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sábado, 3 de outubro de 2026

“ESPEREI CONFIANTEMENTE PELO SENHOR”


“ESPEREI CONFIANTEMENTE PELO SENHOR”

“Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl 40:1).

O início deste Salmo constitui uma expressão de gratidão na qual Davi relata que fora libertado, não apenas do perigo, mas também da presença da morte. Há quem defenda a opinião, mas sem boas razões, de que esta oração deve ser entendida como resultado de uma enfermidade. Deve-se, sim, pressupor que Davi, nesta passagem, envolve uma infinidade de perigos dos quais ele escapara. Certamente estivera mais de uma vez exposto ao maior de todos os perigos, a morte; de sorte que, com boas razões, podia dizer que fora tragado pelo abismo da morte e atolado em lodo lamacento. Não obstante, o que transparece é que sua fé ainda continuava firme, porquanto não cessou de confiar em Deus, embora a longa permanência da calamidade deixara sua paciência à mercê da exaustão. Ele não nos diz simplesmente que havia esperado, mas a ênfase no verbo revela que fora deixado por longo tempo em angustiante expectativa. À medida, pois, que sua provação se prolongava, a evidência e prova de sua fé em suportar a delonga com calma e estabilidade de mente se faziam ainda mais patentes. O significado em suma consiste em que, embora Deus delongasse seu socorro, não obstante o coração de Davi não desfaleceu, nem se cansou; antes, depois de dar, por assim dizer, suficiente demonstração de sua paciência, por fim foi ouvido. Em seu exemplo surge diante de nós uma doutrina muito proveitosa, a saber: embora Deus não se apresse em surgir em nosso socorro, no entanto propositadamente nos mantém em suspenso e perplexidade; entretanto, não devemos perder a coragem, já que a fé não é totalmente provada senão pela longa espera. O resultado também, do qual ele fala em termos de louvor, deve inspirar-nos com crescente constância. E possível que Deus nos socorra mais lentamente do que gostaríamos, mas quando parece não tomar ele conhecimento de nossa condição, ou, se é que podemos usar tal expressão, quando parece inativo, isso é totalmente diferente de enganar; pois se somos incapazes de suportar, mediante o vigor e o poder invencíveis da fé, o tempo oportuno de nosso livramento por fim se manifestará.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564). 

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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