“E EU ROGAREI AO PAI, E ELE VOS DARÁ OUTRO CONSOLADOR”
“E eu rogarei ao
Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”
(Jo 14:16).
Essa palavra foi
ministrada aos discípulos como um remédio para suavizar a tristeza que viessem
sentir por causa da ausência de Cristo. Naquele tempo, porém, Cristo promete
que lhes injetará vigor para que possam guardar os mandamentos, pois, do contrário, a exortação teria tido pouco
efeito. Ele, pois, não perde tempo em informá-los de que, embora ausente deles
no corpo, contudo não lhes permitirá que fiquem destituídos de assistência,
pois ele estará presente através de seu Espírito.
Aqui Cristo
chama ao Espírito o dom do Pai, porém
um dom que granjeará através de suas orações; em outra passagem, ele promete
que dará o Espírito. Se eu partir,
diz ele, vo-lo enviarei [Jo16.7].
Ambas as afirmações são verdadeiras e corretas, porque Cristo na qualidade de
nosso Mediador e Intercessor, ele obtém do Pai
a graça do Espírito; porém, na qualidade de Deus, ele outorga essa graça de si
mesmo. O significado dessa passagem, pois é o seguinte: “Eu tenho vos dado pelo
Pai para ser Consolador, porém só por
algum tempo; agora, tendo desempenhado meu ofício, orarei a ele para que vos dê
outro Consolador, o qual não será por
algum tempo, mas estará sempre convosco”.
A palavra Consolador
é aqui aplicada tanto a Cristo quanto ao Espírito, e com razão; pois confortar-nos e exortar-nos, bem como guardar-nos
por sua proteção é um ofício que pertence igualmente a ambos. Cristo foi o Protetor
de seus discípulos enquanto habitava no mundo e depois ele os encomendou à
proteção e orientação do Espírito. É possível que se perguntem: Não estamos
ainda sob a proteção de Cristo? A resposta é fácil. Cristo é um Protetor
contínuo, porém não de forma visível. Enquanto ele habitava no mundo, manifestava-se
publicamente como seu Protetor, mas agora ele nos guarda através do seu
Espírito.
Ele denomina o
Espírito de outro Consolador, em decorrência da diferença
entre as bênçãos que obtemos de ambos. O ofício peculiar de Cristo era paziguar
a ira de Deus fazendo expiação pelos pecados do mundo, para redimir os homens
da morte, granjear justiça e vida; e o ofício peculiar do Espírito é fazer-nos
participantes não só de Cristo mesmo, mas de todas as bênçãos. E não deve haver
impropriedade em inferir desta passagem a distinção de Pessoas, pois haveria
alguma peculiaridade no qual o Espírito difere do Filho quanto a ser outro e não o Filho.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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