“EU TE AMO, Ó SENHOR, FORÇA MINHA”
“Eu te amo, ó SENHOR,
força minha. O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o
meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha
salvação, o meu baluarte” (Sl 18:1,2).
Observe que amar a Deus é aqui estabelecido como que constituindo a parte primordial da
genuína piedade; pois não há melhor maneira de servir a Deus que amando-o. Não
há dúvida de que o culto que lhe devemos prestar é melhor expresso pelo termo
reverência, para que sua majestade se manifeste proeminentemente diante de nós
em sua infinita grandeza. Visto, porém, que ele nada requer tão expressamente
quanto possuir todas as afeições de nosso coração e que lhas expressemos,
portanto não há sacrifício que ele valorize tanto que o de nos prendermos a ele
pelos elos de um amor livre e espontâneo; e, em contrapartida, não há nada em
que sua glória brilhe de maneira mais notável do que em sua livre e soberana
benevolência. Moisés, portanto, quando quis apresentar um sumário da lei,
disse: “Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR teu Deus requer de ti, senão
que ... o ames?” [Dt 10.12]. Ao falar assim, Davi, ao mesmo tempo, pretendia
mostrar que seus pensamentos e afeições não estavam tão atentamente fixos nos
benefícios de Deus quanto em ser-lhe agradecido por ser o Autor deles, pecado
este que se tornou tão comum em todos os tempos. Ainda hoje vemos como a maior
parte da humanidade se deleita plenamente em desfrutar dos dons divinos sem
demonstrar qualquer consideração por Deus mesmo; ou, se afinal pensam nele, é
somente para menosprezá-lo. Davi, procurando poupar-se de cair em tal
ingratidão, faz nessas palavras como que um juramento solene: SENHOR, já que és
minha força, continuarei unido e devotado a ti pelos laços de um amor sincero.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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