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quinta-feira, 2 de abril de 2026

“JURA QUE NÃO NOS FARÁS MAL”


“JURA QUE NÃO NOS FARÁS MAL”

“Jura que não nos farás mal, como também não te havemos tocado, e como te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Tu és agora o abençoado do SENHOR” (Gn 26:29).

Uma consciência acusadora os leva a desejarem manter Isaque obrigado diante deles e, por isso, exigem dele um juramento de que não os ferirá. Pois sabiam que Isaque poderia vingar-se com justiça pelos sofrimentos que suportara; mas eles dissimulam e inclusive se vangloriam de seus próprios atos de bondade. De fato, a princípio, a benevolência do rei foi algo notável, pois não só entreteve Isaque com hospitalidade, mas o tratou com peculiar honra; entretanto, não manteve essa atitude até o fim. Mas de acordo com o costume dos homens, eles dissimulam seus erros utilizando-se de todos os artifícios e meios que possam inventar. Mas, caso tenhamos cometido alguma ofensa, devemos antes confessar sinceramente nosso erro, em vez de negá-lo, para que não fira mais profundamente a mente daqueles a quem temos ofendido. Entretanto, Isaque, visto que já havia ferido suficientemente a consciência deles, não os pressiona mais. Pois os estranhos não devem ser tratados por nós como familiares, porém, se não tirarem proveito, que sejam deixados ao juízo de Deus. Portanto, embora Isaque não arrancasse deles uma confissão justa, para que não pensassem que Isaque nutria alguma hostilidade contra eles, não se recusa a fazer uma aliança com eles. Assim aprendemos de seu exemplo que, se porventura alguém se afastar de nós, que não seja rejeitado caso nos ofereça outra vez sua amizade. Pois se somos ordenados a seguir a paz, mesmo quando ela parece fugir de nós, então não devemos nos esquivar quando nossos inimigos voluntariamente buscarem reconciliação; especialmente se houver alguma esperança de uma reconciliação futura, embora o verdadeiro arrependimento ainda não seja visível. E Isaque lhes oferece uma festa, não apenas para promover a paz, mas também com o intuito de mostrar que ele, esquecendo-se de toda ofensa, se torna amigo deles.

Tu és agora o abençoado do SENHOR. Normalmente essa expressão é explicada no sentido de que eles buscavam o favor de Isaque com bajulações, exatamente como algumas pessoas costumam bajular quando querem um favor; no entanto, eu, ao contrário, creio que essa expressão foi acrescentada em um sentido diferente. Isaque havia se queixado das injúrias deles por haverem-no expulsado por inveja; eles respondem que não havia razão para que restasse a menor sombra de pesar na mente de Isaque, visto que o Senhor o tratara de modo tão bondoso e precisamente conforme seu próprio desejo, como se quisessem dizer: “o que ainda queres? Não te contentas com o teu atual êxito? Admitimos que não temos cumprido com o dever de hospitalidade para contigo; contudo a bênção de Deus é abundantemente suficiente para apagar a lembrança daquele tempo”. Mas, talvez, por essas palavras, eles novamente estejam dizendo que estão agindo de boa-fé para com ele, porque ele está sob a proteção de Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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