Teu domínio é
para sempre.
Teu trono
permanece inabalável.
Poder inigualável reside em Teu grande Nome.
Jesus, Vencedor!
Mensagens Bíblicas
Teu domínio é
para sempre.
Teu trono
permanece inabalável.
Poder inigualável reside em Teu grande Nome.
Jesus, Vencedor!
“Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança
do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Ef 1:18).
Em nossos Padrões de Fé (CFW, I - Da Sagrada Escritura) - está escrito o
que segue: -
Seção VI. Todo o conselho de Deus, concernente a todas as coisas
indispensáveis à sua glória, à salvação, fé e vida do ser humano, ou está
expressamente registrado na Escritura, ou pode ser lógica e claramente deduzido
dela; à qual nada, e em tempo algum, se acrescentará, seja por novas revelações
do Espírito, seja por tradições humanas. Não obstante, reconhecemos ser
indispensável a iluminação interior do Espírito de Deus para o salvífico
discernimento de tais coisas como se encontram reveladas na Palavra; e
que há certas circunstâncias concernentes ao culto divino e ao governo da
Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas
pela luz da natureza e da prudência cristã, segundo as regras gerais da
Palavra, as quais sempre devem ser observadas.
Ef. 1.18; 2Tm
3.15-17; Gl 1.8-9; 2Ts 2.2; Jo 6.45; 1Co 2.9-12; 1Co 11.13,14; 1Co 14.26,40.
*Consideremos as seguintes proposições:
1. As Escrituras inspiradas do Velho e do Novo Testamento constituem a
regra perfeita de fé e prática: elas abrangem toda e qualquer revelação
supernatural que Deus agora faz aos homens, e são sobejamente suficientes a
todas as necessidades práticas dos homens e comunidades.
2. Nada, ao longo da presente dispensação, se deve acrescentar a esta
perfeita regra de fé, seja por novas revelações do Espírito, seja pelas
tradições humanas.
3. Não obstante, uma iluminação
espiritual e pessoal pelo poder do Espírito Santo se faz necessária, em
todo caso, para o conhecimento prático e salvífico da verdade que as Escrituras
abarcam. Essa necessidade não resulta de alguma carência, seja de
perfeição seja de clareza na revelação, mas do fato de que o homem, em seu
estado natural, é carnal e incapaz de discernir as coisas do Espírito de Deus.
Portanto, iluminação espiritual difere
da inspiração -
3.1. Em que ela não comunica novas verdades ao entendimento, mas
simplesmente abre a mente e o coração do indivíduo para o discernimento e
apreciação espirituais da verdade já objetivamente apresentada nas Escrituras.
3.2. Em que ela é um elemento comum na regeneração de todos os filhos de
Deus, e não peculiar aos profetas ou apóstolos; e, portanto,
3.3. Em que ela é privativa e pessoal em sua aplicação, e não pública.
“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais
penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas
perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1Co 2. 6-10).
“Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda
espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento
dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a
esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos
santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos,
segundo a eficácia da força do seu poder” (Ef 1.17,18).
Deus nos abençoe!
A.A.Hodge (1823-1886).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas
orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos
conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele” (Ef
1.16,17).
Para o apóstolo Paulo apresentar sua ação de graças, como era seu
costume, ele adiciona uma oração, a fim de incitar os efésios a um progresso
espiritual ulterior; era indispensável que eles entendessem que haviam
ingressado no curso certo, para que não se desviassem em direção a alguma sorte
de nova doutrina; e no entanto também deviam saber que teriam que prosseguir;
pois nada é mais arriscado do que fartar-se de bênçãos espirituais. Por mais
que nossas virtudes sejam fortes, teremos sempre e cada vez mais que progredir em
direção ao alvo.
O que, porém, Paulo deseja para esses irmãos? O espírito de sabedoria e
a iluminação dos olhos de seu entendimento. E não haviam ainda tomado posse de
tal bênção? Sim. Ao mesmo tempo, porém, necessitavam de crescer, para que, uma
vez revestidos de uma medida mais rica do Espírito, e sendo mais e mais
iluminados, pudessem possuir mais livre e abundantemente o que já possuíam. O
conhecimento dos santos nunca é suficientemente puro, senão que alguns
problemas turvam seus olhos, e a obscuridade os impede a que vejam com clareza.
Examinemos, porém, as palavras detalhadamente.
Diz Paulo: o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois o Filho de
Deus se fez homem, de tal maneira, que ele se fez Deus comum conosco. Como ele
mesmo testificou: “Subo para meu Deus e vosso Deus” [Jo 20.17]. E a razão pela
qual ele é o nosso Deus, é porque ele é o Deus de Cristo, cujos membros somos
nós. Tenhamos, pois, em mente que isso pertence à sua natureza humana de modo
que sua sujeição não detrai nada de sua eterna deidade.
O apóstolo Paulo denomina Deus de o Pai da glória. Esse título
emerge do anterior; pois a gloriosa paternidade de Deus é demonstrada em seu
Filho sujeitar-se à nossa condição, para que, através do Filho, ele pudesse ser
nosso Deus. “O Pai da glória” é uma expressão idiomática hebraica bem
conhecida, equivalente a “o Pai glorioso”. Não desaprovo a junção dessas duas
frases: que ele é o glorioso Pai de Cristo, e lendo a palavra “Deus”
separadamente.
“O Espírito de sabedoria e de revelação” é aqui
formulado à guisa de metonímia, o que equivale: a graça que o Senhor derramou sobre nós através de seu Espírito.
Observemos, porém, que os dons do Espírito não são os dotes da natureza.
Enquanto o Senhor não os abrir, os olhos de nosso coração são cegos. Enquanto
não formos instruídos pelo Espírito, nosso bendito Mestre, tudo o que
conhecemos não passa de futilidade e ignorância. Enquanto o Espírito de Deus
não descortinar diante de nós por meio de uma revelação secreta, o conhecimento
de nossa divina vocação não poderá ir além da compreensão de nossas mentes
naturais.
Onde traduzimos: no pleno
conhecimento dele, pode-se também ler: “no conhecimento de si mesmo”. Ambas
as traduções se adequam bem. Porquanto aquele que conhece o Filho, também
conhece o Pai. No entanto, prefiro minha tradução, procurando manter o estrito
sentido do pronome relativo.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Erguendo-se
Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde
estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém,
Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques
mais” (Jo 8:10-11).
Não somos
informados se Jesus absolveu absolutamente a mulher, senão que lhe permitiu ir
livremente. Nem isso surpreende, pois ele não deseja empreender algo que não
pertença a seu ofício. Ele fora enviado pelo Pai a congregar as ovelhas
perdidas [Mt 10.6], e, por isso, cônscio de sua vocação, ele exorta a mulher ao
arrependimento e a conforta com uma promessa de graça. Aqueles que inferem
disto que o adultério não deve ser punido com a morte, devem, pela mesma razão,
admitir que as heranças não devem ser divididas só porque Cristo recusou ser
árbitro numa questão entre dois irmãos [Lc 12.13]. Aliás, se o adultério não
for punido, então não existe nenhum crime que não possa ser isentado de
qualquer penalidade da lei. E então a porta está escancarada a todo e qualquer
tipo de traição, de corrupção, de homicídio e de latrocínio. Além disso, a
adúltera, quando ilicitamente dá à luz a uma criança, não só rouba o nome da
família, mas violentamente destrói o direito de herança da prole legítima e a
entrega a estranhos. Mas, o que é ainda pior, a esposa não só desonra o esposo,
a quem um dia se unira, mas se prostitui de uma maneira vergonhosamente
perversa, e igualmente viola a sacra aliança de Deus. Lembremo-nos que, embora
Cristo perdoe os pecados dos homens, ele não subverteu a ordem política nem
reverteu as sentenças e castigos designados pela lei.
Vai e não peques mais. Daí
inferirmos qual o desígnio da graça de Cristo. É para que o pecador, uma vez
reconciliado com Deus, possa honrar o Autor de sua salvação vivendo uma vida boa
e santa. Em suma, pela mesma palavra de Deus, quando o perdão nos é oferecido,
somos igualmente chamados ao arrependimento. Além disso, ainda que esta
exortação aponte para o futuro, ela humilha os pecadores despertando sua
memória para sua vida pregressa.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Mas, ouvindo
eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um
por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a
mulher no meio onde estava” (Jo 8:9).
Aqui
percebemos quão grande é o poder de uma consciência em conflito. Ainda que aqueles
hipócritas perversos tencionassem induzir a Cristo a cair em seus sofismas,
todavia sem embaraço ele fere suas consciências com uma única palavra, e
envergonhados se põem em fuga. Este é o martelo com o qual devemos despedaçar a
soberba dos hipócritas. Devem ser citados a comparecer diante do tribunal
divino. Embora seja possível que vexame, com que se viram atingidos diante dos
homens, tivesse maior influência sobre eles do que o temor de Deus, ainda é uma
questão de muita importância que, de sua própria iniciativa, se tenham
reconhecido culpados, quando assim desaparecem como se fossem dominados pela confusão
mental. Acrescenta-se imediatamente:
A começar pelos mais velhos até aos últimos. Nossa atenção é atraída para esta circunstância, a saber, à
proporção que cada um deles excedia os demais em honrosa posição, mais
rapidamente o mesmo se conscientizava de sua condenação. Tomara que nossos escribas, que na atualidade vendem seus
serviços para fazer guerra a Cristo, tivesse pelo menos tanta modéstia quanto
esses homens. Mas são tão destituídos de vergonha que, enquanto se tornam
infames por crimes tão detestáveis, gloriam-se no fato de que lhes é permitido
ser tão abomináveis como bem lhes apraz sem qualquer punição. Devemos também observar
quão amplamente essa convicção de pecado, pela qual os escribas se viram
afetados, difere do arrependimento genuíno. Pois devemos deixar-nos afetar pelo
juízo divino de uma maneira tal que não busquemos um refúgio para evitar a
presença do Juiz, mas, ao contrário, nos dirijamos diretamente a ele a fim de
implorar seu perdão.
Ficando só Jesus e a mulher. Isso
foi ocasionado pelo Espírito de sabedoria, ou seja, que aqueles homens
perversos, não tendo lucrado nada em tentarem a Cristo, se foram [sem nada
conseguir]. Tampouco há alguma razão para dúvida de que continuaremos a
desmantelar todos os artifícios de nossos inimigos, contanto que nos deixemos
governar pelo mesmo Espírito. Mas frequentemente sucede que levam a melhor
sobre nós, só porque, não atentando para suas armadilhas, não cuidamos em tomar
conselho, ou melhor, confiando em nossa sabedoria, não levamos em conta o
quanto carecemos do governo do Espírito Santo. Ele diz que Cristo ficou sozinho, não que o povo a quem
anteriormente ensinava o tivesse abandonado, mas porque todos aqueles escribas que tinham trazido a adúltera
não lhe deram mais aborrecimento. Ao lermos que a mulher permaneceu com Cristo,
que aprendamos desse exemplo que não há nada melhor para nós do que conduzidos,
como culpados, perante seu tribunal, desde que nos rendamos meiga e submissamente
ao seu governo.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Como
insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós
estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra” (Jo 8:7).
Cristo Jesus declarou isso em
conformidade com o costume da lei, pois Deus ordenara que a testemunha, com
suas próprias mãos, tomasse a iniciativa na morte dos malfeitores, em
conformidade com a sentença por eles pronunciada, a fim de haver mais prudência
em dar-se testemunho [Dt 17.7]. Há muitas pessoas que procedem temerariamente
ao esmagarem seu irmão com perjúrio, porquanto não imaginam que estão abrindo
uma ferida mortal com suas línguas. E este mesmo argumento foi de muito peso
para esses caluniadores, desesperados como estavam, pois nem bem tiveram uma
visão dele, se descartaram das incandescentes paixões com que se deixaram
encher de vaidades quando chegaram. Todavia existe essa diferença entre a
injunção da lei e as palavras de Cristo, a saber, que na lei Deus meramente
ordenara que não se condenasse uma pessoa com a língua, a menos que lhes fosse
permitido matá-la com as próprias mãos. Aqui, porém, Cristo demanda das testemunhas
inocência plenária, de modo que ninguém pudesse acusar outrem de crime, a menos
que fosse puro e isento de toda falha. Ora, o que ele disse naquele tempo a
umas poucas pessoas, temos de considerar como havendo falado a todos, para que
todo aquele que acusar outrem, imponha a si uma lei de inocência, do contrário,
não estamos indo ao encalço de atos ímpios, e, sim, estamos sendo hostis às
pessoas.
Entretanto, dessa forma Cristo parece
anular no mundo todas as decisões judiciais, de modo que ninguém ousará a dizer
que tem o direito de punir os crimes. Porque, é impossível encontrar um único
juiz que não tenha consciência de haver cometido algum erro? É possível
encontrar uma única testemunha que não seja culpada de alguma falha? Portanto, é
como se ele proibisse a todas as testemunhas de apresentar seu testemunho
público, e a todos os juízes de ocupar seu tribunal. Eis minha resposta: esta
não é uma proibição absoluta e ilimitada, por meio da qual Cristo proíba os
pecadores de seu dever de corrigir os pecados de outrem. Senão que, por meio
dessa palavra, ele apenas reprova os hipócritas que suavemente se lisonjeiam e
abrandam seus vícios, contudo são excessivamente severos, e inclusive chegam a
ser cruéis, ao censurarem outros. Ninguém, pois, será impedido por seus
próprios pecados de corrigir os pecados de outrem, e inclusive de puni-los sempre
que achar necessário, contanto que em si e nos outros ele odeie o que deve ser
condenado. E além de tudo isso, cada pessoa deve começar interrogando sua própria
consciência e agindo como testemunha e como juiz contra si mesmo, antes de
chegar a outros. E assim, sem odiar os homens, faremos guerra contra os pecados.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Isto diziam
eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia
na terra com o dedo” (Jo 8:6).
Com esta
atitude Cristo pretendia mostrar que os menosprezava. Os que conjecturam que
ele escrevia isto ou aquilo, em minha opinião, não captam sua intenção.
Tampouco aprovo a ingenuidade de Agostinho que cria que dessa forma se realçava
a distinção entre a lei e o evangelho, porque Cristo não escreveu em tábuas de pedra [Ex 31.18], mas no
homem, que é pó e terra. Pois, Cristo, antes, pretendia nada mais nada menos
que mostrar quão indignos eram eles de ser ouvidos, justamente como se alguém,
enquanto outro falava, se pusesse a rabiscar a parede ou virasse as costas ou
por meio de algum outro gesto, insinuasse que nada entendia do que lhe era
dito. Assim, na atualidade, quando Satanás tenta, por vários métodos,
desviar-nos da reta vereda da instrução, devemos desdenhosamente passar por
alto muitas coisas que ele põe diante de nós. Os sofistas nos provocam o máximo
que podem, fazendo uso de sofismas triviais, como se lançassem fumaça ao ar. Se
mestres piedosos empregarem laboriosamente seu tempo em examinar cada um desses
sofismas, começarão a envolver-se em questões sem fim, e, portanto, se delongam
de tal sorte, que nada mais fazem senão estorvar o progresso do evangelho, e
são sabiamente desconsiderados.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“Os escribas e
fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e,
fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher
foi apanhada em flagrante adultério” (Jo 8:3-4).
É bastante óbvio
que esta passagem não era conhecida das igrejas gregas, e alguns conjecturam
que ela foi trazida de alguma outra fonte e inserida aqui. Visto, porém, que a
mesma sempre foi aceita pelas igrejas latinas, e está presente em muitos
manuscritos gregos antigos e nada contém de indigno de um espírito apostólico,
não há razão por que devamos recusar aplicá-la para nosso proveito. Ao dizer o Evangelista
que os escribas e fariseus trouxeram uma
mulher, sua intenção é dizer que isso foi de comum acordo entre si, com o
fim de apanhar Cristo numa armadilha. Ele menciona expressamente os fariseus porque eram as principais
pessoas na ordem dos escribas. Ao
adotarem tal pretexto para exprimir sua calúnia, eles exibem a hediondez de sua
perversidade, e até mesmo seus próprios lábios os acusam, pois não dissimulam
que possuem um claro mandamento da lei, e daí se segue que agem maliciosamente,
formulando uma pergunta como se fosse uma matéria indubitável. Sua intenção,
porém, era constranger a Cristo a afastar-se de seu ofício de pregador da graça,
para que parecesse ser volúvel e instável. Declaram expressamente que as adúlteras
estão condenadas por Moisés [Lv 20.10], para que obrigassem Cristo pela
sentença já formulada pela lei, pois não era lícito inocentar aqueles a quem a
lei condenava. E, em contrapartida, se ele desse seu assentimento à lei forçaria
a conclusão de ser um tanto incoerente consigo mesmo.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“A luz
resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1:5).
Ainda que o Filho
de Deus tenha sempre convocado os homens a si, pela instrumentalidade dessa
pobre luz que ainda restou em nós, o Evangelista assevera que ela era ineficaz,
porquanto, “vendo, não veem”. Porque, depois que o homem foi alienado de Deus,
tal foi a ignorância que se apoderou de sua mente, que toda e qualquer luz que porventura
nela restou é extinta e inútil. A experiência também comprova tal fato
diariamente. Pois mesmo aqueles que não foram ainda regenerados pelo Espírito
de Deus exercem certa razão, de modo que somos claramente instruídos de que o
homem foi criado não só para respirar, mas que possui também entendimento. Não
obstante, guiados por sua razão, o homem não alcança ou não consegue ter acesso
a Deus e, assim, toda sua inteligência não prima direção senão rumo à vaidade,
donde se deduz que não há qualquer esperança para a salvação dos homens, a
menos que Deus lhe proveja um novo recurso. Pois ainda que o Filho de Deus
derrame sua luz sobre eles, encontram-se tão entorpecidos que sua obtusidade
não lhes permite compreender a fonte dessa luz; obcecados por fascinantes e
perversas fantasias acabam na demência.
Há duas partes
primordiais nessa luta que ainda permanecem na natureza corrompida. Alguma
semente da religião está plantada em todos; existe também aquela distinção
entre o bem e o mal que está esculpida em suas consciências. Afinal, qual é o
usufruto disso, senão que a religião produz mil e uma superstições monstruosas,
e a consciência corrompe todo o juízo, confundindo vício com virtude? Em suma,
a razão jamais guiará os homens a Cristo. O fato de serem eles dotados de
sabedoria para dirigir suas vidas e de se formarem em filosofia e ciências se
reduz e resulta em nada.
Além do mais,
devemos ter em mente que o Evangelista está falando unicamente dos dons
naturais, e não está tratando ainda da graça da regeneração. Porque há no Filho
de Deus dois poderes distintos. O primeiro se manifesta na arquitetura do mundo
e na ordem da natureza. No uso do segundo, ele renova e restaura a natureza
caída. Ele é a eterna Palavra de Deus;
e, por conseguinte, por meio dele, o mundo foi criado. Pela ação de seu poder,
todas as coisas conservam a vida que uma vez receberam; de uma forma toda
especial, o homem foi adornado com o dom singular do entendimento. E,
conquanto, com sua queda, tenha perdido a luz do entendimento, ele ainda vê e
entende, já que o que ele naturalmente possui da graça do Filho de Deus não lhe
foi totalmente destruído. Visto, porém, que mediante seu embotamento e
perversidade, ele empana a luz que ainda lhe resta, cumpre ao Filho de Deus
assumir uma nova função, a saber, a de Mediador, e assim renova o homem perdido
através do Espírito de regeneração. Portanto, põe o carro adiante do boi quem
interpreta a luz que o Evangelista
menciona como sendo o evangelho e a proclamação da salvação.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“A luz
resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1:5).
Pode-se
suscitar uma objeção, dizendo que os homens são, em muitas passagens da
Escritura, chamados de cegos, e que tal cegueira, à qual se acham condenados, é
sobejamente notória, porquanto fracassam miseravelmente em todo seu raciocínio.
Pois, donde procedem os infindáveis labirintos e erros no mundo, senão do fato
de os homens serem guiados tão somente por seu próprio entendimento às ilusões
e falsidades? Não obstante, se porventura nenhuma luz é visível aos homens, conclui-se
que este testemunho do Evangelista acerca da divindade de Cristo fica
destruído. Porque, como já disse, na vida humana, há algo muito mais excelente
do que mero movimento e respiração. O Evangelista antecipa este problema
prontamente nos advertindo que a luz outorgada aos homens no princípio não pode
ser avaliada em seu presente estado, visto que, nesta natureza arruinada e
degenerada, a luz se converteu em trevas. E, no entanto, ele nega que a luz da
razão esteja completamente extinta, porquanto na densa escuridão da mente
humana brilham ainda algumas centelhas desse esplendor. Agora, o leitor poderá
perceber a existência de duas ideias nessa frase. O Evangelista diz que os
homens são agora muito diferentes daquela natureza íntegra com a qual foram
dotados no princípio. Suas mentes, que teriam sido radiantes em todos os
aspectos se acham mergulhadas nas sombras de desditosa cegueira. E assim, nessa
corrupção da natureza, a glória de Cristo está como que sombreada. Em
contrapartida, porém, o Evangelista afirma que em meio às trevas ficaram ainda
certos traços que de algum modo revelam o divino poder de Cristo. O Evangelista
monstra, pois, que a mente humana está completamente cega, de tal modo que ela
pode ser francamente considerada como que submersa em trevas. Pois ele poderia
ter usado um meio termo e dizer que a luz era miserável ou sombria, mas não:
ele quis expressar muito mais claramente quão depravada é nossa condição
desde a queda do primeiro homem. Sua afirmação de que a luz resplandece nas
trevas não pretendia absolutamente exaltar a natureza corrompida. Ao contrário,
pretendia despir a ignorância de toda e qualquer justificativa.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).