“TUDO QUANTO APROUVE AO SENHOR”
“Tudo quanto
aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos”
(Sl 135:6).
Esta é a grandeza imensurável do Ser divino, sobre a qual o salmista acabara de falar. Deus não somente criou no princípio o céu e a terra, mas também governa todas as coisas pelo seu poder. Reconhecer que Deus fez o mundo e afirmar que Ele se assenta ocioso no céu, não se preocupando com a sua administração, é lançar uma calúnia ímpia sobre seu poder. Contudo, embora a ideia seja absurda, obtém ampla aceitação entre os homens. Talvez eles não diriam em muitas palavras que creem que Deus dorme no céu, mas, ao imaginar, como o fazem, que Ele entregou o controle ao acaso ou à sorte, eles Lhe atribuem uma mera sombra de poder, que não se manifesta em efeitos. Todavia, as Escrituras nos ensinam que o poder de Deus é genuíno e prático e que, com esse poder, Ele governa o mundo inteiro, em conformidade com a sua vontade. O salmista assevera expressamente que cada parte do mundo se encontra sob o cuidado de Deus e que nada acontece por acaso ou sem determinação.
A distinção feita neste versículo entre céus, terra e mar denota um governo específico. O Espírito Santo declara que Deus faz tudo que Lhe apraz. Aquele tipo confuso de governo divino sobre o qual muitos falam equivale a nada mais do que certa manutenção da ordem no mundo, sem devido conselho. Deste modo, não se leva em conta a sua vontade dEle, pois vontade implica conselho e método. Consequentemente, há uma providência especial exercida no governo das várias partes do mundo. Não existe tal coisa como acaso, e o que parece ser apenas fortuito é, na realidade, ordenado pela secreta sabedoria de Deus. Não somos chamados a indagar por que Ele quer que ocorram eventos que contradizem nosso senso do que significa a sua administração. Contudo, se não queremos desestruturar os próprios fundamentos da religião, temos de manter como um princípio firme que nada acontece fora da vontade e do decreto de Deus. A vontade de Deus pode ser misteriosa, mas deve ser considerada, com reverência, como a fonte de toda justiça e retidão, a fonte que tem direito inquestionável à nossa suprema consideração.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

Nenhum comentário:
Postar um comentário