“SENHOR, DEUS MEU, EM TI CONFIO”
“SENHOR, Deus
meu, em ti confio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me; para que
ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre”
(Sal 7:1,2).
Bem no início
do Salmo, Davi já fala da existência de muitos inimigos, e no segundo versículo
ele especifica alguém na forma singular. E com toda certeza, visto que as
mentes de todos os homens se inflamaram contra ele, por isso tinha boas razões
para orar a fim de que se visse libertado de todos os seus perseguidores. Mas,
como a perversa crueldade do rei, como um tição, acendera contra ele, ainda que
inocente, o ódio de todo o povo, ele tinha também boas razões para converter
sua pena particularmente contra o mesmo. Por conseguinte, no primeiro versículo
ele descreve o verdadeiro caráter de suas próprias circunstâncias - era um
homem perseguido; e, no segundo versículo, a fonte ou causa da calamidade que
ora suportava. Há forte ênfase nas palavras que ele usa no início do Salmo: SENHOR, meu Deus, em ti confio. Na
verdade o verbo, no hebraico, está no tempo passado; portanto, se literalmente
traduzido, a redação seria: Em ti tenho
confiado; como o hebraico, porém, às vezes toma um tempo por outro, prefiro
traduzi-lo no presente: Em ti confio,
especialmente visto ser muitíssimo evidente que, como se denomina, denota-se um
ato contínuo. Davi não se gloria naquela confiança em Deus da qual ora tinha
fracassado, mas naquela confiança que constantemente acalentava em suas
aflições. E essa é a genuína e indubitável prova de nossa fé, quando, sendo
visitado pela adversidade, nós, não obstante, perseveramos em acalentar e
exercitar esperança em Deus. À luz desta passagem também aprendemos que o
portão da misericórdia estará fechado contra nossas orações caso a chave da fé
não no-lo abrir. Nem tampouco usa linguagem supérflua quando chama o SENHOR seu
próprio Deus; pois ao levantar essa verdade como um baluarte diante de seus
próprios olhos, ele rebate as ondas das tentações, para que não inundem sua fé.
No segundo versículo, usando a figura de um leão, ele projeta por um facho de
luz ainda mais forte a crueldade de Saul, como um argumento para induzir a Deus
a conceder-lhe assistência, ainda quando descreva Deus em sua peculiar função
de resgatar suas pobres ovelhas das garras dos lobos.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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