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terça-feira, 7 de abril de 2026

“MAL ACABARA ISAQUE DE ABENÇOAR A JACÓ”


“MAL ACABARA ISAQUE DE ABENÇOAR A JACÓ”

“Mal acabara Isaque de abençoar a Jacó, tendo este saído da presença de Isaque, seu pai, chega Esaú, seu irmão, da sua caçada” (Gn 27:30).

Aqui se acrescenta a maneira como Esaú foi rejeitado, cuja circunstância era favorável para confirmar a bênção sobre Jacó; porque, se Esaú não fosse rejeitado, poderia parecer que ele não foi privado daquela honra que a natureza lhe conferiu; agora, porém, Isaque declara que, o que fizera, em virtude de seu ofício patriarcal, não podia deixar de ser confirmado. De fato, aqui fica evidente, outra vez, que a primogenitura que Jacó obtivera, à custa de seu irmão, se fizera sua por um dom gratuito; pois se compararmos as obras dos gêmeos, Esaú obedece a seu pai, traz-lhe o produto de sua caçada, prepara-lhe a refeição obtida por seu próprio labor, e nada fala senão a verdade; em suma, nada encontramos em Esaú que não seja digno de louvor. Jacó nunca deixa seu lar, substitui uma caça por um cabrito, dissimula por meio de muitas mentiras, nada traz que propriamente o recomende, mas em muitas coisas merece repreensão. Por isso devemos reconhecer que a causa desse evento não deve remontar-se às boas obras, senão que está oculta no eterno conselho de Deus. Contudo, Esaú não é injustamente reprovado, porque os que não são governados pelo Espírito de Deus nada podem receber de boa consciência. Diante disso, devemos apenas manter firmemente que, uma vez que a condição de todos é igual, se alguém for preferido a outro, isso não deve ao seu próprio mérito, mas porque o Senhor graciosamente o elegera.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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