"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



segunda-feira, 7 de setembro de 2026

“BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR”


“BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR”

“Bendito o que vem em nome do SENHOR. A vós outros da Casa do SENHOR, nós vos abençoamos” (Sl 118:26).

Neste versículo um pedido particular é acrescentado, um pedido que os fiéis deviam guardar, ou seja: uma vez que Deus havia designado Davi como ministro de sua graça, este também queria bendizê-Lo. Aqueles que Deus emprega para o bem-estar de sua Igreja são identificados como aqueles que vêm em nome do Senhor - tais como os profetas e mestres que Deus levanta para congregar sua Igreja; tais como generais e governantes que Ele instrui por meio de seu Espírito. Mas, como Davi era um tipo de Cristo, seu caso era peculiar, visto que era a vontade de Deus que seu povo vivesse sob os cuidados de Davi e de seus sucessores até ao advento de Cristo. A expressão bendito aquele que vem pode ser considerada como uma forma de congratulação. Todavia, visto que a bênção dos sacerdotes é imediatamente anexada, disponho-me antes a crer que o povo desejava que Davi recebesse a graça e o favor de Deus. Para induzi-los a apresentar esta petição com mais vivacidade e, assim, serem encorajados a receber o rei a quem Deus lhes designara, esta promessa é adicionada na pessoa dos sacerdotes: A vós outros da Casa do SENHOR, nós vos abençoamos ou nós te bendizemos desde a casa do SENHOR.

Eles falam dessa maneira em harmonia com seu ofício, que lhes impunha o dever de abençoar o povo, como transparece de várias passagens nos livros de Moisés (particularmente, Números 6.23). Não é sem razão que eles conectam o bem-estar da Igreja com a prosperidade do reino, sendo o desejo deles apresentar a sugestão e mostrar que a segurança do povo permaneceria enquanto o reino continuasse a florescer e que todos participariam das bênçãos que seriam conferidas a seu rei, por causa da conexão indissolúvel que existe entre a cabeça e os membros.

Sabendo, como agora sabemos, que, ao ser Davi constituído rei, foi lançado o fundamento daquele reino eterno que, eventualmente, se manifestou no evento de Cristo; sabendo também que o trono temporal sobre o qual os descendentes de Davi foram postos era um tipo do reino eterno dado a Cristo por Deus, seu Pai, em consequência do qual Ele obteve todo o poder, tanto no céu como na terra, não pode haver dúvida de que o profeta convoca os fiéis a orarem fervorosa e constantemente pela prosperidade e progresso deste reino espiritual. Pois de orarem por Davi e seus sucessores era uma incumbência dos que viviam durante aquela sombria dispensação; mas, depois que toda a grandeza daquele reino foi subvertida, coube-lhes rogar com todo ardor que Deus, no cumprimento de suas promessas, o restabelecesse.

Em suma, tudo o que é declarado aqui se relaciona propriamente com a pessoa de Cristo. E aquilo que era indistintamente prefigurado em Davi foi apresentado e cumprido em Cristo. A eleição de Davi foi secreta; e, depois de ser ungido como rei por Samuel, ele foi rejeitado por Saul, bem como por todos os líderes do povo; e todos nutriam aversão por ele, como se fosse merecedor de centenas de mortes. Assim, mal interpretado e desonrado, Davi não parecia ser uma pedra adequada para ocupar um lugar no edifício. Semelhante a isto foi o princípio do reino de Cristo, que, sendo enviado pelo Pai para a redenção da Igreja, não somente foi desprezado pelo mundo, mas também odiado e execrado, tanto pelas pessoas comuns como pelos nobres da Igreja.

Mas é possível que alguém pergunte: Como o profeta chama de construtores aqueles que, em vez de desejarem a proteção da Igreja, almejavam somente a destruição de toda a estrutura? Sabemos, por exemplo, com que veemência os escribas e sacerdotes, nos dias de Cristo, labutavam para a subversão de toda piedade. A resposta não é difícil. Davi se refere somente ao ofício que eles exerciam, e não às inclinações pelas quais eram impelidos. Saul e todos os seus conselheiros foram subvertedores da Igreja; no entanto, em relação ao seu ofício, eram os principais construtores. O Espírito Santo costuma conceder aos ímpios os títulos honrosos que pertencem ao ofício deles, até que Deus os remova do ofício. Portanto, quão desavergonhados eram, às vezes, os sacerdotes entre o antigo povo de Deus; no entanto, retinham a dignidade e a honra que pertenciam a seu ofício, até que eram destituídos do ofício. Por isso, as palavras de Isaías [42.19]: “Quem é cego, senão meu servo; e quem é louco, senão aquele a quem enviei?” Ora, ainda que a intenção deles era minar toda a constituição da Igreja, visto que haviam sido chamados por Deus para cumprir um objetivo diferente, o salmista os chama servos e enviados de Deus.

Esta passagem nos informa que aqueles que são investidos do ofício de governo da Igreja, são, às vezes, os piores operários. Davi, falando pelo Espírito, denomina de construtores àqueles que tentavam destruir o Filho de Deus e a salvação da humanidade. Por meio deles, o culto divino foi adulterado, o cristianismo, totalmente corrompido, e o templo de Deus, profanado. Se todos os que são investidos de autoridade ordinária devem ser ouvidos, sem exceção, como pastores legalmente designados, então Cristo não deve falar, porque frequentemente seus inimigos mais amargos vivem ocultos sob as vestes de pastores.

Aqui, vemos que poderoso e inexpugnável escudo o Espírito Santo nos dá contra a vanglória fútil dos clérigos papais. Eles possuem o título de “construtores”; mas, se não conhecem a Cristo, segue-se, necessariamente, que nós também não O conhecemos? Ao contrário, que condenemos e rejeitemos todos os decretos deles e reverenciemos esta preciosa pedra sobre a qual repousa a nossa salvação. Pela expressão essa veio a ser a pedra angular, devemos entender o fundamento real da Igreja, o fundamento que sustenta todo o peso do edifício, sendo indispensável que os cantos formem a principal foça do edifício. Não aprovo a opinião ingênua de Agostinho, que faz de Cristo a pedra angular, porque Ele uniu judeus e gentios, fazendo assim da pedra angular a pedra intermédia entre as duas paredes diferentes.

Davi prossegue, repetindo, em alguma extensão, como tenho observado, que é errôneo estimar o reino de Cristo pelos sentimentos e opiniões dos homens, porque, a despeito da oposição do mundo, o reino está erigido de maneira espantosa pelo poder invisível de Deus. Entretanto, devemos ter em mente que tudo o que foi realizado na pessoa de Cristo se estende ao desenvolvimento gradual de seu reino, inclusive até ao fim do mundo. Quando Cristo habitou na terra, Ele foi desprezado pelos principais sacerdotes. Agora, os que se chamam sucessores de Pedro e de Paulo, mas realmente não passam de sucessores de Ananias e Caifás, deflagram guerra, como gigantes, contra o evangelho e o Espírito Santo. Mas esta rebelião furiosa não deve inquietar-nos. Antes, adoremos humildemente aquele maravilhoso poder de Deus que reverte as perversas decisões do mundo. Se nosso entendimento limitado pudesse compreender o curso que Deus segue para a proteção e preservação de sua Igreja, não haveria nenhuma menção de um milagre. Deste fato, concluímos que o modo de operar de Deus é incompreensível e frustra o entendimento dos homens.

Poderíamos indagar: era necessário que Cristo foi censurado pelos construtores? Certamente, a Igreja indicaria encontrar-se em um estado lamentável, se ela tivesse como pastores somente aqueles que eram inimigos mortais do seu bem-estar. Quando Paulo se intitula “construtor”, ele nos informa que este ofício era comum a todos os apóstolos [1Co 3.10]. Minha resposta é: todos os que exercem liderança na Igreja não são culpados de cegueira perpétua e que o Espírito Santo confronta essa pedra de tropeço, que, em outros aspectos, tende a ser um obstáculo para muitos, quando testificam o nome de Cristo envoltos em esplendor profano.

Quando Deus, visando que sua glória resplandeça com mais fulgor, solta as rédeas de Satanás, de modo que os que são investidos com poder e autoridade rejeitam a Cristo, o Espírito Santo nos ordena a que sejamos corajosos e, rejeitando todas essas decisões perversas, recebamos com todo respeito o Rei a quem Deus pôs sobre nós. Sabemos que desde o início os construtores têm se empenhado para subverter o reino de Cristo. Isso continua a ocorrer em nossos dias, na atitude daqueles que, tendo recebido a incumbência da superintender a Igreja, fazem todas as tentativas para subverter esse reino, pois dirigem contra ele todo as armas que puderem inventar. Mas, se guardarmos em mente esta profecia, nossa fé não desanimará. Pelo contrário, mas será mais e mais confirmada, porque, dentre essas coisas, se tornará ainda mais evidente que o reino de Cristo não depende do favor humano, nem extrai sua força de apoios terrenos, porque não obteve sua força dos sufrágios humanos. No entanto, se os construtores edificam bem, a perversidade dos que não permitem a si mesmos o tornarem-se apropriados ao edifício sagrado será muito menos escusável. Além do mais, sempre que nós, por esta espécie de tentação, nos vemos diante das provações, não nos esqueçamos de que é irracional esperar que a Igreja seja governada segundo a nossa compreensão dos problemas e que somos ignorantes quanto ao governo dela, porque aquilo que é miraculoso excede a nossa compreensão.

A sentença anterior, este é o dia que o SENHOR fez [v.24], nos lembra que não há nada, exceto o reino de trevas morais, se Cristo, o Sol da Justiça, não nos ilumina com seu evangelho. Devemos ainda lembrar que esta obra deve ser atribuída a Deus e que a humanidade não deve arrogar para si qualquer mérito em virtude de seus próprios empenhos. O chamado ao exercício da gratidão, que segue imediatamente, tem o propósito de nos advertir contra o render-nos à loucura de nossos inimigos, por mais furiosos que se mostrem contra nós, a fim de privar-nos da alegria que Cristo nos conquistou. De Cristo deriva toda a nossa felicidade; consequentemente, não haverá motivo para admiração, se todos os ímpios se inflamarem de aborrecimento e sentirem-se indignados ante o fato de sermos elevados a um clímax de gozo tão sublime, que superamos toda tristeza e suavizamos toda a severidade das provas que temos suportado.

Antes do advento de Cristo, a oração que aparece em seguida era familiar ao povo e às crianças, pois os evangelistas declaram que Cristo foi recebido com esta forma de saudação. Certamente era a vontade de Deus ratificar, naquele tempo, a predição que Ele falara pelos lábios de Davi. Ou melhor, essa exclamação demonstra nitidamente que a interpretação contra a qual os judeus ergueram um clamor era unanimemente admitida; e isso torna sua obstinação e malícia ainda mais inescusáveis. Eu os culpo não por sua estupidez, visto que se deixam envolver intencionalmente por um misto de ignorância, a fim de cegarem a si mesmos e aos demais. E, como os judeus nunca cessaram de pronunciar esta oração durante aquela dolorosa desolação e aquelas chocantes devastações, sua perseverança deve inspirar-nos com novo vigor nestes dias.

Naquele tempo, os judeus não tinham a honra de um reino, um trono real, um nome senão com Deus. Contudo, nesse estado deplorável e corrompido, apegaram-se à forma de oração outrora prescrita para eles pelo Espírito Santo. Instruídos por seu exemplo, não desfaleçamos em orar ardentemente pela restauração da Igreja, a qual, em nossos dias, se encontra envolta em melancólica desolação. Além disso, nestas palavras somos também informados que o reino de Cristo não é erigido e desenvolvido pela política humana, e sim que esse reino é uma obra exclusiva de Deus, pois os fiéis são ensinados a confiar somente na bênção dEle. Além do mais, a própria repetição das palavras que, como temos observado, as torna mais vigorosas, deve despertar-nos de nossa letargia e tornar-nos mais intensamente zelosos em verbalizar esta oração. Deus pode, por Si mesmo, sem a instrumentalidade da oração de qualquer crente, erigir e proteger o reino de seu Filho; porém não é sem bom motivo que Ele nos impõe esta obrigação, visto que nada deve ser mais conveniente aos fiéis do que a busca solícita do avanço da glória de Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

terça-feira, 1 de setembro de 2026

“A FIGUEIRA MURCHA” - Conclusão


“A FIGUEIRA MURCHA”

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

Conclusão.

Sugiro que todas as pessoas aqui presentes clamem ao Senhor para nos tornar conscientes da nossa esterilidade natural. Amados irmãos, que o Senhor nos leve a lamentar nossa esterilidade, mesmo quando trazemos alguns frutos. Sentirem-se bem satisfeitos consigo mesmos é perigoso: julgarem-se santos, e até mesmo perfeitos, é ficar à beira da fossa do orgulho. Se vocês erguerem a cabeça tão alta, temo que vão batê-la contra a verga da porta. Se andarem sobre pernas de pau, temo que cairão. É muito mais seguro sentir: "Senhor, realmente sirvo a Ti, e não sou enganador. Amo-te realmente; Tu tens operado em mim as obras do Espírito. Mas ai de mim! Não sou o que quero ser, não sou o que devo ser. Aspiro à santidade; ajuda-me a alcançá-la. Senhor, devo ficar deitado no próprio pó diante de Ti quando penso que, depois de ter recebido o trabalho da escavação e da adubação, produzo tão poucos frutos. Sinto que sou menos do que nada. Meu clamor é: "Deus tem misericórdia de mim". Se eu tivesse feito tudo, ainda seria um servo de pouco proveito; mas tendo feito tão pouco, Senhor, onde esconderei a minha cabeça culpada?"

Finalmente, depois de terem feito essa confissão, e o bom Senhor ter ouvido, há um símbolo nas Escrituras que eu gostaria que vocês copiassem. Imaginemos que nesta manhã vocês se sintam tão secos, mortos e infrutíferos, que não podem servir a Deus como gostariam de fazer, nem sequer orar pedindo mais graça, conforme desejam. Então, estão como doze varas. Estão muito mortas e secas, porque ficaram sempre nas mãos de doze chefes, que as usaram como cetros do seu cargo oficial. Essas doze varas devem ser colocadas diante do Senhor. Esta aqui é a de Arão; mas está tão morta e seca como qualquer das demais. Todas as doze são colocadas onde o Senhor habita. Vemo-las no dia seguinte. Onze delas continuam a ser varas secas; mas vejam essa vara de Arão! O que aconteceu? Era seca como a morte. Mas vejam, brotou! Isto é maravilhoso! Mas olhem, floresceu! Há nela flores de amendoeira. São cor-de-rosa e brancas. É uma maravilha! Mas olhem de novo: produziu amêndoas! Aqui estão! Vejam estes frutos verdes, que parecem pêssegos. Tirem a parte carnuda, e aqui está uma amêndoa cuja casca vocês podem quebrar para achar a noz. O poder celestial veio sobre a vara seca, e brotou, e floresceu, e até mesmo produziu amêndoas. Frutificar é a prova da vida e do favor. Senhor, tome essas pobres varas hoje, e faça-as brotar. Senhor, aqui estamos, num feixe, realize aquele milagre antigo em mil de nós. Faça-nos brotar, florescer, e frutificar! Vem com poder divino, e transforma esta congregação de gavela em pomar. Quem dera que nosso bendito Senhor obtivesse um figo dalguma vara seca nesta manhã! — pelo menos um figo tal como este: "Deus tem misericórdia de mim, pecador!" Há doçura nessa oração. Nosso Senhor Jesus gosta do sabor de um figo tal como este: "Senhor, creio! Ajuda a minha falta de fé!" Aqui está outro: "Ainda que ele me mate, nele esperarei" — é uma cestada de figos temporãos, e o Senhor se regozija na sua doçura. Vem, Espírito Santo, produza frutos em nós hoje, mediante a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor! 

Deus nos abençoe!

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“A FIGUEIRA MURCHA” - Parte do segundo e terceiro ponto.


“A FIGUEIRA MURCHA”

Parte do segundo e terceiro ponto.

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

II. Já é hora de nos lembrarmos da verdade solene do nosso segundo ponto: Essas pessoas serão inspecionadas pelo Rei Jesus.

Ele Se aproximará delas, e quando chegar a elas, procurará fruto. Ele perscruta totalmente o nosso caráter, para ver se há alguma fé genuína, algum amor verdadeiro, alguma esperança viva, algum gozo que seja fruto do Espírito Santo, alguma paciência, alguma abnegação, algum fervor na oração, algum andar com Deus, alguma habitação do Espírito Santo; e se Ele não vir tais coisas, não ficará satisfeito com a frequência à igreja, às reuniões de oração, às santas ceias, às leituras bíblicas, aos sermões, porquanto todas essas coisas podem não passar de folhagem. Se nosso Senhor não vir em nós o fruto do Espírito, não ficará satisfeito conosco, e Sua inspeção levará a medidas severas. Notem que o que Jesus está procurando não são suas palavras, suas resoluções, suas alegações, mas sua sinceridade, sua fé interior, suas pessoas sendo realmente trabalhadas pelo Espírito de Deus para produzirem frutos dignos do Seu reino. Nosso Senhor tem o direito de esperar fruto quando Ele vem procurá-lo. Como cristãos, confessamos que somos redimidos dentre os homens, e que fomos libertos desta geração perversa. Cristo talvez não espere fruto provindo dos homens que reconhecem o mundo e suas épocas mutáveis como sua orientação suprema; mas certamente pode esperar fruto daquele que crê na Sua própria Palavra.

III. Agora, em terceiro lugar, pela ajuda do Espírito de Deus, quero considerar a verdade de que o resultado da vinda de Cristo será muito terrível para quem fez uma profissão precoce - porém infrutífera.

Onde poderia ter esperado achar fruto, aquele que procurou não achou nada senão folhas. Nada senão folhas significa nada senão mentiras. Seria essa uma expressão severa? Se eu professo a fé, sem a possuir, não se trata de uma mentira? Se eu professo o arrependimento, sem ter-me arrependido, não se trata de uma mentira? Se eu me reúno com o povo do Deus vivo, sem ter o temor a Deus no meu coração, não se trata de uma mentira? Se eu venho à mesa da comunhão, e participo do pão e do vinho, porém nunca discirno o corpo do Senhor, não se trata de uma mentira? Se eu professo que defendo as doutrinas da graça, mas não tenho a certeza da veracidade delas, não se trata de uma mentira? Se nunca senti minha própria depravação, se nunca fui chamado de modo eficaz, se nunca conheci minha eleição por Deus, se nunca descansei no sangue remidor, e se nunca fui renovado pelo Espírito, minha defesa das doutrinas da graça não seria uma mentira? Se não há nada senão folhas, não há nada senão mentiras, e o Salvador percebe que a situação é assim.

Deus nos abençoe!

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“A FIGUEIRA MURCHA” - Introdução e parte do primeiro ponto.


“A FIGUEIRA MURCHA”

Introdução e parte do primeiro ponto.

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

Que grande lição para as igrejas! Tem havido igrejas nas quais se destacaram os números e a influência, contudo a fé, o amor e a santidade não foram mantidos, e o Espírito Santo as deixou à exibição vã de uma profissão infrutífera; e ali ficam aquelas igrejas com o tronco da organização e com os galhos amplamente estendidos, mas estão mortas, e ano após ano tornam-se cada vez mais decadentes. Irmãos, temos nesta hora igrejas desse tipo entre os protestantes evangélicos. Que nunca seja assim com esta igreja! Podemos ter um bom número de pessoas que vem para ouvir a Palavra, e um grupo considerável de homens e mulheres que professam estar convertidos; mas a não ser que a piedade vital esteja em seu meio, o que são as congregações e as igrejas? Podemos ter um ministério de valor, mas o que ele seria sem o Espírito de Deus? Podemos ter grandes ofertas, e muitos esforços exteriores, mas o que valem sem o espírito da oração, o espírito da fé, o espírito da graça e da consagração? Eu ficaria apavorado se um dia nós chegássemos a ser como uma árvore precoce, ostentando uma profissão superlativa, mas sem valor aos olhos do Senhor, por estar ausente a vida secreta da piedade e da união vital com Cristo. Seria melhor o machado derrubar todo vestígio da árvore, do que deixá-la em pé sob o céu como uma mentira aberta, uma zombaria, uma ilusão.

I. Em primeiro lugar, então, há no mundo casos de profissão promissora, porém infrutífera. 

Os casos aos quais nos referimos não são tão raros assim. As pessoas envolvidas neles superam, em muito, tantas outras. Sua promessa é bem audível, e seu exterior é muito impressionante. Parecem árvores frutíferas; esperamos delas muitas cestadas dos melhores figos. Elas nos impressionam com a sua conversa, nos deixam assoberbados com os seus modos. Invejamos a elas, e açoitamos a nós mesmos. Essa última atitude talvez não nos faça mal; mas invejar hipócritas não pode deixar de ser danoso a longo prazo; isto porque quando for descoberta a hipocrisia delas, tenderemos a desprezar a religião, como também os que fingem ser religiosos. Acaso vocês não conhecem pessoas que na aparência são tudo e na realidade não são nada? Ó pensamento tenebroso! Nós mesmos poderíamos ser assim? Vejam o homem: ele está forte na fé, até o ponto da presunção; está alegre na esperança, até o ponto da leviandade; é amoroso de espírito, até o ponto de total indiferença quanto à verdade! Como é loquaz na conversa! Como está profundo na especulação teológica! Como é fervoroso em conclamar a movimentos de avanço! Nunca, porém, entrou no reino mediante o novo nascimento. Nunca foi ensinado por Deus. O evangelho chegou a ele somente em palavras. A obra do Espírito Santo lhe é desconhecida. Porventura não existem tais pessoas? Não há pessoas que são defensoras da ortodoxia, no entanto, heterodoxas na sua própria conduta? Não conhecemos homens e mulheres cujas vidas negam o que os seus lábios professam? Temos certeza de que assim é. Todas as vinhas já tiveram nelas figueiras cobertas de folhas, que se destacaram pela folhagem da sua profissão de fé, todavia não produziram frutos para o Senhor.

Deus nos abençoe!

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

HART EN LICHAAM – Mozaiek Worship

“Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (Sl 63:1).

HART EN LICHAAM – CORAÇÃO E CORPO

Venho aqui com o meu vazio
Com sede da Tua água viva
Meu coração e meu corpo clamam
Por mais de Ti
Jesus, tudo o que eu quero
Jesus, o que a minha alma
tanto precisa
Jesus, o que eu anseio
Meu coração e meu corpo
Clamam por Ti
Meu coração e meu corpo
Anseiam por Ti.

domingo, 30 de agosto de 2026

“NADA ACHOU, SENÃO FOLHAS”


“NADA ACHOU, SENÃO FOLHAS”

No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome”. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto” (Mc 11:12-14).

Nos versículos 13 e 14 desta passagem de Marcos, podemos aprender qual o grande perigo envolvido na falta de frutos e na formalidade nas coisas espirituais. Essa foi uma lição que nosso Senhor ensinou por meio de uma notável lição figurativa. Jesus, tendo-se aproximado de uma figueira, à procura de figos, nela “nada achou senão folhas”. Então o Senhor proferiu sobre ela uma solene sentença: Nunca jamais coma alguém fruto de ti!” No dia seguinte, os discípulos “viram que a figueira secara desde a raiz” [v. 20]. Não podemos duvidar, por um momento sequer, que todo esse acontecimento serve de figura das coisas espirituais. Ele é repleto de significado como qualquer outro acontecimento envolvendo o Senhor Jesus.

Entretanto, a quem essa figueira sem frutos e ressecada tencionava falar? Ela foi um sermão de tríplice aplicação, um sermão que deveria falar em alto e bom som às consciências de todos os que se dizem cristãos. Embora ressecada até as raízes, aquela figueira ainda fala. Havia nela uma voz dirigida à comunidade judaica. Rica em folhas de formalidade religiosa, porém estéril quanto ao fruto do Espírito, corria um tremendo perigo, até mesmo na ocasião em que ocorreu esse ressecamento. Como teria sido bom, para a comunidade judaica, se conseguisse perceber o perigo! Naquela figueira há uma voz dirigida a todos os ramos da igreja de Cristo, em todos os séculos e em todos os lugares do mundo. Ali encontramos uma advertência contra uma vazia profissão de fé cristã, desacompanhada de doutrinas sãs e de um viver santificado – o que alguns desses ramos da igreja fariam bem em assentar no coração. Porém, acima de tudo, aquela figueira ressecada fala a todos os carnais, hipócritas e crentes de falso coração. Quão bom seria para todos os cristãos que se contentam com o nome de que vivem, enquanto, na realidade estão mortos, se ao menos quisessem contemplar os seus rostos refletidos no espelho dessa passagem da Bíblia.

Tenhamos todo o cuidado para que, individualmente, aprendamos bem a lição ministrada por essa figueira. Nunca esqueçamos o fato que o batismo em água, o ser membro de uma igreja local, a participação na Ceia do Senhor ou o uso diligente das cerimônias e formalidades externas do cristianismo são ineficazes para salvar as nossas almas. São apenas folhas, meras folhas. E, sem fruto, tal folhagem servirá somente para aumentar a nossa condenação eterna. Tal como as folhas da figueira, com as quais Adão e Eva fizeram para si uma vestimenta, essas folhas não conseguirão ocultar a nudez de nossas almas ante os olhos do Deus que tudo vê. Temos que produzir fruto ou estaremos perdidos para sempre. Deve haver frutos em nossos corações e em nossas vidas, o fruto do arrependimento para com Deus, da fé em nosso Senhor Jesus Cristo e da autêntica santidade. Sem tais frutos, declarar-se cristão servirá tão somente para afundar as nossas almas no inferno.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“TEVE FOME”


“TEVE FOME”

“No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome”. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto” (Mc 11:12-14).

Nesta passagem de Marcos, percebemos uma das muitas provas de que nosso Senhor Jesus Cristo era verdadeiramente homem. Lemos que ele “teve fome”. Jesus possuía uma natureza e uma constituição física igual à nossa, em todos os aspectos, excetuando apenas o pecado. Ele chorava, regozijava-se e sofria dor. Ele cansava e precisava descansar. Ficava com sede e precisa saciar a sua sede. Ele também sentia fome e precisava alimentar-se. 

Expressões como essas deveriam ensinar-nos a grande condescendência de Jesus. Quão admiráveis são essas expressões, quando refletimos sobre elas! Aquele que é o Pai da Eternidade. Aquele que criou o mundo e tudo que nele há. Aquele de cujas mãos saíram os frutos da terra, o peixes do mar, as aves do firmamento e as feras do campo – sim, Ele permitiu-se padecer fome, quando veio a este mundo, a fim de salvar os pecadores. Isso é um grande mistério. Bondade e amor desse tipo ultrapassam o entendimento humano. Não admira, pois, que o apóstolo Paulo tenha se referido às “insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8).

Declarações como essa deveriam nos ensinar a capacidade que Cristo tem de simpatizar como o seu povo. Ele conhece, por experiência própria, as tristezas pelas quais eles passam. Ele pode sentir-se comovido diante das debilidades do crente. Jesus passou pela experiência de viver em um corpo e de sentir as necessidades diárias desse corpo. Ele mesmo passou pelos severos sofrimentos a que o corpo humano está sujeito. Ele provou a dor, a debilidade, a exaustão, a fome e a sede. Quando nós Lhe falamos sobre essas coisas, em nossas orações, Ele sabe o que estamos querendo dizer-Lhe, não estranhando as nossas aflições. Por certo, esse é precisamente o Salvador e Amigo que a pobre, dolorida e sofredora natureza humana requer!

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sábado, 29 de agosto de 2026

GRUPO LOGOS - Álbum Especial

CANÇÕES:

01 - Autor da Minha Fé – Grupo Logos
02 - Caminhos – Grupo Logos
03 - Espinhos – Grupo Logos
04 - Expressão de Louvor – Grupo Logos
05 - Mão no Arado – Grupo Logos
06 - Não Temas – Grupo Logos
07 - Não Tenhas Sobre ti – Josué Rodrigues e Jefferson França
08 - Obreiro Aprovado – Grupo Logos
09 - Portas Abertas – Grupo Logos
10 - Situações – Grupo Logos
11 - Portas Abertas – Grupo Logos


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

“CONVÉM QUE ELE CRESÇA”


“CONVÉM QUE ELE CRESÇA”

“Convém que ele cresça e que eu diminua” ( Jo 3:30).

João Batista dá mais um passo, pois tendo anteriormente sido elevado pelo Senhor à mais nobre dignidade, ele mostra que isso foi por apenas pouco tempo. Mas agora que o Sol da Justiça [Mt 4.2] entrou em cena, ele tem de deixar-lhe livre o caminho; e, por isso, não só dispersou e afugentou as fúteis fumaças da honra que lhe era precipitada e ignorantemente cumulada pelos homens, mas também se mune de excessivo cuidado para que a verdadeira e legítima honra que o Senhor lhe concedera de modo algum obscureça a glória de Cristo. Consequentemente, ele nos diz que a razão pela qual fora até aqui considerado grande profeta era que, por apenas algum tempo, ele foi posto em tão elevada condição até que Cristo se manifestasse, a quem ele teria que consagrar seu ofício. Entrementes, ele declara que muito mais espontaneamente se deixará reduzir a nada, contanto que Cristo ocupe e encha o mundo inteiro com seus benditos raios e todos os pastores da Igreja devem imitar tal zelo de João, curvando suas cabeças e ombros para que Cristo seja exaltado.   

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“O QUE TEM A NOIVA É O NOIVO”


“O QUE TEM A NOIVA É O NOIVO”

“O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim” (Jo 3:29).

Com esta comparação, João Batista confirma mais plenamente afirmação de que Cristo é o único que é excluído da estirpe ordinária dos homens, pois, como aquele que se une a uma esposa não chama e convida seus amigos para as bodas a fim de prostituir a noiva com eles, nem para renunciar a seus próprios direitos, permitindo-lhes participar com ele do leito nupcial; senão que, ao contrário, para que o matrimônio, sendo honrado por eles, se torne ainda mais sagrado. Assim, Cristo não chama seus ministros para o ofício docente a fim de que, conquistando a Igreja, reivindiquem domínio sobre ela, mas para que ele faça uso de seus labores fieis associando-os consigo. A designação de homens sobre a Igreja é uma distinção grande e sublime, para que representem a pessoa do Filho de Deus. Portanto, assemelham-se aos amigos a quem o noivo conduz ao seu lado, para que o acompanhem na celebração das bodas. Mas devemos atentar bem para esta distinção, a saber: que os ministros, sendo cônscios de sua posição, não se apropriem do que pertence exclusivamente ao noivo. A suma equivale a isto: que toda eminência que os mestres porventura possuam entre si não deve impedir a Cristo de ser o único a governar sua Igreja nem de governá-la exclusivamente por meio de sua palavra.

Esta comparação ocorre com frequência na Escritura, quando o Senhor intenta expressar o sacro vínculo de adoção, por meio do qual ele nos une a si. Pois, como se oferece para ser realmente desfrutado por nós, para que seja nosso, assim ele, como razão, exige de nós aquela fidelidade e amor mútuos que a esposa deve a seu esposo. Esse matrimônio se cumpre inteiramente em Cristo, de cuja carne e ossos somos nós, como Paulo nos informa [Ef 5.30]. A castidade exigida por ele consiste primordialmente na obediência ao evangelho, para que não permitamos desviar-nos de sua perfeita simplicidade, como nos ensina o apóstolo [2Co 11.2,3]. Portanto, devemos estar sujeitos unicamente a Cristo. Ele deve ser nossa única Cabeça. Não devemos desviar-nos sequer um fio de cabelo da doutrina simples do evangelho; tão somente ele deve possuir a mais elevada glória, para que retenha o direito e a autoridade de ser nosso Noivo.

Mas, o que os ministros devem fazer? Certamente o Filho de Deus os chama para que executem o seu dever em relação a ele na condução do matrimônio sagrado. Portanto, seu dever é tudo fazer para que de todas as formas, a esposa – que é confiado a sua responsabilidade – seja apresentada por eles como virgem casta a seu Esposo, o que Paulo na passagem supracitada, se gloria de haver feito. Mas os que arrastam a Igreja após si, e não a Cristo, se fazem culpados de vilmente violar o matrimônio que deveriam ter honrado. E, quanto maior é a honra que Cristo nos confere, fazendo-nos guardiãs de sua esposa, tão mais hedionda será nossa falta de fidelidade, se não nos esforçarmos em manter e defender seu direito.

Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Significa que João já alcançou o cumprimento de todos os seus desejos, e que ele nada mais deseja, ao ver Cristo reinando e os homens dando-lhe ouvidos como de fato ele merece. Quem quer que tenha afetos tais que, pondo de lado toda consideração pessoal, exalte a Cristo, sinta-se feliz em ver Cristo sendo honrado, será fiel e bem sucedo em governar a Igreja. Todo aquele, porém, que muda o mínimo grau desse propósito será um vil adúltero, e outra coisa não fará senão corromper a esposa de Cristo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).