“A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS”
“A vida estava
nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4).
Deliberadamente,
desconsidero qualquer outra interpretação que não esteja em harmonia a intenção
do Evangelista. Creio ser esta uma referência àquela parte da vida na qual os homens excedem às demais
criaturas animadas. É como se ele quisesse dizer que a vida outorgada aos
homens não era a vida em geral, mas a vida associada à luz da razão. Além do
mais, ele separa os homens dos demais seres, visto que somos cônscios do poder
de Deus através do sentimento existente em nós mais do que através da visão
ótica dele à distância. Daí, em Atos 17.27, Paulo nos dizer para não buscarmos
a Deus como se ele estivesse longe, já que ele se revela em nosso interior. E
assim, quando o Evangelista pôs em evidência uma consideração geral da graça de
Cristo, procurando persuadir os homens a prestarem maior atenção, ele põe
diante deles o que lhes fora outorgado de forma específica – a saber, que não
foram criados à semelhança dos seres brutos, senão que, ao serem dotados de
razão, foram postos numa categoria muito sublime. Além do mais, visto que Deus
eficazmente ilumina suas mentes com sua própria luz, segue-se que foram criados
para que pudessem saber que Deus é o Autor de uma bênção tão singular. E visto
que essa luz nos flui da Palavra,
como sua fonte, ela nos é como um espelho no qual podemos ver claramente o
divino poder da Palavra.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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