"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 14 de abril de 2026

“E O ABENÇOEI, E ELE SERÁ ABENÇOADO”


“E O ABENÇOEI, E ELE SERÁ ABENÇOADO”

“Então, estremeceu Isaque de violenta comoção e disse: Quem é, pois, aquele que apanhou a caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que viesses, e o abençoei, e ele será abençoado” (Gn 27:33).

Aqui, uma vez mais, a fé que estivera sufocada no peito do santo homem se renova e emite novas fagulhas; pois não há dúvida de que seu temor emana da fé. Além disso, o que Moisés descreve não é um temor comum, mas aquele que fez estremecer totalmente o santo homem; porque, enquanto estava perfeitamente consciente de sua própria vocação, e por isso estava persuadido de que o dever de nomear o herdeiro em quem depositaria a aliança de vida eterna lhe fora divinamente ordenado, no mesmo instante em que descobriu seu erro, se encheu de temor, que numa questão tão grande e séria Deus deixou que ele errasse; porque, a menos que concluísse que Deus era quem controlava esse ato, o que teria impedido de ignorar sua ignorância como desculpa, e de enfurecer-se contra Jacó, que lhe enganava por meio de fraude e astúcia? Mas, embora se cobrisse de vergonha por causa do erro cometido, contudo, com uma mente renovada, ele confirma a bênção que havia pronunciado; não tenho dúvida de que, como alguém que acorda, ele começou a recordar o oráculo para o qual não atentara suficientemente. Portanto, o santo homem não foi impelido pela ambição a ser assim tão firme em seu propósito, como os homens obstinados costumam ser, os quais levam até as últimas consequências o que uma vez começaram, ainda que nesciamente; mas a declaração: “e o abençoei, e ele será abençoado” era fruto de uma rara e preciosa fé; pois ele, renunciando os afetos da carne, agora se rende inteiramente a Deus, e, reconhecendo-o como o autor da bênção que havia impetrado, lhe atribui a devida glória, e não ousa revogá-la. O benefício dessa doutrina pertence à Igreja, a fim de que saibamos com certeza que tudo que os arautos do evangelho nos prometem pela ordenação de Deus será eficaz e inabalável, porque não falam na qualidade de meros homens, e sim pela ordenação do próprio Deus; e a debilidade do ministro não destrói a fidelidade, poder e eficácia da palavra de Deus. Aquele que se nos apresenta com a missão de oferecer a felicidade e vida eternas está sujeito às mesmas misérias e à própria morte até; entretanto, a despeito de tudo isso, a promessa é eficaz. Aquele que nos absolve dos pecados se fez a si mesmo pecado; visto, porém, que seu ofício lhe foi divinamente designado, a firmeza dessa graça, tendo seu fundamento em Deus, jamais falhará.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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