"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

“AS PALAVRAS DO MEU BRAMIDO”


“AS PALAVRAS DO MEU BRAMIDO”

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1).

Pela expressão: As palavras de meu bramido, o salmista notifica que enfrentava angústia e tormento em alto grau. Certamente que ele não era um homem de tão pouca coragem para, por conta de alguma aflição leve e ordinária, bramir assim, como se fosse uma fera bruta. Devemos, pois, concluir que sua angústia era tão profunda que podia arrancar um bramido tal de uma pessoa que era distinguida pela mansidão e pela coragem intrépida com que suportava as calamidades.

Visto que nosso Senhor Jesus Cristo, ao pender da cruz e ao prontificar-se a depositar sua alma nas mãos de Deus, seu Pai, fez uso dessas mesmas palavras [Mt 27.46], devemos ponderar como essas duas coisas podem concordar, ou seja, que Cristo era o unigénito Filho de Deus, e que, não obstante, se compenetrara de tal forma na tristeza, apoderado de tão profunda dor mental, que chegou a clamar que Deus, seu próprio Pai, o havia desamparado. A aparente contradição entre essas duas afirmações tem constrangido muitos intérpretes a dar curso às evasivas, levados pelo receio de acusar a Cristo de ser culpado nessa questão. Consequentemente, dizem que Cristo deu vazão a essa queixa, expressando antes a opinião popular que era testemunha de seus sofrimentos, do que algum sentimento que nutrisse de estar abandonado por seu Pai. Mas não têm levado em conta que, fazendo assim, estão empobrecendo consideravelmente o benefício de nossa redenção, imaginando que Cristo era totalmente isento dos terrores que o juízo de Deus causa nos pecadores. Temer fazer Cristo sujeito a tão grande sofrimento, para não diminuir sua glória, é de fato um temor infundado. Como Pedro, em Atos 2.24, claramente testifica que “não era possível fosse ele isentado das dores da morte”, segue-se que ele não era totalmente imune a elas. E visto que tornou-se nosso representante, e tomou sobre si nossos pecados, era certamente necessário que ele comparecesse perante o tribunal de Deus como pecador. Donde procede o terror e o espanto que o compeliram a orar pelo livramento da morte; não que lhe fosse tão terrível apartar-se meramente desta vida, mas porque surgia diante de seus olhos a maldição divina, à qual se expõem todos quantos são pecadores. Ora, se durante seu primeiro conflito “seu suor se converteu em grandes gotas de sangue”, de tal modo que careceu de anjo que o confortasse [Lc 22.43], não surpreende que, em seus sofrimentos finais na cruz, emitisse um lamento indicativo da mais profunda dor. De passagem, deve-se notar que Cristo, embora sujeito aos sentimentos e afetos humanos, jamais caiu em pecado movido pela fragilidade da carne; pois a perfeição de sua natureza o preservou de todo e qualquer excesso. Ele podia, portanto, vencer a todas as tentações com as quais Satanás o assaltava, sem receber qualquer ferimento no conflito que porventura viesse posteriormente compeli-lo a fraquejar. Em suma, não há dúvida de que Cristo, ao verbalizar essa exclamação na cruz, manifestamente demonstrou que, embora Davi, aqui, lamente suas angústias pessoais, este Salmo foi composto sob a influência do Espírito de profecia concernente ao Rei e Senhor de Davi.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

“POR QUE ESTÁS AFASTADO DE ME AUXILIAR?”


“POR QUE ESTÁS AFASTADO DE ME AUXILIAR?”

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1).

Não estou dizendo que Davi era um campeão tão corajoso e valente que sua fé não sofresse qualquer oscilação. Quanto mais os fiéis envidem esforços por subjugar seus sentimentos carnais, mais totalmente submissos e devotos se tornam a Deus. Mesmo assim haverá sempre resquícios de fraquezas prevalecendo neles. Disto procede o fato de o santo varão, Jacó, manquejar, segundo Moisés faz menção em Gênesis 32.24; pois embora houvesse prevalecido na luta contra Deus, não obstante conservou sempre a marca de seu pecaminoso defeito. Deus usa tais exemplos para encorajar seus servos à perseverança, para que, conscientes de sua própria deficiência, não sucumbam em desespero. Portanto, os meios que devemos adotar, sempre que nossa carne agitar-se tumultuosamente e, impelir-nos à impaciência, é reagindo-nos contra ela, tudo fazendo para restringir sua impetuosidade. Ao agirmos assim, é verdade, seremos agitados e dolorosamente provados, mas nossa fé, não obstante, continuará incólume e será poupada de naufrágio.

Além do mais, podemos deduzir da própria forma da queixa que Davi aqui apresenta, que não é sem motivo que ele reitera as palavras pelas quais sua fé fosse sustentada. Ele não diz simplesmente que fora desamparado por Deus, mas adiciona que Deus estava longe de seu auxílio, visto que, quando o viu a enfrentar os maiores perigos, não lhe deu qualquer sinal de o encorajar com a esperança de obter livramento. Visto que Deus tem toda condição de socorrer-nos, ao ver-nos expostos como presas de nossos inimigos, não obstante continua agindo como se não se importasse conosco, quem não diria que ele encolheu sua mão para não libertar-nos?

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?” - parte 2


“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?” - parte 2

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1).

Vimos, pois, a fonte da qual procedeu esta exclamação: Deus meu! Deus meu!, e da qual também procedeu a queixa que se segue imediatamente: Por que me desamparaste? Enquanto a veemência da tristeza e a enfermidade da carne arrancavam do salmista estas palavras: Estou desamparado de Deu?, a fé, para que ele, ao ser tão severamente provado, não mergulhasse em desespero, põe em seus lábios a correção dessa linguagem, para que ousadamente invocasse a Deus, como seu Deus, de quem cria estar desamparado. Sim, descobrimos que ele tem dado à fé a preeminência. Antes de se permitir expressar sua queixa, a fim de dar à fé a prioridade, ele antes declara que ainda clamava a Deus como seu Deus pessoal e recorria a ele como seu refúgio. E visto que os afetos da carne, uma vez dando vazão ao seu impulso, não são facilmente reprimidos, ao contrário nos impelem para além dos limites da razão, por isso é aconselhável que os reprimamos desde o começo. Davi, pois, observou a melhor ordem possível ao dar à fé a precedência — expressando-a antes de dar vazão à sua dor, e modificando, por meio de uma devota oração, a queixa que mais adiante faz com respeito à ampla extensão de suas calamidades. Houvera ele expresso simples e precisamente nesses termos: SENHOR, por que me desamparaste?, e pareceria, através de uma queixa tão amarga, ter murmurado contra Deus; e, além disso, sua mente correria um imenso risco de exasperar-se em razão do descontentamento movido pela intensidade de sua tristeza. Mas ao erguer contra a murmuração e o descontentamento a trincheira da fé, ele mantém todos os seus pensamentos e sentimentos reprimidos, a fim de que não ultrapassassem os devidos limites. Tampouco é supérflua a dupla reiteração ao chamar Deus de Deus meu; e, logo depois, ele ainda repete as mesmas palavras pela terceira vez. Quando parecer que Deus lançou de si toda preocupação por nossa segurança, ignorando nossas misérias e gemidos como se não os percebesse, o conflito com essa espécie de tentação é árduo e penoso; por isso Davi se esforça o máximo que pode em buscar a confirmação de sua fé. A fé não logra vitória logo no primeiro encontro, mas depois de ser alvo de muitos dardos; e depois de ser exercitada com muitas sacudidelas, ela por fim se sai vitoriosa.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?”


“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?”

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1)

O primeiro versículo contém duas notáveis expressões que, embora aparentemente contrárias uma à outra, no entanto vão sucessivamente penetrando cada vez mais o coração dos santos. Quando o salmista afirma sentir-se abandonado e destituído da presença de Deus, esta aparenta ser a queixa de um homem em profundo desespero. Pois é possível que permaneça em alguém pelo menos uma única fagulha de fé, quando crê que não há em Deus socorro algum para ele? E, no entanto, ao chamar a Deus, por duas vezes, de Deus meu, e ao depositar no seio divino seus gemidos, ele faz uma confissão mui distinta de sua fé. Com esse conflito íntimo, o crente piedoso necessariamente será exercitado toda vez que Deus retraia dele os emblemas de seu favor; de modo que, em toda e qualquer direção que volva seus olhos, nada vê senão a densa escuridão da noite. Digo que o povo de Deus, ao contender consigo mesmo, por um lado descobre as debilidades da carne, e por outro demonstra evidência de sua fé. Com respeito aos réprobos, visto que nutrem em seus corações desconfiança para com Deus, sua perplexidade mental os abate, e assim os incapacita a aspirarem a graça de Deus pela fé. Que Davi resistia os assaltos da tentação, sem se deixar esmagar, ou sem se deixar tragar por ela, pode facilmente deduzir-se de suas palavras. Ele fora profundamente oprimido pela dor; não obstante isso, prorrompe em linguagem de certeza: Deus meu! Deus meu! - o que não poderia ter feito sem resistir vigorosamente a apreensão contrária de que Deus o abandonara. Não existe um sequer dentre todos os santos que não experimente em seu ser, um dia ou outro, a mesma coisa. Segundo os juízos da carne, Davi imaginava que havia sido ignorado e abandonado por Deus, enquanto que, pela fé, apreende a graça de Deus, a qual se acha oculta aos olhos dos sentidos e da razão. E assim sucede que as afeições contrárias são misturadas e entrelaçadas com as orações dos fiéis. Os sentidos e a razão carnais não podem fazer outra coisa senão formar de Deus a concepção de ser ele ou favorável ou hostil, segundo as atuais condições dos fatos como se lhes apresentam. Quando, pois, ele nos mantém sofrendo por muito tempo, como se quisesse nos consumir de desgosto, inevitavelmente iremos sentir, segundo a sensação da carne, como se ele tivesse nos esquecido completamente. Quando tal sensação de perplexidade toma total posse da mente de uma pessoa, ela é mergulhada em profunda descrença, e não mais busca e de forma alguma espera encontrar o remédio. Se a fé, porém, lhe vem em seu socorro, reprimindo uma tentação de tal natureza, a mesma pessoa que, julgando segundo a aparência externa dos fatos, considerava Deus como que enraivecido contra ela, ou como que a tendo abandonado, mira no espelho da promessa a graça de Deus que se acha oculta e distante. Entre essas duas emoções contrárias, os fiéis são agitados e, por assim dizer, se veem flutuantes quando Satanás, de um lado, pondo diante de seus olhos os sinais da ira divina, os impele ao desespero, e tudo faz para destroçar completamente sua fé; enquanto que a fé, por outro lado, trazendo-lhes à lembrança as promessas [divinas], os ensina a esperar pacientemente e a confiar em Deus, até que uma vez mais ele lhes revele seu semblante paternal.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

“NÃO MENOSPREZOU NEM REPUDIOU”


“NÃO MENOSPREZOU NEM REPUDIOU”

“Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro” (Sl 22:24).

Regozijar-se pelo bem uns dos outros, e render graças pela comum felicidade uns dos outros, é uma parte daquela comunhão que deve existir entre o povo de Deus, como o apóstolo Paulo também ensina: “Ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos” [2Co 1.11]. Mas essa afirmação do salmista Davi serve a outro importante propósito - serve para encorajar a cada pessoa a esperar que Deus exerça a mesma mercê para com ela. De passagem, somos ensinados à luz dessas palavras que o povo de Deus deve suportar com paciência suas aflições, enquanto for do agrado do Senhor conservá-lo num estado de angústia, para que, por fim, o socorra e lhe conceda seu auxílio, quando for severamente provado.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“VÓS, QUE TEMEIS O SENHOR”


“VÓS, QUE TEMEIS O SENHOR”

“Declararei teu nome a meus irmãos; no meio da assembleia te louvarei: Vós, que temeis o SENHOR, louvai-o; todos vós, descendência de Jacó, glorificai-o; e temei-o, todos vós, descendência de Israel” (Sl 22:22,23).

Aqui, uma vez mais, o salmista expressa mais distintamente o fruto das públicas e solenes ações de graças, do qual fala antes, declarando que, ao engajar-se nesse exercício, cada pessoa, em seu próprio lugar, convida e incita a igreja, mediante seu exemplo, a louvar a Deus. Ele nos diz que o propósito com o qual louvará o nome de Deus na assembleia pública é para reanimar a seus irmãos a fazer o mesmo. Mas como os hipócritas comumente se infiltram na igreja, e visto que, no celeiro do Senhor, a palha se mistura com o trigo, ele se dirige expressamente aos santos e aos que temem a Deus. Os impuros e maus podem cantar os louvores de Deus com sua boca aberta, mas com toda certeza não fazem outra coisa senão poluir e profanar seu santo nome. Aliás, deveria ser um objetivo muito desejável que os homens de todas as condições no mundo, de comum acordo, unir-se em santa melodia ao Senhor. Visto, porém, que a principal e essencial parte dessa harmonia procede de uma afeição sincera e pura de coração, ninguém jamais, de uma forma correta, celebrará a glória de Deus, exceto aquele que o adorar sob a influência de santo temor. Davi, um pouco depois, designa a semente de Jacó e de Israel como uma referência à vocação comum do povo; e certamente ele não põe nenhum obstáculo no caminho para prejudicar mesmo os filhos de Abraão de louvarem a Deus de comum acordo. Mas como percebeu que muitos dos israelitas eram bastardos e degenerados, ele distingue os verdadeiros e sinceros israelitas daqueles; e ao mesmo tempo mostra que o nome de Deus não é devidamente celebrado, senão onde há verdadeira piedade e temor íntimo de Deus.

Temei-o, todos vós, descendência de Israel, diz o salmista; pois toda boa aparência com que os hipócritas se revestem neste assunto não passa de pura zombaria. O temor que ele recomenda não é, contudo, aquele que levaria os fiéis a fugirem da presença de Deus, mas aquele que os introduzirá humildemente em seu santuário, como se acha declarado no Salmo 15. Alguns poderão sentir-se surpresos de encontrar Davi endereçando uma exortação em prol do louvor de Deus, àqueles a quem havia previamente recomendado a agirem assim. Mas isso é facilmente explicável, pois mesmo os mais santos dentre os homens no mundo nunca são tão plenamente imbuídos do temor de Deus que não tenham mais necessidade de continuamente incitar- se ao seu exercício. Consequentemente, a exortação não é de forma alguma supérflua quando, falando daqueles que temem a Deus, ele os exorta a reverenciarem-no e a prostrarem-se humildemente diante dele.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

“VEDES QUE O DIA SE APROXIMA”


VEDES QUE O DIA SE APROXIMA

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

Tanto mais quanto vedes que o Dia se aproximaHá quem pense que esta cláusula está paralela àquela de Paulo: “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” [Rm 13.11]. Creio, ao contrário, que a referência, aqui, é à vinda final de Cristo, a cuja expectação devemos despertar-nos com mais urgência para a contemplação de uma vida santa, bem como nos esforçarmos, criteriosa e zelosamente, por manter a Igreja unida e reunida. Qual é o propósito da vinda de Cristo senão reunir em um só corpo os dispersos que ainda se encontram errantes? Portanto, quanto mais próxima é sua vinda, mais devemos redobrar nossos esforços para que os dispersos sejam reunidos e estejam unidos, a fim de que chegue o tempo quando seremos um só rebanho e teremos um só Pastor [Jo 10.16].

Se porventura alguém perguntar como o apóstolo poderia afirmar que aqueles que ainda se encontravam longe da revelação [ou volta] de Cristo viram o dia próximo e quase ao seu alcance, minha resposta é que a Igreja se encontrava tão bem constituída desde o início do reino de Cristo, que os fiéis pensavam na vida do Juiz como algo iminente. Não eram enganados por uma falsa imaginação, sentindo-se preparados para receberem a Cristo a qualquer momento, pois a condição da Igreja, desde o tempo da promulgação do evangelho, era tal que todo aquele período foi legítima e apropriadamente chamado de os últimos dias. Aqueles que se se encontravam mortos desde muitas gerações viveram os últimos dias não menos que nós. Os ardilosos e sarcásticos, para quem se afigura ridículo o fato de termos alguma fé na ressurreição da carne e no juízo final, riem de nossa simplicidade diante de tais questões. Mas para que nossa fé não trema diante de seus motejos, o Espírito Santo nos ensina [2Pe 3.8] “que para o Senhor mil anos é como um dia, e um dia como mil anos”. De modo que, toda vez que pensarmos sobre a eternidade do reino celestial, nenhum perídio de tempo deverá parecer-nos longo. Além do mais, já que Cristo, depois de haver completado toda a obra da nossa salvação, subiu ao céu, é justo e próprio que esperemos continuamente sua segunda revelação [ou vinda], e pensemos de cada dia como se ele fosse o último.

João Calvino (1509-1564).

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“É COSTUME DE ALGUNS”


“É COSTUME DE ALGUNS”

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

Ao dizer, não deixemos de congregar-nos, a seguir o apóstolo acrescenta: como é costume de alguns. É fácil deduzir-se dessa cláusula que os primeiros sintomas de todo cisma são oriundos do orgulho quando menosprezamos os outros e nos agradamos além do que temos direito. Quando ouvimos que mesmo nos tempos dos apóstolos haviam homens incrédulos que abandonavam a Igreja, devemos sentir-nos menos abalados e perturbados diante de semelhantes exemplos de deserção tão comuns hoje. Naturalmente que não podemos considerar o fato de pessoas que haviam apresentado algum sinal de santidade e haviam demonstrado alguma fé como a nossa, e apostataram do Deus vivo. Como, porém, isso não tem nada de novo, não devemos, como já disse, sentir-nos demasiadamente perturbados. O apóstolo inseriu essa cláusula para mostrar que não estava falando sem motivo, mas que tinha o propósito de aplicar o necessário antídoto à enfermidade que ora ganhava terreno.

Antes façamos admoestações. Isso significa que todos os crentes devem, por todos os meios possíveis, esforçar-se em congregar a Igreja, em toda parte. É sob essa condição que somos chamados pelo Senhor, para que todos procurem trazer outros, esforçando-se por guiar os transviados de volta ao caminho, estendendo a mão aos caídos, bem como ganhando também os de fora. Se temos de nos esforçar tanto em favor daqueles que ainda são estranhos ao rebanho de Cristo, quanto mais solicitude se exige de nós no sentido de animarmos os irmãos a quem Deus já uniu a nós.

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

PLAYLIST - LOUVOR & ADORAÇÃO

PLAYLIST - LOUVOR & ADORAÇÃO

“Bendirei o SENHOR em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no SENHOR a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão” (Sl 34:1,2).

Deus nos abençoe!

LOUVOR: SOMENTE EM DEUS

LOUVOR: SOMENTE EM DEUS

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei muito abalado” (Sl 62:1,2).

Salmo 62:1,2,5,6,8

Deus nos abençoe!