“SURPREENDIDA EM ADULTÉRIO”
“Os escribas e
fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e,
fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher
foi apanhada em flagrante adultério” (Jo 8:3-4).
É bastante óbvio
que esta passagem não era conhecida das igrejas gregas, e alguns conjecturam
que ela foi trazida de alguma outra fonte e inserida aqui. Visto, porém, que a
mesma sempre foi aceita pelas igrejas latinas, e está presente em muitos
manuscritos gregos antigos e nada contém de indigno de um espírito apostólico,
não há razão por que devamos recusar aplicá-la para nosso proveito. Ao dizer o Evangelista
que os escribas e fariseus trouxeram uma
mulher, sua intenção é dizer que isso foi de comum acordo entre si, com o
fim de apanhar Cristo numa armadilha. Ele menciona expressamente os fariseus porque eram as principais
pessoas na ordem dos escribas. Ao
adotarem tal pretexto para exprimir sua calúnia, eles exibem a hediondez de sua
perversidade, e até mesmo seus próprios lábios os acusam, pois não dissimulam
que possuem um claro mandamento da lei, e daí se segue que agem maliciosamente,
formulando uma pergunta como se fosse uma matéria indubitável. Sua intenção,
porém, era constranger a Cristo a afastar-se de seu ofício de pregador da graça,
para que parecesse ser volúvel e instável. Declaram expressamente que as adúlteras
estão condenadas por Moisés [Lv 20.10], para que obrigassem Cristo pela
sentença já formulada pela lei, pois não era lícito inocentar aqueles a quem a
lei condenava. E, em contrapartida, se ele desse seu assentimento à lei forçaria
a conclusão de ser um tanto incoerente consigo mesmo.
Deus nos abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
Nenhum comentário:
Postar um comentário