“PERSIGA O INIMIGO A MINHA ALMA”
“Se paguei com
o mal a quem estava em paz comigo, eu, que poupei aquele que sem razão me
oprimia, persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, espezinhe no chão a minha
vida e arraste no pó a minha glória” (Salmos 7:4,5).
Persiga o inimigo a minha alma. Eis
uma extraordinária evidência da profunda confiança que Davi tinha em sua
própria integridade, estando disposto a suportar qualquer gênero de castigo,
embora temeroso, desde que fosse encontrado culpado de algum crime. Se pudermos
levar à presença de Deus uma boa consciência como esta, sua mão mui prontamente
se estenderá para proporcionar-nos imediata assistência. Mas como às vezes
sucede que aqueles que nos molestam o fazem porque são provocados por nós, ou
ardemos de desejo por vingança quando ofendidos, somos indignos de receber o
socorro divino; sim, nossa própria impaciência fecha a porta às nossas orações.
Em primeiro lugar, Davi está preparado para ser entregue à vontade de seus
inimigos, para que se assenhoreassem de
sua vida e a lançassem ao chão; para em seguida ser publicamente exibido
como objeto de seu escárnio, de modo que, mesmo depois de morto, fosse exposto
à miséria eterna. Há quem pense que a palavra que traduzimos por glória, deve ser, aqui, tomada por vida, e assim teremos três palavras: alma, vida e glória, significando a
mesma coisa. A meu ver, porém, o significado da passagem será mais completo se
tomarmos a palavra glória no sentido
de memória, ou seu bom nome, como se quisesse dizer: Que
meu inimigo não só me destrua, mas também, depois de matar-me, fale de mim nos
mais ignominiosos termos, de modo que meu nome seja mergulhado na lama ou na
imundícia.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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