“QUEM OS CONDENARÁ?”
“Quem os
condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está
à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.34).
Visto que
ninguém terá êxito em sua acusação diante da absolvição do juiz, assim também qualquer
condenação não prevalecerá quando as leis são satisfeitas e a dívida, quitada.
Cristo é aquele Único que sofreu o
castigo que era nosso, e por isso declarou que tomou o nosso lugar a fim de
pôr-nos em liberdade. Portanto, qualquer um que quiser condenar-nos terá que
matar o próprio Cristo novamente. Porém, ele não só já morreu, mas também
ressurgiu como vencedor da morte, e assim triunfou sobre o seu poder mediante
sua ressurreição.
O apóstolo Paulo adiciona
algo mais, ou seja: Cristo, declara ele, está agora assentado à mão direita do
Pai. Este fato o fez dominador do céu e da terra, e com autoridade plenária
governa todas as coisas, de acordo com sua afirmação em Efésios 1.20.
Finalmente, ele nos ensina que Cristo está assim entronizado com o fim de ser o
eterno Advogado e Intercessor em prol de nossa salvação. Segue-se disto que, se
alguém desejar condenar-nos terá não só que invalidar a morte de Cristo, como
terá também que lutar contra o
incomparável poder com o qual o Pai honrou ao Filho e com o qual conferiu-lhe
soberana autoridade. Esta sólida segurança que ousa triunfar sobre o Diabo, a
morte, o pecado e as portas do inferno deve estar profundamente implantada no
coração de todos os santos, porquanto nossa fé não seria nada, se porventura
não nos persuadisse com plena certeza de que Cristo é nosso, e que o Pai se nos
fez propício em seu Filho. Portanto, para longe toda concepção perniciosa ou
destrutiva com a qual os dogmas escolásticos minam a certeza de nossa [inabalável]
salvação.
E também
intercede por nós. O apóstolo insistiu em fazer esta adição explícita com o fim
de evitar que a divina Majestade de Cristo viesse a terrificar-nos. Portanto,
ainda que Cristo mantenha todas as coisas em sujeição sob a planta de seus pés,
assentado em seu trono de soberania, Paulo o apresenta como Mediador, cuja
presença seria simplesmente absurda caso nos aterrasse, visto que não só nos convida
para ele com gesto benevolente, mas também comparece diante do Pai por nós no
exercício de Intercessor infalível. Não temos como medir essa intercessão pelo
nosso critério carnal, pois não podemos pensar do Intercessor como humilde suplicante
diante do Pai, com os joelhos genuflexos e com as mãos estendidas. Cristo,
contudo, com razão intercede por nós, visto que comparece continuamente diante
do Pai, como morto e ressurreto, que assume a posição de eterno Intercessor,
defendendo-nos com eficácia e vívida oração para reconciliar-nos com o Pai e levá-lo
a ouvir-nos com prontidão.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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