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terça-feira, 14 de julho de 2026

“SENHOR, DEUS MEU, EM TI CONFIO”


“SENHOR, DEUS MEU, EM TI CONFIO”

“SENHOR, Deus meu, em ti confio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me; para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre” (Sal 7:1,2).

Bem no início do Salmo, Davi já fala da existência de muitos inimigos, e no segundo versículo ele especifica alguém na forma singular. E com toda certeza, visto que as mentes de todos os homens se inflamaram contra ele, por isso tinha boas razões para orar a fim de que se visse libertado de todos os seus perseguidores. Mas, como a perversa crueldade do rei, como um tição, acendera contra ele, ainda que inocente, o ódio de todo o povo, ele tinha também boas razões para converter sua pena particularmente contra o mesmo. Por conseguinte, no primeiro versículo ele descreve o verdadeiro caráter de suas próprias circunstâncias - era um homem perseguido; e, no segundo versículo, a fonte ou causa da calamidade que ora suportava. Há forte ênfase nas palavras que ele usa no início do Salmo: SENHOR, meu Deus, em ti confio. Na verdade o verbo, no hebraico, está no tempo passado; portanto, se literalmente traduzido, a redação seria: Em ti tenho confiado; como o hebraico, porém, às vezes toma um tempo por outro, prefiro traduzi-lo no presente: Em ti confio, especialmente visto ser muitíssimo evidente que, como se denomina, denota-se um ato contínuo. Davi não se gloria naquela confiança em Deus da qual ora tinha fracassado, mas naquela confiança que constantemente acalentava em suas aflições. E essa é a genuína e indubitável prova de nossa fé, quando, sendo visitado pela adversidade, nós, não obstante, perseveramos em acalentar e exercitar esperança em Deus. À luz desta passagem também aprendemos que o portão da misericórdia estará fechado contra nossas orações caso a chave da fé não no-lo abrir. Nem tampouco usa linguagem supérflua quando chama o SENHOR seu próprio Deus; pois ao levantar essa verdade como um baluarte diante de seus próprios olhos, ele rebate as ondas das tentações, para que não inundem sua fé. No segundo versículo, usando a figura de um leão, ele projeta por um facho de luz ainda mais forte a crueldade de Saul, como um argumento para induzir a Deus a conceder-lhe assistência, ainda quando descreva Deus em sua peculiar função de resgatar suas pobres ovelhas das garras dos lobos.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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