“A FIGUEIRA MURCHA”
“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).
Conclusão.
Sugiro que todas as pessoas aqui presentes clamem ao Senhor para nos tornar conscientes da nossa esterilidade natural. Amados irmãos, que o Senhor nos leve a lamentar nossa esterilidade, mesmo quando trazemos alguns frutos. Sentirem-se bem satisfeitos consigo mesmos é perigoso: julgarem-se santos, e até mesmo perfeitos, é ficar à beira da fossa do orgulho. Se vocês erguerem a cabeça tão alta, temo que vão batê-la contra a verga da porta. Se andarem sobre pernas de pau, temo que cairão. É muito mais seguro sentir: "Senhor, realmente sirvo a Ti, e não sou enganador. Amo-te realmente; Tu tens operado em mim as obras do Espírito. Mas ai de mim! Não sou o que quero ser, não sou o que devo ser. Aspiro à santidade; ajuda-me a alcançá-la. Senhor, devo ficar deitado no próprio pó diante de Ti quando penso que, depois de ter recebido o trabalho da escavação e da adubação, produzo tão poucos frutos. Sinto que sou menos do que nada. Meu clamor é: "Deus tem misericórdia de mim". Se eu tivesse feito tudo, ainda seria um servo de pouco proveito; mas tendo feito tão pouco, Senhor, onde esconderei a minha cabeça culpada?"
Finalmente, depois de terem feito essa confissão, e o bom Senhor ter
ouvido, há um símbolo nas Escrituras que eu gostaria que vocês copiassem.
Imaginemos que nesta manhã vocês se sintam tão secos, mortos e infrutíferos,
que não podem servir a Deus como gostariam de fazer, nem sequer orar pedindo
mais graça, conforme desejam. Então, estão como doze varas. Estão muito mortas
e secas, porque ficaram sempre nas mãos de doze chefes, que as usaram como
cetros do seu cargo oficial. Essas doze varas devem ser colocadas diante do
Senhor. Esta aqui é a de Arão; mas está tão morta e seca como qualquer das
demais. Todas as doze são colocadas onde o Senhor habita. Vemo-las no dia
seguinte. Onze delas continuam a ser varas secas; mas vejam essa vara de Arão!
O que aconteceu? Era seca como a morte. Mas vejam, brotou! Isto é maravilhoso!
Mas olhem, floresceu! Há nela flores de amendoeira. São cor-de-rosa e brancas.
É uma maravilha! Mas olhem de novo: produziu amêndoas! Aqui estão! Vejam estes
frutos verdes, que parecem pêssegos. Tirem a parte carnuda, e aqui está uma
amêndoa cuja casca vocês podem quebrar para achar a noz. O poder celestial veio
sobre a vara seca, e brotou, e floresceu, e até mesmo produziu amêndoas.
Frutificar é a prova da vida e do favor. Senhor, tome essas pobres varas hoje,
e faça-as brotar. Senhor, aqui estamos, num feixe, realize aquele milagre
antigo em mil de nós. Faça-nos brotar, florescer, e frutificar! Vem com poder
divino, e transforma esta congregação de gavela em pomar. Quem dera que nosso
bendito Senhor obtivesse um figo dalguma vara seca nesta manhã! — pelo menos um
figo tal como este: "Deus tem misericórdia de mim, pecador!" Há
doçura nessa oração. Nosso Senhor Jesus gosta do sabor de um figo tal como
este: "Senhor, creio! Ajuda a minha falta de fé!" Aqui está outro:
"Ainda que ele me mate, nele esperarei" — é uma cestada de figos
temporãos, e o Senhor se regozija na sua doçura. Vem, Espírito Santo, produza
frutos em nós hoje, mediante a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor!
Deus nos abençoe!
Charles Haddon Spurgeon (1834-1892).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

