“UMA CONTENDA COM RESPEITO À PURIFICAÇÃO”
“Ora, entre os
discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à
purificação” (João 3:25).
Não sem uma boa
razão, o Evangelho relata que entre os
discípulos de João suscitou-se uma dúvida. Porque, à medida que eram informados
a cerca da doutrina, mais prontos estavam em entrar em discussão, visto que a ignorância
é sempre ousada e presunçosa. Se outros o atacavam, então poderiam
justificar-se. Mas quando eles mesmos, ainda que sem razão, mantinham o fogo da
contenda, provocando voluntariamente os judeus, isso constituía um procedimento
precipitado e tolo.
Ora, as
palavras significam que “foram eles que suscitaram a dúvida”. E não só deveriam
responsabilizar-se por despertar uma questão da qual não tinham conhecimento,
mas também por falarem a respeito precipitadamente e além da medida de seu
conhecimento. Mas o outro erro foi – não menos que o primeiro – que pretendiam
não tanto manter a legitimidade do batismo quanto defender a causa de seu
mestre, para que sua autoridade permanecesse incomunicável. Em ambos os aspectos,
mereceram reprovação, porque, não compreendendo qual era a natureza real do
batismo, expunham a santa ordenança de Deus ao ridículo, e porque, mediante uma
ambição pecaminosa, empreenderam defender a causa de seu mestre contra Cristo.
É evidente,
pois, que ficaram atônitos e confusos com uma única palavra, quando foram
informados de que Cristo também estava
batizando, pois, enquanto sua atenção era direcionada para a pessoa de um
homem e para sua aparência externa, preocupavam-se menos com a doutrina. Somos ensinados,
por seu exemplo, que os equívocos em que os homens caem se devem a um desejo
pecaminoso de agradar a si mesmos antes que movidos por zelo de Deus. E somos
igualmente lembrados que o único objetivo que devemos ter em vista, e por todos
os meios promover, é que tão somente Cristo deve ter a preeminência.
Com respeito à purificação. A
dúvida foi proveniente da purificação,
pois os judeus tinham vários batismos e lavagens ordenados pela Lei, e, não
satisfeitos com aqueles que Deus designara, cuidadosamente observavam muitos
outros que tinham sido introduzidos por seus ancestrais. Quando acham que, além
de tão grande número e variedade de purificações, um novo método de purificação
é introduzido por Cristo e por João, veem-no como um absurdo.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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