“O AMOR SEJA SEM HIPOCRISIA”
“O amor seja sem
hipocrisia. Detestai o que é mau, apegando-vos ao que é bom” (Rm 12.9).
Propondo agora dirigir
nossa atenção para os deveres particulares, o apóstolo Paulo começa
apropriadamente com o amor, o qual é o vínculo da perfeição (Cl 3.14). Nesse
respeito, ele prescreve o princípio muitíssimo necessário de que toda e
qualquer dissimulação deve ser de todo desfeita, e que o amor deve proceder de
uma sinceridade pura do espírito. É algo difícil de se expressar quão
engenhosos quase todos os homens são em dissimular um amor que na verdade não
existe neles. Ao tentarem persuadir-nos de que possuem um verdadeiro amor por
aqueles a quem não só negligenciam, mas na verdade também rejeitam, estão
enganando não só aos demais, mas também a si próprios. Portanto, ele declara,
aqui, que o único amor que merece o nome é aquele que se acha isento de toda e
qualquer dissimulação. Qualquer pessoa pode facilmente julgar se porventura
possui algo nos recessos de seu coração que seja contrário ao amor. As palavras
mau e bom, que vêm imediatamente no texto, não têm um sentido geral. Mau
significa aquilo que é injusto e malicioso, que causa ofensa aos homens; e bom
é a bondade que os assiste. É uma antítese muito comum nas Escrituras proibir
primeiro os pecados, e recomendar em seguida as virtudes contrárias. E quando
Paulo diz “detestai o que é mau”, na minha opinião ele deseja expressar algo
mais, e a força do termo, “desviai-vos ou fugi corresponde melhor à clausula
oposta, onde ele nos convida não só a diligenciarmo-nos na prática do que é
bom, mas também prosseguirmos nesta conduta.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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