"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 15 de abril de 2026

“LEMBRA-TE, SENHOR”


“LEMBRA-TE, SENHOR”

“Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade” (Sl 25:6).

Lembra-te, Senhor. Essa, pois, é a queixa de um homem que sofre extrema angústia e se acha mergulhado em profunda tristeza. Podemos aprender disso que, embora Deus, por algum tempo, venha a subtrair de nós todo sinal de sua misericórdia e benevolência, e aparentemente não leve em conta as misérias que nos afligem, nos esquecendo como se lhe fôssemos estranhos e não seu próprio povo, devemos lutar corajosamente até que, livres dessa tentação, cordialmente apresentemos a oração que é aqui registrada, rogando a Deus que, retornando à sua maneira anterior de nos tratar, ele uma vez mais comece a manifestar sua bondade para conosco e a tratar-nos de uma forma mais graciosa. Essa forma de oração não pode ser usada com propriedade, a menos que Deus esteja ocultando de nós sua face e pareça não demonstrar nenhum interesse por nós. Ademais Davi, havendo recorrido à misericórdia ou compaixão e benevolência de Deus, testifica que não confia em seu próprio mérito como se este fosse a base de sua esperança. Aquele que deriva cada coisa tão-somente da fonte da divina mercê nada encontra em si mesmo digno de recompensa aos olhos de Deus. Mas como a intermissão que Davi havia experimentado se tornara um obstáculo a impedir seu livre acesso à presença de Deus, ele se eleva acima dela através de um antídoto muito melhor, ou seja, a consideração de que, embora Deus, que de sua própria natureza é misericordioso, se retraia e cesse por algum tempo de manifestar seu poder, todavia não pode negar a si próprio; ou seja, não pode despir-se do sentimento de misericórdia que lhe é inerente e que poderia cessar se porventura sua existência não fosse eterna. Mas devemos manter firmemente esta doutrina, a saber: que Deus tem sido misericordioso desde o princípio, de modo que, se alguma vez ele parece agir com severidade em relação a nós e rejeitar nossas orações, não devemos imaginar que ele age em oposição a seu próprio caráter, ou que mudasse de propósito. Donde aprendemos com que objetivo as Escrituras por toda parte nos informam que em todos os tempos Deus sempre considerou seus servos com olhos de benignidade e exercitou sua compaixão para conosco. Devemos pelo menos considerar como um ponto fixo e estabelecido que, embora a bondade divina às vezes se mantenha oculta e, por assim dizer, sepultada da vista humana, ela jamais poderá ser extinta.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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