“TU ÉS O DEUS DA MINHA SALVAÇÃO”
“Guia-me na tua
verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero
todo o dia” (Sl 25:5).
Embora Davi frequentemente reitere a mesma coisa, pedindo que Deus o faça conhecer seus caminhos, o ensine em suas veredas e o guie em sua verdade, não há qualquer redundância nessas formas de linguagem. Nossos adversários são muitas vezes como a névoa que tira a visão de nossos olhos; e cada um sabe à luz de suas próprias experiências quão difícil é, enquanto essas nuvens escuras persistirem, discernir em que caminho devemos andar. Se Davi, porém, profeta tão distinto e dotado de uma sabedoria tão inusitada, era carente de instrução, o que será de nós se, em nossas aflições, Deus não dispersar de nossas mentes aquelas nuvens de escuridade que nos impedem de contemplar sua luz? Então, assim que as tentações nos assaltarem, que oremos sempre para que Deus faça a luz de sua verdade resplandecer sobre nós, a fim de que, recorrendo a invenções pecaminosas, não nos desviemos vagueando por caminhos proibidos.
Ao mesmo tempo,
devemos observar o argumento que aqui Davi emprega para corroborar sua oração.
Ao chamar Deus de Deus de minha salvação,
ele procede assim a fim de revigorar sua esperança em Deus para o futuro, a
partir de uma consideração dos benefícios que ele já havia recebido dele; e
então reitera o testemunho de sua confiança no Senhor. E assim, a primeira
parte do argumento é extraída da natureza da própria pessoa de Deus e do dever
que, por assim dizer, lhe pertence; ou seja, visto que ele se esforça por
manter o bem-estar dos santos e os socorre em suas necessidades, com base no
fato de que continuará a manifestar o mesmo favor para com eles até ao fim.
Visto, porém, ser necessário que nossa confiança corresponda à sua
incomensurável benevolência para conosco, Davi o assevera, ao mesmo tempo, em
conexão com uma declaração de sua perseverança. Porque, pela expressão, todo o dia ou cada dia, ele quer dizer que, com uma constância determinada e infatigável,
depende exclusivamente de Deus. E, indubitavelmente, olhar para Deus é uma
propriedade da fé, mesmo nas circunstâncias mais tentadoras, e pacientemente
esperar pelo socorro que lhe fora prometido por Deus. Para que o reconhecimento
das bênçãos divinas possa nutrir e sustentar nossa esperança, aprendamos a
refletir sobre a bondade que Deus já manifestou em nosso favor, olhando para o
que Davi fez, fazendo disso a base de sua confiança, a qual ele encontrou em
sua própria experiência pessoal com Deus como o Autor da salvação.
Deus nos abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

Nenhum comentário:
Postar um comentário