Jesus Vitorioso: O Concerto
terça-feira, 13 de junho de 2023
“OS ELEITOS DE DEUS E A CONVERSÃO”
“OS ELEITOS DE DEUS E A CONVERSÃO”
“Porquanto aos que de antemão conheceu,
também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que
ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).
Quaisquer que sejam os propósitos de Deus, os quais são secretos, estou
certo de que suas promessas são fiéis. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem
daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto
aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E
aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também
justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.26-30).
Com que desespero os rebeldes argumentam: “Se eu sou eleito, serei
salvo; não importa o que eu faça. Caso contrário, estarei perdido, faça o que
fizer”. Pecador perverso, você começa onde deveria terminar. A Palavra não está
longe de você? O que ela diz? “Arrependei-vos,
pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19). “Crê
no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.31). “Porque,
se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito,
mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Rm 8.13). O
que pode ser mais claro? Não fique discutindo sobre a eleição, mas disponha-se
a arrepender-se e a crer. Clame a Deus pela graça da conversão. As coisas
reveladas lhe pertencem; ocupe-se com elas. Como já bem disse alguém: “Aqueles
que não se alimentam da carne da Palavra ficarão sufocados com os ossos”.
Quaisquer que sejam os propósitos do céu, estou certo de que se eu me
arrepender e crer, serei salvo; e se não me arrepender, serei condenado. Isto
não é um chão seguro para você?
Mais particularmente, esta mudança de conversão entende-se ao homem na
sua totalidade. Uma pessoa carnal pode ter alguns fragmentos de boa moralidade,
mas jamais será completamente boa. A conversão não é o simples reparo de um
velho edifício; mas ela o derruba por completo e edifica uma nova estrutura.
Não se trata de um remendo de santidade; mas, no caso do verdadeiro convertido,
a santidade é tecida em todas as suas capacidades, princípios e práticas. O
cristão autêntico é, por assim dizer, uma nova estrutura, desde os alicerces
até o telhado. Ele é um novo homem, uma nova criatura; todas as coisas se
tornaram novas (2Co 5.17). A conversão é uma obra profunda, é uma obra do coração.
Ela produz um novo homem num novo mundo. Ela se estende ao homem inteiro: à
mente, aos membros e a todos os aspectos da sua vida.
Deus nos abençoe!
Joseph Alleine (1634-1668).
sexta-feira, 9 de junho de 2023
“MAS FOSTES SANTIFICADOS”
“MAS FOSTES SANTIFICADOS”
“Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas
fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e
no Espírito do nosso Deus” (1Co 6.11).
Os membros,
estes que antes eram instrumentos do pecado, agora se tornaram instrumentos
santos no templo vivo de Cristo. Aquele que antes desonrava o seu corpo, agora
possui o seu vaso em santificação e honra, em temperança, em castidade, em
sobriedade, e o dedica ao Senhor.
O olho, que antes era irrequieto,
dissoluto, arrogante, cobiçoso, é agora empregado, como o de Maria, em chorar
pelos seus pecados, em contemplar a Deus através das Suas obras, em ler a Sua
Palavra ou procurar motivos de misericórdia e oportunidades para o Seu serviço.
O ouvido, que antes estava aberto
à voz de Satanás, e que só se deleitava com coisas imundas ou conversas vãs e
com a risada dos tolos, encontra-se agora conquistado por Cristo e
aberto aos Seus mensageiros. Ele diz: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”.
Ele espera por Suas palavras como pela chuva e tem mais prazer nelas do que no
alimento (Jó 23.12), mais do que no mel e do que no licor dos favos (Sl 19.10).
A cabeça, que estava cheia de
desígnios mundanos, está agora cheia de outros assuntos e aplica-se ao estudo
da vontade de Deus; e o homem usa sua cabeça não tanto para obter lucro, mas
para cumprir o seu dever. Os pensamentos e preocupações que enchem sua cabeça
são, principalmente, como poderá agradar a Deus e fugir do pecado.
Seu coração, que era um poço de
imundícia, tornou-se agora um altar de incenso onde o fogo do amor divino é
mantido sempre aceso, do qual o sacrifício diário de oração e louvor, do doce
aroma de desejos santos, exaltações e intercessões se elevam continuamente.
A boca tornou-se uma fonte de vida;
sua língua é como prata escolhida e seus lábios alimentam a muitos. O sal
temperou seu discurso e tirou a corrupção (Cl 4.6) e limpou o homem das
conversas imundas, frívolas, jactanciosas, injuriosas, mentirosas, blasfemadoras,
caluniadoras que outrora saiam como relâmpagos do inferno que havia em seu
coração (Tg 3.6). A garganta, que era sepulcro aberto, agora exala o doce
hálito da oração e do discurso santo e o homem fala uma outra língua, na
linguagem da Canaã celestial, e jamais se sente tão bem como quando fala de
Deus, de Cristo e dos assuntos referentes ao outro mundo. Sua boca produz
sabedoria; sua língua se tornou a trombeta prateada de louvor ao seu Criador.
Nessas coisas,
contudo, você encontrará o hipócrita tristemente deficiente. Ele fala, talvez,
como um anjo, mas tem um olhar cobiçoso ou o lucro da injustiça em sua mão. Sua
mão é branca, mas seu coração está cheio de imundícia (Mt 23.27), cheio de
cobiças não dominadas, um forno cheio de concupiscência, uma fábrica de orgulho
– a sede da malícia. Talvez, como a estátua de Nabucodonosor, ele tenha uma
cabeça de ouro – uma grande quantidade de conhecimento – mas ela tem pés de
barro; suas afeições são mundanas, ocupa-se de coisas terrenas, seu caminho e
andar são sensuais e carnais.
Deus nos
abençoe!
Joseph Alleine
(1634-1668).
“O AUTOR DA CONVERSÃO”
“O AUTOR DA CONVERSÃO”
“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do
Espírito é espírito” (Jo 3.6).
O autor da
conversão é o Espírito de Deus e, portanto, ela é chamada de “santificação do
Espírito” (2Ts 2.13). Isto não exclui as outras pessoas da Trindade, pois o
apóstolo nos ensina que devemos bendizer o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, “que
segundo a sua muita misericórdia nos regenerou para uma viva esperança” (1Pe
1.3). E Cristo é mencionado como aquele que concede “a Israel o arrependimento”
(At 5.31). Contudo, esta obra é atribuída principalmente ao Espírito Santo, e
por isso é dito que somos “nascidos do Espírito” (Jo 3.5,6).
Portanto, a conversão
é algo que supera o poder humano. Somos “nascidos, não do sangue, nem da
vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Vocês jamais
devem pensar que podem converter-se a si mesmos. Se tiverem de ser convertidos
para a salvação, abandonem qualquer esperança de fazê-lo segundo a sua própria
força. É uma ressurreição dos mortos (Ef 2.1), uma nova criação (Gl 6.15), uma
obra de absoluta onipotência (Ef 1.19). Isto tudo não está fora do alcance
humano? Se não têm nada mais do que aquilo que receberam na ocasião do primeiro
nascimento – uma boa natureza, um temperamento humilde, etc. – estão longe da
verdadeira conversão.
Na regeneração Deus implanta em Seus eleitos uma nova natureza
conduzindo-os a conversão. O termo conversão é empregado geralmente para
exprimir os primeiros exercícios dessa nova natureza. É a suspensão de velhas
formas de viver para o início de uma nova vida. "E, assim, se alguém está
em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram
novas" (2Co 5.17).
Deus nos
abençoe!
Joseph Alleine
(1634-1668).
quarta-feira, 7 de junho de 2023
CHEIO DO ESPÍRITO: Diferença entre Atos 2.4 e Efésios 5.18
CHEIO DO
ESPÍRITO: A Diferença entre Atos 2.4 e Efésios 5.18
“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a
falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2.4).
“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução,
mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).
Em Atos
capítulo 1 versículo 5, lemos que o nosso Senhor disse aos discípulos que eles seriam
“batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. Então, em Atos 2,
obtemos o cumprimento desta promessa. O interessante é que Atos 2, onde nos é
dado um relato de como os primeiros discípulos e apóstolos foram batizados com
o Espírito Santo, o termo ‘batismo” não é usado; somos informados que “todos
foram cheios do Espírito Santo”, e esse é o termo que geralmente é usado
depois.
Isso tende a
levar à confusão – as pessoas chegam à conclusão de que, toda vez que você se
deparar com a frase “cheio do Espírito”, necessariamente terá que significar
exatamente a mesma coisa. E é assim que muitas pessoas ficam totalmente
confusas com o que lemos em Efésios 5.18: “E não vos embriagueis com vinho, no
qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. Agora veja isto, os discípulos
ficaram cheios do Espírito no Dia de Pentecostes. Assim, essas pessoas tendem a
cair no erro e na confusão de imaginar que essas coisas são idênticas.
O problema
aqui é uma falha de entender o ensino do Novo Testamento sobre a obra e o modo
de operação do Espírito Santo. Ele cumpre várias funções; elas incluem
convicção e, particularmente, a regeneração. Mas ele também faz o trabalho de
nos santificar: é o Espírito quem nos santifica através da verdade. Além disso,
ele tem um grande papel nos assuntos da segurança, da certeza e, com isso do
testemunho, do testificar, do mistério e da obra. Ora, as funções do Espírito
Santo devem ser diferenciadas, caso contrário, haverá confusão interminável.
Assim,
parece-me (e sempre foi reconhecido pelos grandes tratamentos clássicos deste
assunto na doutrina da pessoa e da obra do Espírito Santo) que seu trabalho
pode ser dividido da seguinte forma: sua obra regular e sua obra excepcional –
ou se você preferir em uma linguagem diferente, sua obra indireta e sua obra
direta.
Agora esta
divisão na obra e operação do Espírito Santo é de grande importância. Talvez eu
possa ilustrar isso de novo para você falando sobre avivamentos religiosos. O
Espírito Santo está na igreja hoje e ele faz uma obra regular nela, embora
estes sejam os dias das pequenas coisas. Mas não devemos desprezar esses dias
porque, afinal de contas, o que está acontecendo é a obra do Espírito Santo. É
isso que quero dizer com sua obra regular. Mas no momento em que você começa a
ver os avivamentos religiosos, notamos que estes se sobressaem na história da
igreja. Eles ainda são a obra do Espírito Santo, ele é ainda o operador, mas
agindo de uma maneira excepcional e incomum.
Ou, considerando
minha outra classificação, que é, talvez, para nosso propósito imediato, a mais
importante das duas – o Espírito Santo normalmente trabalha através de meios. É
isso que tenho em mente quando digo que sua obra é “indireta”. É o Espírito
Santo quem nos deu a Palavra, e seu ministério regular, seu trabalho ordinário
(se alguém pode usar tal termo em relação ao Espírito Santo) é lidar conosco
através das Escrituras. Ele ilumina a mente, nos dá compreensão, abre as
Escrituras para nós, usa o mestre ou o pregador, e assim por diante. Agora,
mesmo que essa obra seja mais ou menos indireta, é simples e claro – esse é o
centro de toda essa doutrina do batismo com o Espírito Santo – que o Espírito
também trabalha e opera de maneira direta.
Eu quero
tentar mostrar-lhes, portanto, que a maneira de evitar esta confusão de assumir
que cada vez que você encontrar a expressão “cheio do Espírito” significa exatamente
a mesma coisa, é observar o contexto e ver o que o escritor está falando. Em
Efésios 5.18, como eu quero mostrar a você, ele está lidando com a
santificação, e isso é mais ou menos sua obra regular, e, portanto, não tem
nada a ver diretamente com toda essa questão de ser capaz de definir o que se
entende por batismo com o Espírito Santo. Eu quero sugerir que um homem pode ser cheio do
Espírito de maneira regular, nos termos de Efésios 5.18, e ainda não ser
batizado com o Espírito de forma excepcional, direta e incomum, como vemos em Atos 2.
Deus nos
abençoe!
Pr. Martyn Lloyd-Jones
*Extraído do livro “O batismo e os dons do Espírito: Poder e
renovação segundo as Escrituras” – Martyn.Lloyd-Jones, Carisma Editora.
domingo, 21 de maio de 2023
"E O LUGAR CHAMOU-SE CAPÃO DAS AMORAS"
"E O LUGAR CHAMOU-SE CAPÃO DAS AMORAS"
Em setembro de 1926, o reverendo Luiz Lens de Araújo Cézar, ao voltar de
uma visita a um amigo, passou por um lugar onde havia um grande bosque de
amoreiras. Logo encantou-se com a beleza e harmonia que reinavam naquele local.
Pastor presbiteriano da igreja em Curitiba, sentiu em seu coração estabelecer
ali, um ponto de pregação. Ao encontrar-se com seus pares, na Igreja que
pastoreava, desafiou-os a empreender com ele, essa obra. Após orarem a
respeito, dirigiram-se ao local. Iniciaram cantando hinos. Suas vozes atraíram
pessoas, que se uniram a eles. Entusiasmado, Reverendo Luiz L. A. Cézar, num
púlpito improvisado com uma tina de lavar roupa, emborcada, (cedida por uma
moradora), fez ali, seu primeiro sermão e então, chamaram o lugar de
"Capão das Amoras". Daquele dia em diante, semanalmente, um grupo de
líderes da igreja voltou ao lugar e um grupo assíduo de 80 pessoas
aproximadamente se formou. A salvação em Cristo Jesus foi anunciada por seis
anos, numa congregação de pessoas, a céu aberto, sem teto. Mesmo com o frio
curitibano nas épocas de inverno, o grupo se reunia ao relento, sem por isso
enfraquecer. Esta foto de 1932, mostra a reunião da congregação já sendo feita
diante de uma pequena casinha de madeira construída para abrigar os membros. O
pequeno órgão que aparece no canto esquerdo inferior da foto, era transportado
do templo da rua Comendador Araújo, por bonde, até o Capão das Amoras, toda vez
que tinha culto. Assim formou-se a Congregação do "Capão das Amoras",
no local onde hoje está a Igreja Presbiteriana da Av Silva Jardim, 4155. Em
1933, o arquiteto Celso Vianna, produziu o projeto de um templo e coordenou sua
edificação. A jovem igreja agora chamada "Congregação do Capão das
Amoras", ganhou “casa própria”, e nela habitou por sessenta e seis anos.
Cresceu em número, fortaleceu-se, tornou-se robusta na sua fé e revelou sua
inegável vocação missionária. Em 09/08/1958, em culto vespertino, a Congregação
é reorganizada e passa a ser a 2ª Igreja Presbiteriana de Curitiba. Em 1963,
passa a ser denominada Igreja Presbiteriana Silva Jardim. Neste ano é
inaugurada em suas instalações, também, uma escola que oferecia: Jardim de
Infância, Curso primário e Curso de Artes Industriais. Muitos moradores da
comunidade, à época, foram beneficiados pelos cursos ali oferecidos. Com o
passar dos anos, a igreja cresceu e um novo templo precisava ser construído,
pois o velho templo de madeira estava corroído pelo tempo, já não atendia o fim
a que era destinado. O Templo de madeira foi então, removido para o Bosque Alemão,
tombado pela Prefeitura de Curitiba, e representa a contribuição alemã e dos
reformadores, à formação da cultura curitibana. O trabalho intensifica-se, e em
1997, inauguram-se as dependências do novo Templo da IP Silva Jardim. Alguns
anos depois, também foi inaugurado o prédio da Escola de Educação Bíblica D.
Florência Withers Rodbard, e adquirido o espaço que hoje constitui o
estacionamento da IPSilvaJardim.
terça-feira, 16 de maio de 2023
"OPGESTAAN"
"Ele ressuscitou, Ele ressuscitou.
A morte está
morta, um novo dia amanhece.
Ele ressuscitou,
Ele ressuscitou.
Ele vive, meu Jesus vive".
“OPGESTAAN"
Toen Hij alles had volbracht
stierf Gods Zoon; de dag werd nacht.
De onschuldige droeg schuld.
Onze hoop in dood gehuld.
Maar de dood hield hem niet vast;
Hij kwam levend uit het graf.
Christus heeft het laatste woord;
het wordt overal gehoord:
Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.
De dood is dood, een nieuwe dag breekt aan.
Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.
Hij leeft, mijn Jezus leeft.
Halleluja, Hij verrees,
die de macht van zonde breekt.
Zeg het voort: de liefde wint!
Heel de kerk van Christus zingt:
Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.
De dood is dood, een nieuwe dag breekt aan.
Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.
Hij leeft, mijn Jezus leeft.
Door zijn leven, leven wij.
Er is hoop, de weg is vrij.
Niets staat tussen God en ons,
omdat Jezus overwon!
sexta-feira, 5 de maio de 2023
“JULGAI TODAS AS COISAS” – Parte II
“JULGAI TODAS AS COISAS” – Parte II
“Julgai todas as coisas, retende o que é bom”
(1Ts 5.21).
O nosso Senhor declara nesta passagem, através da boca do apóstolo Paulo, que o
curso da doutrina não deve, por quaisquer erros humanos, ou por qualquer
temeridade, ou ignorância, ou, enfim, por qualquer abuso, ser impedido de
sempre estar em um estado vigoroso na Igreja.
Contudo, Paulo pode parecer dar aqui demasiada liberdade no ensino, quando quer que todas as coisas sejam julgadas [provadas]; pois as coisas devem ser ouvidas por nós, para que sejam provadas, e, por este meio, seria aberta uma porta para que impostores disseminassem suas mentiras. Respondo que, neste caso, de modo algum ele exige que alguma atenção seja dada aos falsos mestres, cuja boca, ensina ele em outro lugar, deve ser fechada, e que ele tão rigidamente exclui (Tt 1.11); e de modo algum põe de lado a ordem que, em outro lugar, recomenda tão exaltadamente, na eleição de mestres, que sejam aptos para ensinar (1Tm 3.2). Como, porém, nunca se pode exercer tão grande diligência que às vezes não deva haver pessoas profetizando, que não sejam tão bem instruídas como deveriam ser, e que às vezes mestres bons e piedosos falham em acertar o alvo, ele exige moderação tal por parte dos fiéis que, não obstante, não se recusem a ouvir. Pois nada é mais perigoso do que aquele enfado, pelo qual todo o tipo de doutrina se torna fastidiosa para nós, enquanto não nos permitimos provar o que é certo.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“JULGAI TODAS AS COISAS” - Parte I
“Julgai todas as coisas,
retende o que é bom” (1Ts 5.21).
Como homens temerários e espíritos enganadores
frequentemente fazem passar ninharias sob o nome de profecia,
a profecia poderia se tornar, por este meio, suspeita ou mesmo odiosa, tal
como muitos atualmente se sentem praticamente aborrecidos com o próprio nome de
pregação, pois há tantas pessoas loucas e ignorantes que tagarelam do
púlpito suas ideias indignas, enquanto também há outras que são pessoas ímpias
balbuciando blasfêmias execráveis. Por isso, como, pelo erro de tais pessoas,
poderia ser que a profecia fosse considerada com desprezo; mais ainda,
mal lhe fosse concedido um lugar; Paulo exorta os tessalonicenses a julgarem
todas as coisas, querendo dizer que, embora nem todos falem precisamente de
acordo com a regra estabelecida, devemos formar um juízo, antes que qualquer
doutrina seja condenada ou rejeitada.
Quanto a isto, existe um duplo erro que tende a
ocorrer; pois há aqueles que, ou por terem sido enganados por uma falsa
pretensão ao nome de Deus, ou por saberem que muitos são comumente enganados
deste modo, rejeitam todo o tipo de doutrina indiscriminadamente; enquanto há
outros que, por uma louca incredulidade, abraçam, sem distinção, tudo o que
lhes é apresentado em nome de Deus. Estas duas atitudes são errôneas, pois os
da primeira categoria, saturados de um preconceito presunçoso dessa natureza,
impedem o caminho para que não façam progresso, enquanto os da outra classe
temerariamente se expõem a todos os ventos de enganos (Ef 4.14). Paulo
admoesta os tessalonicenses a conservarem o meio termo entre esses dois
extremos, enquanto os proíbe de condenar qualquer coisa sem primeiro
examiná-la; e, por outro lado, os admoesta a exercerem o discernimento, antes
de receber o que possa ser apresentado como verdade indubitável. E, sem sombra
de dúvida, este respeito, ao menos, deveria ser mostrado pelo nome de Deus – de
que não desprezamos as profecias que se declaram ter procedido dele.
Porém, assim como o exame ou a discriminação devem preceder à rejeição, assim
também devem preceder à recepção da verdadeira e sã doutrina. Pois não convém
que os que são piedosos mostrem tanta leviandade que indiscriminadamente
agarrem o que é falso igualmente com o que é verdadeiro. Através disto
inferimos que eles têm o espírito de discernimento, conferido a eles por Deus,
para que possam discriminar, de modo que os embustes humanos não lhes sejam
impostos. Pois, se não fossem dotados de discernimento, seria em vão que Paulo
teria dito: Julgai, retende o que é bom. Se, porém, nos sentimos
destituídos de poder para julgar corretamente, isto deve ser buscado por
nós do mesmo Espírito, que fala pelos seus profetas.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
terça-feira, 25 de abril de 2023
“NÃO DESPREZEIS AS PROFECIAS”
Não desprezeis as profecias (1Ts 5.20). Esta sentença é apropriadamente
acrescentada a "não apagueis o Espirito", pois, como o Espírito de Deus nos ilumina
principalmente através da doutrina, aqueles que não dão ao ensino o seu devido
lugar, até onde está neles, apagam o Espírito; pois devemos sempre
considerar de que maneira ou por que meios Deus se propõe comunicar-se a nós.
Portanto, que todo aquele que deseja fazer progresso sob a direção do Espírito
Santo permita-se ser ensinado pelo ministério dos profetas.
Pelo termo profecia,
contudo, não entendo o dom de predizer o futuro, mas, assim como em 1 Coríntios
14.3, a ciência de interpretar a Escritura, de modo que profeta é um
intérprete da vontade de Deus. Pois Paulo, na passagem que mencionei, atribui
aos profetas o ensino para edificação, exortação e consolação, e
enumera, por assim dizer, essas áreas. Portanto, que a profecia nesta passagem
seja entendida no sentido de interpretação apropriada para o uso presente. Paulo
nos proíbe de desprezá-la, se não quisermos de vontade própria vagar na
escuridão.
Contudo, a
declaração é notável para a recomendação da pregação exterior. O devaneio dos
fanáticos é de que são crianças aqueles que continuam a se empregar na leitura
da Escritura, ou na escuta da palavra, como se ninguém fosse espiritual, a menos
que desprezasse a doutrina. Portanto, eles orgulhosamente desprezam o
ministério humano, sim, até a própria Escritura, a fim de poder alcançar o
Espírito. Ademais, qualquer coisa que as ilusões de Satanás lhes sugere, eles
presunçosamente apresentam como revelações secretas do Espírito. Tais são os
libertinos, e outros raivosos desse tipo. E, quanto mais ignorante alguém for,
tanto mais se incha de arrogância. Porém, aprendamos, pelo exemplo de Paulo, a
associar o Espírito à voz dos homens, a qual não é nada mais do que seu
instrumento.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).







