“EU SOU A LUZ DO MUNDO”
“De novo, lhes
falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas
trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8:12).
É um belo
conhecimento de Cristo quando ele é denominado a luz do mundo, porque, visto que por natureza todos nós somos
cegos, um remédio nos é oferecido, pelo qual possamos ser libertos e resgatados
das trevas e feitos participantes da genuína luz. Nem é apenas a uma ou outra pessoa que se oferece este
benefício, pois Cristo declara que ele é a
luz do mundo inteiro. Por meio desta afirmação ele tencionava remover a
distinção, não apenas entre judeus e gentios, mas entre o erudito e o
ignorante, entre as pessoas de distinção e os plebeus.
Mas devemos
primeiramente averiguar que necessidade há para se buscar esta luz, pois os homens jamais se
apresentarão a Cristo para serem iluminados, até que saibam que este mundo jaz em trevas e que eles
mesmos são totalmente cegos.
Portanto,
saibamos que, quando a maneira de se obter esta luz nos remete a Cristo, somos
todos condenados por cegueira, tudo quanto consideramos como sendo luz é comparado a trevas e a uma noite
muito tenebrosa. Pois Cristo não fala dela como pertencente a ele em comum com
outros, mas reivindica como sendo peculiarmente sua. Donde se segue que fora de
Cristo não existe uma fagulha de luz
genuína. Pode haver certa aparência de luminosidade, porém se assemelha a um
relâmpago que apenas ofusca os olhos. Devemos observar ainda que o poder e o
ofício de iluminar não se confinam à presença pessoal de Cristo, pois ainda que
ele esteja muito afastado de nós no que concerne ao seu corpo, todavia
diariamente jorra sua luz sobre nós, através da doutrina do evangelho e pelo
poder secreto de seu Espírito. Todavia não teremos uma definição plena desta
luz, a menos que aprendamos que somos iluminados pelo evangelho e pelo Espírito
de Cristo, para que saibamos que a fonte de todo o conhecimento e sabedoria
está oculta nele.
Quem me segue. À doutrina Cristo
adiciona uma exortação, a qual ele imediatamente depois confirma por meio de
uma promessa. Pois quando aprendemos que todos os que se deixarem governar por
Cristo estão fora do perigo de apostatar, devemos sentir-nos impelidos a
segui-lo e, deveras, ao estender a sua mão, por assim dizer, ele nos atrai a
si. Devemos ainda deixar-nos ser poderosamente afetados por uma promessa tão
imensa e magnificente, a saber, que todos quantos dirigem seus olhos para
Cristo estão certos de que, mesmo no meio das trevas, serão preservados da
apostasia, e que não só por um certo período, mas até que concluam sua
trajetória. Pois esse é o significado das palavras usadas no tempo futuro: não andará nas trevas; pelo contrário, terá
a luz da vida. Tal também é a substância dessa última sentença, na qual a
perpetuidade da vida é declarada em
termos expressos. Não devemos temer, pois, que ela nos deixe no meio da
jornada, porque ela nos conduz inclusive à vida.
Emprega-se o genitivo da vida, em concordância com o idioma hebreu, em vez do
adjetivo, para denotar o efeito, como se ele houvera dito: a luz geradora de vida. Não precisamos admirar-nos que trevas tão
maciças de erros e superstições prevalecem no mundo, onde tão poucos há que mantêm seus olhos fixos em Cristo.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).



