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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

“VÓS, QUE TEMEIS O SENHOR”


“VÓS, QUE TEMEIS O SENHOR”

“Declararei teu nome a meus irmãos; no meio da assembleia te louvarei: Vós, que temeis o SENHOR, louvai-o; todos vós, descendência de Jacó, glorificai-o; e temei-o, todos vós, descendência de Israel” (Sl 22:22,23).

Aqui, uma vez mais, o salmista expressa mais distintamente o fruto das públicas e solenes ações de graças, do qual fala antes, declarando que, ao engajar-se nesse exercício, cada pessoa, em seu próprio lugar, convida e incita a igreja, mediante seu exemplo, a louvar a Deus. Ele nos diz que o propósito com o qual louvará o nome de Deus na assembleia pública é para reanimar a seus irmãos a fazer o mesmo. Mas como os hipócritas comumente se infiltram na igreja, e visto que, no celeiro do Senhor, a palha se mistura com o trigo, ele se dirige expressamente aos santos e aos que temem a Deus. Os impuros e maus podem cantar os louvores de Deus com sua boca aberta, mas com toda certeza não fazem outra coisa senão poluir e profanar seu santo nome. Aliás, deveria ser um objetivo muito desejável que os homens de todas as condições no mundo, de comum acordo, unir-se em santa melodia ao Senhor. Visto, porém, que a principal e essencial parte dessa harmonia procede de uma afeição sincera e pura de coração, ninguém jamais, de uma forma correta, celebrará a glória de Deus, exceto aquele que o adorar sob a influência de santo temor. Davi, um pouco depois, designa a semente de Jacó e de Israel como uma referência à vocação comum do povo; e certamente ele não põe nenhum obstáculo no caminho para prejudicar mesmo os filhos de Abraão de louvarem a Deus de comum acordo. Mas como percebeu que muitos dos israelitas eram bastardos e degenerados, ele distingue os verdadeiros e sinceros israelitas daqueles; e ao mesmo tempo mostra que o nome de Deus não é devidamente celebrado, senão onde há verdadeira piedade e temor íntimo de Deus.

Temei-o, todos vós, descendência de Israel, diz o salmista; pois toda boa aparência com que os hipócritas se revestem neste assunto não passa de pura zombaria. O temor que ele recomenda não é, contudo, aquele que levaria os fiéis a fugirem da presença de Deus, mas aquele que os introduzirá humildemente em seu santuário, como se acha declarado no Salmo 15. Alguns poderão sentir-se surpresos de encontrar Davi endereçando uma exortação em prol do louvor de Deus, àqueles a quem havia previamente recomendado a agirem assim. Mas isso é facilmente explicável, pois mesmo os mais santos dentre os homens no mundo nunca são tão plenamente imbuídos do temor de Deus que não tenham mais necessidade de continuamente incitar- se ao seu exercício. Consequentemente, a exortação não é de forma alguma supérflua quando, falando daqueles que temem a Deus, ele os exorta a reverenciarem-no e a prostrarem-se humildemente diante dele.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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