"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sábado, 25 de abril de 2026

“BOM E RETO É O SENHOR”


“BOM E RETO É O SENHOR”

“Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores” (Sl 25:8).

Abrindo uma breve pausa, como a interromper o seguimento de sua oração, Davi exercita seus pensamentos em meditação sobre a bondade e retidão divina, para que pudesse voltar à sua oração com fervor renovado. Os fiéis sentem que em seus corações a oração logo se desvaneceria, caso não se revigorem constantemente para prossegui-la com novos estímulos; quão raro e difícil é perseverarmos inabaláveis e incansáveis neste santo dever. Aliás, como a preservação do fogo requer que se ponha combustível com frequência, assim o exercício da oração requer o socorro de tais auxílios, para que ela não se desvaneça e por fim venha a se extinguir totalmente. Davi, pois, obsequioso de injetar-lhe ânimo a fim de perseverar, fala a si mesmo e afirma que Deus é bom e reto, para que, armazenando novas energias através da meditação sobre esta verdade, pudesse retornar com mais vivacidade à oração. Devemos, porém, observar esta consequência: visto que Deus é bom e reto, ele estende sua mão aos pecadores com o fim de trazê-los de volta ao caminho. Tributar a Deus uma retidão que ele só pode exercer para com os dignos e merecedores é um frio ponto de vista de seu caráter e de pouca vantagem para com os pecadores, e no entanto, o mundo comumente conserva a noção de que Deus é bom em nenhum outro sentido. Como sucede que raramente um em cem aplica a si a misericórdia de Deus, senão porque os homens a limitam aos que são dignos dela? Ora, ao contrário disso, diz-se aqui que Deus oferece uma prova de sua retidão, apontando o caminho aos transgressores; e isso tem a mesma equivalência que chamá-los ao arrependimento e ensinar-lhes uma vida de retidão. Aliás, se a bondade de Deus não penetrasse o próprio inferno, ninguém jamais se tornaria participante dela. Deixemos, pois, os falsos mestres vangloriar-se prazerosamente de suas imaginárias preparações; quanto a nós, porém, consideremos esta como sendo uma doutrina incontestável, a saber: se Deus não se antecipasse aos homens com sua graça, todos eles pereceriam totalmente. Portanto Davi, neste ponto, recomenda esta graça preventiva, como às vezes é denominada, a qual se manifesta ou quando Deus, ao chamar-nos, finalmente renova nossa natureza corrupta, pelo Espírito de regeneração, ou quando ele nos traz de volta ao caminho reto, após nos termos desviado dele seguindo as veredas do pecado. Pois visto que mesmo aqueles a quem Deus recebe como seus discípulos são aqui chamados pecadores, segue-se que ele os renova pela ação de seu Espírito Santo, a fim de que se tornem obedientes.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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