“POIS ME ODIAIS E ME EXPULSASTES DO VOSSO MEIO”
“Disse-lhes
Isaque: Por que viestes a mim, pois me odiais e me expulsastes do vosso meio?” (Gn
26:27).
Isaque
não só se queixa das injúrias recebidas, mas protesta que no futuro não pode
ter confiança neles, já que descobrira que da parte deles havia uma disposição
tão hostil para com ele. Essa passagem nos ensina que é lícito aos fiéis
apresentar queixa de seus inimigos, a fim de que, se possível, relembrá-los de
seu propósito de fazer injúria, e refrear sua força, fraude e atos de
injustiça. Pois a liberdade não é inconsistente com a paciência; tampouco Deus
exige de seu próprio povo que suportem silenciosamente toda injúria que
porventura lhes seja infligida, mas tão somente refreiem sua mente e contenham
suas mãos de vingança. Ora, se a mente deles é pura e bem regulada, a sua língua
não será virulenta em reprovar as faltas dos outros; mas o seu único propósito será
restringir os perversos por um senso de vergonha, por causa da iniquidade. Pois
onde não há esperança de tirar proveito das lamúrias, é melhor cultivar a paz
mediante o silêncio, a menos que, talvez, o propósito será tornar indesculpáveis
os que se deleitam na perversidade. De fato, devemos nos precaver sempre para
que, movida por um desejo de vingança, nossa língua não irrompa em reprimendas;
e, no dizer de Salomão, “O ódio excita contendas” (Pv 10.12).
Deus nos
abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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