“QUEM NÃO ME AMA NÃO GUARDA AS MINHAS PALAVRAS”
“Quem não me ama
não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas
do Pai, que me enviou” (Jo 14:24).
Como neste mundo
os crentes vivem misturados com os descrentes e como vivem agitados por várias
tormentas como um mar encapelado, Cristo novamente os confirma por meio desta
admoestação, a saber: que não se deixem desviar pelos maus exemplos. Como se
quisesse dizer: “Não olhem para o mundo como se dele dependessem; pois haverá
sempre alguns que desprezarão a mim e a minha doutrina; mas, no tocante a vós,
preservai constantemente até o fim a graça que uma vez recebestes”. Não
obstante, ele igualmente notifica que o mundo é com justiça punido por sua
ingratidão, quando perece em sua cegueira, visto que, ao desprezar a verdadeira
justiça, manifesta o perverso ódio por Cristo.
A palavra que
estais ouvindo. Para que os discípulos não desanimassem
nem vacilassem pela contemplação da obstinação do mundo, ele novamente se
esforça para imprimir crédito a sua doutrina, testificando que ela procede de
Deus e que não foi engendrada por seres humanos terrenos. E de fato a vigor de
nossa fé consiste em sabermos que Deus é nosso Líder e que estamos
fundamentados em nada mais senão em sua verdade eterna. Seja qual for, pois, a
fúria e demência do mundo, sigamos a doutrina de Cristo que se eleva muito
acima de céu e terra. Ao dizer que a
palavra não é sua, ele se acomoda a seus discípulos; como se quisesse dizer
que ela não é humana, porque ele ensina fielmente o que lhe foi confiado pelo
Pai. Contudo sabemos que, no que diz respeito ser ele a eterna Sabedoria de
Deus, ele é a única fonte de toda doutrina, e que todos os profetas que vieram
desde o princípio falaram por intermédio de seu Espírito.
Deus nos
abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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