“NADA ACHOU, SENÃO FOLHAS”
“No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome”. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto” (Mc 11:12-14).
Nos versículos 13 e 14 desta passagem de Marcos, podemos aprender qual o grande perigo envolvido na falta de frutos e na formalidade nas coisas espirituais. Essa foi uma lição que nosso Senhor ensinou por meio de uma notável lição figurativa. Jesus, tendo-se aproximado de uma figueira, à procura de figos, nela “nada achou senão folhas”. Então o Senhor proferiu sobre ela uma solene sentença: Nunca jamais coma alguém fruto de ti!” No dia seguinte, os discípulos “viram que a figueira secara desde a raiz” [v. 20]. Não podemos duvidar, por um momento sequer, que todo esse acontecimento serve de figura das coisas espirituais. Ele é repleto de significado como qualquer outro acontecimento envolvendo o Senhor Jesus.
Entretanto, a
quem essa figueira sem frutos e ressecada tencionava falar? Ela foi um sermão
de tríplice aplicação, um sermão que deveria falar em alto e bom som às
consciências de todos os que se dizem cristãos. Embora ressecada até as raízes,
aquela figueira ainda fala. Havia nela uma voz dirigida à comunidade judaica.
Rica em folhas de formalidade religiosa, porém estéril quanto ao fruto do
Espírito, corria um tremendo perigo, até mesmo na ocasião em que ocorreu esse
ressecamento. Como teria sido bom, para a comunidade judaica, se conseguisse
perceber o perigo! Naquela figueira há uma voz dirigida a todos os ramos da
igreja de Cristo, em todos os séculos e em todos os lugares do mundo. Ali
encontramos uma advertência contra uma vazia profissão de fé cristã,
desacompanhada de doutrinas sãs e de um viver santificado – o que alguns desses
ramos da igreja fariam bem em assentar no coração. Porém, acima de tudo, aquela
figueira ressecada fala a todos os carnais, hipócritas e crentes de falso
coração. Quão bom seria para todos os cristãos que se contentam com o nome de
que vivem, enquanto, na realidade estão mortos, se ao menos quisessem contemplar
os seus rostos refletidos no espelho dessa passagem da Bíblia.
Tenhamos todo
o cuidado para que, individualmente, aprendamos bem a lição ministrada por essa
figueira. Nunca esqueçamos o fato que o batismo em água, o ser membro de uma
igreja local, a participação na Ceia do Senhor ou o uso diligente das
cerimônias e formalidades externas do cristianismo são ineficazes para salvar
as nossas almas. São apenas folhas, meras folhas. E, sem fruto, tal folhagem
servirá somente para aumentar a nossa condenação eterna. Tal como as folhas da
figueira, com as quais Adão e Eva fizeram para si uma vestimenta, essas folhas
não conseguirão ocultar a nudez de nossas almas ante os olhos do Deus que tudo
vê. Temos que produzir fruto ou estaremos perdidos para sempre. Deve haver frutos
em nossos corações e em nossas vidas, o fruto do arrependimento para com Deus,
da fé em nosso Senhor Jesus Cristo e da autêntica santidade. Sem tais frutos,
declarar-se cristão servirá tão somente para afundar as nossas almas no
inferno.
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).




