“O ESPÍRITO DA VERDADE, QUE O MUNDO NÃO PODE RECEBER”
“O Espírito da
verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o
conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14:17).
Cristo Jesus confere
ao Espírito outro título, a saber, que ele é Mestre ou Catedrático da verdade.
Daí se segue que enquanto não formos intimamente instruídos por ele, o
entendimento de todos nós é reduzido ao domínio da vaidade e falsidade.
Que o mundo não
pode receber. Este contraste revela a
peculiar excelência daquela graça que Deus a ninguém mais outorga senão a seus
eleitos; pois ele quer dizer que este não é um dom qualquer, e do qual o mundo
está privado. Neste sentido Isaías também afirma: “Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas
sobre ti aparece resplendente o SENHOR, e a sua glória se vê sobre ti” [Is
60:2]. Pois a misericórdia de Deus para com a Igreja merece tão mais sublime
louvor, quando ele exalta a Igreja por meio de um eminente privilégio, acima do
mundo inteiro. No entanto, Cristo exorta os discípulos, dizendo que não se
enfatuem como o mundo costuma fazer, com conceitos carnais, e assim afastem de
si a graça do Espírito. Tudo o que a Escritura nos informa sobre o Espírito
Santo é considerado pelos homens mundanos como mero sonho, porque confiando em
sua própria razão, desprezam a iluminação celestial. Ora, ainda que tal
soberba, capaz de extinguir aqueles que estão no poder, se prolifere por toda
parte, à luz do Espírito Santo, contudo, cônscios de nossa própria pobreza,
devemos saber que tudo quanto pertence ao são entendimento procede de nenhuma
outra fonte. Não obstante, as palavras de Cristo revelam que nada do que se
relaciona com o Espírito Santo pode ser assimilado pela razão humana, senão que
ele só é conhecido pela experiência da fé.
O mundo, diz Cristo, não pode receber o Espírito, porque não o vê,
nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Portanto,
tão-somente o Espírito é que, ao habitar em nós, ele mesmo se faz conhecido a
nós, porque, de outro modo, ele é desconhecido e incompreensível.
Deus nos abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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