"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

“VEDES QUE O DIA SE APROXIMA”


VEDES QUE O DIA SE APROXIMA

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

Tanto mais quanto vedes que o Dia se aproximaHá quem pense que esta cláusula está paralela àquela de Paulo: “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” [Rm 13.11]. Creio, ao contrário, que a referência, aqui, é à vinda final de Cristo, a cuja expectação devemos despertar-nos com mais urgência para a contemplação de uma vida santa, bem como nos esforçarmos, criteriosa e zelosamente, por manter a Igreja unida e reunida. Qual é o propósito da vinda de Cristo senão reunir em um só corpo os dispersos que ainda se encontram errantes? Portanto, quanto mais próxima é sua vinda, mais devemos redobrar nossos esforços para que os dispersos sejam reunidos e estejam unidos, a fim de que chegue o tempo quando seremos um só rebanho e teremos um só Pastor [Jo 10.16].

Se porventura alguém perguntar como o apóstolo poderia afirmar que aqueles que ainda se encontravam longe da revelação [ou volta] de Cristo viram o dia próximo e quase ao seu alcance, minha resposta é que a Igreja se encontrava tão bem constituída desde o início do reino de Cristo, que os fiéis pensavam na vida do Juiz como algo iminente. Não eram enganados por uma falsa imaginação, sentindo-se preparados para receberem a Cristo a qualquer momento, pois a condição da Igreja, desde o tempo da promulgação do evangelho, era tal que todo aquele período foi legítima e apropriadamente chamado de os últimos dias. Aqueles que se se encontravam mortos desde muitas gerações viveram os últimos dias não menos que nós. Os ardilosos e sarcásticos, para quem se afigura ridículo o fato de termos alguma fé na ressurreição da carne e no juízo final, riem de nossa simplicidade diante de tais questões. Mas para que nossa fé não trema diante de seus motejos, o Espírito Santo nos ensina [2Pe 3.8] “que para o Senhor mil anos é como um dia, e um dia como mil anos”. De modo que, toda vez que pensarmos sobre a eternidade do reino celestial, nenhum perídio de tempo deverá parecer-nos longo. Além do mais, já que Cristo, depois de haver completado toda a obra da nossa salvação, subiu ao céu, é justo e próprio que esperemos continuamente sua segunda revelação [ou vinda], e pensemos de cada dia como se ele fosse o último.

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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