“VEDES QUE O DIA SE APROXIMA”
“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos
admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).
Tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Há quem pense
que esta cláusula está paralela àquela de Paulo: “E isto digo, conhecendo o
tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está
agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” [Rm 13.11]. Creio, ao
contrário, que a referência, aqui, é à vinda final de Cristo, a cuja expectação
devemos despertar-nos com mais urgência para a contemplação de uma vida santa,
bem como nos esforçarmos, criteriosa e zelosamente, por manter a Igreja unida e
reunida. Qual é o propósito da vinda de Cristo senão reunir em um só corpo os
dispersos que ainda se encontram errantes? Portanto, quanto mais próxima é sua
vinda, mais devemos redobrar nossos esforços para que os dispersos sejam
reunidos e estejam unidos, a fim de que chegue o tempo quando seremos um só
rebanho e teremos um só Pastor [Jo 10.16].
Se porventura
alguém perguntar como o apóstolo poderia afirmar que aqueles que ainda se
encontravam longe da revelação [ou volta] de Cristo viram o dia próximo e quase
ao seu alcance, minha resposta é que a Igreja se encontrava tão bem constituída
desde o início do reino de Cristo, que os fiéis pensavam na vida do Juiz como
algo iminente. Não eram enganados por uma falsa imaginação, sentindo-se
preparados para receberem a Cristo a qualquer momento, pois a condição da Igreja,
desde o tempo da promulgação do evangelho, era tal que todo aquele período foi
legítima e apropriadamente chamado de os últimos
dias. Aqueles que se se encontravam mortos desde muitas gerações viveram os
últimos dias não menos que nós. Os ardilosos e sarcásticos, para quem se afigura
ridículo o fato de termos alguma fé na ressurreição da carne e no juízo final,
riem de nossa simplicidade diante de tais questões. Mas para que nossa fé não
trema diante de seus motejos, o Espírito Santo nos ensina [2Pe 3.8] “que para o
Senhor mil anos é como um dia, e um dia como mil anos”. De modo que, toda vez
que pensarmos sobre a eternidade do reino celestial, nenhum perídio de tempo
deverá parecer-nos longo. Além do mais, já que Cristo, depois de haver
completado toda a obra da nossa salvação, subiu ao céu, é justo e próprio que
esperemos continuamente sua segunda revelação [ou vinda], e pensemos de cada
dia como se ele fosse o último.
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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