"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 22 de setembro de 2026

“QUEM PRATICA A VERDADE APROXIMA-SE DA LUZ”


QUEM PRATICA A VERDADE APROXIMA-SE DA LUZ

“Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus” (Jo 3:21).

Esta aparenta ser uma afirmação imprópria e absurda, a não ser que o leitor prefira admitir que alguns são retos e verdadeiros mesmo antes que tenham sido renovados pelo Espírito de Deus, o que de forma alguma se harmoniza com a doutrina uniforme da Escritura. Pois bem sabemos que a fé é a raiz da qual procedem os frutos das boas obras. Com vista a resolver esta dificuldade, Agostinho diz que praticar a verdade significa “reconhecer que somos miseráveis e destituídos de todo poder de praticar o bem”; e, por certo, é uma genuína preparação para a fé quando a convicção de nossa pobreza nos compele a fugir para a graça de Deus. Mas tudo isso é amplamente removido da intenção de Cristo, pois ele pretendia simplesmente dizer que aqueles que agem sinceramente nada desejam mais solicitamente do que a luz, para que suas obras sejam julgadas. Porque, quando tal prova é feita, torna-se mais evidente que, à vista de Deus, falam a verdade e são isentos de toda falsidade.

Ora, seria um raciocínio inconclusivo, caso inferíssimos disso que os homens desfrutam de sã consciência antes de experimentar a fé. Porque Cristo não diz que os eleitos creem a ponto de merecerem o louvor das obras, mas simplesmente o que os incrédulos fariam caso não experimentassem uma má consciência.

Cristo empregou a palavra verdade porque, quando somos enganados pelo brilho externo das obras, não consideramos o que está oculto dentro. Consequentemente, diz ele que os homens que são isentos de hipocrisia espontaneamente entram na presença de Deus, o único que é Juiz competente de nossas obras. Porque somos informados que essas obras são feitas em Deus ou de conformidade com Deus, as quais são aprovadas por ele e as quais são boas em consonância com sua norma. Daí, aprendamos que não devemos julgar as obras de qualquer outra maneira senão trazendo-as para a luz do evangelho, porquanto nossa razão é totalmente cega.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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