quinta-feira, 20 de outubro de 2022
"MEDITA ESTAS COISAS" - I
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
“PERSEVERANÇA DOS SANTOS”
“PERSEVERANÇA DOS SANTOS”
“Por isso, também pode salvar totalmente os que por
ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25).
Está escrito: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo
mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17.9). Este cuidado, esta
intercessão especial do Senhor Jesus, é um dos grandes segredos da perseverança
e segurança dos santos. “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este,
santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que
os céus. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a
Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25,26).
Se nós estamos firmes na fé, não é por causa da nossa
própria força e responsabilidade, mas porque temos um intercessor Poderoso, Santo
e Fiel. Quando Pedro caiu negando o nosso Senhor, mas posteriormente experimentando
um profundo arrependimento e restauração, a razão para isso está nas palavras
de Cristo: “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc
22.32).
Podemos descansar nesta verdade. A intercessão de Cristo
é suficiente para nos proteger deste mundo mal e nos fortalecer em nossas lutas
contra todo o império e poder das trevas. Porém, este descanso não nos exime de observarmos
cuidadosamente o que está escrito em Efésios 6.10-12. “Sede fortalecidos no
Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para
poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é
contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os
dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas
regiões celestes”.
CFW.XVII.i,ii
- “Da Perseverança dos Santos”.
“Aqueles a
quem Deus aceitou em seu Amado, eficazmente chamados e santificados por seu
Espírito, não podem decair do estado de graça, nem total, nem finalmente; mas,
com toda certeza perseverarão nesse estado até ao fim e serão eternamente
salvos”.
“Esta
perseverança dos santos depende, não de seu próprio livre arbítrio, mas da imutabilidade
do decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor de Deus Pai, da
eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo; da habitação do Espírito e da
semente divina neles; e da natureza do pacto da graça; e de tudo que gera sua
exatidão e infalibilidade”.
Deus nos
abençoe!
Pr. José
Rodrigues Filho
“É POR ELES QUE EU ROGO”
“É POR ELES QUE EU ROGO”
“É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me
deste, porque são teus” (Jo 17.9).
No versículo nove, Jesus diz algo dos discípulos que os coloca numa
posição diferenciada do mundo incrédulo. Cristo intercede por eles de forma
especial. Ele disse: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por
aqueles que me deste, porque são teus”. O ensino contido aqui pode ser, e é
muitas vezes mal interpretado por aqueles que têm despertado dentro de si sentimentos
de rancor ao anunciar ou ouvir que Deus estabeleceu e notou determinada diferença
entre os homens. Todos nós concordamos que Deus nunca utilizou de igual
complacência e favor ao lidar com o bem e o mal, com o justo e o perverso, com
a santidade e a impiedade, com a justiça e a injustiça (Gn 6.1-9; Gn 18.16-33).
Portanto, na intercessão de Cristo em favor dos seus discípulos há harmonia e bom
senso. “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo”. Os discípulos seriam odiados
pelo mundo, rejeitados, perseguidos, maltratados e mortos por causa de Cristo e
do seu evangelho. “Mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso
tributar culto a Deus” (João 16.2,3).
Naturalmente, assim como outras verdades, essa também requer um
esclarecimento mais adequado. É verdade que Deus ama todos os pecadores e os chama
à salvação; entretanto, também é verdade que Ele ama de maneira especial todos aqueles
que em Cristo Jesus foram colocados em um novo estado, numa nova posição. Estes
foram transportados das trevas para a luz, estes são aqueles lavados no sangue
do Cordeiro, estes são os escolhidos, chamados eficazmente, justificados
mediante a fé em Cristo e glorificados pelo poder de Deus (Rm 8.30).
É verdade que a redenção em Cristo Jesus é suficiente para todo o mundo,
que ela é oferecida gratuitamente a todos os homens; mas também é verdade que
essa redenção é eficaz somente para aqueles que creem. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a
vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse
o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado;
o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de
Deus” (Jo 3.16-18).
Deus nos abençoe!
Pr. José Rodrigues Filho
terça-feira, 11 de outubro de 2022
OS PAIS ECLESIÁSTICOS E A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
OS PAIS ECLESIÁSTICOS E A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus
por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).
A doutrina da justificação somente pela fé em Cristo pode ser encontrada em
alguns dos escritos do primeiro período da história da Igreja. Entendemos que
esses registros deixados pelos chamados "Pais Eclesiásticos" não
foram inspirados. Contudo, eles nos oferecem o correto ensino transmitido à
Igreja pelos santos Apóstolos.
Clemente de Roma (talvez
o mesmo mencionado em Filipenses 4.3), em sua carta aos Coríntios, diz: “Nós também, sendo chamados mediante a sua
vontade em Cristo, não somos justificados por nós mesmos, nem por nossa própria
sabedoria, ou entendimento, ou piedade, ou obras que temos feito com pureza de
coração, porém pela fé...”.
Policarpo (falecido
em 155 dC), um discípulo de João, escreveu: “Eu sei que mediante a graça você é salvo, não por obras, mas sim, pela
vontade de Deus em Jesus Cristo.” (Epístola aos Filipenses).
Justino Mártir (falecido
em 165 dC), escreveu: “Não mais
pelo sangue de bodes e de carneiros, nem pelas cinzas de uma novilha... são os
pecados purificados, e sim, pela fé, mediante o sangue de Cristo e de Sua
morte, que por essa razão morreu.” (Diálogo com Trifa). (Hb 9.13).
Irineu (falecido no princípio do 3º século), discípulo de Policarpo, escreveu: “... através da obediência de um homem, que primeiro nasceu da Virgem, para que muitos pudessem ser justificados e receber a salvação”.
Orígenes, o grande professor, pensador e escritor do cristianismo (falecido em 253 dC), disse o seguinte: “Pela fé, sem as obras da lei, o ladrão na cruz foi justificado; porque... o Senhor não indagou a respeito de suas obras anteriores, nem aguardava a realização de qualquer obra depois de crer; antes... Ele o tomou para si mesmo como companheiro, justificado somente na base de sua confissão.”
Cipriano (falecido 258 dC), bispo na Igreja da África do Norte, escreveu: “Quando Abraão creu em Deus, isso lhe foi imputado para justiça, portanto, cada um que crê em Deus e vive pela fé, será considerado como uma pessoa justa”.
Quando o imperador romano Constantino (falecido em 337 dC) tornou o
cristianismo uma religião oficialmente reconhecida, e não mais uma fé
perseguida, algumas heresias surgiram e feriram outras doutrinas básicas da fé
cristã. Ao combater essas heresias e reafirmar a impotência pecaminosa da
natureza humana, a necessidade de salvação pela graça e a expiação eficaz
oferecida por Cristo, os fiéis remanescentes defendiam os fundamentos
apostólicos da doutrina da justificação somente pela fé em Cristo.
Basílio, bispo de Capadócia (falecido em 370 dC), deixou essas palavras: “O verdadeiro e perfeito gloriar-se em Deus é isto: quando o homem não se exalta por causa da sua própria justiça; é quando ele sabe por si mesmo que carece da verdadeira justiça e que a justificação é somente pela fé em Cristo”.
Atanásio,
bispo de Alexandria (falecido em 373 dC), escreveu: “Nem por esses (isto é, esforços humanos),
mas, à semelhança de Abraão, o homem é justificado pela fé”.
Ambrósio,
bispo de Milão (falecido em 397 dC), famoso como grande pregador, nos deixou
essas palavras: “Para o homem
ímpio, para o homem que crê em Cristo, a sua fé lhe é imputada para justiça,
sem as obras da lei, como também aconteceu com Abraão”.
Jerônimo, o
grande tradutor da Bíblia para o latim (falecido em 420 dC), escreveu: “Quando um homem ímpio é convertido, Deus o
justifica somente por meio da fé, não por causa de obras que na realidade, ele
não possuía”.
João Crisóstomo, talvez o maior pregador de todos os “pais eclesiásticos” (falecido 407 dC), e que viveu por muitos anos em Constantinopla. Dele nós temos: “Então, o que é que Deus fez? Ele fez com que um homem Justo (Cristo) se fizesse pecado (como Paulo afirma), para que Ele pudesse justificar pecadores... quando nós somos justificados, é pela justiça de Deus, não por obras... mas pela graça, pela qual todo o pecado desaparece” (2Co 5.21).
Agostinho,
bispo de Hipona (falecido em 420 dC), disse: “A graça é algo doado; o salário é algo pago... é chamada graça porque
ela é concedida gratuitamente. Você não comprou por nenhum mérito pessoal o que
tem recebido. Portanto, em primeiro lugar, o pecador recebe a graça para que
sejam perdoados os seus pecados... na pessoa justificada, as boas obras vêm
depois; elas não precedem a graça, a fim de que a pessoa seja justificada... as
boas obras que seguem a justificação manifestam o que o homem tem recebido”.
Anselmo, de Cantuária (falecido 1109 dC), um grande teólogo, e talvez mais conhecido por
causa de seu estudo sobre a expiação do pecado por Cristo, escreveu: “Você acredita que não pode ser salvo, senão
pela morte de Cristo?” Então, vá e,... ponha toda a sua confiança unicamente em Sua morte. Se Deus lhe disser: “Você é um pecador”, então responda: “Coloco a
morte de nosso Senhor Jesus Cristo entre mim e o meu pecado”.
Bernardo de Claraval,
considerado como o último dos Pais eclesiásticos (falecido em 1153 dC), deixou
essas palavras: “Acaso a nossa
justiça não seria apenas uma injustiça e imperfeição? Então, o que será dos
nossos pecados, quando a nossa justiça não é suficiente para defender-se a si
mesma? Vamos, portanto, com toda humildade, refugiar-nos na misericórdia,
porque ela somente pode salvar as nossas almas... qualquer um que tenha fome e
sede de justiça, que creia nAquele que “justifica o ímpio”, e assim sendo
justificados somente pela fé, terá paz com Deus.
Estes testemunhos evidenciam que a doutrina da justificação somente pela fé em Cristo não foi uma invenção de Martinho Lutero. Os reformadores apenas redescobriram o que o próprio Deus nos ensina em Sua Palavra. “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Hc 2.4). “Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17).
James Buchanan (1808 - 1870).
domingo, 18 de setembro de 2022
“NOSSAS MELHORES OBRAS E O JUÍZO DE DEUS”
“NOSSAS MELHORES OBRAS E O JUÍZO DE DEUS”
“Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista
não há justo nenhum vivente” (Sl 143.2).
“Não podemos,
por meio de nossas melhores obras, merecer da mão de Deus o perdão de pecado,
ou a vida eterna, em razão da imensa desproporção que há entre elas e a glória
por vir, e a infinita distância que há entre nós e Deus, a quem não podemos ser
úteis nem quitar a dívida de nossos pecados anteriores; mas quando tivermos
feito tudo quanto pudemos, outra coisa não fizemos senão nosso dever, e seremos
servos inúteis; e porque, sendo boas, elas são manchadas e misturadas com tantas
fraquezas e imperfeições, que não podemos suportar a severidade do juízo divino”
(CFW – XVI, seção V).
1. As melhores
obras dos crentes, em vez de merecer o perdão de pecado e a vida eterna, não
podem suportar o escrutínio do santo juízo de Deus. Razões para tais asseverações:
-
1.1. As
melhores obras possíveis para o homem são infinitamente indignas de ser
comparadas em valor, com o favor de Deus, e os galardões que os homens, que
confiam nas obras, buscam obter através delas.
1.2. A
infinita superioridade de Deus para nós, sua absoluta posição de proprietário
sobre nós como nosso Criador, e a soberania sobre nós como nosso Governante
moral, necessariamente excluem a possibilidade de nossas ações merecerem
qualquer recompensa de sua mão. Nenhuma ação nossa pode aproveitar a Deus ou
deixá-lo sob obrigação em relação a nós. Tudo o que nos é possível já se nos
constitui uma dívida nossa para com ele como nosso Criador e Preservador.
1.3. Que nossas
obras nada poderiam merecer, mesmo que fossem perfeitas, são nesta vida, em
decorrência de imperfeições subjacentes, muitíssimo imperfeitas. Portanto, as
melhores delas necessitam de ser expiadas pelo sangue de Cristo e apresentadas através
de sua mediação, antes que possam achar aceitação por parte do Pai.
Deus nos abençoe!
A.A.Hodge (1823-1886).
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, Ed. Os
Puritanos.
sábado, 17 de setembro de 2022
“EFEITOS E UTILIDADES DAS BOAS OBRAS”
“EFEITOS E UTILIDADES DAS BOAS OBRAS”
“Essas boas
obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são os frutos e evidências
de uma fé viva e verdadeira; por elas os crentes manifestam sua gratidão,
fortalecem sua certeza, edificam seus irmãos, adornam a profissão do evangelho,
fecham a boca dos adversários e glorificam a Deus, de cuja feitura somos,
criados em Cristo Jesus para isso mesmo, a fim de que, tendo seu fruto para a
santidade, tenham no final a vida eterna (CFW – cap. XVI, seção II).
Os efeitos e
utilidades das boas obras, na vida cristã, são múltiplos.
1. Expressam a
gratidão do crente, e manifestam a graça de Deus nele, e assim adornam a
profissão do evangelho. E visto que são o fruto do Espírito, se prestam para
manifestar a excelente operação do Espírito (1Tm 2.10; Tt 2.10).
2. Glorificam
a Deus. Visto que Deus é seu autor (Ef 2.10), manifestam a excelência de sua graça e
incitam a todos os que as produzem a apreciarem e a proclamarem sua glória (Mt
5.16; 1Pe 2.12).
3. Edificam os irmãos. As boas obras edificam a outras pessoas, tanto como evidência confirmativa da verdade do Cristianismo e do poder da graça divina quanto pela força do exemplo a induzir homens à prática das mesmas (1Ts 1.7; 1Tm 4.12, 1Pe 5.3).
4. As boas
obras são necessárias à consolidação da salvação, não no sentido de serem
pré-requisito da justificação, nem como estágio do progresso do crente em
merecimento do favor divino, mas elementos essências dessa salvação, os frutos
e os meios substanciais da santificação e glorificação. Uma alma salva é uma
alma santa; e uma alma santa é aquela cujas faculdades se engajam todas nas
obras de amorável obediência. Não pode existir graça no coração sem as boas
obras como sua consequência. Não pode existir boas obras sem o crescimento das
graças que são exercitadas nelas.
Deus nos abençoe!
A.A.Hodge (1823-1886).
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, Ed. Os
Puritanos.
“BOAS OBRAS SÃO OS FRUTOS DA SANTIFICAÇÃO”
“BOAS OBRAS SÃO OS FRUTOS DA SANTIFICAÇÃO”
“Boas obras
são aquelas que Deus ordenou em sua santa Palavra, e não aquelas que, sem a
autorização dela, são inventadas pelos homens que, movidos por um zelo cego,
nutrem alguma pretensão de boa intenção” (CFW – cap. XVI, seção I).
1. Para que
uma obra seja boa.
1.1. Deve ser
realizada de conformidade com a vontade revelada de Deus. Deus apresentou nas
Escrituras inspiradas uma norma perfeita de fé e prática. Cada princípio, cada
motivo e cada fim da ação certa, segundo a vontade de Deus, serão facilmente
aprendidos pelo inquiridor devoto. Deus diz à sua Igreja. “Tudo o que eu te
ordeno, observarás; nada lhe acrescentarás nem diminuirás”. (Dt 12.32; Ap
22.18,19).
2. Para que
uma obra seja realmente boa.
2.1. Deve
provir de um princípio de fé e amor no coração. Todos os homens reconhecem que
o caráter moral de um ato é sempre determinado pelo caráter moral do princípio
ou do pendor que o impele. Os homens não regenerados realizam muitas ações,
boas até onde suas relações externas com seus semelhantes lhes interessam. Mas
o amor a Deus é o princípio fundamental sobre o qual todos os deveres morais
repousam, precisamente como nossa relação com Deus é a relação fundamental
sobre a qual descansam todas as nossas outras relações. Se uma pessoa é
alienada de Deus, se ela não está no presente exercício da confiança nele e
amor por ele, qualquer ação que venha a realizar será carente do elemento
essencial que caracteriza uma genuína obediência. Boas obras, de conformidade
com as Escrituras, são os frutos da santificação, tendo suas raízes na
regeneração. “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas
obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).
Tiago nos diz que a fé é demonstrada pelas obras; o que naturalmente implica
que o tipo de obras de que ele fala procede tão-somente de um coração crente (Tg
2.14-22).
Deus nos abençoe!
A.A.Hodge (1823-1886).
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, Ed. Os
Puritanos.
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
“A CAPACIDADE DE REALIZAR BOAS OBRAS”
“A capacidade
de realizar boas obras de modo algum emana dos crentes, mas inteiramente do
Espírito de Cristo. E para que possam ser capacitados para isso, além das
graças que já receberam, é indispensável que haja uma real influência do
Espírito Santo a operar neles tanto o querer quanto o realizar, segundo seu
beneplácito; contudo, não devem, por isso, tornar-se negligentes como se não
tivessem a obrigação de realizar qualquer dever senão pelo impulso especial do
Espírito; ao contrário disso, devem ser diligentes em dinamizar a graça de Deus
que está neles” (CFW - cap. XVI, seção III).
Jo 15.4-6; Ez 36.26,27; Fp 2.13, 4.13; 2Co 3.5;
Fp 2.12; Hb 6.11,12; 2Pe 1.3,5,10,11; Is 64.7; 2Tm 1.6; At 26.6,7; Jd 20,21.
Na regeneração
o Espírito Santo implanta um princípio ou hábito santo e permanente na alma, o
qual dá prosseguimento constante do gérmen ou semente da qual todas as
graciosas inclinações e santos exercícios procedem. No tocante à implantação
desse princípio santo e permanente, pelo Espírito Santo, a alma é passiva. No
instante, porém, em que essa nova disposição ou tendência moral é implantada na
alma, como fato lógico o caráter moral de seus exercícios é transformado, e a
alma se torna ativa em boas obras, como antes estivera ativa para o mal. Mas,
como também vimos no capítulo xiii, a santificação é uma obra da livre graça de Deus, na qual ele
continua graciosamente a sustentar, a nutrir e a orientar o exercício do hábito
permanente da graça que foi implantada na regeneração. O homem regenerado
depende da contínua habitação, do impulso, e do sustento e capacitação do poder
do Espírito Santo, em cada ato de obediência no exercício da graça; não
obstante, como os atos de obediência para a realização do que o Espírito Santo
o impele e capacita são seus próprios atos, segue-se que ele, enquanto busca a
diretriz e o apoio da graça, deve obviamente cooperar com ela, agindo, como
todo agente livre, sob a influência dos motivos e o senso de responsabilidade
pessoal. Daí, esta seção assevera: -
1 – Que a
capacidade do cristão para realizar boas obras não é de forma alguma dele
próprio, mas totalmente do Espírito de Cristo.
2 – Que para
isso, além da graça implantada na regeneração, há necessidade de uma contínua
influência do Espírito Santo em todas as faculdades da alma renovada, pela qual
o cristão é capacitado a querer e a agir segundo seu beneplácito.
3 – Que esta
doutrina da dependência absoluta da alma não deve ser pervertida, dando ocasião
a indolência, nem diminuir em qualquer grau nosso senso de obrigação pessoal. A
vontade de Deus nos é exibida objetivamente na Palavra escrita. O dever em
relação à obediência voluntária obriga nossas consciências. O Espírito Santo
não opera independentemente da Palavra, e, sim, através da Palavra; nem realiza
ele a obra à parte de nossas faculdades constitucionais da razão, da
consciência e da vontade, mas através delas. Daí, segue-se que jamais
honraremos o Espírito Santo, esperando por seus impulsos especiais; ao
contrário, nos entregamos a ele e com ele cooperamos quando, enquanto buscamos
sua orientação e assistência, usamos todos os meios de graça e todas as nossas
melhores energias, sendo e fazendo tudo quanto a lei de Deus requer de nós.
Deus aprova não é aquele que fica a esperar
pela graça, mas sempre aquele que busca a graça e pratica sua Palavra (Lc 11.9-13; Tg 1.22,23).
Deus nos abençoe!
A.A.Hodge (1823-1886).
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, Ed. Os
Puritanos.
terça-feira, 6 de setembro de 2022
"CONVENCIDOS DO PECADO, DA JUSTIÇA E DO JUÍZO"
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
“O QUE SIGNIFICA VIR A CRISTO?”
“O QUE SIGNIFICA VIR A CRISTO?”
“Todo
aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o
lançarei fora” (Jo 6.37).
“Vir a
Cristo” é o ato de uma alma regenerada, convertida, convencida do pecado, da justiça e do
juízo – uma obra do Espírito Santo (Jo 16.8). Isto acontece quando o homem
sente o seu pecado e percebe suas consequências – a tragédia da morte, o juízo
final e as penalidades eternas. É quando o homem entende e admite que não pode
salvar a si mesmo; é quando ele dá ouvidos a voz do Evangelho, apegando-se,
confiando e apropriando-se da salvação que há somente em Cristo Jesus,
entregando-se a Ele de todo o coração e recebendo dEle a vida eterna (Jo 3.16).
Aquele que
vem a Cristo, “de modo nenhum será lançado fora”. Isso significa dizer que o
Senhor Jesus não se recusa a salvar o que vem a Ele, não importando a vida que
tenha levado. Mesmo que, no passado, tenha cometido pecados terríveis, e, no
presente, sua vida seja ainda marcada por fraquezas. O importante é que o homem
venha humildemente a Cristo, arrependido dos seus pecados e em atitude de fé (Mc
1.15; 4.17; At 3.19). Assim fazendo, será notado como alguém escolhido pelo
Pai, enviado pelo Espírito Santo a Cristo, que o receberá e graciosamente o
perdoará e o justificará, confirmando que o seu nome está arrolado nos céus, escrito no livro
da vida (Lc 10.20; Fp 4.3; Ap 3.5).
Deus nos
abençoe!
Pr. José Rodrigues








