"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

“NADA FAÇAIS POR PARTIDARISMO OU VANGLÓRIA”


“NADA FAÇAIS POR PARTIDARISMO OU VANGLÓRIA”

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3).

Nada façais por contenda ou vangloria. Estas são duas pestes mui danosas, a perturbar a paz da Igreja. Suscita-se contenda quando cada um se dispõe a manter com persistência sua opinião pessoal; e quando, uma vez tenha início, precipita tudo de ponta cabeça na mesma direção em que entrou. A vangloria assanha a mente dos homens, de modo que cada um se deleita com suas invenções pessoais. Daí, o único meio de guardar-se contra dissensões é que evitemos contendas, deliberando e agindo pacificamente, especialmente se não nos deixarmos afetar pela ambição. Pois a ambição é o meio de fomentar todo tipo de contendas. Vangloria significa qualquer exaltação da carne; pois que base de gloriar-se têm os homens dentro de si, senão a vaidade?

Mas por humildade. Para ambas as doenças o apóstolo Paulo receita um remédio - humildade -, e com boas razões, pois ela é a mãe da moderação, cujo efeito é a renúncia de nosso próprio direito, quando damos preferência a outras pessoas, e não nos deixamos facilmente alimentar a agitação. Ele fornece uma definição da verdadeira humildade - quando cada um se estima menos que aos demais. Ora, se algo em toda nossa vida é difícil, para outros pode ser pior. Daí não causar admiração se a humildade é uma virtude tão rara. Porque, como disse alguém, “Cada um tem em si a mente de um rei que reivindica tudo para si mesmo”. Veja bem, aqui temos o orgulho. Após acalentarmos a tola admiração de nós mesmos, vem à tona o desdém pelos irmãos. Até aqui partimos do que Paulo anexa, a saber: que alguém dificilmente pode suportar que outros estejam no mesmo nível com ele, pois não existe sequer um que não deseje superioridade.

Indaga-se, porém: como é possível que alguém, que na realidade se destacou dos demais, pode considerá-los como superiores se na verdade sabe que são bem inferiores? Respondo que isto depende totalmente de uma estima correta dos dons de Deus e nossas próprias fraquezas. Pois quem quer que se distinga por dotes excelentes deve ponderar consigo mesmo que eles não lhe foram conferidos para que seja autocomplacente e se exalte, ou mesmo que se mantenha em estima. Ao invés disso, que o mesmo se empregue em corrigir e detectar suas falhas, e então terá muita ocasião para cultivar a humildade. Em contrapartida, em outros ele considerará com honra tudo quanto haja de excelências, e por meio do amor manterá suas falhas no esquecimento. O homem que observar esta regra não sentirá dificuldade em preferir a outra pessoa antes que a si próprio. E isto também Paulo tinha em mente quando adicionou que não deviam levar em conta a si próprios, e sim seu semelhante, ou que não deviam devotar-se a si próprios. Daí ser bem provável que uma pessoa piedosa, mesmo quando seja cônscia de ser superior, não obstante pode manter os outros em maior estima.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

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