"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 2 de julho de 2026

“A FIM DE QUE TODOS SEJAM UM”


“A FIM DE QUE TODOS SEJAM UM”

“A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17:21).

O nosso Senhor Jesus uma vez mais estabelece que o propósito de nossa felicidade consiste na unidade, e com razão; pois a ruína da raça humana consiste em que, havendo a mesma alienado de Deus, ela é também por si mesma esfacelada e dispersa. Portanto, a restauração dela, ao contrário, consiste em ser ela propriamente unida em um só corpo, como Paulo declara que a perfeição da Igreja consiste em que: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo... que é a cabeça. De quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” [Ef 4.3,11-16]. Por essa razão, sempre que Cristo falar sobre unidade, lembremo-nos quão humilhante e dolorosamente, quando separado dele, o mundo se acha disperso; e, em seguida, aprendamos que o começo de uma vida bem-aventurada está em que sejamos todos governados e que todos vivamos, unicamente pelo Espírito de Cristo.

Além disso, deve-se entender que, em cada exemplo no qual Cristo declara, neste capítulo, que ele é um com o Pai, ele não fala simplesmente de sua essência divina, mas que ele é denominado um com respeito a seu ofício medianeiro, e no que respeita ser ele nossa Cabeça. Muitos dos pais, sem dúvida, interpretaram essas palavras no sentido em que, absolutamente, Cristo é um com Pai, porque ele é o Deus eterno. Mas em suas disputas com os arianos foram levados a tomar passagens isoladas e a torcer seu sentido natural a fim de empregá-las contra seus antagonistas. Ora, o desígnio de Cristo era amplamente distinto daquele que surgiu na mente deles, em sua mera especulação sobre sua Deidade secreta; pois ele arrazoa com o fim de mostrar que devemos ser um, do contrário a unidade que ele tem com o Pai seria infrutífera e sem valor para nós. Para compreender corretamente o que se pretendia com a expressão de que Cristo e o Pai são um, devemos tomar cuidado para não privar a Cristo de seu ofício como Mediador, mas, antes, devemos vê-lo no caráter de a Cabeça da Igreja e unido a seus membros. E assim a cadeia de pensamento será preservada, e a fim de evitar que a unidade do Filho com o Pai seja infrutífera e sem valor, o poder dessa unidade deve ser difundido através de toda a corporação dos crentes. Daí também inferirmos que somos um com o Filho de Deus; não porque ele nos transmita sua substância, mas porque, pelo poder de seu Espírito, ele nos comunica sua vida e todas as bênçãos que ele recebeu do Pai.

Para que o mundo creia. Alguns explicam a palavra mundo significando os eleitos, os quais, naquele tempo, estavam ainda dispersos; visto, porém, que a palavra mundo, ao longo de todo este capítulo, denota os réprobos, sinto-me mais inclinado a adotar uma opinião distinta. Ocorre que, imediatamente depois, ele traça uma distinção entre todo seu povo e o mesmo mundo de que ele agora faz menção.

O verbo crer tem sido usado inexatamente em lugar do verbo saber, isto é, quando os incrédulos, convencidos por sua própria experiência, percebem a glória celestial e divina de Cristo. A consequência é que crendo, não creem, porque tal convicção não penetra o sentimento íntimo do coração. E uma vingança justa de Deus é que o esplendor da glória divina ofusque os olhos dos réprobos, porque não merecem ter uma clara e pura visão dela.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

Nenhum comentário:

Postar um comentário