“A VIDA ESTAVA NELE”
“A vida estava
nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4).
Até aqui o
Evangelista nos ensinou que todas as
coisas foram criadas pela Palavra de Deus. Agora, da mesma forma, atribui-lhe
a preservação do que fora criado, como se pretendesse dizer que, na criação do
mundo, seu poder não apareceu meramente de súbito para, em seguida,
desaparecer, mas que o mesmo se faz visível na preservação da ordem fixa e
estável da natureza – exatamente como em Hebreus 1.3 está expresso que Deus
sustenta todas as coisas pela Palavra
ou comando de seu poder. Além do
mais, essa vida pode ser ou uma referência mais extensa às criaturas
inanimadas, as quais têm sua vida própria, ainda que lhes falte emoção, ou uma
referência exclusivamente à vida animada. Pouco importa a escolha que o leitor
faça, pois a ideia simplesmente consiste em que a Palavra de Deus não foi
apenas a fonte de vida para todas as criaturas, tanto que as que ainda não
existiam vieram à existência, mas que seu poder gerador de vida as fez
permanecer em seu estado. Pois se sua inspiração não houvera mantido vivo o
mundo, o que quer que florescesse, sem dúvida alguma, murcharia imediatamente
ou se reduziria a nada. Em suma, o que Paulo atribui a Deus, que nele temos nosso ser, nos movemos e vivemos
[At 17.27], João declara se efetuado pela agência graciosa da Palavra. É Deus,
pois, quem nos outorga a vida, mas ele o faz pela instrumentalidade da Palavra eterna.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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