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sexta-feira, 3 de julho de 2026

“SANTIFICA-OS NA VERDADE; A TUA PALAVRA É A VERDADE”


“SANTIFICA-OS NA VERDADE; A TUA PALAVRA É A VERDADE”

“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).

Santifica-os na verdade. Esta santificação inclui o reino de Deus e sua justiça; ou seja, quando Deus nos renova por seu Espírito, ele confirma em nós a graça da regeneração e a leva até o fim. Portanto, ele pede em primeiro lugar que o Pai santifique os seus discípulos, ou, em outros termos, que os consagre inteiramente a si e os defenda como sua herança sacra. Em seguida, ele realça os meios de santificação, e não sem razão; pois há fanáticos que se dedicam a tagarelar sobre a santificação com infantilidade tão inútil, porém negligenciam a verdade de Deus, pela qual nos consagra a si. Além disso, como há outros que também tagarelam tolamente sobre a verdade, e, contudo não levam em conta a palavra, Cristo expressamente afirma que a verdade, pela qual Deus santifica a seus filhos, não se encontra em qualquer outro lugar senão na palavra.

Tua palavra é a verdade. Por palavra, aqui, Cristo denota a doutrina do evangelho, a qual os apóstolos já tinham ouvido dos lábios de seu Mestre e a qual mais tarde iriam pregar a outros. Neste sentido, Paulo diz que a Igreja foi purificada com a lavagem de água pela palavra [Ef 5.26]. Aliás, é somente Deus que santifica; mas como o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo o que crê [Rm 1.16], quem se aparta do evangelho como o instrumento, torna-se mais e mais sujo e contaminado.

A verdade é aqui tomada, à guisa de eminência, pela luz da sabedoria celestial, na qual Deus se manifesta a nós, para que nos forme a sua imagem. É verdade que a pregação externa da palavra por si mesma não realiza isso, pois essa pregação é impiamente profanada pelos réprobos; lembremo-nos, porém, de que Cristo fala dos eleitos, a quem o Espirito Santo eficazmente regenera por meio da palavra. Ora, como os apóstolos não estavam totalmente destituídos desta graça, devemos inferir das palavras de Cristo que a santificação não é instantaneamente completada em nós no primeiro dia, mas que fazemos progresso nela ao longo de todo curso de nossa vida, até que, por fim, Deus havendo despido de nós as vestimentas da carne, nos encha com sua justiça.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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