“OS HOMENS AMARAM MAIS AS TREVAS DO QUE A LUZ”
“O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais
as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3:19).
Cristo refreia as murmurações e queixas pelas quais os ímpios costumavam
censurar – o que imaginamos ser – o excessivo rigor de Deus, quando ele age
contra eles com mais severidade do que esperavam. Acham duro demais o fato de
que os que não creem em Cristo sejam entregues à destruição. Para que ninguém
atribua sua condenação a Cristo, ele mostra que cada ser
humano deve imputar a si próprio a responsabilidade. A razão é que a
incredulidade é uma testemunha de uma má consciência; e, portanto, é evidente
que é sua própria perversidade que impede os incrédulos de se aproximarem de
Cristo.
Há quem pense que o que ele aqui realça nada mais é que o selo da condenação.
Todavia, o desígnio de Cristo é restringir a perversidade dos homens afim de
que, segundo seu costume, não contendam nem argumentem contra Deus, como se ele
os tratasse injustamente, quando pune a incredulidade com a morte eterna. Ele
mostra que tal condenação é justa, e não está sujeita a
qualquer reprovação, não só porque tais homens agem impiamente, que preferem
as trevas à luz e recusam a luz que
lhes é graciosamente oferecida, mas porque tal ódio pela luz só
brota de uma mente que é perversa e cônscia de sua culpabilidade.
Uma bela aparência e excelência de santidade de fato podem ser
encontradas em muitos que, além de tudo, se opõem ao evangelho. No entanto,
ainda que pareçam ser mais santos do que os próprios anjos, sem a menor sombra
de dúvida, são hipócritas, pois rejeitam a doutrina de Cristo por nenhuma outra
razão senão pelo fato de amarem seus esconderijos, por meio dos quais sua
vileza continue velada. Portanto, visto que a mera hipocrisia basta para tornar
os homens odiosos aos olhos de Deus, todos são conservados réus, porque, não
fora isso, cegados pela soberba e deleitando-se em seus crimes, pronta e
espontaneamente receberiam a doutrina do evangelho.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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