“SACERDÓCIO IMUTÁVEL”
“Ora, aqueles
são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de
continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio
imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a
Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:23-25).
O autor da carta
aos Hebreus concluiu previamente que era mister que o antigo sacerdócio
sofresse interrupção; visto que aqueles que ministravam nele eram homens
mortais; mas agora ele simplesmente realça a razão por que Cristo permanece Sumo
Sacerdote para sempre. Ele procede argumentando a partir dos opostos. Os
antigos sacerdotes eram em maior número em razão de a morte interromper seu
sacerdócio. Quanto a Cristo, não há morte que o impeça de cumprir seu ofício.
Por isso, também pode salvar. Nossa
salvação é o fruto do sacerdócio eterno, se porventura colhermos tal fruto pela
fé, como devemos fazê-lo. Pois onde a morte ou mudança se faz presente, aí buscaremos
a salvação sem qualquer resultado. Por isso, aqueles que aderem ao antigo
sacerdócio jamais alcançarão a salvação.
Quando diz, os que por ele se chegam a Deus, o
autor usa essa circunlocução com o fim de descrever os crentes que são os
únicos que desfrutam a salvação comunicada por Cristo. Ao mesmo tempo, indica
que gênero de fé deve repousar num mediador. O mais excelente bem humano deve
estar radicado no Deus que é a fonte de vida e de todas as bênçãos excelentes.
É nossa própria indignidade que impede de nos aproximarmos de Deus. Portanto, é
próprio do ofício do Mediador socorrer-nos aqui e estender sua mão para
guiar-nos ao céu.
O autor insiste
em fazer alusão às antigas sombras da lei. Embora o sumo sacerdote levasse os
nomes das doze tribos em seus ombros, e seus símbolos em seu peito, todavia ele
entrava sozinho no santuário enquanto o povo permanecia no átrio. Mas agora que
descansamos em Cristo como Mediador, entramos pela fé no céu, visto que não há mais
véu algum para nos obstruir a passagem. Deus nos aparece abertamente, e
amorosamente nos convida a um encontro com ele face a face.
Vivendo sempre para interceder por eles. Qual é a natureza e a extensão da garantia do Amor de Deus para
conosco? O fato de Cristo viver para nós e não para si mesmo, bem como o fato
de que ele foi recebido na bem-aventurança eterna com o fim de reinar no céu –
tal coisa se deu, diz o apóstolo, por nossa causa. Por conseguinte, a vida, o
reino e a glória de Cristo visam à nossa salvação como seu alvo, e Cristo nada
possui que não seja destinado para o nosso bem, visto que ele nos foi dado pelo
Pai nessa condição, ou seja, para que tudo o que é dele sejam também nosso. Ao
mesmo tempo o autor nos mostra, por meio do exemplo de Cristo, em sua função de
Sacerdote, que fazer intercessão pertence a um sacerdote, a fim de que o povo
encontre graça da parte de Deus. Cristo faz isso continuamente, ressuscitou
dentre os mortos com esse propósito. Ele justifica seu direito ao título de
Sacerdote em sua ininterrupta tarefa de fazer intercessão.
Deus nos abençoe
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).






