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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

“NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR-NOS”


“NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR-NOS”

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

O apóstolo reforça sua exposição com o que se segue imediatamente, dizendo: Não deixemos de congregar-nos. Isso significa uma adição, portanto, equivale a uma congregação que cresce através de novas adições. Ao derrubar a barreira [Ef 2.14], Deus adicionou a seus filhos aqueles que haviam sido estranhos à Igreja. E assim, os gentios passaram a ser uma nova e inusitada adição à Igreja. Os judeus tomavam tal coisa como um insulto a eles dirigido, e por isso muitos se separavam da Igreja, imaginando que tal coisa os munia de um pretexto justo para que fugissem de tal mescla. Não é coisa fácil persuadi-los a cederem seus direitos. Criam que o direito de adoção era particular e exclusivamente deles. O apóstolo, pois, os admoesta a não permitirem que essa igualdade os incitasse a abandonarem a Igreja; e para que não concluíssem que os exortava em vão, lembra-os de que tal atitude era comum a muitos.

Podemos agora apreender o propósito do apóstolo e a necessidade que o impelia a elaborar tal exortação, e ao mesmo tempo propicia-se-nos inferir daqui uma doutrina geral. Eis aqui uma enfermidade que assola toda a raça humana, ou seja: todos preferem a si próprios em detrimento de outros, especialmente os que parecem excedê-los em algum aspecto, e de alguma forma não permitem facilmente que seus inferiores lhes sejam iguais. Há tanta intolerância em quase todos esses indivíduos que, estando em seu poder, de bom grado fariam para si suas próprias igrejas, porquanto se torna difícil acomodarem-se aos modos das demais pessoas. Os ricos invejam uns aos outros, e raramente se encontra um entre cem que acredite que os pobres são dignos de ser chamados e incluídos entre seus irmãos. A menos que haja similaridade em nossos hábitos, ou alguns atrativos pessoais, ou vantagens que nos unam, será muitíssimo difícil manter uma perene comunhão entre nós. Essa advertência, pois, se torna mais que necessária a todos nós, a fim de sermos encorajados a amar, antes que odiar, e não nos separarmos daqueles a quem Deus uniu. Torna-se-nos urgente que abracemos com fraternal benevolência àqueles que são ligados por uma fé comum. É indubitável que a nós compete cultivar a unidade da forma a mais séria, porque Satanás está bem alerta, seja para arrebatar-nos da Igreja ou desacostumar-nos dela de maneira furtiva. Essa unidade será um fato, caso ninguém procure agradar a si próprio mais do que lhe é direito; ao contrário disso, se todos tivermos um só e o mesmo alvo, a saber: estimularmo-nos uns aos outros ao amor, não permitiremos que a emulação floresça, exceto no campo das boas obras. Certamente que o menosprezo direcionado a alguns irmãos, a intolerância, a inveja, a supervalorização de nós mesmos, bem como outros impulsos nocivos, claramente demonstram, ou que o nosso amor é gélido ou que realmente não existe.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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