"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 6 de novembro de 2025

“PRIMEIRA CARTA A TIMÓTEO - VOZ E VIOLÃO”

“PRIMEIRA CARTA A TIMÓTEO - VOZ E VIOLÃO”

“Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério” (1Tm 1.12).


Deus nos abençoe!

terça-feira, 28 de outubro de 2025

“CARTA AOS ROMANOS - VOZ E VIOLÃO”

“CARTA AOS ROMANOS - VOZ E VIOLÃO”

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.1,2).


Deus nos abençoe!

“OS PAIS ECLESIÁSTICOS E A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ”


“OS PAIS ECLESIÁSTICOS E A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ”

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).

A doutrina da justificação somente pela fé em Cristo pode ser encontrada em alguns dos escritos do primeiro período da história da Igreja. Entendemos que esses registros deixados pelos chamados "Pais Eclesiásticos" não foram inspirados. Contudo, eles nos oferecem o correto ensino transmitido à Igreja pelos santos Apóstolos.

Clemente de Roma (talvez o mesmo mencionado em Filipenses 4.3), em sua carta aos Coríntios, diz: “Nós também, sendo chamados mediante a sua vontade em Cristo, não somos justificados por nós mesmos, nem por nossa própria sabedoria, ou entendimento, ou piedade, ou obras que temos feito com pureza de coração, porém pela fé...”.

Policarpo (falecido em 155 dC), um discípulo de João, escreveu: “Eu sei que mediante a graça você é salvo, não por obras, mas sim, pela vontade de Deus em Jesus Cristo.” (Epístola aos Filipenses).

Justino Mártir (falecido em 165 dC), escreveu: “Não mais pelo sangue de bodes e de carneiros, nem pelas cinzas de uma novilha... são os pecados purificados, e sim, pela fé, mediante o sangue de Cristo e de Sua morte, que por essa razão morreu.” (Diálogo com Trifa). (Hb 9.13).

Irineu (falecido no princípio do 3º século), discípulo de Policarpo, escreveu: “... através da obediência de um homem, que primeiro nasceu da Virgem, para que muitos pudessem ser justificados e receber a salvação”.

Orígenes, o grande professor, pensador e escritor do cristianismo (falecido em 253 dC), disse o seguinte: “Pela fé, sem as obras da lei, o ladrão na cruz foi justificado; porque... o Senhor não indagou a respeito de suas obras anteriores, nem aguardava a realização de qualquer obra depois de crer; antes... Ele o tomou para si mesmo como companheiro, justificado somente na base de sua confissão.”

Cipriano (falecido 258 dC), bispo na Igreja da África do Norte, escreveu: “Quando Abraão creu em Deus, isso lhe foi imputado para justiça, portanto, cada um que crê em Deus e vive pela fé, será considerado como uma pessoa justa”.

Quando o imperador romano Constantino (falecido em 337 dC) tornou o cristianismo uma religião oficialmente reconhecida, e não mais uma fé perseguida, algumas heresias surgiram e feriram outras doutrinas básicas da fé cristã. Ao combater essas heresias e reafirmar a impotência pecaminosa da natureza humana, a necessidade de salvação pela graça e a expiação eficaz oferecida por Cristo, os fiéis remanescentes defendiam os fundamentos apostólicos da doutrina da justificação somente pela fé em Cristo.

Basílio, bispo de Capadócia (falecido em 370 dC), deixou essas palavras: “O verdadeiro e perfeito gloriar-se em Deus é isto: quando o homem não se exalta por causa da sua própria justiça; é quando ele sabe por si mesmo que carece da verdadeira justiça e que a justificação é somente pela fé em Cristo”.

Atanásio, bispo de Alexandria (falecido em 373 dC), escreveu: “Nem por esses (isto é, esforços humanos), mas, à semelhança de Abraão, o homem é justificado pela fé”.

Ambrósio, bispo de Milão (falecido em 397 dC), famoso como grande pregador, nos deixou essas palavras: “Para o homem ímpio, para o homem que crê em Cristo, a sua fé lhe é imputada para justiça, sem as obras da lei, como também aconteceu com Abraão”.

Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia para o latim (falecido em 420 dC), escreveu: “Quando um homem ímpio é convertido, Deus o justifica somente por meio da fé, não por causa de obras que na realidade, ele não possuía”.

João Crisóstomo, talvez o maior pregador de todos os “pais eclesiásticos” (falecido 407 dC), e que viveu por muitos anos em Constantinopla. Dele nós temos: “Então, o que é que Deus fez? Ele fez com que um homem Justo (Cristo) se fizesse pecado (como Paulo afirma), para que Ele pudesse justificar pecadores... quando nós somos justificados, é pela justiça de Deus, não por obras... mas pela graça, pela qual todo o pecado desaparece” (2Co 5.21).

Agostinho, bispo de Hipona (falecido em 420 dC), disse: “A graça é algo doado; o salário é algo pago... é chamada graça porque ela é concedida gratuitamente. Você não comprou por nenhum mérito pessoal o que tem recebido. Portanto, em primeiro lugar, o pecador recebe a graça para que sejam perdoados os seus pecados... na pessoa justificada, as boas obras vêm depois; elas não precedem a graça, a fim de que a pessoa seja justificada... as boas obras que seguem a justificação manifestam o que o homem tem recebido”.

Anselmo, de Cantuária (falecido 1109 dC), um grande teólogo, e talvez mais conhecido por causa de seu estudo sobre a expiação do pecado por Cristo, escreveu: “Você acredita que não pode ser salvo, senão pela morte de Cristo?” Então, vá e,... ponha toda a sua confiança unicamente em Sua morte. Se Deus lhe disser: “Você é um pecador”, então responda: “Coloco a morte de nosso Senhor Jesus Cristo entre mim e o meu pecado”.

Bernardo de Claraval, considerado como o último dos Pais eclesiásticos (falecido em 1153 dC), deixou essas palavras: “Acaso a nossa justiça não seria apenas uma injustiça e imperfeição? Então, o que será dos nossos pecados, quando a nossa justiça não é suficiente para defender-se a si mesma? Vamos, portanto, com toda humildade, refugiar-nos na misericórdia, porque ela somente pode salvar as nossas almas... qualquer um que tenha fome e sede de justiça, que creia nAquele que “justifica o ímpio”, e assim sendo justificados somente pela fé, terá paz com Deus.

Estes testemunhos evidenciam que a doutrina da justificação somente pela fé em Cristo não foi uma invenção de Martinho Lutero. Os reformadores apenas redescobriram o que o próprio Deus nos ensina em Sua Palavra. “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Hc 2.4). “Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17).

Deus nos abençoe!

James Buchanan (1808 - 1870).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“HABITE CRISTO NO VOSSO CORAÇÃO, PELA FÉ”


HABITE CRISTO NO VOSSO CORAÇÃO, PELA FÉ

“E, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3.17).

Que o verdadeiro crente está unido a Cristo e Cristo a ele, nenhum leitor cuidadoso do Novo Testamento pensaria em negar, nem por um momento. Sem dúvida, há uma união mística entre Cristo e o crente. Com ele morremos, com Ele fomos sepultados, com Ele ressuscitamos e com Ele nos assentamos nos lugares celestiais. Há cinco textos onde somos claramente ensinados que Cristo está “em nós” (Rm 8.10; Gl 2.20; 4.19; Ef 3.17 e Cl 3.11). Porém, devemos ter o cuidado de entender o que significa tal expressão.

Que Cristo habita em nosso coração pela fé, e efetua sua obra interna por seu Espírito, é uma ideia clara e distinta. Mas, se quisermos dizer que além e acima disso há alguma misteriosa habitação de Cristo no crente, devemos tomar cuidado com o que estamos dizendo. A menos que tenhamos cuidado, terminaremos ignorando a obra do Espírito Santo. Esqueceremos que, na economia divina, a eleição para a salvação do homem é obra especial de Deus, o Pai; que a expiação, a mediação e a intercessão é obra especial de Deus, o Filho e, que a santificação é a obra especial de Deus, o Espírito Santo. Também esqueceremos de que nosso Senhor disse que, quando se fosse do mundo, nos enviaria um outro Consolador que estaria “para sempre” conosco ou, por assim dizer, tomaria o lugar de Cristo (Jo 14.16).

Em suma, o uso do termo “Cristo em nós” sem a devida cautela, sob a ideia de que estamos honrando a Cristo, poderemos descobrir que estamos desonrando seu dom especial e peculiar – o Espírito Santo. Certamente, visto que Cristo é Deus, Ele está em todos os lugares – em nosso coração, no céu, no lugar onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome. Entretanto, não podemos esquecer que Cristo, na qualidade de nosso Cabeça e Sumo Sacerdote ressurreto, está especialmente à destra de Deus, intercedendo por nós até que retorne à terra e, também, que Cristo leva avante a sua obra nos corações do seu povo, mediante a atuação especial do seu Espírito, o qual prometeu enviar quando deixasse esse mundo (Jo 15.26). O exame dos versículos 9 e 10 de Romanos 8 parece demonstrar isso claramente. Isso me convence de que “Cristo em nós” significa em nós “por seu Espírito”. As palavras de João são claras e distintas: “E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (1Jo 3.24). 

Deus nos abençoe!

John Charles Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

“CARTA AOS COLOSSENSES – VOZ E VIOLÃO”

“CARTA AOS COLOSSENSES – VOZ E VIOLÃO”

“Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos” (Cl 1.3,4).


Deus nos abençoe!

terça-feira, 21 de outubro de 2025

“ESCUTA, SENHOR, A MINHA ORAÇÃO”


“ESCUTA, SENHOR, A MINHA ORAÇÃO”

“Escuta, SENHOR, a minha oração e atende à voz das minhas súplicas” (Sl 86.6).

À luz da ardente repetição de seus primeiros pedidos, neste versículo e no subsequente, é evidente que Davi se via oprimido, não com um grau comum de tristeza, mas agitado com extrema ansiedade. Deste exemplo somos instruídos que aqueles que, tendo-se uma vez engajado em oração, se dispõem a parar imediatamente com o exercício, a não ser que Deus prontamente se disponha a satisfazer seus desejos, exibem a frieza e inconstância de seus corações. Tampouco é um pensamento supérfluo esta repetição dos mesmos pedidos; porque assim os santos, pouco a pouco, lançam suas preocupações no seio de Deus, e essa importunação é um sacrifício de aroma suave diante dele. Quando o salmista diz: “No dia da minha angústia, clamo a ti, porque me respondes” (vs.7), ele faz especificamente a si uma aplicação da verdade que justamente agora acaba de declarar, ou, seja: que Deus é misericordioso e gracioso para com todos aqueles que o invocam.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“POIS TU, SENHOR, ÉS BOM E COMPASSIVO”


“POIS TU, SENHOR, ÉS BOM E COMPASSIVO”

“Pois tu, SENHOR, és bom e compassivo; abundante em benignidade para com todos os que te invocam” (Sl 86.5).

Temos aqui uma confirmação de toda a doutrina derivada da natureza de Deus. De nada valeria ter o aflito recorrido a ele e elevado seus desejos e orações ao céu, não estivesse o mesmo persuadido de ser ele o fiel galardoador de todos os que o invocam. O ponto sobre o qual Davi ora insiste é o fato de Deus ser generoso e inclinado à compaixão, e que sua misericórdia é tão imensa, que se torna impossível que ele rejeite quem quer que implore seu auxílio. Embora Davi magnifique a profusão da mercê divina, contudo imediatamente a seguir representa essa profusão [ou liberalidade] como sendo restrita aos fiéis que o invocam, para ensinar-nos que aqueles que, não levando Deus em consideração, obstinadamente se agastam com o pouco, merecidamente perecem em meio a suas calamidades. Ao mesmo tempo, ele usa o termo todos, para que cada pessoa, sem exceção, do maior ao menor, seja encorajada a confiadamente recorrer à bondade e misericórdia de Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“COMPADECE-TE DE MIM, Ó SENHOR,


“COMPADECE-TE DE MIM, Ó SENHOR,

“Compadece-te de mim, ó SENHOR, pois a ti clamo de contínuo” (Sl 86.3).

O salmista novamente recorre à misericórdia de Deus. A palavra a qual traduzi, substancialmente é o mesmo que satisfazer, ter prazer. É como se ele dissesse: não me escudo em meu próprio mérito, mas humildemente oro por livramento unicamente com base em tua misericórdia. Quando fala de clamar diariamente, é uma prova de sua esperança e confiança, do que falamos um pouco antes. O verbo clamar, como tenho tido ocasião de observar várias vezes, denota a veemência e o ardor da alma. Os santos, aliás, nem sempre oram em voz audível; porém seus suspiros e gemidos secretos ressoam e ecoam fora e sobem de seus corações, penetrando o próprio céu. O suplicante inspirado não só se representa como a clamar, mas como a perseverar nessa atitude, para ensinar-nos que não estava desencorajado no primeiro ou no segundo encontro, mas prosseguia em oração com incansável ardor. No versículo seguinte, ele expressa mais definidamente por que suplicava a Deus que tivesse misericórdia dele, ou, seja: para que sua angústia fosse removida. Na segunda sentença, ele declara que não havia hipocrisia em seu clamor; porque ele elevou sua alma a Deus, que é a principal característica da oração correta. “Alegra a alma do teu servo, porque a ti, SENHOR, elevo a minha alma”.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“PRESERVA A MINHA ALMA, POIS EU SOU PIEDOSO”


“PRESERVA A MINHA ALMA, POIS EU SOU PIEDOSO”

“Preserva a minha alma, pois eu sou piedoso; tu, ó Deus meu, salva o teu servo que em ti confia” (Sl 86.2).

Aqui o salmista associa outros dois argumentos por meio dos quais insiste com Deus que lhe conceda socorro - sua própria amabilidade para com seus vizinhos e a confiança que depositava em Deus. Na primeira sentença, à primeira vista poderia parecer estar fazendo algumas pretensões à dignidade pessoal; todavia claramente mostra que sua intenção longe estava de insinuar que foi por méritos próprios que punha Deus em obrigação de preservá-lo. Mas a menção particular que ele faz de sua clemência e mansidão tende a exibir à plena luz quão odiosa era a perversidade de seus inimigos, os quais trataram com tanta ignomínia e com tanta desumanidade a um homem contra quem não podiam, solidamente fundamentados, tornar culpado, e alguém que, com tanto esforço, tudo fazia para ser-lhes agradável. Visto, pois, que Deus declarou ser o defensor das boas causas daqueles que seguem após a justiça, Davi, não sem boa razão, testifica que tinha se esforçado por exercer bondade e amabilidade; à luz deste fato pode parecer que ele fora vilmente retribuído por seus inimigos, quando gratuitamente agiram cruelmente contra um homem compassivo. Mas como não seria suficiente que suas vidas fossem caracterizadas pela bondade e justiça, junta-se uma qualificação adicional: o descanso ou confiança em Deus, sendo esta a mãe de toda verdadeira religião. Estamos cientes de que alguns têm sido dotados com um grau bem elevado de integridade, ao ponto de granjearem entre os homens o louvor de serem perfeitamente justos. Mas, como esses homens, com todas suas excelências e virtudes, eram ou dominados pela ambição, ou inflados pela soberba, que os levam a confiar mais em si do que em Deus, não surpreende encontrá-los sofrendo o castigo de sua vaidade. Ao lermos histórias profanas, nos sentimos perplexos como é possível que Deus tenha abandonado os honestos, os sérios e os temperados às paixões tempestivas de uma multidão perversa; mas não há razão para espanto diante disso, quando ponderamos que tais pessoas, confiando em sua própria força e virtude, desprezaram a graça de Deus com toda a arrogância da impiedade. Fazendo de sua própria virtude um ídolo, desdenhosamente se recusaram a erguer seus olhos para ele. Portanto, embora possamos ter o testemunho de uma consciência aprovadora, e embora ele seja a melhor testemunha de nossa inocência, todavia, se estamos desejosos de obter sua assistência, é necessário que lhe confiemos nossas esperanças e ansiedades. Se alguém contesta dizendo que nesse caminho o portão está fechado para os pecadores, respondo que quando Deus convida a si os que são inocentes e retos em sua conduta, isso não significa que ele imediatamente repila todos os que são castigados por conta de seus pecados; porque eles têm uma oportunidade que lhes foi dada, caso a aproveitem para a oração e o reconhecimento de sua culpa.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“INCLINA, SENHOR, OS OUVIDOS E RESPONDE-ME”


“INCLINA, SENHOR, OS OUVIDOS E RESPONDE-ME”

“Inclina, SENHOR, os ouvidos e responde-me, pois estou aflito e necessitado” (Sl 86.1).

Neste Salmo as orações e as santas meditações se entrelaçam com vistas a nutrir e confirmar a fé, irmanando-se com louvores e ações de graças. Parecendo difícil, segundo o critério da razão carnal de Davi, escapar das angústias com que se via cercado, ele confronta suas conclusões com a infinita bondade e poder de Deus. Não espera meramente ver-se livre de seus inimigos; ele também ora para que o temor de Deus seja implantado e firmemente estabelecido em seu coração.

Nem o título, nem o conteúdo deste Salmo nos habilita a concluir com certeza quais os perigos dos quais Davi aqui se queixa; porém o Salmo com toda probabilidade se refere àquele período de sua vida em que era perseguido por Saul, e descreve o fio de pensamento que então ocupava sua mente, ainda que o mesmo não tenha sido escrito até depois de sua restauração a um estado de paz e tranquilidade externas, quando passou a desfrutar de mais lazer. Não é sem causa que ele alegue diante de Deus que as opressões que suportou eram um argumento com o fim de obter o favor divino; pois nada é mais próprio à natureza de Deus do que socorrer o aflito; e quanto mais severamente é alguém oprimido, e mais destituído esteja dos recursos do auxílio humano, também mais inclinado está Deus graciosamente a socorrê-lo. Portanto, para que nenhum desespero torture nossas mentes com as mais profundas aflições, apoiemo-nos no fato de que o Espírito Santo ditou esta oração para os pobres e aflitos.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).