"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



segunda-feira, 19 de maio de 2025

“BONDADE E MISERICÓRDIA CERTAMENTE ME SEGUIRÃO”


“BONDADE E MISERICÓRDIA CERTAMENTE ME SEGUIRÃO”

“Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre” (Sl 23.6).

Havendo Davi relatado as bênçãos que Deus derramara sobre ele, agora expressa sua convicta persuasão da continuação delas até ao fim de sua vida. Mas, donde procedia tal confiança, pela qual se assegura de que a beneficência e misericórdia de Deus o acompanhariam para sempre, se não procedia da promessa pela qual Deus costumava sazonar as bênçãos que derramava sobre os verdadeiros crentes, para que não as devorassem inconsideradamente sem sentir por elas qualquer sabor ou apetite? Ao dizer a si próprio que, mesmo em meio às trevas da morte, manteria seus olhos postos na providência divina, testificava sobejamente que não dependia das coisas exteriores, nem media a graça de Deus segundo o juízo da carne, senão que, ainda quando a assistência de todos os quadrantes da terra lhe falhasse, sua fé continuaria firmada na palavra de Deus. Portanto, embora a experiência o orientasse a esperar o bem, todavia esse bem estava principalmente na promessa pela qual Deus confirma seu povo com respeito ao futuro do qual dependia. Se se objeta ser presunção alguém prometer a si próprio uma contínua trajetória de prosperidade neste mundo de incertezas e mudanças, respondo que Davi não falava desta forma com o propósito de impor a Deus uma lei; senão que esperava pelo exercício da beneficência divina para com ele segundo a condição deste mundo o permitisse, com o que ele estaria contente. Ele não diz: Meu cálice estará sempre cheio, ou: Minha cabeça será sempre perfumada com óleo; mas, em termos gerais, ele nutre a esperança de que, visto que a bondade divina jamais falha, Deus lhe seria favorável até ao fim.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sábado, 17 de maio de 2025

“REFRIGERA-ME A ALMA”


“REFRIGERA-ME A ALMA”

“Refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome” (Sl 23.3).

Visto ser o dever de um bom pastor nutrir suas ovelhas, e quando adoecem ou se enfraquecem, assisti-las e defendê-las, Davi declara que essa era a forma em que ele era tratado por Deus. A restauração da alma , segundo nossa tradução, ou a conversão da alma, segundo literalmente traduzido, contém a mesma essência que dizer: tornar-se novo, ou restabelecido, como já ficou afirmado no Salmo 19, versículo 7. “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”. Por veredas da justiça ele quer dizer veredas acessíveis e planas? Visto que ainda prossegue com sua metáfora, seria fora de propósito entender isso como uma referência à direção do Espírito. Ele afirmara um pouco antes que Deus liberalmente o supre com tudo quando se requer para a manutenção da presente vida, e agora acrescenta que é defendido por ele de toda preocupação. O equivalente do que se diz aqui é o seguinte: Deus em nenhum aspecto deixa carente o seu povo, visto que o sustenta com seu poder, o revigora e o vivifica, e desvia dele tudo quanto é prejudicial, para que ele possa andar por veredas confortáveis, planas e em retidão. Entretanto, para que não lhe fosse atribuído nada propriamente digno ou meritório, Davi apresenta a bondade de Deus como sendo a causa de tão grande liberalidade, declarando que Deus lhe havia concedido todas as coisas por amor de seu próprio nome. Certamente, ao escolher-nos para que fôssemos suas ovelhas, e ao executar em nosso favor as funções de um pastor, tal coisa se constitui numa bênção que procede inteiramente de sua livre e soberana benevolência.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sexta-feira, 16 de maio de 2025

“AINDA QUE EU ANDE PELO VALE DA SOMBRA DA MORTE”


“AINDA QUE EU ANDE PELO VALE DA SOMBRA DA MORTE”

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4).

Os verdadeiros crentes, ainda que habitem seguros sob a proteção de Deus, estão, não obstante, expostos a muitos perigos, ou, melhor, são passíveis de todo gênero de aflições que sobrevêm à humanidade em comum, para que eles possam melhor sentir o quanto necessitam da proteção divina. Davi, pois, neste ponto, expressamente declara que, se alguma adversidade lhe sobreviesse, ele se protegeria na providência divina. E assim ele não promete a si mesmo buscar apoio nos prazeres contínuos [e terrenos], senão que se fortifica, através do socorro divino, corajosamente a fim de suportar as diversas calamidades que porventura o visitassem. Prosseguindo sua metáfora, ele compara o cuidado que Deus assume ao governar os verdadeiros crentes com o bordão e o cajado do pastor, declarando que está satisfeito com isso como sobejamente satisfatório à proteção de sua vida. Como uma ovelha, quando vagueia e atravessa um vale escuro, é preservada imune dos ataques das feras selvagens e de outras formas de males, tão-somente mediante a presença do pastor, assim Davi ora declara que enquanto estiver exposto a algum perigo, contará com suficiente defesa e proteção, estando sob o cuidado pastoral de Deus.

E assim vemos como, em sua prosperidade, ele nunca esquecia que era um ser humano, mas, mesmo assim, oportunamente meditava sobre as adversidades que mais tarde poderiam lhe sobrevir. E com toda certeza, a razão por que nos sentimos tão terrificados quando Deus se agrada em exercitar-nos com a cruz é porque toda pessoa, para que durma profunda e tranquilamente, se abriga totalmente na segurança carnal. Mas há uma grande diferença entre esse sono do estúpido e o repouso que a fé produz. Visto que Deus prova a fé pela adversidade, segue-se que ninguém realmente confia em Deus, senão aquele que se arma com invencível constância para resistir todos os medos com que é assaltado. Contudo Davi não quis dizer que estava destituído de todo medo, mas apenas que o superaria para então prosseguir sem medo sempre que seu pastor o guiasse. Isso transparece mais claramente à luz do contexto. Ele diz, em primeiro lugar, não temerei mal algum; mas imediatamente acrescenta a razão disso, ou seja, publicamente reconhece que busca um antídoto contra seu medo ao contemplar e ao ter seus olhos fixos na vara de seu pastor: Porque o teu bordão e o teu cajado me consolam. Que necessidade teria ele dessa consolação, não fosse o fato de sentir-se inquieto e agitado pelo medo? Deve, pois, ter-se em mente que, quando Davi refletiu sobre as adversidades que poderiam lhe sobrevir, tornou-se vitorioso sobre o medo e as tentações, e não de outra forma senão lançando-se sob a proteção divina. Isso ele havia também afirmado antes, embora um tanto obscuramente, nestas palavras: Porque tu estás comigo. Isso subentende que ele fora afligido com o medo. Não houvera sido esse o caso, com que propósito desejaria ele a presença de Deus? Além disso, não é só contra as calamidades comuns e ordinárias da vida que ele opõe a proteção divina, mas também contra aqueles que distraem e confundem as mentes humanas com as trevas da morte. Por sombra da morte, uma palavra composta, é como se dissesse: sombra mortal. Davi, neste ponto, faz uma alusão aos recessos ou covas escuras de animais selvagens, das quais, se alguém se aproxima, é subitamente dominado, logo na entrada, pela preocupação e pelo medo da morte. Ora, visto que, na pessoa de seu unigénito Filho, Deus tem se revelado como nosso Pastor, muito mais claramente do que o fez nos tempos antigos a nossos pais que viveram sob o regime da lei, não haveremos rendido suficiente honra ao seu protetor cuidado, caso não ergamos nossos olhos para mirá-lo e conservá-los fixos nele, pisoteando todos os temores e terrores sob a planta de nossos pés.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite uma Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

quinta-feira, 15 de maio de 2025

“O SENHOR É O MEU PASTOR” - Parte 2


“O SENHOR É O MEU PASTOR” - Parte 2

“O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará” (Sl 23.1).

Sob a similitude de um pastor, Davi enaltece o cuidado com que Deus, em sua providência, havia exercido para com ele. Sua linguagem implica que Deus não tinha menos cuidado para com ele do que um pastor tinha para com as ovelhas que eram postas em sua responsabilidade. Deus, na Escritura, frequentemente toma sobre si o nome e assume o caráter de um pastor, e isso de forma alguma é o emblema de um frágil amor por nós. Visto ser essa uma despretensiosa e familiar forma de expressão, Aquele que se digna descer tão baixo por nossa causa, com certeza nutre uma afeição singularmente forte para conosco. Portanto, não é de admirar que, quando nos convida para si com tal mansidão e familiaridade, não nos deixamos ser atraídos ou fascinados por ele para que descansemos em segurança e paz sob sua guarda. É preciso, porém, observar-se que Deus só é pastor em relação àqueles que, tocados com o senso de sua própria fragilidade e pobreza, sentem-se dependentes de sua proteção, e que espontaneamente habita seu redil e se deixa governar por ele. Davi, que excedia tanto em poder quanto em riquezas, não obstante confessa francamente não passar de uma pobre ovelha, com o intuito de fazer de Deus o seu pastor. Quem há, pois, entre nós que se eximiria de tal necessidade, visto que nossa própria fragilidade sobejamente revela que seríamos mais que miseráveis caso não vivêssemos sob a proteção deste pastor? Tenhamos em mente, pois, que nossa felicidade consiste nisto: que sua mão se estende para governar-nos, a fim de que vivamos sob sua sombra, e para que sua providência mantenha-se insone e preserve nosso bem estar. Portanto, ainda que tenhamos abundância de todas as coisas excelentes e temporais, no entanto asseguremo-nos de que não podemos ser realmente felizes a menos que Deus se digne de incluir-nos no rol de seu rebanho. Além disso, só atribuímos a Deus o ofício de Pastor com a devida e legítima honra, quando nos persuadimos de que sua exclusiva providência é suficiente para suprir todas as nossas necessidades.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“O SENHOR É O MEU PASTOR” - Parte 1


“O SENHOR É O MEU PASTOR” - Parte 1

“O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará” (Sl 23.1).

Embora Deus, por meio de seus benefícios, amavelmente nos atraia a si, como que por meio do sabor de sua doçura paternal, no entanto não há nada em que mais facilmente caímos do que na fraqueza de esquecê-lo, quando desfrutamos de paz e conforto. Sim, a prosperidade não só intoxica a tantos, guiando-os para além de todos os limites de sua jovialidade, mas também engendra insolência, que os faz soberbamente erguer-se e pôr-se contra Deus. Consequentemente, é difícil que haja uma centésima parte dos que desfrutam em abundância das coisas excelentes de Deus e que conservem seu temor e vivam no exercício da humildade e temperança, as quais são perenemente recomendáveis. Por essa razão, devemos notar o mais cuidadosamente possível o exemplo que é aqui posto diante de nós por Davi, o qual, levado à dignidade de soberano poder, se cerca do esplendor de riquezas e honras, da posse da mais exuberante abundância de excelentes coisas temporais e em meio a prazeres principescos, não só testifica que era alvo da atenção divina, mas, evocando a memória dos benefícios que Deus lhe conferira, faz deles degraus pelos quais pudesse subir para mais perto dele. Por esse meio ele não só refreia a depravação de sua carne, mas também se estimula à gratidão com mais intensa solicitude, bem como a outros exercícios da piedade, como transparece da frase conclusiva do Salmo, onde diz: “E habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre”. De modo semelhante, no Salmo 18, o qual foi composto num período de sua vida quando era aplaudido de todos os lados, chamando a si mesmo de servo de Deus, demonstrava humildade e simplicidade de coração a que atingira, e, ao mesmo tempo, publicamente testificava sua gratidão, aplicando-se à celebração dos louvores divinos.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sábado, 10 de maio de 2025

“JESUS CRISTO, O PÃO DA VIDA”

“JESUS CRISTO, O PÃO DA VIDA”

“Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede. Porém eu já vos disse que, embora me tenhais visto, não credes. Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora [...]. Eu sou o pão da vida" (Jo 6.35-37,48).

Deus nos abençoe!

*Visite uma Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).


quarta-feira, 7 de maio de 2025

"TESOUROS"

“TESOUROS”

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:19-21).


Deus nos abençoe!

domingo, 4 de maio de 2025

ELINE BAKKER - WEES VERHOOGD (LIVE)

ELINE BAKKER - WEES VERHOOGD (LIVE)

"Seja Exaltado"

"Teu louvor estará em nossos lábios,

Estará e permanecerá em nossos lábios, Jesus.

Nossos corações serão completamente Teus,

Será e permanecerá completamente Teu, Jesus".

Deus nos abençoe!

sábado, 3 de maio de 2025

O APÓSTOLO LADRÃO

O APÓSTOLO LADRÃO

“Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava” (Jo 12:3.6).


Deus nos abençoe!

sexta-feira, 2 de maio de 2025

“A DESTRUIÇÃO DO PODER DE SATANÁS”


“A DESTRUIÇÃO DO PODER DE SATANÁS”

“E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado” (Jo 19.30).

4. Aqui vemos a destruição do poder de Satanás.

Veja-o pela fé. A cruz foi o presságio de morte do poder do diabo. Às aparências humanas parecia o momento de seu maior triunfo, todavia, na realidade foi a hora de sua derrota definitiva. Em virtude da cruz o Salvador declarou, “Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (Jo 12.31). É verdade que Satanás não foi ainda acorrentado e lançado no abismo, entretanto, a sentença foi dada (ainda que não executada); seu fim é certo; e seu poder já está quebrado no que diz respeito aos crentes.

Para o cristão, o diabo é um inimigo vencido. Ele foi derrotado por Cristo na cruz — “para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Hb 2.14). Os crentes já foram tirados “da potestade das trevas” e transportados para o reino do Filho do amor de Deus (Cl 1.13). Satanás, então, deve ser tratado como um inimigo derrotado. Ele não mais tem qualquer reivindicação legítima sobre nós. Outrora éramos seus “cativos” por lei, mas Cristo nos livrou. Outrora andávamos “segundo o príncipe das potestades do ar”; mas agora temos de seguir o exemplo que Cristo nos deixou. Outrora Satanás “operava em nós”; mas agora Deus é quem opera em nós tanto o querer quanto o efetuar, segundo sua boa vontade. Tudo o que temos de fazer é “resistir ao diabo”, e a promessa é que “ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

“Está consumado”. Aqui estava a resposta triunfante à cólera do homem e à inimizade de Satanás. Ela conta a perfeita obra que vai de encontro ao pecado no lugar do julgamento. Tudo estava completado exatamente como Deus queria tê-lo, como os profetas haviam predito, como o cerimonial do Antigo Testamento prefigurava, como a santidade divina requeria, e como os pecadores necessitavam. Quão contundentemente apropriado é que esse sexto brado do Salvador na cruz seja encontrado no evangelho de João — o evangelho que mostra a glória da deidade de Cristo! Ele aqui não encomenda sua obra à aprovação divina, mas sela-a com o seu próprio imprimatur, atestando-a como completa, e dando-lhe a todo-suficiente sanção de sua própria aprovação. Nenhum outro além do Filho de Deus diz “ESTÁ consumado” — quem pois ousa duvidar ou questionar?

“Está consumado”. Leitor, você crê nisso? ou está tentando adicionar algo de si mesmo à obra completa de Cristo para assegurar o favor de Deus? Tudo o que você tem que fazer é aceitar o perdão que ele adquiriu. Deus está satisfeito com a obra de Cristo, por que você não está? Pecador, no momento em que você crer no testemunho de Deus sobre seu Filho amado, nesse momento todo pecado que você cometeu é apagado, e você fica em posição aceitável em Cristo! Ó, não gostaria você de possuir a certeza de que não há nada entre sua alma e Deus? Não gostaria você de saber que todo pecado foi expiado e posto de lado? Então, creia no que a palavra de Deus diz acerca da morte de Cristo. Não descanse em seus sentimentos e experiências, mas na palavra escrita. Há apenas um caminho para se encontrar paz, e isso é mediante a fé no sangue derramado do Cordeiro de Deus.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).