“Faze-me, SENHOR,
conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas” (Sl 25:4).
Davi usa esta expressão, conhecer os teus caminhos, para indicar a regra de uma vida santa e justa. Visto que o termo, verdade, ocorre no versículo imediatamente seguinte, a oração que ele apresenta neste lugar tem, em minha opinião, este propósito: Senhor, guarda teu servo na firme convicção de tuas promessas, e não permitas que ele se desvie da verdade. Quando nossas mentes se dispõem à paciência, não empreendemos nada precipitadamente nem por meios impróprios, mas passamos a depender inteiramente da providência de Deus. Consequentemente, neste ponto Davi deseja não simplesmente ser dirigido pelo Espírito de Deus, a fim de não errar o caminho certo, mas também para que Deus claramente lhe manifeste sua verdade e fidelidade nas promessas de sua palavra, para que pudesse viver em paz perante ele e se visse livre de toda impaciência. Não faço objeção se alguém tomar as palavras num sentido geral, como se Davi se confiasse totalmente a Deus para ser governado por ele. Entretanto, como creio ser provável que, sob o título verdade, no próximo versículo, ele explique sua intenção no tocante aos termos, caminhos e veredas de Deus, dos quais ele aqui fala, não tenho dúvida de que a referência nesta circunstância é à oração, ou seja, que Davi, temendo ceder ao sentimento de impaciência, ou ao desejo de vingança, ou a algum impulso extravagante e ilícito, suplica que as promessas de Deus sejam profundamente impressas e esculpidas em seu coração. Pois eu disse antes que, quando esse pensamento prevalece em nossas mentes, ou seja, que Deus toma cuidado de nós, esse é o melhor e mais poderoso meio de resistir às tentações. Entretanto, se pelos termos, os caminhos e veredas de Deus, alguém entende ser sua doutrina, eu, não obstante, mantenho isto como um ponto estabelecido, a saber, que na linguagem do salmista há uma alusão às emoções súbitas e irregulares que despontam em nossas mentes quando somos açoitados pela adversidade, e pelas quais somos precipitados nas tortuosas e ilusórias veredas do erro, até oportunamente sermos dominados ou tranquilizados pela palavra de Deus. O significado, portanto, é este: Seja o que for que venha suceder-me, não deixes, ó Senhor, desviar-me de teus caminhos ou ser levado por uma voluntária desobediência à tua autoridade, ou qualquer outro desejo pecaminoso. Mas, ao contrário, que tua verdade me conserve num estado de quieto repouso e paz, por uma humilde submissão a ela.
Deus nos
abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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