“VÓS, QUE TEMEIS O SENHOR”
“Declararei teu
nome a meus irmãos; no meio da assembleia te louvarei: Vós, que temeis o
SENHOR, louvai-o; todos vós, descendência de Jacó, glorificai-o; e temei-o,
todos vós, descendência de Israel” (Sl 22:22,23).
Aqui, uma vez
mais, o salmista expressa mais distintamente o fruto das públicas e solenes
ações de graças, do qual fala antes, declarando que, ao engajar-se nesse
exercício, cada pessoa, em seu próprio lugar, convida e incita a igreja,
mediante seu exemplo, a louvar a Deus. Ele nos diz que o propósito com o qual
louvará o nome de Deus na assembleia pública é para reanimar a seus irmãos a
fazer o mesmo. Mas como os hipócritas comumente se infiltram na igreja, e visto
que, no celeiro do Senhor, a palha se mistura com o trigo, ele se dirige
expressamente aos santos e aos que temem a Deus. Os impuros e maus podem cantar
os louvores de Deus com sua boca aberta, mas com toda certeza não fazem outra
coisa senão poluir e profanar seu santo nome. Aliás, deveria ser um objetivo
muito desejável que os homens de todas as condições no mundo, de comum acordo,
unir-se em santa melodia ao Senhor. Visto, porém, que a principal e essencial
parte dessa harmonia procede de uma afeição sincera e pura de coração, ninguém
jamais, de uma forma correta, celebrará a glória de Deus, exceto aquele que o
adorar sob a influência de santo temor. Davi, um pouco depois, designa a
semente de Jacó e de Israel como uma referência à vocação comum do povo; e
certamente ele não põe nenhum obstáculo no caminho para prejudicar mesmo os
filhos de Abraão de louvarem a Deus de comum acordo. Mas como percebeu que
muitos dos israelitas eram bastardos e degenerados, ele distingue os
verdadeiros e sinceros israelitas daqueles; e ao mesmo tempo mostra que o nome
de Deus não é devidamente celebrado, senão onde há verdadeira piedade e temor
íntimo de Deus.
Temei-o, todos vós,
descendência de Israel, diz o salmista; pois toda
boa aparência com que os hipócritas se revestem neste assunto não passa de pura
zombaria. O temor que ele recomenda não é, contudo, aquele que levaria os fiéis
a fugirem da presença de Deus, mas aquele que os introduzirá humildemente em
seu santuário, como se acha declarado no Salmo 15. Alguns poderão sentir-se
surpresos de encontrar Davi endereçando uma exortação em prol do louvor de
Deus, àqueles a quem havia previamente recomendado a agirem assim. Mas isso é
facilmente explicável, pois mesmo os mais santos dentre os homens no mundo
nunca são tão plenamente imbuídos do temor de Deus que não tenham mais
necessidade de continuamente incitar- se ao seu exercício. Consequentemente, a
exortação não é de forma alguma supérflua quando, falando daqueles que temem a
Deus, ele os exorta a reverenciarem-no e a prostrarem-se humildemente diante
dele.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

Obrigada!, pastor.
ResponderExcluirUm abração!
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