“E VIREMOS PARA ELE E FAREMOS NELE MORADA”
“Respondeu
Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos
para ele e faremos nele morada” (Jo 14:23).
Já explicamos
que o amor de Deus para conosco não é posto em segunda posição, como se ele
viesse depois que a piedade causasse tal amor, mas para que os crentes pudessem
se convencer plenamente de que a obediência que rendem ao evangelho é agradável
a Deus e para que esperem continuamente dele novos acréscimos de dons.
E viremos para aquele
que me ama. Ou seja, esse sentirá que a
graça de Deus habita nele e a cada dia recebe adições dos dons divinos. Ele,
pois, fala não daquele amor eterno com que ele nos ama antes de nascermos e
mesmo antes que o mundo fosse criado, mas desde o momento em que ele o sela em
nossos corações fazendo-nos participantes de sua adoção. Tampouco ele aponta
para a iluminação inicial, mas para aqueles graus de fé por meio dos quais os
crentes avançam continuamente, de conformidade com aquele dito: “Todo aquele
que tem se lhe dará” [Mt 13:12].
Conhecemos,
pois, os que erram em inferir desta passagem que há dois tipos de amor com que
amamos a Deus. Falsamente afirmam que amamos a Deus naturalmente, antes de
sermos regenerados por seu Espírito e que, ainda por esta preparação, merecemos
a graça da regeneração; como se a Escritura por toda parte não ensinasse, e
como se a experiência também não proclamasse em alto e bom som que somos
totalmente alienados de Deus, e que somos afetados e saturados de ódio por ele,
até que ele mude nossos corações. Devemos, pois, manter nossa atenção no
desígnio de Cristo, a saber: que ele
e o Pai virão para confirmar os
crentes na ininterrupta confiança em sua graça.
Deus nos
abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

Nenhum comentário:
Postar um comentário