“MAL ACABARA ISAQUE DE ABENÇOAR A JACÓ”
“Mal acabara
Isaque de abençoar a Jacó, tendo este saído da presença de Isaque, seu pai,
chega Esaú, seu irmão, da sua caçada” (Gn 27:30).
Aqui se
acrescenta a maneira como Esaú foi rejeitado, cuja circunstância era favorável
para confirmar a bênção sobre Jacó; porque, se Esaú não fosse rejeitado,
poderia parecer que ele não foi privado daquela honra que a natureza lhe
conferiu; agora, porém, Isaque declara que, o que fizera, em virtude de seu
ofício patriarcal, não podia deixar de ser confirmado. De fato, aqui fica
evidente, outra vez, que a primogenitura que Jacó obtivera, à custa de seu
irmão, se fizera sua por um dom gratuito; pois se compararmos as obras dos
gêmeos, Esaú obedece a seu pai, traz-lhe o produto de sua caçada, prepara-lhe a
refeição obtida por seu próprio labor, e nada fala senão a verdade; em suma,
nada encontramos em Esaú que não seja digno de louvor. Jacó nunca deixa seu
lar, substitui uma caça por um cabrito, dissimula por meio de muitas mentiras,
nada traz que propriamente o recomende, mas em muitas coisas merece repreensão.
Por isso devemos reconhecer que a causa desse evento não deve remontar-se às
boas obras, senão que está oculta no eterno conselho de Deus. Contudo, Esaú não
é injustamente reprovado, porque os que não são governados pelo Espírito de
Deus nada podem receber de boa consciência. Diante disso, devemos apenas manter
firmemente que, uma vez que a condição de todos é igual, se alguém for
preferido a outro, isso não deve ao seu próprio mérito, mas porque o Senhor
graciosamente o elegera.
Deus nos abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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