“TEVE FOME”
“No dia
seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome”. E, vendo de longe uma figueira
com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se
dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse
Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto” (Mc
11:12-14).
Nesta passagem
de Marcos, percebemos uma das muitas provas de que nosso Senhor Jesus Cristo
era verdadeiramente homem. Lemos que ele “teve
fome”. Jesus possuía uma natureza e uma constituição física igual à nossa,
em todos os aspectos, excetuando apenas o pecado. Ele chorava, regozijava-se e
sofria dor. Ele cansava e precisava descansar. Ficava com sede e precisa saciar
a sua sede. Ele também sentia fome e precisava alimentar-se. Expressões como
essas deveriam ensinar-nos a grande condescendência de Jesus. Quão admiráveis
são essas expressões, quando refletimos sobre elas! Aquele que é o Pai da Eternidade.
Aquele que criou o mundo e tudo que nele há. Aquele de cujas mãos saíram os
frutos da terra, o peixes do mar, as aves do firmamento e as feras do campo – sim,
Ele permitiu-se padecer fome, quando veio a este mundo, a fim de salvar os
pecadores. Isso é um grande mistério. Bondade e amor desse tipo ultrapassam o
entendimento humano. Não admira, pois, que o apóstolo Paulo tenha se referido
às “insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8).
Declarações
como essa deveriam nos ensinar a capacidade que Cristo tem de simpatizar como o
seu povo. Ele conhece, por experiência própria, as tristezas pelas quais eles
passam. Ele pode sentir-se comovido diante das debilidades do crente. Jesus
passou pela experiência de viver em um corpo e de sentir as necessidades
diárias desse corpo. Ele mesmo passou pelos severos sofrimentos a que o corpo
humano está sujeito. Ele provou a dor, a debilidade, a exaustão, a fome e a
sede. Quando nós Lhe falamos sobre essas coisas, em nossas orações, Ele sabe o
que estamos querendo dizer-Lhe, não estranhando as nossas aflições. Por certo,
esse é precisamente o Salvador e Amigo que a pobre, dolorida e sofredora
natureza humana requer!
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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