deus. Arrogavam só para si, com a mais intensa soberba, o título de Igreja. Foi
as duras penas que o apóstolo tentou corrigir esse orgulho, e, em minha opinião,
é precisamente o que ele está tentando fazer agora, visando a que os judeus não
se indispusessem com a presença dos gentios, os quais se achavam unidos a eles
no mesmo corpo da Igreja.
Antes de tudo,
diz ele: Consideremo-nos uns aos outros, porquanto Deus estava, então,
reunindo a Igreja, composta de gentios e judeus, havendo sempre entre eles
acirrada divisão, de tal forma que essa união era como a mistura de fogo e
água. Diante de tal fato os judeus recuavam, porquanto entendiam que lhes seria
humilhante colocar-se em pé de igualdade com os gentios. Em contraste com esse ânimo
de vergonhosa emulação que os aguilhoava, o apóstolo sugere outra contraposição,
a saber: o amor. Para que os judeus não fossem dominados pela inveja e conduzidos à contenda,
ele os estimula ao exercício do amor
recíproco.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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