"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 4 de agosto de 2026

“DEUS ENVIOU O SEU FILHO AO MUNDO, NÃO PARA QUE JULGASSE O MUNDO”


“DEUS ENVIOU O SEU FILHO AO MUNDO, NÃO PARA QUE JULGASSE O MUNDO”

“Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3:17).

Aqui temos uma confirmação da afirmação precedente, porque não foi em vão que Deus enviou seu próprio Filho em nosso favor [Jo 3.16]. Ele não veio com o fim de destruir, e, por isso, segue-se ser o ofício peculiar do Filho de Deus que todo aquele que nele crê obtenha a salvação por meio dele. Agora não a razão por que uma pessoa viva em estado de hesitação ou angustiante ansiedade quanto à maneira pela qual pode escapar da morte, ao crer que era propósito de Deus que Cristo nos livrasse dela. A palavra mundo é uma vez mais reiterada, a fim de quem ninguém pense que foi totalmente excluído, se tão somente conservar-se na vereda da fé.

A palavra julgar é aqui posta em lugar de condenar, como é o caso em muitas outras passagens. Ao declarar que não veio para condenar o mundo, ele assim realça o desígnio real de sua vinda, pois que necessidade havia para Cristo vir com o fim de destruir-nos, nós que estávamos completamente arruinados? Não devemos, pois, buscar em Cristo algo mais além do fato de que Deus, de sua infinita bondade, quis estender seu auxílio para salvar-nos, a nós que estávamos perdidos. E sempre que nossos pecados nos oprimam – sempre que Satanás nos conduza ao desespero –, devemos correr para este refúgio, a saber: que Deus não deseja que sejamos esmagados por perene destruição, visto que ele designara seu Filho para ser o Salvador do mundo.

Quando em outras passagens Cristo diz que veio para julgar [Jo 9.39]. Quando ele é denominado de pedra de escândalo [1Pe 2.7] e quando lemos ser ele posto para destruição de muitos [Lc 2.34], isso pode ser considerado como provindo de uma causa distinta, porquanto aquele que rejeita a graça que lhe é oferecida merece encontrar nele o Juiz e Vingador de um desdém tão indigno e vil.

Um notável exemplo disso pode ser visto no evangelho, pois ainda que ele seja estritamente o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê [Rm 1.16], a ingratidão de muitos o converte em morte para os mesmos. Ambas as coisas foram bem expressas por Paulo, quando ele vingar toda desobediência, quando for cumprida vossa obediência [2Co 10.6]. O significado equivale a isto: que o evangelho é especialmente, e em primeira instância, designado para os crentes, a fim de que a salvação lhes pertença, mas que, depois, os descrentes não escaparão impunes, caso desprezem a graça de Cristo e decidam tê-lo como o Autor da morte, em vez de o Autor da vida.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).