"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 16 de julho de 2026

“RABI, SABEMOS QUE ÉS MESTRE VINDO DA PARTE DE DEUS”


“RABI, SABEMOS QUE ÉS MESTRE VINDO DA PARTE DE DEUS”

“Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3:1,2).

Estas palavras equivalem àquela expressão: “Rabi, sabemos que tu vieste como mestre”. Visto, porém, que os homens eruditos eram então comumente chamados Rabi, Nicodemos primeiro saúda Cristo na maneira usual, atribuindo-lhe o título ordinário e, subsequentemente, declara que aquele que exercia o ofício de mestre era enviado de Deus. E deste princípio depende toda a autoridade dos mestres na igreja. Pois é tão somente da Palavra de Deus que devemos aprender a sabedoria, e por isso a ninguém mais se deve ouvir para a salvação senão aqueles por cuja boca Deus fala. E devemos observar que, embora a religião estivesse profundamente corrompida e quase subvertida entre os judeus, sempre mantiveram o princípio de que a nenhum homem era lícito ensinar a menos que o mesmo viesse de Deus. Visto, porém, que ninguém se vangloria mais arrogante e categoricamente de seu título divino do que os falsos profetas, eles precisam ser testados pelo espírito de discernimento. Consequentemente, Nicodemos acrescenta que é indubitável que Cristo tenha sido enviado por Deus, pois este exibia nele seu poder com tal virtude que não se podia negar que Deus estava com ele. Ele toma como matéria axiomática que Deus não costuma operar senão através de seus ministros, para que assim pudesse pôr seu selo sobre o ofício que lhes confiara. E ele está certo, pois Deus sempre designou os milagres para que fossem selos de sua doutrina. Ele está também certo em reconhecer Deus como o único autor dos milagres, quando diz que ninguém pode fazer tais sinais a não ser que Deus esteja com ele. Equivale dizer que não eram atos humanos, senão que o poder de Deus reinava e permanecia nitidamente neles. Numa palavra, os milagres têm duplo resultado: preparar-nos para a fé e então imprimir maior fortalecimento naquele que tem sido concebido pela Palavra. E assim Nicodemos apropriou-se corretamente da primeira parte, visto que, à luz dos milagres, ele reconhece Cristo como um legítimo profeta de Deus.

Não obstante, isso parece inconclusivo porque, já que os profetas podem enganar os ignorantes com suas fraudes tão perfeitamente como se estivessem, através de sinais genuínos, provando ser ministros de Deus, que diferença haverá entre a verdade e a falsidade, se porventura a fé dependesse de milagres? Aliás, Moisés declara expressamente, que dessa forma somos testados se de fato amamos a Deus [Dt 13.3]. Conhecemos também a advertência de Cristo, bem como a de Paulo, ou seja, que os crentes devem precaver-se dos sinais mentirosos pelos quais o Anticristo ofusca muitos olhos [Mt 22.24]. Minha resposta é que isso é feito pela justa permissão de Deus, a fim de que os que merecem sejam enganados pela astúcia de Satanás. Digo, porém, que tal fato não impede que o poder de Deus se manifeste aos eleitos através de milagres, os quais costumam ser-lhes uma valiosa confirmação da genuína e sã doutrina. E assim, Paulo se gloria de que seu apostolado era confirmado por meio de sinais e prodígios [2Co 12.12]. Portanto, por mais que Satanás tente manter Deus envolto em trevas, contudo, quando os olhos se abrem e a luz da sabedoria espiritual resplandece, os milagres são atestados bastante fortes da presença de Deus, conforme Nicodemos aqui declara.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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