"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 30 de julho de 2026

“BEM-AVENTURADO O HOMEM EM CUJO ESPÍRITO NÃO HÁ FALSIDADE”


“BEM-AVENTURADO O HOMEM EM CUJO ESPÍRITO NÃO HÁ FALSIDADE”

“Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há falsidade” (Sl 32.2).

Neste versículo o salmista Davi distingue os crentes tanto dos hipócritas quanto dos insensíveis desdenhadores de Deus, os quais não se preocupam com esta felicidade nem podem eles alcançar o desfruto dela. Os perversos são, aliás, conscientes de sua própria culpa, todavia ainda sentem grande prazer em sua perversidade; tornam-se empedernidos em sua impudência desenfreada e se riem das ameaças; ou, pelo menos, se deleitam nas enganosas perspectivas de que jamais poderão ser impedidos de ter acesso à presença de Deus. Sim, ainda que sejam infelizes pelo senso de sua miséria e acossados com tormentos secretos, todavia com perversa insensibilidade reprimem todo o temor de Deus. Quanto aos hipócritas, se sua consciência, em algum momento, os fustiga, amenizam sua dor com remédios ineficazes. De modo que, se Deus, em qualquer tempo, os cita a comparecerem diante de seu tribunal, põem diante de si não sei que espécie de fantasma em sua defesa; e nunca estão sem coberturas pelas quais afastam a luz de seus corações. Ambas estas classes de homens são impedidas, pelo doloso coração, de buscar sua felicidade no paternal amor de Deus. Não só isso, mas a maioria deles se precipita na presença de Deus, ou se infla com soberba presunção, sonhando que são felizes, mesmo que Deus seja contra eles. Davi, pois, quer dizer que ninguém pode experimentar o que é o perdão dos pecados sem que antes seu coração seja purificado de toda malícia. A intenção de Davi, pois, ao usar o termo falsidade ou dolo, pode ser entendido à luz do que eu já disse. Quem não se examina, enquanto na presença de Deus, mas, ao contrário, se esquiva de seu juízo, quer se oculte nas trevas, quer se cubra de folhas, trata perfidamente tanto a si próprio quanto a Deus. Não surpreende, pois, que quem não se sente enfermo recusa o remédio. E difícil uma insensibilidade mais terrível do que não se deixar dominar pelo temor de Deus e não nutrir a menor solicitude por sua graça, nem se deixar comover senão por uma fria busca de perdão. Daí suceder que nem mesmo de leve percebem que inaudita felicidade é tomar posse do favor divino. Tal foi o caso de Davi por algum tempo, quando uma traiçoeira segurança aproximou-se sorrateiramente, entenebrecendo sua mente e impedindo-o de zelosamente aplicar-se a sair no encalço desta felicidade. Os santos, às vezes, labutam sujeitos à mesma enfermidade. Portanto, se devemos desfrutar da felicidade que Davi aqui nos propõe, então é preciso que prestemos muita atenção para que Satanás, enchendo nossos corações de malícia, nos prive de todo senso de nossa própria miséria, a qual inevitavelmente consumirá todos quantos recorrem a subterfúgios.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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