“NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR-NOS”
“Não deixemos de
congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto
mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).
O apóstolo reforça
sua exposição com o que se segue imediatamente, dizendo: Não deixemos de congregar-nos.
Isso significa uma adição, portanto, equivale a uma congregação que cresce
através de novas adições. Ao derrubar a barreira [Ef 2.14], Deus adicionou a
seus filhos aqueles que haviam sido estranhos à Igreja. E assim, os gentios
passaram a ser uma nova e inusitada adição à Igreja. Os judeus tomavam tal
coisa como um insulto a eles dirigido, e por isso muitos se separavam da Igreja,
imaginando que tal coisa os munia de um pretexto justo para que fugissem de tal
mescla. Não é coisa fácil persuadi-los a cederem seus direitos. Criam que o direito
de adoção era particular e exclusivamente deles. O apóstolo, pois, os admoesta
a não permitirem que essa igualdade os incitasse a abandonarem a Igreja; e para
que não concluíssem que os exortava em vão, lembra-os de que tal atitude era comum
a muitos.
Podemos agora
apreender o propósito do apóstolo e a necessidade que o impelia a elaborar tal
exortação, e ao mesmo tempo propicia-se-nos inferir daqui uma doutrina geral.
Eis aqui uma enfermidade que assola toda a raça humana, ou seja: todos preferem
a si próprios em detrimento de outros, especialmente os que parecem excedê-los
em algum aspecto, e de alguma forma não permitem facilmente que seus inferiores
lhes sejam iguais. Há tanta intolerância em quase todos esses indivíduos que,
estando em seu poder, de bom grado fariam para si suas próprias igrejas,
porquanto se torna difícil acomodarem-se aos modos das demais pessoas. Os ricos
invejam uns aos outros, e raramente se encontra um entre cem que acredite que
os pobres são dignos de ser chamados e incluídos entre seus irmãos. A menos que
haja similaridade em nossos hábitos, ou alguns atrativos pessoais, ou vantagens
que nos unam, será muitíssimo difícil manter uma perene comunhão entre nós.
Essa advertência, pois, se torna mais que necessária a todos nós, a fim de
sermos encorajados a amar, antes que odiar, e não nos separarmos daqueles a
quem Deus uniu. Torna-se-nos urgente que abracemos com fraternal benevolência
àqueles que são ligados por uma fé comum. É indubitável que a nós compete
cultivar a unidade da forma a mais séria, porque Satanás está bem alerta, seja
para arrebatar-nos da Igreja ou desacostumar-nos dela de maneira furtiva. Essa
unidade será um fato, caso ninguém procure agradar a si próprio mais do que lhe
é direito; ao contrário disso, se todos tivermos um só e o mesmo alvo, a saber:
estimularmo-nos uns aos outros ao amor, não permitiremos que a emulação
floresça, exceto no campo das boas obras. Certamente que o menosprezo
direcionado a alguns irmãos, a intolerância, a inveja, a supervalorização de nós
mesmos, bem como outros impulsos nocivos, claramente demonstram, ou que o nosso
amor é gélido ou que realmente não existe.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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