“PARA QUE TODO O QUE NELE CRÊ NÃO PEREÇA”
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).
A coisa mais extraordinária o sobre a fé é que ela nos livra da
destruição eterna. Porque ele queria dizer especialmente que, embora pareçamos
ter nascidos para a morte, pela fé em Cristo se nos oferece livramento
infalível, de sorte que não devemos temer a morte que, caso contrário, nos
ameaçaria. E ele usou um termo geral para convidar indiscriminadamente a todos
a fim de que participem da vida e excluir todo pretexto dos incrédulos. Tal
também é a importância do termo mundo
que ele usara antes. Porque, embora não haja nada no mundo merecedor do favor
divino, não obstante se revela favorável ao mundo inteiro, quando ele chama
todos, sem exceção, à fé em Cristo, que na verdade é um ingresso à vida.
Tenhamos em mente, por outro lado, que a vida seja universalmente prometida a todos os que creem em Cristo,
todavia a fé não é comum a todos [2Ts 3.2]. Porque Cristo se faz conhecido
e exibido à vista de todos, porém somente os eleitos são aqueles a cujo os
olhos Deus abre para que o busquem por meio da fé. Aqui também se exibe um
prodigioso efeito da fé, pois por meio dela recebemos a Cristo tal como ele nos
foi dado pelo Pai – ou seja, como aquele que nos libertou da condenação da
morte eterna e nos fez herdeiros da vida eterna, porque, pelo sacrifício de sua
morte, ele fez expiação por nossos pecados para que nada nos impeça de ser
reconhecidos por Deus como seus filhos. Portanto, visto que a fé abraça a
Cristo, com a eficácia de sua morte e o fruto de sua ressurreição, não carece
de surpresa se por meio dela obtivermos igualmente a vida de Cristo.
Todavia, não fica ainda muito evidente por que e como a fé nos outorga a
vida. Seria porque Cristo nos renova mediante seu Espírito para que a justiça
de Deus possa viver e ser revigorada em nós, ou seria porque, tendo sido purificado
por seu sangue, somos considerados justos diante de Deus mediante seu perdão
gratuito? Aliás, é certo que essas duas coisas andam sempre juntas, mas, como a
certeza da salvação é o tema ora em discussão, devemos principalmente manter,
por esta razão, que vivemos porque Deus nos ama soberanamente, não mais
imputando nossos pecados. Por essa razão, menciona-se expressamente o
sacrifício por meio do qual, juntamente com nossos pecados, a maldição e a morte
são destruídas. Já explicamos objeto dessas duas sentenças, a saber,
informar-nos de que em Cristo tomamos posse da vida, da qual estamos
inerentemente destituídos, pois nesta miserável condição do gênero humano, a
redenção, na ordem do tempo vem antes da salvação.
Deus nos
Abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).






