"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 20 de maio de 2026

“E EU ROGAREI AO PAI, E ELE VOS DARÁ OUTRO CONSOLADOR”


“E EU ROGAREI AO PAI, E ELE VOS DARÁ OUTRO CONSOLADOR”

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” (Jo 14:16).

Essa palavra foi ministrada aos discípulos como um remédio para suavizar a tristeza que viessem sentir por causa da ausência de Cristo. Naquele tempo, porém, Cristo promete que lhes injetará vigor para que possam guardar os mandamentos, pois, do contrário, a exortação teria tido pouco efeito. Ele, pois, não perde tempo em informá-los de que, embora ausente deles no corpo, contudo não lhes permitirá que fiquem destituídos de assistência, pois ele estará presente através de seu Espírito.

Aqui Cristo chama ao Espírito o dom do Pai, porém um dom que granjeará através de suas orações; em outra passagem, ele promete que dará o Espírito. Se eu partir, diz ele, vo-lo enviarei [Jo16.7]. Ambas as afirmações são verdadeiras e corretas, porque Cristo na qualidade de nosso Mediador e Intercessor, ele obtém do Pai a graça do Espírito; porém, na qualidade de Deus, ele outorga essa graça de si mesmo. O significado dessa passagem, pois é o seguinte: “Eu tenho vos dado pelo Pai para ser Consolador, porém só por algum tempo; agora, tendo desempenhado meu ofício, orarei a ele para que vos dê outro Consolador, o qual não será por algum tempo, mas estará sempre convosco”.

A palavra Consolador é aqui aplicada tanto a Cristo quanto ao Espírito, e com razão; pois confortar-nos e exortar-nos, bem como guardar-nos por sua proteção é um ofício que pertence igualmente a ambos. Cristo foi o Protetor de seus discípulos enquanto habitava no mundo e depois ele os encomendou à proteção e orientação do Espírito. É possível que se perguntem: Não estamos ainda sob a proteção de Cristo? A resposta é fácil. Cristo é um Protetor contínuo, porém não de forma visível. Enquanto ele habitava no mundo, manifestava-se publicamente como seu Protetor, mas agora ele nos guarda através do seu Espírito.

Ele denomina o Espírito de outro Consolador, em decorrência da diferença entre as bênçãos que obtemos de ambos. O ofício peculiar de Cristo era paziguar a ira de Deus fazendo expiação pelos pecados do mundo, para redimir os homens da morte, granjear justiça e vida; e o ofício peculiar do Espírito é fazer-nos participantes não só de Cristo mesmo, mas de todas as bênçãos. E não deve haver impropriedade em inferir desta passagem a distinção de Pessoas, pois haveria alguma peculiaridade no qual o Espírito difere do Filho quanto a ser outro e não o Filho.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR. 

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