“SANTIFICA-OS NA VERDADE; A TUA PALAVRA É A VERDADE”
“Santifica-os
na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).
Santifica-os na verdade. Esta santificação
inclui o reino de Deus e sua justiça; ou seja, quando Deus nos renova por seu
Espírito, ele confirma em nós a graça da regeneração e a leva até o fim.
Portanto, ele pede em primeiro lugar que o Pai santifique os seus discípulos,
ou, em outros termos, que os consagre inteiramente a si e os defenda como sua
herança sacra. Em seguida, ele realça os meios de santificação, e não sem razão; pois há fanáticos que se dedicam a
tagarelar sobre a santificação com infantilidade
tão inútil, porém negligenciam a verdade de Deus, pela qual nos consagra a si.
Além disso, como há outros que também tagarelam tolamente sobre a verdade, e, contudo não levam em conta a
palavra, Cristo expressamente afirma
que a verdade, pela qual Deus
santifica a seus filhos, não se encontra em qualquer outro lugar senão na palavra.
Tua palavra é a verdade. Por palavra, aqui, Cristo denota a doutrina
do evangelho, a qual os apóstolos já tinham ouvido dos lábios de seu Mestre e a
qual mais tarde iriam pregar a outros. Neste sentido, Paulo diz que a Igreja foi purificada com a lavagem de
água pela palavra [Ef 5.26]. Aliás, é somente Deus que santifica; mas como o evangelho é o poder de Deus para salvação
de todo o que crê [Rm 1.16], quem se aparta do evangelho como o
instrumento, torna-se mais e mais sujo e contaminado.
A verdade é aqui tomada, à guisa de
eminência, pela luz da sabedoria celestial, na qual Deus se manifesta a nós,
para que nos forme a sua imagem. É verdade que a pregação externa da palavra por si mesma não realiza isso,
pois essa pregação é impiamente profanada pelos réprobos; lembremo-nos, porém,
de que Cristo fala dos eleitos, a quem o Espirito Santo eficazmente regenera por meio da palavra. Ora, como os
apóstolos não estavam totalmente destituídos desta graça, devemos inferir das
palavras de Cristo que a santificação não
é instantaneamente completada em nós no primeiro dia, mas que fazemos progresso
nela ao longo de todo curso de nossa vida, até que, por fim, Deus havendo
despido de nós as vestimentas da carne, nos encha com sua justiça.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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