"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

“NOÉ, JUSTIFICADO MEDIANTE A FÉ”

 

“NOÉ, JUSTIFICADO MEDIANTE A FÉ”

“Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé” (Hb 11.7).

Noé foi um exemplo tão extraordinário de virtude que, quando o mundo inteiro se entregou aos prazeres sem recato e sem freio, crendo poder viver impunimente, unicamente Noé levou em conta a vingança divina. Sendo temente a Deus, em obediência, fatigou-se ao longo de cento e vinte anos na construção de uma arca; permanecendo firme no meio da zombaria de uma multidão incrédula; e no seio de um mundo inteiro em ruína, ele não duvidou que seria salvo.

Eis a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus” (Gn 6.9).

Como seria possível que Noé obedecesse a Deus de forma tão consistente senão pelo fato de que já encontrava descanso na promessa que lhe imprimira esperança de salvação, e que nessa confiança perseverou até o fim? Poderia não ter tido em si mesmo coragem de enfrentar tantos problemas, nem poderia ter tido força para vencer tantos obstáculos, nem permanecer firme em seu propósito por tanto tempo, a não ser por meio de uma fé preveniente.

Em todas as épocas os homens jamais foram aprovados por Deus, nem tampouco fizeram algo digno de louvor que não fosse pelo exercício da fé. Noé foi herdeiro da justiça que provém da fé, fé que é mestra da obediência; em contrapartida, podemos chegar a conclusão de que é a ausência de fé que nos impede de obedecer a Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

“ABEL, JUSTIFICADO MEDIANTE A FÉ”


“ABEL, JUSTIFICADO MEDIANTE A FÉ”

“Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas” (Hb 11.4).

O escritor da epístola aos Hebreus irá mostrar agora que, por mais excelentes fossem as obras dos santos, elas derivam da fé seu valor, sua dignidade e tudo quanto de excelência porventura possuíssem. Desse fato segue-se, como ele mesmo já disse, que os pais só agradaram a Deus porque tinham fé. Ele, aqui, está falando de fé num duplo sentido. Primeiramente, por causa de sua obediência, visto que ela não intenta nem empreende nada exceto pela expressa Palavra de Deus; e então, porque ela descansa nas promessas de Deus, e assim granjeia mérito e dignidade para suas obras pela absoluta graça de Deus.

O apóstolo diz, antes de tudo, que o sacrifício de Abel foi mais aceitável do que o de seu irmão tão-somente porque foi santificado pela fé. A Escritura mostra nitidamente por que Deus se agradara de seu sacrifício. Eis as palavras de Moisés: “Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta” (Gn 4.4), à luz das quais podemos prontamente concluir que seu sacrifício agradou a Deus em virtude de ele mesmo ser agradável a Deus. De que outra fonte veio seu agradável caráter senão do fato de que possuía um coração purificado pela fé?

“Testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas”, confirma o que já foi dito, ou seja, que de nós não procede nenhuma obra agradável a Deus, enquanto nós mesmos não formos recebidos em seu favor, ou (falando mais sucintamente) nenhuma obra é considerada justa diante de Deus, a não ser aquelas que procedem de um homem justo. Deus deu testemunho acerca das ofertas de Abel, porque ele recebeu a honra de ser considerado justo diante de Deus.

Esta doutrina deve ser cuidadosamente observada em virtude de não sermos facilmente persuadidos dela. Sempre que se nota alguma coisa gloriosa numa obra, imediatamente somos arrebatados pela admiração, e então concluímos que ela não pode ser desaprovada por Deus sem que ele cometa injustiça. Deus, porém, que olha só para a pureza interior do coração, não leva em conta os disfarces externos das obras. Devemos apreender, portanto: nenhuma obra boa pode proceder de nós, sem que antes sejamos justificados diante de Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

“PROVIDÊNCIA DE DEUS E PERMISSÃO DE ATOS PECAMINOSOS”


“PROVIDÊNCIA DE DEUS E PERMISSÃO DE ATOS PECAMINOSOS”

“Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45.5).

“O onipotente poder, a imutável sabedoria e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam em sua providência, que se estende até mesmo à primeira queda e a todos os demais pecados dos anjos e dos homens, e isso não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, sábia e poderosamente limitando-os, bem como regulando-os e governando-os, numa múltipla dispensação, para seus próprios e santos propósitos; de tal modo que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão-somente da criatura, e não de Deus, e que sendo ele santíssimo e justíssimo, nem é e nem pode ser o autor ou o aprovador do pecado” (CFW. cap. V, seção IV).

Ref. Rm 11.32-34; 2Sm 24.1; 1Cr 21.1; 1Rs 22.22,23; 1Cr 10.4,13,14; 2Sm 16.10; At 2.23; 4.27,28; At 14.16; Sl 76.10; 2Rs 19.28; Gn 1.21; Is 10.6,7,12; Tg 1.13,14,17; Jo 2.16; Sl 1.1,2.

Esta seção não faz qualquer tentativa de explicar a natureza daquelas ações providenciais de Deus no tocante à origem do pecado no universo moral, e no controle das ações pecaminosas de suas criaturas na execução de seus propósitos. Ela simplesmente declara os fatos importantes com respeito à relação de sua providência com os pecados de suas criaturas, os quais são revelados na Escritura.

Esses pontos são: -

1 – Deus não só permite os atos pecaminosos, mas os dirige e controla segundo a determinação de seus próprios propósitos.

2 – Contudo, a pecaminosidade dessas ações só pertence ao agente pecador, e Deus de forma alguma é o autor ou aprovador do pecado.

As ações pecaminosas como todas as demais, são expressas na Escritura como ocorrendo pela permissão de Deus e de acordo com seu propósito, de modo que o que os homens perversamente fazem diz-se ser ordenado por Deus (Gn 45.4,5; Êx 7.13; 14.17; At 2.23; 3.18; 4.27,28). E ele constantemente restringe e controla os homens em seus pecados (Sl 76.10; 2Rs 19.28; Is 10.16); e regula seus pecados para o bem (At 3.13).

A providência de Deus, em vez de gerar o pecado ou aprová-lo, preocupa-se constantemente em proibi-lo pela lei positiva, ao desencorajá-lo com ameaças e punições reais, ao restringi-lo e ao regulá-lo para o bem, contra sua própria natureza.

Deus nos abençoe!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada, Editora Os Puritanos.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

“PROVIDÊNCIA ORDINÁRIA DE DEUS” – CAUSAS SECUNDÁRIAS E MILAGRES


“PROVIDÊNCIA ORDINÁRIA DE DEUS” – CAUSAS SECUNDÁRIAS E MILAGRES

Ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, os governadores e conselheiros do rei e viram que o fogo não teve poder algum sobre os corpos destes homens; nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem os seus mantos se mudaram, nem cheiro de fogo passara sobre eles” (Dn 3.27).

“Deus, em sua providência ordinária, faz uso de meios, todavia ele é livre para operar sem eles, sobre eles e contra eles, como lhe apraz” (CFW. cap V, seção III).

Ref. At 27.31,44; Is 55.10,11; Os 2.21,22; Os 1.7; Mt 4.4; Jó 34.10; Rm 4.19-21; 2Rs 6.6; Dn 3.27.

Na providência ordinária e na administração de uma economia supernatural da graça, na esfera da natureza material e no governo moral dos agentes inteligentes e responsáveis, no governo do mundo concluído como encontramos e em toda a história da formação da terra e dos mundos no passado, Deus universalmente consumou seus propósitos através da agência de causas secundárias, ajustadas, combinadas, sustentadas e tornadas eficientes, por meio de seu onipresente Espírito para esse próprio fim.

Visto que Deus criou todas as causas secundárias e as dotou com suas propriedades, e continua a conservá-las em sua existência, para que sejam os instrumentos de sua vontade, toda a sua eficiência é derivada dele, e ele pode fazer diretamente sem elas o que faz com elas, e as limita, as modifica e as substitui como lhe apraz. Deus possui o poder de efetuar seus fins imediatamente, sem a intervenção de causas secundárias. Ele, às vezes, em seu soberano beneplácito, exerce esse poder.

O exercício direto e ocasional do poder de Deus, em conexão com um sistema geral de meios e leis se comprova necessário, não só no “princípio” para criar as causas secundárias e inaugurar sua agência, mas também subsequentemente a fim de fazer aos objetos de seu governo moral a revelação de sua soberana personalidade e de seu imediato interesse nas atividades deles. De qualquer forma, tal ação e revelação diretas e ocasionais são certamente necessárias para a educação de tais seres, como o homem é em seu presente estado. Tem-se objetado que os milagres, ou atos diretos do poder divino, interferindo na ação natural das causas secundárias, são inconsistentes com as perfeições infinitas de Deus, porquanto, alega-se, eles indicam ou uma violação de propósitos de sua parte, ou alguma insuficiência em sua criação para efetuar completamente os fins que ele originalmente tencionou realizar. Deve-se lembrar, contudo, que o eterno e imutável plano de Deus compreendia o milagre desde o início, bem como o curso ordinário da natureza. Um milagre, embora efetuado pelo poder divino, sem meios, é por si só um meio para um fim e parte de um plano. Toda lei natural tem sua origem na razão divina e é uma expressão da vontade de efetuar um propósito. Nesse sentido mais elevado e todo-abrangente da palavra, milagres são também segundo a lei – são fixos em sua ocorrência pelo eterno plano de Deus, e servem a fins definidos como seu meio de se comunicar com e educar espíritos finitos. Não são de forma alguma uma violação da ordem da natureza, mas apenas a ocasional e eternamente pré-calculada interpolação de um novo poder, a energia imediata da vontade divina, bem como o instrumento usado subservientemente para aquele governo moral mais elevado no interesse do qual os milagres são operados. E assim, a ordem da natureza e os milagres, em vez de se porem em conflitos, sãos os elementos intimamente correlacionados de um sistema compreensível.

Deus nos abençoe!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada, Editora Os Puritanos.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

“O CONTROLE PROVIDENCIAL DE DEUS”

 

“O CONTROLE PROVIDENCIAL DE DEUS”

Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito” (Jó 23.14).

“Ainda que, em relação à presciência e decreto de Deus, que é a causa primeira, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, todavia, pela providência, ele ordena que elas sucedam segundo a natureza das causas secundárias, necessária, livre e contingentemente” (CFW. cap V, seção II).

Ref. At 2.23; Gn 8.22; Jr 31.35; Êx 21.13; Dt 19.5; 1Rs 22.28,34; Is 10.6,7.

O controle providencial que Deus exerce sobre suas criaturas e sobre todas as ações delas é sempre infalivelmente eficaz (Jó 23.13; Sl 33.11; Lm 2.17).

A maneira pela qual Deus controla suas criaturas e as ações delas, e efetua seus propósitos através delas, é em cada caso perfeitamente consistente com a natureza da criatura e de seu método de ação. Esta verdade prova-se à luz do fato de que Deus executa diferentes partes do mesmo propósito eterno e autoconsistente, em suas obras de criação e providência. É na execução do mesmo plano imutável que Deus primeiro criou cada coisa, dotou-as com suas propriedades, determinou seu modo de ação e suas relações mútuas com todas as demais coisas, e subsequentemente continua a preservá-la na posse de suas propriedades e a guiá-la no exercício delas.

O mesmo fato é comprovado por nossa uniforme experiência e observação. Somos cônscios de agir livremente segundo a lei de nossa constituição, como agentes livres. Mesmo nos escritos dos profetas e apóstolos, que escreveram sob o controle de uma influência divina específica, tornando infalivelmente acurada mesmo a seleção das palavras, podemos evidentemente ver que o espontâneo exercício das faculdades dos escritores não era nem substituído nem coagido (2Pe 1.19-21).

Em perfeita consonância com isso, vemos por toda parte no mundo material, na vida de pessoas individualmente, bem como em toda a história humana, claras evidências de ajustamentos e combinações de elementos e agentes na ordem do instrumento para efetuar o propósito. É justamente a perfeição dos ajustamentos divinos, bem como os resultados gerais, que é determinada por sua intenção. Mesmo a alma humana, no exercício da livre agência, age segundo a lei de sua independência, incluindo a necessidade, mas não excluindo a infalibilidade. As fontes da ação livre estão dentro de sua própria alma. E no entanto, como essas são modificadas sem interferir na liberdade do agente pela influência de outras pessoas, certamente não podem pôr-se fora do controle da Infinita Inteligência que criou a mesma alma, e determinou todas as condições sob as quais seu caráter foi formado e suas atividades exercidas.

Deus nos abençoe!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada, Editora Os Puritanos.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.


sábado, 14 de janeiro de 2023

“O GOVERNO MORAL DE DEUS”


“O GOVERNO MORAL DE DEUS”

“Deus o desamparou, para prová-lo e fazê-lo conhecer tudo o que lhe estava no coração” (2Cr 32.31).

*Confissão de Fé de Westminster, Cap. V – Doutrina da Providência.

Seção V – O sapientíssimo, justíssimo e graciosíssimo Deus com frequência deixa, por algum tempo, seus próprios filhos à mercê de multiformes tentações e da corrupção de seus próprios corações, com o fim de castigá-los pelos seus pecados anteriores, ou levá-los a descobrirem a força oculta da corrupção e fraudulência de seus corações, a fim de serem humilhados, e a fim de reanimá-los para uma dependência mais íntima e constante do apoio dele e fazê-los mais vigilantes contra toda e qualquer ocasião futura de pecar, e para vários outros fins justos e santos.

Ref. 2Cr 32.25-26,31; 2Sm 24.1; 2Cr 12.7-9; Sl 73; Sl 77.1,10,12; Mc 14.66-72; Jo 21.15-17.

Seção VI – Quanto àqueles homens perversos e ímpios a quem Deus, como justo Juiz, cega e endurece em razão dos pecados anteriores, deles não só subtrai sua graça e pela qual poderiam ter sido iluminados em seus entendimentos e operado em seus corações, mas às vezes também elimina os dons que possuíam, e os expõe a objetos que, por sua corrupção, tornam ocasião de pecado; por outro lado, os entrega às suas próprias concupiscências e às tentações do mundo e ao poder de Satanás; e assim sucede que eles se endurecem, mesmo diante daqueles meios que Deus usa para o abrandamento dos outros.

Ref. Rm 1.24-25,28;11.7,8; Dt 29.4; Mt 13.12;25.29; Dt 2.30; 2Rs 8.12-13; Sl 81.11-12; 2Ts 2.10-12; Ex 7.3;8.15,32; 2Co 2.15,16; Is 8.14; 1Pe 2.7,8; Is 6.9,10; At 28.26,27.

Seção VII – Visto que a providência de Deus, em geral, se estende as todas as criaturas, assim, de uma maneira muito especial, ele cuida de sua Igreja e tudo dispõe para o bem dela.

Ref. 1Tm 4.10; Am 9.8-9; Rm 8.28; Is 43.3-5,14.

O governo moral de Deus sobre todos os homens, e especialmente seu governo sobre sua Igreja, inclui também, além de uma providência externa, ordenando as circunstâncias externas de indivíduos, uma providência espiritual interna, consistindo das influências de seu Espírito em seus corações. Como “graça comum”, essa influência espiritual se estende a todos os homens sem exceção, ainda que em vários graus de poder, restringindo a corrupção de sua natureza e impregnando seus corações e consciências com as verdades reveladas na luz da natureza ou da revelação; e ela é ou exercida ou judicialmente retida por Deus em seu soberano beneplácito. Como “eficaz” e “graça salvífica”, essa influência espiritual se estende só aos eleitos, e é exercida sobre eles em termos e em graus tais como Deus determinou desde o princípio.

Por essa razão, no caminho da disciplina, para seu próprio bem, visando a mortificar seus pecados e a corroborar suas graças, Deus com frequência sábia e graciosamente, ainda que não finalmente, por certo tempo e em certo grau, retém suas influências espirituais de seus próprios filhos, e “os entrega a multiformes tentações e corrupções de seus próprios corações”.

Por essa razão também Deus às vezes, como justo castigo a seus pecados, judicialmente remove os freios de seu Espírito e, consequentemente, todos os dons superficiais que sua presença tenha porventura conferido, dos homens ímpios, e assim os deixa entregues à influência de tentações, ao irrestrito controle de suas concupiscências e ao poder de Satanás. E por essa razão sucede que as verdades do evangelho e as ordenanças da Igreja, que são um aroma de vida para aqueles que são graciosamente abençoados, se tornam aroma de morte e de crescente condenação para aqueles que, por seus pecados, foram entregues a si próprios.

Deus nos abençoe!

A.A.Hodge (1823-1886).

* Confissão de Fé de Westminster Comentada, Editora Os Puritanos

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

“O RESPLENDOR DA GLÓRIA”

“O RESPLENDOR DA GLÓRIA”

“Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3).

Essa expressão, “o resplendor da glória”, tem referência em parte à natureza divina de Cristo, e em parte ao seu revestir-se de nossa carne. O que é descrito como “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” pertence propriamente dito à sua divindade; o restante tem referência à sua natureza humana. Tudo, porém, se acha registrado com o fim de proclamar a dignidade de Cristo. Justamente por isso, o Filho é denominado “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser”. Ambos os termos pertencem à linguagem comum. Em questões tão imensas e tão profundas nada se pode dizer senão por meio de analogia extraída das coisas pertencentes à esfera do concreto. Também não há necessidade de discutirmos com demasiada sutileza como o Filho que é de uma mesma essência com o Pai, é a glória fulgurante de seu esplendor. Devemos admitir que há certa medida de impropriedade no que é extraído das coisas terrenas e aplicado à majestade oculta de Deus. Ao mesmo tempo, as coisas que são perceptíveis pelos nossos sentidos são apropriadamente aplicadas a Deus, para que possamos discernir o que deve ser encontrado em Cristo e quais os benefícios que isso nos traz. Deve-se também observar que esse não é um ensino de fúteis especulações, e, sim, a exposição de uma inabalável doutrina de fé. Devemos, portanto, aplicar esses títulos de Cristo para o nosso próprio benefício, visto que tem relação direta conosco. Quando você ouve que o Filho é a glória da glória do Pai, tenha em mente que a glória do Pai lhe é invisível até que ela resplandeça em Cristo. E essa é a razão por que ele é chamado a própria imagem da substância divina, porque a majestade do Pai é oculta, até que ela se revele como uma expressão da própria imagem divina. Perceba que a intenção do apóstolo em seu argumento não era descrever a semelhança do Pai com o Filho dentro da Deidade, mas sim, edificar de maneira frutífera nossa fé, a fim de sabermos que Deus não nos é revelado de outra maneira senão em Cristo. O fulgor da substância de Deus é tão forte que fere nossos olhos, até que ela se projete na Pessoa de Cristo. Segue-se disso que somos cegos para a luz de Deus, a menos que ela nos ilumine em Cristo. Eis aqui, deveras, algo muito sutil, para que nos apercebamos da excelência de Cristo por meio de um genuíno senso de fé e por meio de nossa experiência pessoal. Devemos ter similar entendimento dessa imagem: Deus, em si e por si mesmo, nos será incompreensível, até que sua forma nos seja revelada no Filho.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

“A QUEM CONSTITUIU HERDEIRO”


A QUEM CONSTITUIU HERDEIRO

“Nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1.2).

O autor da Epístola aos Hebreus glorifica a Cristo com esse sublime enaltecimento incitando-nos a reverenciá-lo, pois assim como o Pai fez todas as coisas sujeitas a Cristo, nós, igualmente, pertencemos ao seu reino. Ele declara igualmente que nenhum bem pode ser encontrado fora de Cristo, visto ser ele o herdeiro de todas as coisas. Por essa razão, segue-se que somos os mais miseráveis e destituídos de todas as boas coisas, a menos que ele nos socorra com suas riquezas. Demais, ele acrescenta que essa honra, ou seja, exercer autoridade sobre todas as coisas, pertence por direito ao Filho de Deus, porquanto todas as coisas foram feitas por ele, embora essas duas prerrogativas sejam atribuídas a Cristo por razões distintas. O mundo foi criado por ele na qualidade de sabedoria eterna de Deus, a qual assumiu a diretriz de todas as suas obras desde o princípio. Essa é a prova da eternidade de Cristo, naturalmente que ele teria que existir antes que o mundo fosse por ele criado. Mas se a questão for sobre a extensão de tempo, então nenhum princípio será encontrado. Tampouco se detrai algo de seu poder, ao afirmar-se que o mundo foi criado por ele, ainda que não o tenha criado por iniciativa própria. É uma forma usual de se expressar quando se afirma que o Pai é o Criador. O que se acresce em algumas passagens – pela Sabedoria (Pv 8.27), ou pelo Verbo (Jo 1.3), ou pelo Filho (Cl 1.16) – possui a mesma força se se disser que a própria Sabedoria foi nomeada como Criadora. Deve-se notar que existe aqui uma distinção de pessoas, entre o Pai e o Filho, não só com referência aos homens, mas também com referência ao próprio Deus. A unidade de essência requer que, o que é próprio da essência de Deus, pertence tanto ao Filho quanto ao Pai. E assim, tudo quanto pertence exclusivamente a Deus, é comum a ambos. Tal fato não impede que cada um possua as propriedades de sua própria pessoa. O título “herdeiro”, é atribuído a Cristo em sua manifestação na carne. Pois, ao fazer-se homem e revestir-se de nossa própria natureza, ele recebeu para si essa herança a fim de restaurar para nós o que fora perdido em Adão. No princípio Deus estabeleceu o homem como seu filho, para ser ele o herdeiro de todas as coisas; mas o primeiro homem, por meio de seu pecado, alienou-se de Deus, tanto ele próprio como também sua posteridade, e privou a todos tanto da bênção divina quanto de todas as demais coisas. Só começaremos a desfrutar as coisas de Deus, por direito, quando Cristo, que é o herdeiro de todas as coisas, nos admitir em sua comunhão.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

"GOEDE VRIJDAG VIERING"

"Goede Vrijdag Viering" - Celebração da Sexta-feira Santa.



Deus nos abençoe!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022