"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 9 de outubro de 2026

“A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS”


“A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS”

“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4).

Deliberadamente, desconsidero qualquer outra interpretação que não esteja em harmonia a intenção do Evangelista. Creio ser esta uma referência àquela parte da vida na qual os homens excedem às demais criaturas animadas. É como se ele quisesse dizer que a vida outorgada aos homens não era a vida em geral, mas a vida associada à luz da razão. Além do mais, ele separa os homens dos demais seres, visto que somos cônscios do poder de Deus através do sentimento existente em nós mais do que através da visão ótica dele à distância. Daí, em Atos 17.27, Paulo nos dizer para não buscarmos a Deus como se ele estivesse longe, já que ele se revela em nosso interior. E assim, quando o Evangelista pôs em evidência uma consideração geral da graça de Cristo, procurando persuadir os homens a prestarem maior atenção, ele põe diante deles o que lhes fora outorgado de forma específica – a saber, que não foram criados à semelhança dos seres brutos, senão que, ao serem dotados de razão, foram postos numa categoria muito sublime. Além do mais, visto que Deus eficazmente ilumina suas mentes com sua própria luz, segue-se que foram criados para que pudessem saber que Deus é o Autor de uma bênção tão singular. E visto que essa luz nos flui da Palavra, como sua fonte, ela nos é como um espelho no qual podemos ver claramente o divino poder da Palavra.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“A VIDA ESTAVA NELE”


“A VIDA ESTAVA NELE”

“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4).

Até aqui o Evangelista nos ensinou que todas as coisas foram criadas pela Palavra de Deus. Agora, da mesma forma, atribui-lhe a preservação do que fora criado, como se pretendesse dizer que, na criação do mundo, seu poder não apareceu meramente de súbito para, em seguida, desaparecer, mas que o mesmo se faz visível na preservação da ordem fixa e estável da natureza – exatamente como em Hebreus 1.3 está expresso que Deus sustenta todas as coisas pela Palavra ou comando de seu poder. Além do mais, essa vida pode ser ou uma referência mais extensa às criaturas inanimadas, as quais têm sua vida própria, ainda que lhes falte emoção, ou uma referência exclusivamente à vida animada. Pouco importa a escolha que o leitor faça, pois a ideia simplesmente consiste em que a Palavra de Deus não foi apenas a fonte de vida para todas as criaturas, tanto que as que ainda não existiam vieram à existência, mas que seu poder gerador de vida as fez permanecer em seu estado. Pois se sua inspiração não houvera mantido vivo o mundo, o que quer que florescesse, sem dúvida alguma, murcharia imediatamente ou se reduziria a nada. Em suma, o que Paulo atribui a Deus, que nele temos nosso ser, nos movemos e vivemos [At 17.27], João declara se efetuado pela agência graciosa da Palavra. É Deus, pois, quem nos outorga a vida, mas ele o faz pela instrumentalidade da Palavra eterna.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sábado, 3 de outubro de 2026

“NÃO OCULTEI NO CORAÇÃO A TUA JUSTIÇA”

“NÃO OCULTEI NO CORAÇÃO A TUA JUSTIÇA”

“Não ocultei no coração a tua justiça; proclamei a tua fidelidade e a tua salvação; não escondi da grande congregação a tua graça e a tua verdade” (Sl 40:10).

Aqui se faz necessário observar o acúmulo de termos que são empregados para denotarem a mesma coisa. À justiça de Deus o salmista acrescenta sua fidelidade, sua salvação e sua graça. E qual é o propósito disto senão para magnificar e ressaltar a bondade de Deus através de muitos termos ou expressões de louvor? E preciso, contudo, notar em que aspectos estes termos diferem; porque desta forma poderemos determinar em que aspectos se aplicam ao livramento sobre o qual Davi aqui discursa. Se estas quatro coisas forem tomadas na devida ordem, graça manterá o primeiro lugar, como aquele elemento pelo qual só Deus se induz a dignar-se a abençoar-nos. Sua justiça é a proteção pela qual ele constantemente defende a seu próprio povo, e a bondade pela qual, como já dissemos, ele o preserva. E, para que não haja dúvida alguma de que ela fluirá num curso constante e ininterrupto, Davi acrescenta, em terceiro lugar, a verdade, pela qual somos instruídos de que Deus prossegue sendo sempre o mesmo, e que jamais se cansa de socorrer-nos nem em tempo algum nos deixa escapar de sua mão. Ao mesmo tempo há implícito nisto uma exibição de suas promessas; pois nenhum outro jamais se apropriará corretamente da justiça divina senão aquele que a abraça como ela lhe é oferecida e apresentada na Palavra. Salvação é o efeito da justiça, pois Deus continua a manifestar a seu povo seu gracioso favor, oferendo-lhe diariamente auxílio e assistência, até que o mesmo seja completamente salvo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“ESPEREI CONFIANTEMENTE PELO SENHOR”


“ESPEREI CONFIANTEMENTE PELO SENHOR”

“Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl 40:1).

O início deste Salmo constitui uma expressão de gratidão na qual Davi relata que fora libertado, não apenas do perigo, mas também da presença da morte. Há quem defenda a opinião, mas sem boas razões, de que esta oração deve ser entendida como resultado de uma enfermidade. Deve-se, sim, pressupor que Davi, nesta passagem, envolve uma infinidade de perigos dos quais ele escapara. Certamente estivera mais de uma vez exposto ao maior de todos os perigos, a morte; de sorte que, com boas razões, podia dizer que fora tragado pelo abismo da morte e atolado em lodo lamacento. Não obstante, o que transparece é que sua fé ainda continuava firme, porquanto não cessou de confiar em Deus, embora a longa permanência da calamidade deixara sua paciência à mercê da exaustão. Ele não nos diz simplesmente que havia esperado, mas a ênfase no verbo revela que fora deixado por longo tempo em angustiante expectativa. À medida, pois, que sua provação se prolongava, a evidência e prova de sua fé em suportar a delonga com calma e estabilidade de mente se faziam ainda mais patentes. O significado em suma consiste em que, embora Deus delongasse seu socorro, não obstante o coração de Davi não desfaleceu, nem se cansou; antes, depois de dar, por assim dizer, suficiente demonstração de sua paciência, por fim foi ouvido. Em seu exemplo surge diante de nós uma doutrina muito proveitosa, a saber: embora Deus não se apresse em surgir em nosso socorro, no entanto propositadamente nos mantém em suspenso e perplexidade; entretanto, não devemos perder a coragem, já que a fé não é totalmente provada senão pela longa espera. O resultado também, do qual ele fala em termos de louvor, deve inspirar-nos com crescente constância. E possível que Deus nos socorra mais lentamente do que gostaríamos, mas quando parece não tomar ele conhecimento de nossa condição, ou, se é que podemos usar tal expressão, quando parece inativo, isso é totalmente diferente de enganar; pois se somos incapazes de suportar, mediante o vigor e o poder invencíveis da fé, o tempo oportuno de nosso livramento por fim se manifestará.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564). 

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

RUACH

RUACH

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1:8).

RUACH

Deus em nós
Tu fazes novas todas as coisas.

Vem, envia o Teu fogo santo.

Vem, derrama o Teu poder em nossos corações
Vem, enche a Tua igreja de novo.

Vem, Senhor, esperamos com anseio.

Ruach, Ruach, Ruach
Bem-vindo, sopro de Deus.



 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

“QUEM PRATICA A VERDADE APROXIMA-SE DA LUZ”


“
QUEM PRATICA A VERDADE APROXIMA-SE DA LUZ”

“Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus” (Jo 3:21).

Esta aparenta ser uma afirmação imprópria e absurda, a não ser que o leitor prefira admitir que alguns são retos e verdadeiros mesmo antes que tenham sido renovados pelo Espírito de Deus, o que de forma alguma se harmoniza com a doutrina uniforme da Escritura. Pois bem sabemos que a fé é a raiz da qual procedem os frutos das boas obras. Com vista a resolver esta dificuldade, Agostinho diz que praticar a verdade significa “reconhecer que somos miseráveis e destituídos de todo poder de praticar o bem”; e, por certo, é uma genuína preparação para a fé quando a convicção de nossa pobreza nos compele a fugir para a graça de Deus. Mas tudo isso é amplamente removido da intenção de Cristo, pois ele pretendia simplesmente dizer que aqueles que agem sinceramente nada desejam mais solicitamente do que a luz, para que suas obras sejam julgadas. Porque, quando tal prova é feita, torna-se mais evidente que, à vista de Deus, falam a verdade e são isentos de toda falsidade.

Ora, seria um raciocínio inconclusivo, caso inferíssimos disso que os homens desfrutam de sã consciência antes de experimentar a fé. Porque Cristo não diz que os eleitos creem a ponto de merecerem o louvor das obras, mas simplesmente o que os incrédulos fariam caso não experimentassem uma má consciência.

Cristo empregou a palavra verdade porque, quando somos enganados pelo brilho externo das obras, não consideramos o que está oculto dentro. Consequentemente, diz ele que os homens que são isentos de hipocrisia espontaneamente entram na presença de Deus, o único que é Juiz competente de nossas obras. Porque somos informados que essas obras são feitas em Deus ou de conformidade com Deus, as quais são aprovadas por ele e as quais são boas em consonância com sua norma. Daí, aprendamos que não devemos julgar as obras de qualquer outra maneira senão trazendo-as para a luz do evangelho, porquanto nossa razão é totalmente cega.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

domingo, 20 de setembro de 2026

ZOON VOL GLORIE - FILHO CHEIO DE GLÓRIA

ZOON VOL GLORIE

FILHO CHEIO DE GLÓRIA

Este é o Verbo, aqui em carne e osso
Entre os humildes, mansos e brandos
A voz de Deus, quando Ele fala
O plano de salvação de Deus se revela.

Oh, contemple-O, oh, contemple-O
Venha, erga o olhar, veja o Filho cheio de glória
Hosana, hosana
Venha, louve ao Senhor, honre a Jesus.

Este é o Seu coração, aqui na cruz
De cada ferida flui a Sua graça
Um novo dia, o túmulo vazio
A morte está morta, vencida para sempre.

Oh, contemple-O, oh, contemple-O
Venha, erga o olhar, veja o Filho cheio de glória
Hosana, hosanacheio de glóriaha, louve ao Senhor, honre a Jesus.

Esta é a Sua morada, aqui em nossos corações
Você também ouve o nosso Salvador batendo?
Deixe-O entrar, deixe-O agir
O seu "sim" traz o Reino d'Ele para perto
E ouça os santos, eles se alegram
Por Jesus, nossa Esperança da glória.



 

sábado, 19 de setembro de 2026

“EU SOU A LUZ DO MUNDO”


“EU SOU A LUZ DO MUNDO”

“De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8:12).

É um belo conhecimento de Cristo quando ele é denominado a luz do mundo, porque, visto que por natureza todos nós somos cegos, um remédio nos é oferecido, pelo qual possamos ser libertos e resgatados das trevas e feitos participantes da genuína luz. Nem é apenas a uma ou outra pessoa que se oferece este benefício, pois Cristo declara que ele é a luz do mundo inteiro. Por meio desta afirmação ele tencionava remover a distinção, não apenas entre judeus e gentios, mas entre o erudito e o ignorante, entre as pessoas de distinção e os plebeus.

Mas devemos primeiramente averiguar que necessidade há para se buscar esta luz, pois os homens jamais se apresentarão a Cristo para serem iluminados, até que saibam que este mundo jaz em trevas e que eles mesmos são totalmente cegos.

Portanto, saibamos que, quando a maneira de se obter esta luz nos remete a Cristo, somos todos condenados por cegueira, tudo quanto consideramos como sendo luz é comparado a trevas e a uma noite muito tenebrosa. Pois Cristo não fala dela como pertencente a ele em comum com outros, mas reivindica como sendo peculiarmente sua. Donde se segue que fora de Cristo não existe uma fagulha de luz genuína. Pode haver certa aparência de luminosidade, porém se assemelha a um relâmpago que apenas ofusca os olhos. Devemos observar ainda que o poder e o ofício de iluminar não se confinam à presença pessoal de Cristo, pois ainda que ele esteja muito afastado de nós no que concerne ao seu corpo, todavia diariamente jorra sua luz sobre nós, através da doutrina do evangelho e pelo poder secreto de seu Espírito. Todavia não teremos uma definição plena desta luz, a menos que aprendamos que somos iluminados pelo evangelho e pelo Espírito de Cristo, para que saibamos que a fonte de todo o conhecimento e sabedoria está oculta nele.

Quem me segue. À doutrina Cristo adiciona uma exortação, a qual ele imediatamente depois confirma por meio de uma promessa. Pois quando aprendemos que todos os que se deixarem governar por Cristo estão fora do perigo de apostatar, devemos sentir-nos impelidos a segui-lo e, deveras, ao estender a sua mão, por assim dizer, ele nos atrai a si. Devemos ainda deixar-nos ser poderosamente afetados por uma promessa tão imensa e magnificente, a saber, que todos quantos dirigem seus olhos para Cristo estão certos de que, mesmo no meio das trevas, serão preservados da apostasia, e que não só por um certo período, mas até que concluam sua trajetória. Pois esse é o significado das palavras usadas no tempo futuro: não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. Tal também é a substância dessa última sentença, na qual a perpetuidade da vida é declarada em termos expressos. Não devemos temer, pois, que ela nos deixe no meio da jornada, porque ela nos conduz inclusive à vida. Emprega-se o genitivo da vida, em concordância com o idioma hebreu, em vez do adjetivo, para denotar o efeito, como se ele houvera dito: a luz geradora de vida. Não precisamos admirar-nos que trevas tão maciças de erros e superstições prevalecem no mundo, onde tão poucos há que mantêm seus olhos fixos em Cristo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

MARANATHA JESUS MESSIAS

MARANATHA JESUS MESSIAS


MARANATHA JESUS MESSIAS

No princípio era o Verbo
e o Verbo estava com Deus
e o Verbo era Deus
E o Verbo se fez carne.

Pois Deus falou conosco por meio de seu Filho
por quem Ele criou o universo
Ele irradia a glória de Deus
Ele é a sua imagem exata
com sua palavra poderosa, Ele sustenta tudo o que existe
Ele é a imagem do Deus invisível,
o primogênito de toda a criação:
nele todas as coisas foram criadas,
tudo o que há nos céus e na terra,
o visível e o invisível,
principados e governantes, poderes e autoridades;
todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele.

Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas existem nele.
Ele é a cabeça do corpo, a igreja.
Ele é a Fonte,
o primogênito dentre os mortos,
para que ele tenha a primazia em tudo.

Pois nele toda a plenitude se agradou em habitar,
e, por meio dele e para ele, reconciliar consigo todas as coisas —
tudo o que há na terra e nos céus —
fazendo a paz pelo seu sangue na cruz.

Aquele que testemunha estas coisas diz:
"Sim, venho em breve."
E nós dizemos: "Amém. Vem, Senhor Jesus."

Vem em breve.
Pois disseste: "Faço novas todas as coisas."

E nós dizemos: Maranata.
Jesus, vem em breve
E faze novas todas as coisas.
Maranata.
Jesus, vem em breve
e faze novas todas as coisas.
Maranata
Maranata
Maranata
Maranata
Maranata

Maranata
Vem, Senhor Jesus
Maranata
Vem, Senhor Jesus
Maranata
Vem, Senhor Jesus
Maranata.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

“O AMOR É HUMILDE”


“O AMOR É HUMILDE”

“O amor “não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente” (1Co 13.4,5).

Nas palavras do texto, podemos observar que o amor cristão é expresso como o oposto não só do comportamento soberbo, mas de uma atitude soberba, ou o orgulho no coração, porquanto o amor “não se ensoberbece”. Eis a doutrina que nos é ensinada, nestas palavras: - 

Que o amor cristão, é humilde.

O que é humildade? A humildade pode ser definida como sendo o hábito da mente e do coração que corresponde à nossa indignidade e vileza em comparação com Deus, ou o senso de nossa própria insignificância aos olhos de Deus, com a disposição para um comportamento correspondente à humildade. Ela consiste em parte no senso ou estima que temos de nós mesmos; e, em parte, na disposição que temos para um comportamento correspondente a este senso ou estima. E o primeiro elemento na humildade é: - 

O senso de nossa própria insignificância comparativa. Digo insignificância comparativa por que a humildade é uma graça peculiar aos seres que são gloriosos e excelentes em todos os seus muitos aspectos. Assim os santos e anjos no céu, suplantam em humildade; e esta é peculiar a eles e adequada neles, ainda que sejam seres puros, impolutos e gloriosos, perfeitos em santidade e excelentes na mente e força. Mas, ainda que sejam assim gloriosos, contudo possuem uma insignificância comparativa diante de Deus, e disto são sensíveis, pois lemos que, aquele diante de quem devemos nos humilhar, contempla as coisas que estão no céu (Sl 113.5,6). Assim o homem Jesus Cristo, que é o mais excelente e glorioso de todas as criaturas, no entanto é manso e humilde de coração, e em humildade suplanta todos os demais seres. A humildade é uma das excelências de Cristo, porque ele é não somente Deus, mas também homem, e, como homem, ele era humilde; pois humildade não é, e não pode ser, um atributo da natureza divina. A natureza de Deus é de fato infinitamente oposta ao orgulho, e contudo a humildade não pode ser, propriamente, um predicado dele; pois, se o fosse, isto implicaria imperfeição, o que é impossível em Deus. Deus, que é infinito em excelência e glória, e infinitamente acima de todas as coisas, não pode ter em si qualquer consciência de insignificância, e portanto não pode ser humilde. Humildade, porém, é uma excelência peculiar a todos os seres inteligentes criados, pois todos eles são infinitamente pequenos e insignificantes diante de Deus, e a maioria é de alguma maneira insignificante e inferior em comparação com alguns de seus semelhantes. Humildade implica compromisso com aquela norma do apóstolo (Rm 12.3), a saber, que não devemos pensar de nós mesmos mais do que convém pensarmos, mas que pensemos de nós mesmos sobriamente, segundo Deus trata de cada um, na medida não só da fé, mas também das demais coisas. E esta humildade, como uma virtude nos homens, implica o senso de sua própria insignificância comparativa, tanto quando compara com Deus, como quando comparada com seus semelhantes.

Jonathan Edwards (1703-1758).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).