“ESPEREI CONFIANTEMENTE PELO SENHOR”
“Esperei
confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei
por socorro” (Sl 40:1).
O início deste
Salmo constitui uma expressão de gratidão na qual Davi relata que fora
libertado, não apenas do perigo, mas também da presença da morte. Há quem
defenda a opinião, mas sem boas razões, de que esta oração deve ser entendida
como resultado de uma enfermidade. Deve-se, sim, pressupor que Davi, nesta
passagem, envolve uma infinidade de perigos dos quais ele escapara. Certamente
estivera mais de uma vez exposto ao maior de todos os perigos, a morte; de
sorte que, com boas razões, podia dizer que fora tragado pelo abismo da morte e
atolado em lodo lamacento. Não obstante, o que transparece é que sua fé ainda
continuava firme, porquanto não cessou de confiar em Deus, embora a longa
permanência da calamidade deixara sua paciência à mercê da exaustão. Ele não
nos diz simplesmente que havia esperado, mas a ênfase no verbo revela que fora deixado por longo tempo em angustiante
expectativa. À medida, pois, que sua provação se prolongava, a evidência e
prova de sua fé em suportar a delonga com calma e estabilidade de mente se faziam
ainda mais patentes. O significado em suma consiste em que, embora Deus
delongasse seu socorro, não obstante o coração de Davi não desfaleceu, nem se
cansou; antes, depois de dar, por assim dizer, suficiente demonstração de sua
paciência, por fim foi ouvido. Em seu exemplo surge diante de nós uma doutrina
muito proveitosa, a saber: embora Deus não se apresse em surgir em nosso
socorro, no entanto propositadamente nos mantém em suspenso e perplexidade;
entretanto, não devemos perder a coragem, já que a fé não é totalmente provada
senão pela longa espera. O resultado também, do qual ele fala em termos de
louvor, deve inspirar-nos com crescente constância. E possível que Deus nos
socorra mais lentamente do que gostaríamos, mas quando parece não tomar ele
conhecimento de nossa condição, ou, se é que podemos usar tal expressão, quando
parece inativo, isso é totalmente diferente de enganar; pois se
somos incapazes de suportar, mediante o vigor e o poder invencíveis da fé, o
tempo oportuno de nosso livramento por fim se manifestará.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

Nenhum comentário:
Postar um comentário