quarta-feira, 3 de agosto de 2022
"A FAMÍLIA DE DEUS"
"FÉ INABALÁVEL"
terça-feira, 26 de julho de 2022
“MOTIVO DE TROPEÇO”
“MOTIVO DE TROPEÇO”
“Bem-aventurado
é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Lc 7.23).
Dê a devida
atenção ao aviso que o nosso Senhor deu aos discípulos de João Batista. Cristo Jesus
sabia do perigo em que aqueles homens se encontravam: Eles estavam dispostos a questionar
sua reivindicação de ser Ele o Messias. Em Jesus não havia qualquer
característica de um rei. Ele não tinha vestes reais e nem riquezas. Estes
homens viam em Jesus um homem comum – filho de José e Maria – tão sem recurso
financeiro quanto eles mesmos. A probabilidade de rejeição não era pequena.
Mesmo depois de mostrar as suas credenciais Cristo sondou o coração deles e os
despediu com uma advertência: “Bem-aventurado é aquele que não achar em mim
motivo de tropeço”.
Enquanto este mundo
existir, Jesus Cristo será “motivo de tropeço” para muitos. Anunciar que somos pecadores, culpados e perdidos, que não podemos salvar a nós
mesmos, que temos que abandonar a nossa justiça própria, “que não há salvação
em nem um outro; porque
abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual
importa que sejamos salvos” (At 4.12), que Aquele humilhado e
traspassado na cruz do Calvário entre dois malfeitores, feito maldição em nosso
lugar, é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Filho de Deus, o único que
tira o pecado do mundo, e que a nossa salvação deve-se exclusivamente ao
imerecido favor divino – isso é ofensivo ao homem natural. O coração orgulhoso
se sente ofendido, e tropeça, e rejeita estas verdades, permanecendo debaixo da
ira de Deus (Jo 3.36).
“Bem-aventurado
é aquele que não achar em mim motivo de tropeço”, disse o Senhor Jesus.
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
sábado, 16 de julho de 2022
“ÉS TU AQUELE QUE ESTAVA PARA VIR?”
“ÉS TU AQUELE QUE ESTAVA PARA VIR?”
“És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Lc 7.19).
A mensagem que
João Batista enviou ao nosso Senhor Jesus, apresentada neste versículo, é
especialmente instrutiva, quando pensamos nas circunstâncias sob as quais foi
enviada. João Batista era prisioneiro de Herodes (Mt 11.2). Sua vida aqui neste
mundo estava chegando ao fim. Seu tempo de utilidade efetiva estava acabando.
Um demorado aprisionamento ou morte violenta eram as perspectivas. Mas mesmo
nestes dias obscuros, percebemos este homem de Deus preservando seu antigo
fundamento como testemunha de Cristo. Ele ainda era o mesmo que obteve a
revelação e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo
1.29). Testemunhar a respeito de Cristo era sua obra continua como pregador em
liberdade. Enviar homens a Cristo foi uma de suas últimas obras mesmo estando
encarcerado.
Devemos notar
a sabedoria que João Batista demonstrou ao enviar seus discípulos a Cristo. Ele
enviou dois deles com a seguinte pergunta: “És tu aquele estava para vir ou
havemos de esperar outro?” João esperava que seus discípulos recebessem uma
resposta cuja impressão jamais seria apagada de suas mentes. E ele estava
certo. Os discípulos receberam uma resposta tanto por meio de obras quanto por
palavras – uma resposta que produziu um efeito mais profundo que qualquer
argumento apresentado.
João Batista
estava ciente da falta de conhecimento e fragilidade da fé exercida por aqueles
discípulos. Ele sabia quão natural seria para eles alguma contenda ou cisma e
tratarem Jesus e seus discípulos com algum sentimento de ciúmes (Jo 3.22-36), isso
podia prevalecer e mantê-los distantes de Cristo. E dentro de suas
possibilidades, João tomou a devida providência. Enviou os discípulos a Jesus,
para que vissem por si mesmos que tipo de mestre era Aquele e não O rejeitassem
sem vê-Lo e ouvi-Lo. Assim como o seu divino Mestre, que amou os seus
discípulos, João Batista amou os seus até o fim. Consciente que em breve os
deixaria, tomou o devido cuidado para deixá-los nas melhores de todas as
mãos.
“Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e
de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. Em
seguida, Jesus lhes disse: “Ide e anunciai a
João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são
purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres,
anuncia-se-lhes o evangelho” (Lc 7.21,22).
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
quinta-feira, 30 de junho de 2022
“INFINITO PODER SOBRE A MORTE”
“E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta. Entretanto, ele, tomando-a pela mão, disse-lhe, em voz alta: Menina, levanta-te!” (Lc 8.53,54).
Considere o infinito poder que o nosso Senhor Jesus possui sobre a morte. Ele foi à casa de Jairo e transformou a tristeza em alegria. Ele pegou a mão do corpo sem vida da filha do chefe da sinagoga e disse: “Menina, levanta-te!” (Lc 8.54). E atendendo a voz daquele que tem todo poder no céu e na terra, a vida lhe foi restaurada. “Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou, e ele mandou que lhe dessem de comer. Seus pais ficaram maravilhados” (Lc 8.55,56). Aleluia!
É
reconfortante saber que as coisas acontecidas na casa de Jairo, naquela
ocasião, são apenas figuras das que acontecerão no futuro. Em breve virá o Dia
em que Cristo Jesus chamará todo o seu povo, os amados de Deus, os que já estão no lar
celestial e os que ainda estão aqui nesta terra, Ele os reunirá para que nunca
mais se apartem. “Vi
novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar
já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu,
da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi
grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens.
Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.
E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não
haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele
que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E
acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me
ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a
quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará
estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho” (Ap 21.1-7).
Deus nos abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
terça-feira, 28 de junho de 2022
NÃO TEMAS, CRÊ SOMENTE”
“NÃO TEMAS, CRÊ SOMENTE”
“Falava ele ainda, quando veio uma
pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Tua filha já está morta, não
incomodes mais o Mestre. Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas,
crê somente, e ela será salva” (Lc 8.49,50).
Considere a
importância da fé no poder, no amor e na compaixão de Jesus. Quando Ele ouviu a
notícia de que a filha do chefe da sinagoga morrera, disse: “Não temas, crê
somente, e ela será salva” (Lc 8.50). Sem dúvida, estas palavras foram pronunciadas com
referência imediata ao milagre que realizaria. No entanto, não podemos duvidar
que foram ditas tendo em vista o perpétuo benefício de Sua Igreja. Tinham o
propósito de revelar-nos o maravilhoso meio de consolo em tempos de aflição.
Carecemos de mais fé, de confiança no amor, na compaixão de Cristo e em sua
poderosa palavra: “Não temas, crê somente”.
A súplica por
mais fé deve fazer parte de nossas orações diárias. Os que desejam paz e
quietude de espírito devem suplicar: “Senhor, aumenta-nos a fé”! Sem uma fé
fortalecida, seremos constantemente abatidos. Nada conseguirá nos animar,
exceto um permanente senso do poder, do amor e do cuidado paternal de Deus.
“Então, lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em
paz” (Lc 8.48).
“Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo
como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã” (Mt 15.21-28).
“Jesus, porém, lhes respondeu: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e
não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo,
se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá; e tudo
quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21.21,22).
Deus nos abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
sábado, 25 de junho de 2022
“UM INIMIGO CRUEL”
“UM INIMIGO CRUEL”
“Falava ele ainda, quando veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo: Tua filha já está morta, não incomodes mais o Mestre. Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva” (Lc 8.49,50).
A morte é
realmente um inimigo cruel, ela não faz distinção em seus ataques; alcança o
rico e o pobre. Não poupa a criança, o jovem, o forte, os belos, assim como não
poupa os mais velhos e enfermos. Nenhum recurso deste mundo pode fazer a morte
retirar sua mão de nosso corpo, no dia do seu poder. Quando chega a hora
determinada e Deus permite que ela lance seu aguilhão, nossos relacionamentos
humanos se desfazem e nossos queridos têm de ser levados e sepultados.
Este é um
assunto melancólico que poucos gostam de considerar. O homem é capaz de pensar
que todos os demais são mortais, exceto ele mesmo. Mas a morte chegará a nossa
casa, quer aceitemos quer não. Virá e levará cada um de nós. Estar preparado
para este dia faz parte da vida dos que temem ao Senhor. Estes creem que
“Cristo Jesus, não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a
imortalidade, mediante o evangelho” (2Tm 1.10).
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a
ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que
vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” (Jo 11.25,26).
Os que creem
podem dizer juntamente com o apóstolo Paulo: “Para mim o viver é Cristo, e o
morrer é lucro” (Fp 1.21).
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
domingo, 19 de junho de 2022
“O DIA DE AMANHÃ, O QUE VIRÁ?”
“O DIA DE AMANHÃ, O QUE VIRÁ?”
“Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois
o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34).
Quando tentados pelas ansiedades desta vida, não devemos estar por demais
preocupados, como se não tivéssemos um Deus de providências. Lembremo-nos que
“todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). “O Senhor dá graça e glória;
nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Sl 84.11).
Devemos atender às ocupações do dia de hoje e deixar as preocupações do
amanhã para quando raiar o novo dia. Podemos morrer antes do amanhecer! A única
coisa de que podemos ter certeza é que, se o dia de amanhã nos trouxer uma
cruz, Aquele que a envia pode, e irá, nos enviar a graça necessária para
carregá-la.
Vigiemos e oremos contra um espírito ansioso e excessivamente
preocupado. Isto afeta profundamente a nossa felicidade. Muitas das nossas
misérias são causadas pela ilusão de coisas que nós pensamos estarem vindo
sobre nós. E essas coisas que imaginamos estarem vindo sobre nós, na verdade
jamais acontecem. Onde está a confiança que temos nas palavras do nosso
Salvador?
“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.25,26;31-34).
J.C.Ryle (1816-1900).
sexta-feira, 10 de junho de 2022
“O CONHECIMENTO DA VERDADE”
“O CONHECIMENTO DA VERDADE”
“Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que
é dos eleitos de Deus e o pleno
conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt
1.1).
A fim de apoiar sua alegação de que seu apostolado está
livre de toda e qualquer impostura e equívoco, Paulo declara que sua mensagem
nada contém senão aquela notória e averiguada verdade, a qual pode instruir os
homens no perfeito culto divino. Visto, porém, que cada palavra tem sua própria
importância, nos será de muito proveito examiná-las uma a uma.
Em primeiro lugar, ao chamar a fé de ‘conhecimento’, ele
não está meramente distinguindo-a de opinião, mas daquela fé forjada e
implícita inventada pelos falsos mestres. Pois por fé implícita eles querem dizer
algo destituído de toda luz da razão. Ao dizer que conhecer a verdade pertence
à essência da fé, Paulo claramente demonstra que sem o conhecimento não há
certeza na fé.
Com o termo, ‘verdade’, o apóstolo Paulo explica ainda mais claramente a certeza que a natureza da fé requer, pois a fé não se satisfaz com probabilidades, mas com a plena verdade. Além do mais, ele não está falando, aqui, de qualquer gênero de verdade, mas daquela que é contrastada com a vaidade do entendimento humano. Pois como Deus se nos tem revelado através dessa verdade, ela é a única que merece o título de ‘a verdade’ – título este a ela dado em muitos passos bíblicos. “O Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (Jo 16.13). “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). “Por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho” (Cl 1.5). “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4). “Para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15). Em suma, a verdade é aquele puro e perfeito conhecimento de Deus, o qual nos livra de todo e qualquer erro e falsidade. Devemos considerar que não há nada mais miserável do que vagar ao longo de toda a nossa vida como ovelhas perdidas.
A próxima frase, que é ‘segundo a piedade’, Paulo qualifica a verdade de uma forma especifica, da qual ele esteve falando, e ao mesmo tempo recomenda sua doutrina a partir de seu fruto e propósito, visto que seu alvo único é promover o culto divino correto, e manter a religião genuína entre os homens. Visto que todos os questionamentos supérfluos que não se inclinam para a edificação devem ser com toda razão suspeitos e mesmo detestados pelos cristãos piedosos, a única recomendação legítima da doutrina é que ela nos instrui na reverência e no temor de Deus. E assim aprendemos que o homem que mais progride na piedade é também o melhor discípulo de Cristo, e o único homem que dever ser tido na conta de genuíno teólogo é aquele que pode edificar a consciência humana no temor de Deus.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Pastorais - Edições Paracletos.
domingo, 5 de junho de 2022
“O BATISMO E O LAVAR REGENERADOR DO ESPÍRITO SANTO”
“O BATISMO E O LAVAR REGENERADOR DO ESPÍRITO SANTO”
“Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3.4,5).
Não tenho dúvida de que aqui há pelo menos uma alusão ao batismo, e não faço objeção se toda a passagem deve ser explicada em termos de batismo. Não que a salvação seja obtida no símbolo externo da água, mas porque o batismo nos sela a salvação conquistada por Cristo. Paulo está tratando da manifestação da graça de Deus que, já dissemos, consiste da fé. Visto, pois, que o batismo é parte dessa revelação, até onde ela se destina a confirmar a fé, Paulo está certo em mencioná-lo aqui. Além disso, visto que o batismo é nosso ingresso na Igreja e o símbolo de nosso enxerto em Cristo, é oportuno que Paulo o introduza aqui, ao pretender demonstrar que a graça divina se nos manifestou. Eis o fio do pensamento desta passagem. “Deus nos salva mediante sua misericórdia, e Ele nos deu, no batismo, um símbolo e penhor dessa salvação, admitindo-nos em sua Igreja e enxertando-nos no Corpo de seu Filho”.
Os apóstolos geralmente baseiam um argumento nos sacramentos quando pretendem provar o que está implícito neles, já que deve ser aceito como princípio estabelecido entre os piedosos que Deus não trata conosco usando figuras destituídas de conteúdo, senão que interiormente efetua, por seu próprio poder, aquilo que Ele pretende nos mostrar por meio de um sinal externo. Por isso se expressa adequada e genuinamente que o batismo é o “lavar regenerador”. O poder e o uso dos sacramentos são corretamente subentendidos quando conectamos o sinal com aquilo que está implícito nele, de tal forma que o sinal não é algo vazio e ineficaz, e quando, querendo enaltecer o sinal, não despojamos o Espírito Santo do que lhe pertence.
Ainda que Paulo mencione o sinal com o intuito de exibir-nos claramente a graça de Deus, todavia nos tolhe de fixarmos nele toda a nossa atenção; por isso imediatamente põe diante de nós o Espírito, para que saibamos que não somos lavados pela água, e, sim, pelo Seu poder, como o expressa o profeta Ezequiel: “Então aspergirei água pura sobre vós. E ficareis purificados... Ainda porei dentro de vós o meu Espirito” (Ez 36.25,27). As palavras de Paulo, aqui, concordam tão plenamente com aquelas do profeta que na verdade estão falando a mesma coisa. É o Espírito de Deus quem nos regenera e nos transforma em novas criaturas; visto, porém, que sua graça é invisível e oculta, no batismo nos é dado um símbolo visível dela.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Pastorais - Edições Paracletos.







