“COMO TÊM SIDO DESTRUÍDOS”
“Como têm sido
destruídos, como por um momento! Têm perecido, têm se consumido com terrores.”
(Sl 73:19).
A linguagem de
espanto com que o salmista se sente impelido serve bem para confirmar o
conteúdo do versículo precedente. Uma vez que a consideração da prosperidade dos
ímpios induz certo torpor a nossas mentes, aliás, as torna até mesmo estúpidas,
portanto sua destruição, sendo súbita e imprevista, tende a despertar-nos mais
eficazmente, sendo cada um de nós constrangido a inquirir como é possível
suceder um fato como esse, o qual todos os homens jamais poderiam imaginar que
se concretizasse. O profeta, pois, fala do mesmo na forma exclamativa, como de
algo incrível. Não obstante, ele ao mesmo tempo nos ensina que Deus está
diariamente trabalhando de maneira tal que, se pelo menos abríssemos nossos
olhos, veríamos a manifestação de coisas que no mínimo excitariam nosso
espanto. Sim, mais ainda, se pela fé olhássemos à distância para os juízos de
Deus, diariamente chegando mais e mais perto de nós, nada aconteceria que considerássemos
por demais estranho ou difícil de se crer; pois a surpresa que sentimos procede
da lentidão e displicência com que procedemos na aquisição do conhecimento da
divina verdade. Quando se diz: têm se
consumido com terrores, pode-se entender a expressão de duas maneiras. Ou
significa que Deus troveja sobre eles de uma maneira tão inusitada, que a
própria singularidade do fato os abala com consternação; ou que Deus, embora
não estenda suas mãos sobre seus inimigos, não obstante os precipita em consternação
e os reduz a nada, tão-somente pelo terror de seu sopro, exatamente no momento
em que são surpreendidos desprezando todos os perigos, como se estivessem em
perfeita segurança e fazendo um pacto com a morte. Daí virmos antes Davi
introduzindo-os a estimular-se em sua obstinação com essa linguagem ostensiva:
“Quem é SENHOR sobre nós?” [SI 12.4], Sou mais inclinado a adotar o primeiro
sentido; e a razão que me leva a fazer isso é que, quando Deus percebe que
somos por demais lentos na avaliação de seus juízos, então ele inflige sobre os
ímpios juízos de um gênero mui severo, e os persegue com espantosa manifestação
de sua ira, como se provocasse tremores na terra, a fim de, com isso, corrigir
a obtusidade de nossa percepção.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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