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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

“UMA CONTENDA COM RESPEITO À PURIFICAÇÃO”


“UMA CONTENDA COM RESPEITO À PURIFICAÇÃO”

“Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação” (João 3:25).

Não sem uma boa razão, o Evangelho relata que entre os discípulos de João suscitou-se uma dúvida. Porque, à medida que eram informados a cerca da doutrina, mais prontos estavam em entrar em discussão, visto que a ignorância é sempre ousada e presunçosa. Se outros o atacavam, então poderiam justificar-se. Mas quando eles mesmos, ainda que sem razão, mantinham o fogo da contenda, provocando voluntariamente os judeus, isso constituía um procedimento precipitado e tolo.

Ora, as palavras significam que “foram eles que suscitaram a dúvida”. E não só deveriam responsabilizar-se por despertar uma questão da qual não tinham conhecimento, mas também por falarem a respeito precipitadamente e além da medida de seu conhecimento. Mas o outro erro foi – não menos que o primeiro – que pretendiam não tanto manter a legitimidade do batismo quanto defender a causa de seu mestre, para que sua autoridade permanecesse incomunicável. Em ambos os aspectos, mereceram reprovação, porque, não compreendendo qual era a natureza real do batismo, expunham a santa ordenança de Deus ao ridículo, e porque, mediante uma ambição pecaminosa, empreenderam defender a causa de seu mestre contra Cristo.

É evidente, pois, que ficaram atônitos e confusos com uma única palavra, quando foram informados de que Cristo também estava batizando, pois, enquanto sua atenção era direcionada para a pessoa de um homem e para sua aparência externa, preocupavam-se menos com a doutrina. Somos ensinados, por seu exemplo, que os equívocos em que os homens caem se devem a um desejo pecaminoso de agradar a si mesmos antes que movidos por zelo de Deus. E somos igualmente lembrados que o único objetivo que devemos ter em vista, e por todos os meios promover, é que tão somente Cristo deve ter a preeminência.

Com respeito à purificação. A dúvida foi proveniente da purificação, pois os judeus tinham vários batismos e lavagens ordenados pela Lei, e, não satisfeitos com aqueles que Deus designara, cuidadosamente observavam muitos outros que tinham sido introduzidos por seus ancestrais. Quando acham que, além de tão grande número e variedade de purificações, um novo método de purificação é introduzido por Cristo e por João, veem-no como um absurdo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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