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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

“COMO TÊM SIDO DESTRUÍDOS”


“COMO TÊM SIDO DESTRUÍDOS”

“Como têm sido destruídos, como por um momento! Têm perecido, têm se consumido com terrores.” (Sl 73:19).

A linguagem de espanto com que o salmista se sente impelido serve bem para confirmar o conteúdo do versículo precedente. Uma vez que a consideração da prosperidade dos ímpios induz certo torpor a nossas mentes, aliás, as torna até mesmo estúpidas, portanto sua destruição, sendo súbita e imprevista, tende a despertar-nos mais eficazmente, sendo cada um de nós constrangido a inquirir como é possível suceder um fato como esse, o qual todos os homens jamais poderiam imaginar que se concretizasse. O profeta, pois, fala do mesmo na forma exclamativa, como de algo incrível. Não obstante, ele ao mesmo tempo nos ensina que Deus está diariamente trabalhando de maneira tal que, se pelo menos abríssemos nossos olhos, veríamos a manifestação de coisas que no mínimo excitariam nosso espanto. Sim, mais ainda, se pela fé olhássemos à distância para os juízos de Deus, diariamente chegando mais e mais perto de nós, nada aconteceria que considerássemos por demais estranho ou difícil de se crer; pois a surpresa que sentimos procede da lentidão e displicência com que procedemos na aquisição do conhecimento da divina verdade. Quando se diz: têm se consumido com terrores, pode-se entender a expressão de duas maneiras. Ou significa que Deus troveja sobre eles de uma maneira tão inusitada, que a própria singularidade do fato os abala com consternação; ou que Deus, embora não estenda suas mãos sobre seus inimigos, não obstante os precipita em consternação e os reduz a nada, tão-somente pelo terror de seu sopro, exatamente no momento em que são surpreendidos desprezando todos os perigos, como se estivessem em perfeita segurança e fazendo um pacto com a morte. Daí virmos antes Davi introduzindo-os a estimular-se em sua obstinação com essa linguagem ostensiva: “Quem é SENHOR sobre nós?” [SI 12.4], Sou mais inclinado a adotar o primeiro sentido; e a razão que me leva a fazer isso é que, quando Deus percebe que somos por demais lentos na avaliação de seus juízos, então ele inflige sobre os ímpios juízos de um gênero mui severo, e os persegue com espantosa manifestação de sua ira, como se provocasse tremores na terra, a fim de, com isso, corrigir a obtusidade de nossa percepção.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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