"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Da Sagrada Escritura

Da Sagrada Escritura (Capítulo I - CFW)

Seção IV. A autoridade da Sagrada Escritura, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas única e totalmente de Deus (que é a própria verdade), que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus.

2Pe 1.19-21; 2Tm 3.16; 1Jo 5.9; 1Ts 2.13.

Seção V. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e induzidos a um elevado e reverente apreço pela Sagrada Escritura, e pela sublimidade da matéria, a eficácia da doutrina, a majestade do estilo, a harmonia de todas as partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvação para o homem, as muitas outras excelências incomparáveis e a plena perfeição são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a Palavra de Deus; não obstante, nossa plena persuasão e certeza da infalível verdade e divina autoridade provém da obra interna do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos corações.

1Tm 3.15; 1Jo 2.20,27; Jo 16.13-14; 1Co 2.10-12; Is 59.21.

*Estas seções ensinam as seguintes proposições:

1. Que a autoridade das Escrituras inspiradas não repousa no testemunho da Igreja, e sim, diretamente de Deus.

2. Que as evidências internas da origem divina contidas nas Escrituras e inseparáveis delas por si mesmas são conclusivas.

2.1. As características internas da origem divina da Bíblia são as seguintes:

a. O fenômeno que ela apresenta de uma inteligência supernatural: na unidade de desígnio desenvolvida através de toda a sua estrutura, embora seja composta de sessenta e seis livros individuais, escrita por cerca de quatrocentos diferentes autores, os quais escreveram ao longo de dezesseis séculos; em sua perfeita isenção de todos os erros circunstanciais ao longo das épocas de sua produção, em referência aos fatos ou opiniões de qualquer gênero; no prodigioso conhecimento que ela exibe da natureza humana sob todas as possíveis relações e condições; na solução original e luminosa que ela oferece de muitos dos mais sombrios problemas da história e destino humano.

b. A perfeição sem paralelo de seu sistema moral: na sublime visão de Deus que ela apresenta, sua lei e governo morais; em seu elevado, não obstante prático e beneficente, sistema de moralidade, demonstrado e eficientemente imposto; em seu prodigioso poder sobre a consciência humana; e no inigualável alcance e persistência de sua influência sobre as comunidades humanas.

3. Finalmente, que a mais sublime e mais influente fé na verdade e autoridade das Escrituras é uma OBRA DIRETA DO ESPÍRITO SANTO em nossos corações.

As Escrituras, para o homem não regenerado, são como a luz para o cego. Podem ser sentidas como os raios solares são sentidos pelo cego, mas não podem ser claramente vistas. O Espírito Santo abre os olhos cegos e comunica a devida sensibilidade ao coração enfermo; e assim a confiança emana da evidência da experiência espiritual. Assim que é regenerado, ele começa a experimentar o sabor das Escrituras; e quanto mais ele avança, mais ele prova que são verdadeiras e mais ele descobre sua ilimitada amplidão e plenitude, e sua evidente adaptação destinadas a todas as necessidades humanas sob todas as condições possíveis.

E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento [...] Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1Jo 2.20,27). Amém!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.

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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

“Santificai-vos e sede Santos”

“Santificai-vos e sede Santos”
Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 20.7).

Envergonhamos o nome de Cristo quando pecamos, quando seguimos e somos levados por nossas concupiscências e prazeres, quando preferimos as coisas do presente e não as glórias eternais, e a todo instante proclamamos por todas as partes que Jesus Cristo é o nosso exemplo.

Só poderemos glorificar a Cristo se testemunharmos de seus ensinamentos. Mas como poderemos fazer isso? Testemunhamos dos seus ensinamentos quando os tornamos a nossa regra de vida e de santificação, manifestando, assim, ao mundo, que o seu ensinamento é santo e procede do céu, cheio de sabedoria e graças divinas (Tt 2.11,12).

Nós fomos chamados para testemunhar do poder e da eficácia da morte de Cristo que, nos purificou de toda a iniquidade e, livrou a nossa consciência das obras mortas para servirmos ao Deus vivo (Hb 9.14). Se não formos limpos dos nossos pecados pelo sangue de Cristo, se não formos purificados de toda a iniquidade, seremos abomináveis a Deus e sujeitos à sua ira para sempre. Quanto a isso, entretanto, Cristo, o Senhor, nada exige de seus discípulos senão que professem que o seu sangue os limpa de todos os pecados, e que, pela santidade de vida, mostre-lhes a verdade disso, assim haveremos de glorificá-lo.

Sem a santificação prescrita no evangelho nada daremos a Cristo daquela indispensável glória que Ele requer de nós. Se amamos a Cristo, então temos de ser santos. Se desejamos glorificar a Cristo, então temos que ser santos. Se não quisermos ser tidos por traidores no último dia para a sua coroação, honra e dignificação, então temos de ser santos (1Pe 1.14-16).

Se temos a graça de Cristo ou buscamos ser aceitos por Ele no final, trabalhemos com empenho para sermos santos em todo o nosso comportamento de modo que possamos adornar o seu ensinamento, manifestar a suas virtudes e glórias e nos transformar à semelhança daquele que é o primogênito e a imagem do Deus invisível (Rm 8.29; Cl 1.15). “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR, que vos santifico (Lv 20.7,8). Amém!

John Owen (1616-1683).

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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Falsos Profetas e Falsos Mestres

Falsos Profetas e Falsos Mestres
“Dizem continuamente aos que me desprezam: O SENHOR disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração dizem: Não virá mal sobre vós” (Jr 23.17).

O maior dom concedido aos homens pelo Espírito Santo no Antigo Testamento era o de profecia. Contudo, quantos falsos profetas havia! Alguns deles serviam a outros deuses (1Rs 18.26-29). A mente deles era na verdade possuída pelo diabo, que os capacitava a declarar aquilo que outros homens desconheciam (1Co 10.20; 2Co 4.4). Outros professavam falar em nome e pela inspiração do Espírito do Senhor, o único verdadeiro e santo Deus, mas eram falsos profetas (Jr 28.15; Ez 13.1-10).

Em tempos de perigo e de ameaça de calamidades sempre há os que afirmam ter revelações extraordinárias. O diabo os instiga a encher os homens de falsas esperanças para conservá-los no pecado e em segurança enganosa. Quando então vem o juízo do Senhor, são apanhados de surpresa. Portanto, todo aquele que diz ter revelações extraordinárias, encorajando os homens a se sentirem seguros vivendo pecaminosamente, faz a obra do diabo, pois tudo aquilo que encoraja os homens a se sentirem seguros em seus pecados procede do diabo (Jr 5.30,31; 23.9-32).

No Novo Testamento o evangelho também foi revelado aos apóstolos pelo Espírito. Foi pregado com o seu auxílio e tornado eficaz para a salvação de almas pela sua obra e poder. Na igreja primitiva a pregação do evangelho era acompanhada dos milagres realizados pelos apóstolos. Contudo, o apóstolo Pedro adverte a igreja de que assim como na igreja do Antigo Testamento havia falsos profetas, do mesmo modo existiriam falsos mestres no Novo. “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (2Pe 2.1-3).

Ponha os falsos mestres à prova; não dê crédito a qualquer espírito, porque muitos falsos mestres têm saído pelo mundo fora; prove-os por sua doutrina (1Jo 4.1-3). Não se deixe persuadir pelos extraordinários milagres que possam fazer; fique atento ao que eles pregam. Proteja-se com o conhecimento verdadeiro da palavra de Deus. “Ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes seja anátema” (Gl 1.8,9)“Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos” (Ap 2.2). Deus nos abençoe!

John Owen (1616-1683).

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“Sede Vós Perfeitos”

“Sede Vós Perfeitos”
“Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48).

Enquanto estamos neste mundo, em termos tão impróprios, sempre haverá algo em nós carecendo de aperfeiçoamento. Todos nós devemos caminhar em direção a Deus.

Não são poucos os homens que nesta difícil jornada – podem recuar, se desviar, ou mesmo voltar atrás. É por isso que o apóstolo Paulo em sua carta aos Tessalonicenses manifesta um intenso desejo de vê-los pessoalmente e suprir o que falta à fé daqueles irmãos. “Pois que ações de graças podemos tributar a Deus no tocante a vós outros, por toda a alegria com que nos regozijamos por vossa causa, diante do nosso Deus, orando noite e dia, com o máximo empenho, para vos ver pessoalmente e reparar as deficiências da vossa fé?” (1Ts 3.9,10).

A partir disto, deduzimos que mesmo alguns homens ultrapassando em muito a outros ainda estão muito distantes do alvo que é a perfeição. “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem [...] Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.43,48).

Independentemente do progresso que possamos ter feito em nossa caminhada cristã, nunca devemos perder de vista as nossas deficiências para que não sejamos relutantes em mirar em algo mais além. Quão necessário é que prestemos com cuidadosa atenção ao que Deus diz em Sua Palavra. “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.11-13).

Devemos ser gratos a Deus por nossos pastores e mestres, eles não foram designados meramente com vistas a guiar-nos no curso de um só dia ou mês à fé de Cristo, mas com o propósito de aperfeiçoar a fé gerada em nós pelo Espírito Santo. 

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 1 de setembro de 2019

O Filho de Deus: Mistérios Revelados

O Filho de Deus: Mistérios Revelados
“E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, ó único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

Jesus Cristo é verdadeiro Deus, possuindo a natureza divina e todos os atributos essenciais da Deidade. Ele é também verdadeiro homem, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria, e da substância dela. Estas duas naturezas continuam unidas em sua Pessoa, mas sempre sendo verdadeira divindade e verdadeira humanidade, sem mistura nem mudança quanto à essência (Fl 2.6-11).

Estas duas naturezas unidas, assim constituem uma só Pessoa, e a esta única Pessoa pertencem os atributos das duas naturezas. Esta Personalidade não é personalidade nova constituída pela união das duas naturezas no ventre da Virgem Maria, mas é a Pessoa eterna e imutável do Logos, a qual no tempo assumiu uma nascente natureza humana e sempre depois abrange a natureza humana com a divina na Personalidade que pertence eternamente à divina (Jo 1.14).

Devemos lembrar, porém, que, enquanto a Pessoa é uma só, as naturezas, como tais, são distintas. O que pertence a qualquer das naturezas é atribuída à Pessoa única, à qual as duas naturezas pertencem; mas o que é peculiar a uma delas nunca é atribuído à outra. Deus, isto é, a Palavra divina, que é ao mesmo tempo Deus e homem, deu seu sangue por sua Igreja, isto é, morreu quanto à sua natureza humana (At 20.28). Mas nunca se afirma que as ações e os atributos humanos são da natureza divina de Cristo, nem que as ações e os atributos divinos são da sua natureza humana.

Por fim, consideremos até onde está incluída a natureza humana de Cristo no culto que lhe é devido? É preciso que distingamos entre o objeto e os motivos de culto. O único motivo por que devemos culto a alguém é que possui atributos divinos. O objeto de culto não é a excelência divina no abstrato, e sim a Pessoa divina de quem essa excelência é um atributo. Ao Deus-homem, existindo Ele em duas naturezas, devemos culto na perfeição de sua Pessoa inteira, unicamente em razão de seus atributos divinos (Êx 20.3).

*Fl 2.6-11; Hb 2.11-14; 1Tm 3.16; Gl 4.4; Rm 1.3,4 e 8.3; Jo 1.14; 1Jo 4.3; At 20.28; Rm 8.32; 1Co 2.8; Mt 1.23; Lc 1.31,32; Cl 1.13,14; Jo 3.13 e 6.62; Rm 9.5; Ap 5.12. 

Deus nos abençoe!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Esboços de Teologia – Editora PES.

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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Comunhão dos Santos

Comunhão dos Santos
“De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.43).

Temos na visita da virgem Maria à sua prima Izabel um precioso exemplo de comunhão dos santos. O Evangelho Segundo Lucas demonstra de maneira especial como os corações dessas duas santas mulheres foram confortados e suas mentes edificadas nesse maravilhoso encontro (Lc 1.39-56).

Se isso não houvesse ocorrido talvez Izabel nunca chegasse a ter aquela extraordinária experiência de ficar “cheia do Espírito Santo” (Lc 1.41); e também, é bem provável que Maria jamais proferisse seu magnifico cântico: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46,47).

Comunhão dos santos é um meio de graça indispensável para o nosso crescimento espiritual. Compartilhar algum dom do Espírito com os irmãos é algo bom e agradável ao Senhor. “Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos. Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados, isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha” (Rm 1.9-12). Comunhão dos santos, tempo de refrigério para nossas almas.

Infelizmente, a realidade tem sido outra. Sem dar a devida atenção à comunhão dos santos negligenciamos o compartilhar das bênçãos de Deus; e como consequência, deixamos irmãos em solidão, sofrimento e desamparo. Nós precisamos compreender que devemos buscar em primeiro lugar a face santa de Deus e, em seguida, devemos buscar a companhia dos nossos queridos e santos irmãos. “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1Co 1.9). Amém!

Pr. José Rodrigues Filho

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Crescimento Espiritual

Crescimento Espiritual
“Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno” (2Pe 3.18).

Se a salvação é do começo ao fim obra soberana de Deus, portanto nada podemos fazer efetivamente que produza a nossa salvação. Qual então é a utilidade de todos os mandamentos, ameaças, promessas e exortações da Escritura?

Nunca devemos esquecer a verdade de que verdadeiramente é Deus que opera em nós todo o bem espiritual. A Bíblia nos ensina que “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum” (Rm 7.18).

Ao dizermos que existe em nós algum bem que não seja obra do Espírito Santo destruímos o evangelho e negamos duplamente que Deus seja o único bem e que somente Ele pode nos tornar bons (2Co 3.5; Jo 15.5; Fp 2.13). Utilizar este argumento como desculpa para não se fazer nada é resistir à vontade de Deus.

Deus promete operar em nós aquilo que requer de nós. Há na Escritura muitos exemplos de pessoas que foram ordenadas a fazer aquilo que lhes era impossível. Entretanto, quando se dispuseram a obedecer encontraram o poder curador de Deus habilitando-as a fazer aquilo que anteriormente lhes parecera impossível. Nosso dever é tentar obedecer os mandamentos de Deus, e a Sua obra é nos capacitar a obedecê-los.

Portanto, aqueles que cruzam os braços e nada fazem – porque dizem que nada podem fazer até que Deus opere neles a graça – mostram que não possuem qualquer interesse ou preocupação com as coisas de Deus. Embora não possa haver graça no crente senão pelo Espírito Santo, entretanto, crescer em graça, progredir firmemente em santidade e justiça, depende do uso que o crente faz da graça que recebeu. Ser preguiçoso e negligente nas coisas das quais dependem o nosso crescimento espiritual, e que dizem respeito ao bem-estar eterno da alma, sob o pretexto de que sem o Espírito nada podemos fazer, é tanto estúpido quanto irracional, além de perigoso. 

Deus nos abençoe!

John Owen (1616-1683).

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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Diaconia e Ministério da Palavra

Diaconia e Ministério da Palavra
“Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária” (At 6.1).

A instituição do diaconato surgiu na igreja primitiva em decorrência da murmuração dos judeus nascidos fora da Judeia e tradição grega (helenistas) contra os judeus nativos da Judeia (hebreus) responsáveis pela administração de recursos e distribuição diária de donativos (At 6.1-7).

Os apóstolos sabiamente encontraram um meio de resolver essa questão, associando a missão da igreja e seu crescimento numérico ao serviço diaconal, evitando prejuízos ao distinto ofício apostólico. “Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.2-4).

A preocupação dos apóstolos em priorizar a palavra de Deus se deu por entenderem que os novos irmãos careciam urgentemente de firmeza e edificação sobre o verdadeiro fundamento da fé, Cristo Jesus (Ef 2.20). Eles sabiam que o crescimento saudável da igreja não aconteceria deixando de lado a oração e o ministério da palavra. Mas, consideraram a atenção que deviam dar aos irmãos carentes e esquecidos na distribuição diária. O ministério diaconal foi tratado de forma tão séria que os escolhidos deveriam demonstrar qualificações para este sagrado ofício: “Homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria” (At 6.3).

O ofício diaconal deve estar associado ao ministério da palavra de Deus como testemunho vivo da igreja. Isso nos mostra que a ação diaconal é, fundamentalmente, uma forma concreta de proclamação do evangelho, ou seja, a diaconia é uma das dimensões da vida da igreja, da mesma forma como o anúncio verbal também o é. Sendo assim, o legítimo crescimento da igreja exige que a ação diaconal, que demonstra o amor redentor de Cristo por meio do alívio das diversas formas de sofrimento humano, esteja vinculada ao ministério da palavra, poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (At 6.7). Amém!

Pr. José Rodrigues Filho

*EBD - Revista Palavra Viva, “Caminhos Missionários da Igreja” – Editora Cultura Cristã.

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A Fé se revela no Amor

A Fé se revela no Amor
“Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros” (Jo 15.17).

Nesta passagem, Cristo repete o mandamento de amar uns aos outros. Pelo amor, os cristãos se mantêm unidos e é o amor a marca dos verdadeiros cristãos. Jesus enfatizou esse mandamento porque sabia quantos falsos cristãos surgiriam – quantos louvariam a fé com palavras bonitas e com um grande espetáculo, mas não viveriam suas palavras. Assim como o santo nome de Deus é desonrado e usado para o mal e assim como o Cristianismo, a igreja e tudo o que é santo são utilizados de forma errônea e má, assim também a fé, o amor e as boas obras serão utilizados para promover um espetáculo falso e para sustentar máscaras. Pois o Diabo não deseja ser tão assustador como é normalmente pintado, mas, antes, deseja brilhar nas finas roupagens da Palavra de Deus, da igreja cristã, da fé e do amor. 

Cristo nos ensina que não é suficiente louvar a fé e a ele mesmo. Precisamos também produzir frutos. Pois onde esses frutos não forem evidentes, ou onde aparecer o oposto dos frutos, Cristo certamente não estará presente. Nesse caso, existirá apenas um falso nome. Essa é a razão pela qual devemos dizer a esses tipos de pessoas: “Eu ouço esse nome lindo e glorioso, que é nobre e digno de honra. Mas e quanto a você?” Da mesma forma o espírito maligno disse aos filhos de Ceva: “Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?” (At 19.15). 

No entanto, alguns poderão questionar: “Não é a fé que nos justifica e nos salva, e não as obras?” Sim, isso é verdade. Mas onde está a sua fé? Como ela é demonstrada? A fé nunca deve ser inútil, surda, morta ou decadente. Antes, deve ser uma árvore viva e cheia de frutos. Essa é a diferença entre a fé genuína e a fé falsa. Se existe a fé verdadeira, ela se mostrará na vida da pessoa.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

"MEDITA ESTAS COISAS"

 1) John Owen (16l6-1683).


Muitos ouvem a palavra pregada, mas poucos são salvos. “Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14). É a maior loucura do mundo deixar as considerações sobre o nosso estado eterno para algum tempo incerto no futuro que talvez nunca chegue.

Não pensem que devido se confessarem ser cristãos, e desfrutarem das bênçãos externas do evangelho, vocês necessariamente já pertencem a Cristo. Vocês podem se comparar com outros e achar que são melhores que alguns deles. Mas, se confiarem naquilo que são para sua salvação, ou naquilo que fazem, então decepcionarão suas almas para sempre (Mt 3.9).

Mas agora considerem o amor infinito de Cristo ao chamá-lo para vir a Ele e receber vida, perdão, graça, paz e salvação eterna. Há muitos encorajamentos dados nas Escrituras que servem bem aos perdidos, convictos pecadores. Jesus Cristo ainda se apresenta diante dos pecadores chamando-os, convidando-os e encorajando-os para que venham a Ele. Através da pregação dos ministros cristãos, Cristo diz: “Por que vocês querem morrer? Por que não têm pena de suas almas? Venham a Mim e Eu removerei todos os seus pecados, lamentos, temores e pesos. Eu darei descanso às suas almas”. Considerem a grandeza do Seu perdão, graça e amor ao chamá-los tão sinceramente para virem a Ele. Não deixem que o veneno da incredulidade, que inevitavelmente leva à ruína eterna, faça com que desprezem este santo convite para vir a Cristo.


2) Jonathan Edwards (1703-1758). 


Tudo o que dizemos será inútil, se não for confirmado pelo que fazemos.

Todos sabemos que "ações falam mais alto que palavras". Isso se aplica tanto ao domínio espiritual quanto ao natural. Imagine duas pessoas, uma parece andar humildemente perante Deus e os homens, viver uma vida que fala de um coração penitente e contrito; é submissa a Deus na aflição, mansa e gentil para com os outros homens. A outra fala sobre quão humilde é, como se sente condenada pelo pecado, como se prostra no pó perante Deus, etc; não obstante, se comporta como se fosse o cabeça de todos os cristãos da cidade! É mandona, importante perante ela mesma e não suporta crítica. Qual dessas duas dá a melhor demonstração de ser uma verdadeira cristã? Não é falando às pessoas sobre nós mesmos que demonstramos nosso cristianismo. Palavras custam pouco. É pela dispendiosa e desinteressada prática cristã que mostramos a autenticidade de nossa fé.

Estou supondo, é claro, que essa prática cristã existe numa pessoa que diz acreditar na fé cristã, pois o que estamos testando é a sinceridade daqueles que se dizem cristãos. Uma pessoa não pode proclamar-se cristã sem reivindicar certas coisas. Não iríamos - e não deveríamos - aceitar como cristão alguém que negue as doutrinas cristãs essenciais, não importa quão bom e santo ele pareça. Junto com a prática cristã, deve haver uma aceitação das verdades básicas do evangelho. Essas incluem crer que Jesus é o Messias, que morreu para satisfazer a justiça de Deus contra nossos pecados, e outras doutrinas dessa ordem. A prática cristã é a melhor prova da sinceridade e salvação daqueles que dizem acreditar nessas verdades, mas não prova coisa alguma sobre a salvação daqueles que as negam!

É possível ter grande conhecimento das doutrinas no intelecto e ainda assim não ter gosto pela beleza da santidade nessas doutrinas. A pessoa sabe intelectualmente em sua mente, mas não conhece espiritualmente em seu coração. Mero conhecimento doutrinário se assemelha a alguém que viu e tocou o mel. Conhecimento espiritual se assemelha a alguém que sentiu o gosto doce do mel em seus lábios. Este sabe muito mais sobre o mel do que aquele que somente olhou e tocou!



3) J.C.Ryle (1816-1900).


Desde muitos anos, tenho a profunda convicção de que a santidade prática e a inteira autoconsagração a Deus não são suficientemente seguidas pelos crentes modernos. A política, ou a controvérsia, ou o espírito de partidarismo, ou o mundanismo têm corroído o cerne da piedade viva em muitos dentre nós. O assunto da santidade pessoal tem retrocedido lamentavelmente para o segundo plano. O padrão de vida tem-se tornado dolorosamente baixo em muitos círculos. Tem sido por demais negligenciada a imensa importância de ornar “em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2.10), tornando-a bela e atraente mediante nossos hábitos diários e nosso temperamento. As pessoas do mundo queixam-se, com razão de que aqueles que são chamados de “religiosos” não são tão amáveis, altruístas e dotados de boa natureza como as outras pessoas que não professam ter religião. Contudo, a santificação, em seu devido lugar e proporção, é algo tão importante quanto a justificação. A sã doutrina protestante e evangélica será inútil, se não for acompanhada por uma vida santa. Ou pior do que inútil, será prejudicial. Será desprezada pelos homens sagazes e perspicazes deste mundo como algo irreal e vazio, o que faz com que a religião cristã seja lançada no opróbrio. “Purifiquemo-nos de toda a impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7.1).

A questão a ser considerada não é se você é um grande ou pequeno pecador, se você é eleito ou não, se você é convertido ou não. A questão é simplesmente essa: Você sente e odeia seus pecados? Você se sente pesado e oprimido? Você está disposto a colocar sua vida nas mãos de Deus? Se esse é o caso, então a porta se abrirá para você. Venha hoje. Por que você permanece aí fora?


Venham para Jesus: Ele não veio salvar o sábio aos seus próprios olhos, mas buscar o que estava perdido. Venham para o Cordeiro de Deus: Ele tira os pecados do mundo; e mesmo que seus corações sejam cheios de iniquidade eles serão mudados.



4) Martiyn Lloyd-Jones (1899-1981).


Nunca houve um santo sobre a face da terra que não tenha visto a si mesmo como um vil pecador - de modo que se você não sente que é um vil pecador, não é parecido com os santos.

As pessoas nunca são salvas antes de compreenderem que não podem salvar a si mesmas. Não há nada que nos afaste mais da salvação do que pensar que podemos salvar-nos a nós mesmos.

Não há valor nenhum numa profissão de fé cristã, se não for acompanhada pelo desejo de ser semelhante a Cristo, pelo desejo de livrar-se do pecado, pelo desejo de obter santidade positiva.

Não podemos estar cientes da nossa necessidade de redenção, sem o Espírito Santo; na verdade, não podemos crer sem a operação do Espírito Santo.

É importante lembrar também que nosso Senhor Jesus Cristo disse do Espírito: “Ele vai me glorificar”. O Espírito foi enviado particularmente para glorificar o Senhor Jesus Cristo, não a ele mesmo. O Senhor Jesus Cristo disse que foi enviado para glorificar o Pai, e assim o fez, apontou as pessoas para o Pai. Ele iria desaparecer e as pessoas não seriam capazes de encontrá-lo. Ele não busca glorificação pessoal. Ele veio para glorificar o Pai. E ele diz do Espírito: “O Espírito é enviado para me glorificar”. Então uma das maiores provas da obra do Espírito e especialmente do batismo com o Espírito Santo, é o desejo de glorificar o Senhor Jesus Cristo.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
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