"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 20 de março de 2026

“O ANJO DO SENHOR”


“O ANJO DO SENHOR”

“O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl 34:7).

Neste ponto o salmista Davi argumenta em termos gerais sobre o favor paternal de Deus para com todos os piedosos; e visto que a vida humana se expõe a inumeráveis perigos, ao mesmo tempo ele nos ensina que Deus é capaz de livrá-las deles. Especialmente os fiéis, que são como ovelhas no meio de lobos, como se vivessem sitiados de todas as formas pela morte, são constantemente acossados pelo medo de que alguma sorte de perigo se aproxime. Davi, pois, afirma que os servos de Deus são protegidos e defendidos pelos anjos. O propósito do salmista é mostrar que, embora os fiéis se veem expostos a muitos perigos, não obstante podem descansar seguros de que Deus será o fiel guardião de sua vida. Mas para confirmá-los o máximo possível nesta esperança, ao mesmo tempo ele acrescenta, e não sem razão, que aqueles a quem Deus preserva em segurança, ele os defende mediante o poder e ministério dos anjos. O poder de Deus seria, aliás, por si só suficiente para alcançar tal objetivo, mas em sua mercê para com nossa enfermidade ele se digna em empregar anjos como seus ministros. Tal fato serve muitíssimo para a confirmação de nossa fé, sabendo nós que Deus possui inumeráveis legiões de anjos que estão sempre disponíveis para seu serviço, sempre que se lhe apraz nos socorrer. Muito mais que isso, os anjos também, que são chamados principados e potestades, estão sempre atentos na preservação de nossa vida, porque sabem que este dever lhes é confiado. Aliás, Deus é designado com propriedade o muro de sua Igreja e todo gênero de fortaleza e seu lugar de defesa. Mas, à guisa de acomodação, na medida e extensão de nosso presente estado de imperfeição, ele manifesta a presença de seu poder para ajudar-nos pela instrumentalidade de seus anjos. Além do mais, o que o salmista aqui diz de um anjo, no singular, deve aplicar-se a todos os demais anjos; pois se distinguem pelo título geral, “espíritos ministrado res, enviados para ministrarem aos que serão os herdeiros da salvação” [Hb 1.14], e as Escrituras, em outras passagens, nos ensinam que, sempre que a Deus apraz, e sempre que ele sabe ser para o benefício deles, muitos anjos são designados para que cuidem de cada um dentre seu povo [2Rs 6.15; SI 91.11; Lc 16.22], A suma, pois, do que ficou dito é que, por maior que seja o número de nossos inimigos e dos perigos pelos quais nos vemos cercados, não obstante os anjos de Deus, armados de invencível poder, velam constantemente por nós e se postam de todos os lados com o fim de socorrer-nos e de livrar-nos de todo mal.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“BUSQUEI O SENHOR, E ELE ME ACOLHEU”


“BUSQUEI O SENHOR, E ELE ME ACOLHEU”

“Busquei o SENHOR, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores” (Sl 34:4).

Neste ponto o salmista Davi explica mais claramente e de forma mais plena o que dissera acerca do regozijo. Em primeiro lugar, ele nos diz que suas orações haviam sido ouvidas. Isto ele aplica a todos os piedosos que, encorajados por testemunho tão precioso, poderiam estimular-se à oração. O que está implícito em buscar a Deus é evidente à luz da cláusula que se segue. Em alguns lugares ela deve ser entendida num sentido distinto, a saber, submeter a mente, em solícita aplicação, ao serviço de Deus e manter todos os pensamentos voltados para ele. Aqui ela simplesmente significa recorrer a ele em busca de auxílio; pois imediatamente se segue que Deus lhe respondeu; e dele corretamente se diz responder à oração e súplica. Pela expressão, meus temores, o salmista quer dizer, tomando o efeito pela causa, os perigos que dolorosamente inquietaram sua mente; contudo, sem dúvida ele confessa que fora terrificado e agitado pelos temores. Ele não olhava para seus perigos com uma mente serena e tranquila, como se os visse a certa distância e de uma posição cômoda e elevada, mas, sendo seriamente atormentado com inúmeras preocupações, podia com razão falar de seus temores e terrores. Ainda mais, pelo uso do plural, ele mostra que fora grandemente terrificado não só de uma maneira, mas que fora destroçado por uma variedade de angústias. Por um lado, ele viu uma morte cruel à sua espreita; enquanto que, por outro lado, sua mente poderia ter sido dominada pelo medo de que Aquis o enviasse a Saul para seu contentamento, como os ímpios costumam divertir-se às custas dos filhos de Deus. E visto que ele já fora uma vez detectado e traído, poderia muito bem concluir, mesmo se escapasse, que os assassinos de aluguel de Saul o cercariam de todos os lados. O ódio profundo que Aquis nutria contra ele, tanto pela morte de Golias quanto pela destruição de seu próprio exército, poderia dar origem a tantos temores; especialmente considerando que seu inimigo poderia instantaneamente descarregar sua vingança sobre ele, e que nutria boas razões para crer que sua crueldade era de tal vulto que não seria amenizada sujeitando-o a alguma forma branda de morte. Devemos observar isto particularmente, a fim de que, se em algum tempo formos terrificados pelos perigos que nos cercam, não sejamos impedidos por nossa timidez excessiva de invocar a Deus. Mesmo Davi, que se sabe ter suplantado a outros em heroísmo e bravura, não possuía um tal coração de ferro ao ponto de repelir os temores e sustos, senão que às vezes se sentia profundamente inquieto e esmagado pelo medo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quarta-feira, 18 de março de 2026

“CELEBRAI COM JÚBILO AO SENHOR”


“CELEBRAI COM JÚBILO AO SENHOR”

“Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico” (Sl 100:1,2).

Ao convidar a todos os habitantes da terra indiscriminadamente a louvarem ao SENHOR, tudo indica que, no espírito profético do salmista, a referência seja ao período em que a Igreja seria congregada dentre as diferentes nações. Daí ordenar ele [v.2] que Deus seja servido com alegria, notificando que sua bondade para com seu povo é tão imensa que lhes fornece bases profusas para se regozijarem. Isso é melhor expresso no terceiro versículo, no qual ele primeiro repreende a presunção daqueles homens que impiamente se revoltaram contra o verdadeiro Deus, tanto em modelar para si muitos deuses, quanto em inventar várias formas de cultuá-lo. E visto que uma multidão de deuses destrói e substitui o verdadeiro conhecimento do Deus único e obscurece sua glória, o profeta, com grande propriedade, convoca todos os homens a repensarem e a cessarem de usurpar a Deus da honra devida a seu nome; e, ao mesmo tempo, a expressarem sua loucura nisto: não contentes com o único Deus, se tornaram fúteis em suas imaginações. Porque, quanto mais se veem constrangidos a confessar com os lábios que Deus existe, o Criador de céu e terra, não obstante de quando em quando tentam despojá-lo gradualmente de sua glória; e assim a Deidade é, na máxima extensão do poder deles, reduzido a mera nulidade. Visto, pois, restringir os homens na prática do culto divino em sua pureza ser algo em extremo difícil, o profeta, não destituído de razão, lembra o mundo de sua costumeira vaidade e o ordena a reconhecer a Deus como tal. Pois devemos atentar bem para esta breve definição do conhecimento dele, a saber: que sua glória seja intocavelmente preservada, e que nenhuma divindade se lhe oponha com o intuito de obscurecer a glória de seu nome. Saiba-se, pois, que o genuíno culto de Deus não pode ser preservado em toda sua integridade enquanto a vil profanação de sua glória, que é a inseparável acompanhante da superstição, não for completamente erradicada.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 15 de março de 2026

“FOI ELE QUEM NOS FEZ”


“FOI ELE QUEM NOS FEZ”

“Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio” (Sl 100:3).

Dizer que Deus nos fez é uma verdade geralmente bem reconhecida; porém não é comum atentar para a ingratidão tão natural entre os homens, de que raramente um entre uma centena seriamente reconhece que ele mantém sua existência como Deus, embora, quando quase não é expressa, não negam que foram criados a partir do nada; todavia, cada um faz de si mesmo um deus e virtualmente se adora, quando atribui a seu próprio poder o que Deus declara pertencer-lhe exclusivamente. Além do mais, é preciso ter em mente que o salmista aqui não está falando da criação em geral, mas daquela regeneração espiritual por meio da qual ele cria de novo sua imagem em seus eleitos. Os crentes são as pessoas sobre quem o salmista aqui declara ser obra da mão de Deus, não que fossem feitos homens no ventre de sua própria mãe, porém no sentido que Paulo expressa em Efésios 2.10, chamando-os feitura de Deus, porque são criados para as boas obras as quais de antemão Deus preparou para que andassem nelas. E de fato isso concorda melhor com o contexto subsequente. Pois quando ele diz: Somos seu povo e rebanho do seu pastoreio, evidentemente a referência é àquela graça inusitada que levou Deus a separar seus filhos como sua herança, a fim de que pudesse, por assim dizer, alimentá-los debaixo de suas asas, o que é um privilégio muito mais excelente do que ser meramente nascidos como seres humanos. Qualquer pessoa estaria, porventura, disposta a vangloriar-se de ter sido transformada em um novo ser, sem sentir aversão ante a vil tentativa de roubar a Deus daquilo que lhe pertence? Nem devemos atribuir esse nascimento espiritual a nossos pais terrenos, como se por seu próprio poder nos gerassem: pois o que poderia produzir uma semente corrompida? Não obstante, a maioria dos homens não hesita reivindicar para si todo o louvor da vida espiritual. O que mais querem declarar os arautos do livre-arbítrio, senão dizer-nos que, por nosso próprio empenho, nós mesmos, filhos de Adão, nos tornamos filhos de Deus? Em oposição a isso o profeta, ao chamar-nos povo de Deus, nos informa que provém de sua própria boa vontade o fato de sermos espiritualmente regenerados. E ao denominar-nos ovelhas do seu pastoreio, ele nos dá a conhecer que, através da mesma graça que uma vez nos foi comunicada, continuamos a salvos e intocáveis até o fim.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sexta-feira, 13 de março de 2026

“SE O HOMEM NÃO SE CONVERTER”


“SE O HOMEM NÃO SE CONVERTER”

“Se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto; para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas” (Sl 7:12,13).

Estes versículos são geralmente explicados de duas formas. A primeira significa que, se os inimigos de Davi perseverassem em seus maliciosos propósitos contra ele, é anunciada contra eles a vingança merecida por sua perversa obstinação. Consequentemente, na segunda cláusula, ele preenche com a palavra Deus: Se ele [o homem] não se converter, [Deus] afiará sua espada, como se quisesse dizer: Se meu inimigo não se arrepender, ele, finalmente, sentirá que Deus está completamente armado com o propósito de sustentar e defender os justos. Se porventura for tomado nesse sentido, o versículo seguinte [v.14] deverá ser considerado como que uma afirmação da causa que levou Deus a equipar-se assim, ou seja, porque os ímpios, ao conceberem todo gênero de dano, ao esforçar-se por dar à luz a perversidade e, finalmente, dar à luz o engano e a falsidade, fazem seu assalto direto à pessoa de Deus e abertamente fazem-lhe guerra. Em minha opinião, porém, os que leem esses dois versículos [vs.12,13] como uma só oração contínua apresentam uma interpretação mais precisa. Davi, não tenho dúvida, ao relacionar as tremendas tentativas de seus inimigos contra ele, tentava com isso ilustrar de forma mais proeminente a graça de Deus; pois quando esses homens maliciosos, fortalecidos por poderosas forças militares, e fartamente supridos de armaduras, furiosamente se precipitaram sobre ele numa firme expectativa de destruí-lo, quem não diria que tudo estava contra ele?

Saul, porém, é a pessoa de quem Davi particularmente fala, e portanto ele diz: “para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas. O que está implícito é que Saul tinha muitos agentes em prontidão, os quais diligentemente empregariam extremo esforço em busca da destruição de Davi. O desígnio do profeta, portanto, era manifestar a grandeza da graça divina, ao mostrar a grandeza do perigo do qual havia sido por Deus libertado. Além do mais, quando ele diz aqui: se ele não se converter, conversão não significa arrependimento e regeneração no inimigo de Davi, mas somente uma mudança de vontade e propósito, como se dissesse: “Está no poder de meu inimigo fazer tudo o que sua fantasia lhe sugira”. Portanto, parece por demais evidente quão maravilhosa foi a mudança que subitamente se mostrou contrária a toda expectativa.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 10 de março de 2026

“DEUS É O MEU ESCUDO”


“DEUS É O MEU ESCUDO”

“Deus é o meu escudo; ele salva os retos de coração. Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias” (Sl 7:10,11).

Não é fascinante que Davi às vezes misture meditações às suas orações para, com isso, inspirar-se com uma confiança muito mais profunda? É possível que nos apresentemos a Deus em oração com grande entusiasmo; mas nosso fervor, se não estiver associado a uma nova força, imediatamente decai ou começa a arrefecer-se. Davi, portanto, a fim de prosseguir em oração com a mesma ardorosa devoção e afeição com que começara, traz à sua lembrança algumas das mais populares verdades da religião, e com esse expediente nutre e revigora sua fé. Declara que, como Deus salva os retos de coração, ele se sente perfeitamente a salvo sob a proteção divina. Daí se deduz que ele contava com o testemunho de uma consciência aprovada. Portanto, como ele não diz simplesmente, os justos, e, sim, os retos de coração, parece que tinha os olhos postos naquela sondagem interior da mente e do coração mencionado no versículo precedente.

Deus é justo juiz. Como Saul e seus cúmplices haviam sido, movidos pelas notícias caluniosas, até então bem sucedidos em seus perversos desígnios de causar, em termos gerais, prejuízos a Davi, de modo a ser condenado por quase todo o povo, o santo homem se apoia nesta única consideração, a saber: seja qual for a confusão nas coisas relativas ao mundo, Deus, não obstante, pode discernir com perfeita facilidade entre os justos e os perversos. Davi, pois, apela dos falsos juízos humanos àquele que jamais se deixa enganar. Pode-se, contudo, perguntar: Como é possível o salmista representar Deus a julgar diariamente, quando o vemos com frequência delongando o juízo por tempo sem conta? Os escritos sagrados, com sobejas razões, celebram a longanimidade divina; mas, embora exercite Deus sua paciência, e não execute imediatamente seus juízos, todavia, como não passa um momento sequer, nem mesmo um dia, sem que se forneça a mais clara evidência de que ele discerne entre os justos e os perversos, não obstante a confusão reinante no mundo, é certo que ele jamais cessa de exercer a função de Juiz. Todos quantos se derem ao trabalho de abrir seus olhos para contemplarem o governo do mundo, verão distintamente que a paciência de Deus é muito diferente de aprovação ou conivência. Seguramente, pois, seu próprio povo, confiadamente, a ele recorrerá a cada dia.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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segunda-feira, 9 de março de 2026

“SENHOR, NÃO ME REPREENDAS NA TUA IRA”


“SENHOR, NÃO ME REPREENDAS NA TUA IRA”

“SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão abalados” (Sl 6:1,2).

Ao clamar veementemente a Deus, que usasse de misericórdia para com ele, daqui se manifesta ainda mais nitidamente que, pelos termos ira e furor, Davi não pretendia insinuar crueldade ou severidade indevida, mas somente o juízo tal como Deus executa sobre os réprobos, a quem não poupa usando de misericórdia como faz a seus próprios filhos. Se porventura se houvera queixado de ser mui injusta e severamente castigado, ele agora haveria apenas adicionado algo a este resultado: Contém-te, para que, ao castigar-me, não excedas a medida de minha ofensa. Ao valer-se, pois, exclusivamente da compaixão de Deus, Davi demonstra que nada deseja além de não ser tratado segundo a estrita justiça ou segundo merecia. Com o fim de induzir a Deus a exercer sua perdoadora misericórdia para com ele, declara que está acabado: Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado. Como disse antes, ele evoca sua fraqueza, não porque estivesse enfermo, mas porque se sentia fulminado e perturbado por algo que lhe havia sucedido. E como sabemos que o propósito de Deus, ao infligir-nos algum castigo, consiste em humilhar-nos, então, quando somos reprimidos sob sua vara, a porta se abre para que sua misericórdia nos alcance. Além disso, visto que sua peculiar função é curar os enfermos, erguer os caídos, amparar os fracos e, finalmente, comunicar vida aos mortos, esta, por si mesma, é uma razão suficiente para buscarmos seu favor quando nos acharmos mergulhados em nossas aflições.

Após Davi haver protestado que colocara sua esperança de salvação exclusivamente na misericórdia de Deus, e haver tristemente demonstrado o quanto se encontrava degradado, ele acrescenta que isso havia prejudicado sua saúde física, e ora pela restauração dessa bênção: Sara-me, SENHOR. E esta é a ordem que devemos observar, a saber: que saibamos que todas as bênçãos que pedimos a Deus emanam da fonte de sua graciosa bondade, e que então somos, e somente então, libertados das calamidades e castigos, ou seja, quando ele usar de misericórdia em nosso favor.

Porque os meus ossos estão abalados. Isso confirma a observação que acabo de fazer, ou seja: da própria miséria de suas aflições, Davi entreteve a esperança de algum lenitivo; pois Deus, quanto mais vê o infeliz oprimido e à mercê da destruição, tanto mais se prontifica a socorrê-lo. Ele atribui abalo a seus ossos, não porque sejam dotados de emoção, mas porque a veemência de sua tristeza era tal que afetara todo seu corpo. Ele não fala de sua carne, a qual é a mais tenra e a mais suscetível parte do sistema corporal; menciona, porém, seus ossos, com isso insinuando que as partes mais resistentes de sua estrutura foram feitas para tremerem de medo. A seguir [v.3] assinala a causa disso, dizendo: Também a minha alma está profundamente perturbada, como se quisesse dizer: Tão severa e íntima é a angústia de meu coração, que afeta e esvai as energias de cada parte de meu corpo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sábado, 7 de março de 2026

LOUVOR: QUEM O MEU DEUS É

LOUVOR: QUEM O MEU DEUS É

“O inimigo quer me ver cair no chão,
Mas a tua graça me sustenta.
Eu dobro os joelhos e clamo ao Senhor,
Pois o teu poder cura a minha dor.
Pela tua palavra eu sigo com fé,
Pois eu sei muito bem quem o meu Deus é”.

Deus nos abençoe!


ÉÉN HEER

ÉÉN HEER – UM SÓ SENHOR

"Um só Senhor. Um só Nome. Um só Deus que está acima de tudo".

Deus nos abençoe!

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

“POIS TU, SENHOR, ABENÇOAS O JUSTO”

“POIS TU, SENHOR, ABENÇOAS O JUSTO”

“Pois tu, SENHOR, abençoas o justo e, como escudo, o cercas da tua benevolência” (Sl 5:12).

Pois tu, SENHOR, abençoas o justo. O salmista Davi confirma neste ponto a sentença conclusiva do versículo precedente, isto é, que todos os servos de Deus em geral buscarão apoio para sua fé com base no que ele experimentou, pois ele, partindo de um só exemplo, poderia moldar nosso juízo sobre a imutabilidade e perpetuidade da graça divina para com todos os santos. Também, por esse meio ele nos ensina que não existe alegria genuína e eficaz senão aquela que nasce do senso do amor paternal de Deus. A palavra abençoar, em hebraico (quando falamos dela como um ato humano), significa desejar felicidade e prosperidade a alguém e orar por ele; quando, porém, é expressa como um ato divino, significa o mesmo que fazer uma pessoa prosperar, ou enriquecê-la abundantemente com todas as coisas boas; porque, visto que o favor de Deus é eficaz, sua bênção, por natureza, produz em abundância tudo quanto é bom. O título justo não se restringe a uma pessoa em particular, mas significa todos os servos de Deus em geral. Aqueles, contudo, que na Escritura são chamados justos, não são assim chamados em razão do mérito de seus feitos, mas porque têm fome e sede de justiça; pois, como Deus os tem recebido em seu favor, não lhes imputando seus pecados, ele aceita seus sinceros esforços como perfeita justiça.

O que se segue tem a mesma importância que a cláusula precedente: Tu o cercas da tua benevolência, ou, melhor, como com um escudo. O que o salmista quer dizer é o seguinte: o fiel será completamente defendido de todos os lados, visto que Deus, de forma alguma, os privará de sua graça, a qual é para eles uma fortaleza inexpugnável, e a mantém em perfeita segurança. O verbo cercar, que o salmista emprega, às vezes denota em hebraico ornamento ou glória, mas, visto que aí se adiciona a similitude de um escudo, não tenho dúvida de que ele o usa metaforicamente no sentido de fortificar ou cercar. O significado, pois, é que, por maiores e variados sejam os perigos que cercam os justos, não obstante eles escaparão e se salvarão, porque Deus lhes é favorável.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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