"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

“FOI TRANSFIGURADO DIANTE DELES”


“FOI TRANSFIGURADO DIANTE DELES”

"Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz" (Mt 17.1,2).

Estes versículos narram um dos mais notáveis acontecimentos ocorridos durante o ministério terreno de nosso Senhor Jesus - aquele comumente chamado de “a transfiguração”. A ordem em que esse incidente ficou registrado é bela e instrutiva. A última porção do capítulo anterior mostra-nos a cruz, que já surge no horizonte. Aqui, porém, somos graciosamente brindados com a visão de algo sobre a nossa recompensa vindoura. Os corações dos discípulos, que há pouco tempo haviam sido profundamente entristecidos diante da clara afirmação feita por Cristo, acerca dos seus sofrimentos, logo em seguida foram alegrados pela visão da glória de Jesus Cristo. Devemos salientar esse ponto. Nós perdemos muito, quando ignoramos a conexão existente entre um capítulo e outro da Palavra de Deus.

Sem dúvida alguma, existem mistérios dentro da visão aqui descrita. Porém, é forçoso que assim aconteça. Afinal, ainda estamos no corpo físico. Os nossos sentidos estão voltados para as coisas materiais deste mundo. As nossas ideias e a nossa percepção sobre corpos glorificados e sobre santos mortos, são necessariamente, vagas e imprecisas. Por conseguinte, contentemo-nos em assimilar as lições práticas que a transfiguração de Jesus tenciona ensinar-nos.

Notamos uma notável demonstração da glória com que Cristo e o seu povo aparecerão, quando Ele vier pela segunda vez. Não se pode tolerar qualquer dúvida de que esse foi um dos principais objetivos dessa admirável visão. O propósito da mesma era encorajar aos discípulos, conferindo-lhes um vislumbre das coisas boas que ainda teriam lugar. Aquele rosto que “resplandecia como o sol”, e aquelas vestes que se tornaram “brancas como a luz” tiveram a finalidade de proporcionar aos discípulos alguma ideia da majestade com que o Senhor Jesus aparecerá neste mundo quando vier, pela segunda vez, juntamente com todos os seus santos. Por assim dizer, um pouco do véu foi erguido, a fim de mostrar aos discípulos a verdadeira dignidade do seu Senhor e Mestre. Foi dessa maneira que eles puderam entender que se Jesus não havia aparecido neste mundo com a figura majestosa de um monarca, isso era devido tão-somente ao fato que o tempo dEle vestir seus trajes reais ainda hão havia chegado. É impossível a gente extrair qualquer outra conclusão, se levarmos em conta a linguagem empregada pelo apóstolo Pedro, quando escreveu sobre o assunto. Referindo-se claramente à transfiguração, escreveu: “... nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2Pe 1.16).

Para nós convém que a vindoura glória de Cristo e do seu povo seja profundamente impressa sobre as nossas mentes. Inclinando-nos, mui tristemente, por esquecer-nos disso. Há poucas indicações visíveis dessa glória, no mundo presente. Porquanto ainda não vemos que todas as coisas estão posta sob os pés de nosso Senhor. Por toda a parte abundam o pecado, a incredulidade e a superstição. Na prática, milhares estão dizendo: “Não queremos que este [Jesus] reine sobre nós” (Lc 19.14). E também ainda não se manifestou como se tornarão as pessoas que fazem parte do povo de Cristo. Suas cruzes, suas tribulações, suas debilidades e seus conflitos, tudo isso nos é perfeitamente evidente. Entretanto, há mui escassos sinais da futura recompensa deles. Cuidemos, portanto, em não permitir que nos surjam dúvidas quanto a essa particularidade. Silenciemos essas dúvidas, em nossos corações, lendo outra vez o relato da transfiguração de Jesus Cristo (Mt 17.1-13; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Para Jesus e para todos quantos nEle confiam está reservada a glória tão intensa como o coração humano não é capaz de conceber. E não somente essa glória nos foi prometida, como também conta com o testemunho de três competentes testemunhas. Uma dessas testemunhas deixou registrado por escrito: “... e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). Por certo, bem podemos acreditar naquilo que foi visto por elas.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

“É JUSTO QUE EU ASSIM PENSE DE TODOS VÓS”


“É JUSTO QUE EU ASSIM PENSE DE TODOS VÓS”

“Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo” (Fp 1.7).

Seremos avaliadores invejosos dos dons de Deus se não considerarmos como seus filhos aqueles em quem resplandecem as marcas legítimas da piedade, que são as marcas pelas quais o Espírito de adoção se manifesta. Consequentemente, o apóstolo Paulo diz que a própria equidade lhe impõe que nutra boa esperança dos filipenses em todo o tempo por vir, visto que os vê associados consigo na participação da graça, declarando que opinião tem dos irmãos, a qual era a base de sua boa esperança depositada neles. Paulo, pois, diz que são participantes com ele da mesma graça, em seus afetos e na defesa do evangelho.

Tê-los em seu coração é reconhecê-los como tais na mais íntima afeição de seu coração. Pois os filipenses o haviam assistido sempre segundo sua habilidade, de modo a se conectarem com ele como associados para a manutenção da causa do evangelho, até onde estava em seu poder. Assim, embora estivesse fisicamente ausente, contudo, em razão da santa disposição que demonstravam por todo serviço em seu poder, Paulo os reconhece como mantendo laços estreitos com ele. “Eu vos tenho, portanto, em meu coração”; isto é, sinceramente e sem qualquer pretensão, com toda certeza e não mediante opinião leviana ou duvidosa - como assim? como participantes da graça - de que maneira? em meus afetos, pelos quais o evangelho é defendido. Já que ele os reconhecia como tais, era razoável que ele nutrisse boas esperanças sobre eles.

Participantes da graça e algemas. Seria algo absurdo aos olhos do mundo ter a prisão como sendo um benefício de Deus; mas, se avaliarmos a questão mais detidamente, não é uma honra comum a que Deus nos confere quando sofremos perseguição em decorrência de sua verdade. Pois não foi em vão o que está escrito: “Bem-aventurados sereis vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa” [Mt 5.11]. Portanto, que almejemos abraçar com prontidão e entusiasmo a comunhão da cruz de Cristo como sendo um favor especial de Deus. Além disso, às prisões ele anexa a defesa e confirmação do evangelho, para expressar ainda mais a honradez do serviço que Deus nos impõe, nos colocando em oposição a seus inimigos, a fim de darmos testemunho de seu evangelho. Pois é como se nos tivesse confiado a defesa de seu evangelho. Visto que somente quando ele os armou com esta consideração foi que os mártires se viram preparados a desdenhar toda a fúria dos ímpios e colocarem-se superiores a todo gênero de tortura. E que isto esteja na mente de todos quantos tenham sido chamados a fazer uma confissão de sua fé, que tenham sido chamados por Cristo para que sejam como que advogados a pleitearem sua causa! Pois se vendo sustentados por tal consolação seriam mais corajosos do que ser por demais fácil revidar com uma traiçoeira revolta.

Não obstante, aqui alguém poderia inquirir se a confirmação do evangelho depende da prontidão dos homens. Respondo que a verdade de Deus é em si mesma sólida demais para que dependa do apoio advindo de algum outro recanto; pois ainda que todos nós possamos ser encontrados mentirosos, não obstante Deus permanecerá verdadeiro [Rm 3.4]. Entretanto, não é absurdo dizer que as consciências fracas são confirmadas nele por tais auxílios. Portanto, aquele tipo de confirmação de que Paulo faz menção tem certa relação com os homens, como aprendemos de nossa experiência pessoal que a morte de tantos mártires era assistida pelo menos com esta vantagem: que ela era, por assim dizer, selos pelos quais o evangelho tem sido selado em nossos corações. Daí aquele dito de Tertuliano, que “o sangue dos mártires é a sementeira da Igreja” - o que tenho imitado em certo poema: “Mas aquele sacro sangue, mantenedor da honra de Deus, será como uma semente a produzir progênie”.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

“SE ALGUÉM NÃO AMA O SENHOR JESUS”


“SE ALGUÉM NÃO AMA O SENHOR JESUS”

“Se alguém não ama o Senhor Jesus; seja anátema. Maranata!” (1Co 16.22).

A conclusão da Epístola consiste de três partes. O apóstolo Paulo ora para que os coríntios possuíssem a graça de Cristo. Ele declara o amor que pessoalmente nutre por eles. E se vale da mais severa das ameaças numa arremetida contra aqueles que fazem uma falsa confissão do nome de Cristo, quando não o amavam de coração. Pois Paulo não está a referir-se a estranhos, os quais não ocultavam seu desdém pelo nome “cristão”, mas a enganadores e hipócritas que vinham causando desordem nas igrejas, enquanto todos se preocupavam com o seu próprio lucro material e eram aptos na apresentação de exibições fúteis. Ele pronuncia uma maldição de excomunhão sobre tais pessoas, como também invoca desgraças futuras sobre elas. Porém, não é evidente se ele deseja que sejam destruídas na presença de Deus, ou almeje que sejam detestáveis; quanto a mim, entendo que tais pessoas se faziam malditas aos olhos dos crentes. Por exemplo, em Gálatas 1.8, quando afirma que aquele que pregasse uma deturpação do evangelho fosse amaldiçoado, ele não que dizer que fosse rejeitado e condenado por Deus, mas que se tornasse detestável aos nossos olhos. Permita-se-me que eu ponha numa forma mais simples: “Que sejam eles desarraigados e pereçam, pois são uma peste na Igreja”. E de fato não há nada mais pernicioso do que esse gênero de pessoas que tiram proveito da profissão religiosa em busca de seus próprios interesses corruptos. Certamente que Paulo põe o dedo na própria fonte deste mal, ao afirmar que não amam a Cristo, porquanto um genuíno e ardente amor por Cristo nos impedirá sempre de causar alguma ofensa aos nossos irmãos.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 2 de fevereiro de 2025

“ESTEJAM VIGILANTES”


“ESTEJAM VIGILANTES”

*Dia do Homem Presbiteriano.

"Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes. Façam tudo com amor" (1Co 16.13,14).

Esta é uma exortação bastante breve, porém muito importante. O apóstolo Paulo os convoca à vigilância para que Satanás não os colha de surpresa quando porventura baixarem a guarda. Porque, assim como a guerra que prossegue sem armistício, também a vigilância deve ser mantida sem interrupção. Mas vivemos mentalmente alertas quando não somos embaraçados pelas preocupações terrenas, e nos vemos livres para meditarmos nas coisas de Deus. Pois como o corpo é prostrado pelas dissipações e pela embriaguez, e se torna totalmente impotente, assim os cuidados e paixões do mundo, a indolência ou indiferença, são como privação espiritual que subjuga a mente.

A segunda chamada de atenção consiste em que deviam prosseguir com uma fé imperturbável, ou que conservassem a fé para que eles mesmos permanecessem firmes, visto que ela é o fundamento sobre o qual repousamos. Mas Paulo está claramente a realçar o caminho pelo qual deviam percorrer firmemente, ou seja, descansando em Deus com uma fé inabalável.

Em terceiro lugar, visto que somos fracos por natureza, ele insta com eles a se fortalecerem ou a obterem força. Pois onde traduzimos “sejam fortes”, Paulo usa apenas uma palavra, que é equivalente em significado a “fortalecei-vos”.

Façam tudo com amor. Novamente Paulo repete a regra que deve governar todo o nosso comportamento na relação uns com os outros. Assim, seu desejo é que o amor esteja no controle, visto que o maior erro dos coríntios era que cada um se preocupava com seus próprios negócios, negligenciando os de outrem.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Agradecemos a sua oferta (Pix 08362076291).

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Hier Is Rust (LIVE) - Sela

Hier Is Rust - “Aqui está a Paz”


Deus nos abençoe!

sábado, 1 de fevereiro de 2025

“NEM ME RETIRES O TEU SANTO ESPÍRITO”


“NEM ME RETIRES O TEU SANTO ESPÍRITO”

“Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito” (Sl 51.11).

Vemos aqui, Davi apresentando a mesma petição anterior, em linguagem que implica a conexão de perdão com o desfruto da orientação do Espírito Santo. Se Deus nos reconcilia consigo gratuitamente, segue-se que ele nos guiará pelo Espírito de adoção. Somente na forma como ele nos ama e nos considerou no número de seus próprios filhos é que pode nos abençoar com a participação de seu Espírito; e Davi mostra que estava consciente desse fato quando ora pela continuação da graça da adoção como indispensável à posse contínua do Espírito. As palavras deste versículo implicam que o Espírito não havia se retirado dele completamente, por mais que seus dons houvessem sido temporariamente obscurecido. Aliás, é evidente que ele não podia ser totalmente privado de suas excelências anteriores, pois parece que ele se desincumbira de seus deveres como um rei que desfrutava de crédito, que havia observado conscientemente as ordenanças da religião e que havia regulado sua conduta conforme a divina lei. Até certo ponto, ele caíra em profunda e terrível letargia, mas não “se entregou a uma mentalidade réproba”; e é dificilmente concebível que a repreensão de Natã, o profeta, tivesse operado tão fácil e subitamente seu despertamento, não estivesse nos recessos de sua alma alguma fagulha latente de piedade. É verdade que ele ora para que seu espírito fosse renovado, mas isso não deve ser entendido com limitação. A verdade sobre a qual ora estamos insistindo é tão importante que muitos eruditos têm inconsistentemente defendido a opinião de que os eleitos, ao caírem em pecado grave, perdem o Espírito completamente e ficam alienados de Deus. O oposto é claramente afirmado por Pedro, o qual nos diz que a palavra por meio da qual renascemos é uma semente incorruptível [1Pe 1.23]; e João é igualmente explícito em nos informar que os eleitos são preservados de apostasia consumada [1Jo 3.9]. Por mais que por algum tempo pareçam excluídos por Deus, mais tarde se vê que a graça esteve viva em seu peito, mesmo durante aquele intervalo durante o qual ela parecia extinta. Tampouco há algum valor na objeção de que Davi fala como se temesse ser privado do Espírito. E natural que os santos, ao caírem em pecado e, portanto, ao praticarem aquilo que poderia levá-los a serem excluído da graça de Deus, se sintam ansiosos quanto a esse estado [de alma]; mas é seu dever manter firme a verdade de que a graça é a incorruptível semente divina, a qual jamais perecerá em qualquer coração onde previamente foi depositada. Esse é o espírito exibido por Davi. Ponderando sobre sua ofensa, ele é agitado com temores e, contudo, repousa na certeza de que, sendo um filho de Deus, não seria finalmente privado daquilo que, de fato e com justiça, perdera.

João Calvino (1509-1564).

Deus nos abençoe!

* Confissão de Fé de Westminster - XVII - DA PERSEVERANÇA DOS SANTOS

I. Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos.

Ref. Fl 1:6; Jo 10: 28-29; 1Pe 1:5,9.

III. Eles, porém, pelas tentações de Satanás e do mundo, pela força da corrupção neles restante e pela negligência dos meios de preservação, podem cair em graves pecados e por algum tempo continuar neles; incorrem assim no desagrado de Deus, entristecem o seu Santo Espírito e de algum modo vêm a ser privados das suas graças e confortos; têm os seus corações endurecidos e as suas consciências feridas; prejudicam e escandalizam os outros e atraem sobre si juízos temporais.

Ref. Sl 51:14; Mt. 26:70-74; 2Sm 12:9,13; Is 64:7, 9; 2Sm 11:27; Ef 6:30; Sl 51:8,10,12; Ap 2:4; Is 63:17; Mc 6:52; Sl 32:3-4; 2Sm 12:14; Sl. 89:31-32; 1Co 11:32.

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

“PARTÍCIPE DE TODAS AS BOAS COISAS”


“PARTÍCIPE DE TODAS AS BOAS COISAS”

“E o que é instruído na palavra faça partícipe de todas as boas coisas o que o instrui” (Gl 6.6).

Parece provável que os mestres e ministros eram, naquele tempo, negligenciados. Tal coisa refletia na mais vil ingratidão. É algo desditoso defraudar dos meios de sobrevivência àqueles por cuja instrumentalidade nossas almas são alimentadas, recusar uma recompensa terrena àqueles de quem recebemos bênçãos celestiais. Mas é e tem sido sempre a natureza do mundo encher o estômago dos ministros de Satanás, e com relutância e aversão suprir os piedosos pastores com sua indispensável porção. Embora não devamos ser demasiadamente queixosos ou demasiadamente persistentes em favor de nossos direitos, Paulo dirigiu aos gálatas sua exortação, para que fossem diligentes no exercício desse dever. Ele estava mais que disposto a agir assim, porque não tinha qualquer interesse pessoal no assunto, senão que levava em consideração o bem-estar comum da Igreja, sem levar em conta seu próprio benefício. Ele via que os ministros da Palavra eram negligenciados, porquanto a própria Palavra era desprezada. Porque não se pode negar que, se a Palavra for respeitada, seus ministros serão sempre tratados bondosa e honradamente. É um artifício de Satanás defraudar os ministros piedosos de seu sustento, de modo que a Igreja fique privada dos ministros desse gênero. Um solícito desejo de preservar o ministério levou Paulo a recomendar o sustento dos bons e fieis pastores.

De todas as boas coisas. O apóstolo Paulo não quer que tenham uma imoderada e supérflua abundância, mas simplesmente que não lhes falte o suficiente para o sustento necessário da vida. Os ministros devem viver contentes com uma mesa frugal, e devem evitar o perigo do regalo e da ostentação. Portanto, até onde suas necessidades o requeiram, que os crentes considerem toda a sua propriedade como à disposição dos piedosos e santos mestres. Que compensação farão eles para o inestimável tesouro de vida eterna que recebem de sua doutrinação?

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 26 de janeiro de 2025

“AS EMOÇÕES DIFERENTES”


“AS EMOÇÕES DIFERENTES”

"Vós, que amais ao SENHOR, detestai o mal!" (Sl 97:10).

As Escrituras colocam a verdadeira religião principalmente em nossas emoções - no medo, esperança, amor, ódio, desejo, alegria, tristeza, gratidão, compaixão e zelo. Consideremo-las por um momento.

Medo - As Escrituras fazem do temor a Deus a parte mais importante da verdadeira religião. Uma designação muitas vezes dada aos crentes pelas Escrituras é "tementes a Deus", ou aqueles "que temem ao Senhor." É por isso que a verdadeira piedade é comumente chamada "o temor a Deus".

EsperançaEsperança em Deus e em Suas promessas é, de acordo com as Escrituras, uma parte importante da verdadeira religião. O apóstolo Paulo menciona esperança como uma das três grandes coisas que formam a verdadeira religião (1Co 13:13). Esperança é o capacete do soldado cristão. "E tomando como capacete, a esperança da salvação" (1Ts 5:8). É âncora da alma: "da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segura e firme" (Hb 6:19). Às vezes o temor a Deus e a esperança são unidos como indicadores do caráter do verdadeiro crente: "Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia" (Sl 33:18).

Amor - As Escrituras colocam a verdadeira religião exatamente na emoção do amor: amor por Deus, por Jesus Cristo, pelo povo de Deus, e pela humanidade. Os versículos que nos ensinam isto são inúmeros, e vou tratar do assunto no próximo capítulo. Deveríamos observar, entretanto, que as Escrituras falam da emoção contrária, o ódio - o ódio pelo pecado – como uma parte importante da verdadeira religião. "O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal" (Pv 8:13). Consequentemente, as Escrituras chamam os crentes a provarem sua sinceridade do seguinte modo: "Vós, que amais ao SENHOR, detestai o mal!" (Sl 97:10).

DesejoAs Escrituras mencionam muitas vezes o desejo santo, expresso em anseio, fome e sede de Deus e de santidade, como uma parte importante da verdadeira religião. "No teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma" (Is 26:8). "A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, numa terra árida, exausta, sem água" (Sl 63:1). "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mt 5:6).

Alegria - As Escrituras falam da alegria como uma grande parte da verdadeira religião. "Alegrai-vos no SENHOR, ó justos" (Sl 97:12). "Alegrai-vos sempre no SENHOR; outra vez digo, alegrai-vos" (Fp 4:4). "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria," etc. (Gl 5:22).

Pesar - Pesar espiritual, contrição e coração quebrantado são uma grande parte da verdadeira religião, de acordo com as Escrituras. "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" (Mt 5:4)."Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus" (Sl 51:17). "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos" (Is 57:15).

Gratidão - Outra emoção espiritual sempre mencionada nas Escrituras é gratidão, especialmente como expressa no louvor a Deus. Aparece tantas vezes, principalmente nos Salmos, que não preciso mencionar textos particulares.

Misericórdia - As Escrituras frequentemente falam da compaixão ou misericórdia como essencial na verdadeira religião. Jesus ensinou que a misericórdia é uma das exigências mais importantes da lei de Deus: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5:7). "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé" (Mt 23:23). Paulo enfatiza esta virtude tanto quanto Jesus o fez: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia" (Cl 3:12).

Zelo - As Escrituras dizem que o zelo espiritual é uma parte essencial da verdadeira religião. Cristo tinha a realização dessa qualidade em mente quando morreu por nós: "O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tt 2:14).

Mencionei somente alguns textos, de um número enorme, que colocam a verdadeira religião exatamente em nossas emoções. Se alguém quiser contestar isto, deve jogar fora a Bíblia e encontrar outro padrão pelo qual julgue a natureza da verdadeira religião.

Deus nos abençoe!

Jonathan Edwards (1703-1758).

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

“EMOÇÕES NO CÉU”


“EMOÇÕES NO CÉU”

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles" (Ap 21.1-3).

Sem dúvida, no céu há religião verdadeira. No céu a religião é absolutamente pura e perfeita. De acordo com os quadros que as Escrituras nos dão do céu, a religião lá consiste principalmente em amor e alegria, expressos nos louvores mais fervorosos e exaltados. Ora, a religião dos santos no céu é a religião dos santos na terra, tornada perfeita. Aqui a graça é o amanhecer da glória futura. Textos como 1Coríntios capítulo 13, provam isso. Assim, se a religião do céu é uma religião de emoção, toda a religião verdadeira deve ser de emoção.

O modo de aprender a natureza verdadeira de qualquer coisa é ir até onde se encontra essa coisa em sua forma pura. Devemos, portanto, levantar nossas mentes até ao céu para sabermos como é a verdadeira religião. Isto ocorre porque todos os que são verdadeiramente espirituais não são deste mundo; são forasteiros aqui, pertencem ao céu. Nasceram do alto e o céu é sua pátria nativa; a natureza que recebem em seu nascimento celeste também é celeste. A vida da verdadeira religião no coração do verdadeiro crente é uma semente da religião do céu, e Deus nos prepara para o céu, conformando-nos a ele. Assim, se a religião do céu é de emoção, nossa religião na terra também deve ser semelhante. 

“Terra santa, formosa e pura,
Salvo por Jesus eu entrarei em ti;
Felicidade, paz e ventura,
Perfeitamente, desfrutarei ali”.

Novo Cântico: Hino 193 - Aspiração no Céu. (M.S.B Dana - J.G.Rocha)

  Deus nos abençoe!

Jonathan Edwards (1703-1758).

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“AMOR POR CRISTO E ALEGRIA EM CRISTO”


“AMOR POR CRISTO E ALEGRIA EM CRISTO”

"Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória" (1Pedro 1.6-8).

O apóstolo Pedro diz, sobre a relação entre cristãos e Cristo: "a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória" (1Ped. 1:8). Como os versículos anteriores deixam claro, os crentes a quem Pedro escreveu sofriam perseguição. Aqui, ele observa como seu cristianismo os afetou durante essas perseguições. Ele menciona dois sinais claros da autenticidade de seu cristianismo.

(i) - Amor por Cristo. "A quem, não havendo visto, amais." Os que não eram cristãos maravilhavam-se da prontidão dos cristãos em se expor a tais sofrimentos, renunciando às alegrias e confortos deste mundo. Para seus vizinhos incrédulos, estes cristãos pareciam loucos; pareciam agir como se detestassem a si mesmos. Os incrédulos não viam nenhuma fonte de inspiração para tal sofrimento. De fato, os cristãos não viam coisa alguma com seus olhos físicos. Amavam alguém a quem não podiam ver! Amavam a Jesus Cristo, pois viam-nO espiritualmente, mesmo sem poder vê-lO fisicamente.

(ii) - Alegria em Cristo. Embora seu sofrimento exterior fosse terrível, suas alegrias espirituais internas eram maiores que seus sofrimentos. Essas alegrias os fortaleciam, possibilitando que sofressem alegremente.

Pedro nota duas coisas sobre essa alegria. Primeiro, ele nos fala da origem dela. Ela resultou da fé. "Não vendo agora, mas crendo, exultais."

Segundo, ele descreve a natureza dessa alegria: "alegria indizível e cheia de glória." Era alegria indizível, por ser tão diferente das alegrias do mundo. Era pura e celeste; não havia palavras para descrever sua excelência e doçura. Era também inexprimível quanto à sua extensão, pois Deus havia derramado tão livremente essa alegria sobre Seu povo sofredor. Depois, Pedro descreve essa alegria como sendo "cheia de glória". Essa alegria enchia as mentes dos cristãos, ao que parecia, com um brilho glorioso. Não corrompia a mente, como fazem muitas alegrias mundanas; pelo contrário, deu-lhe glória e dignidade. Os cristãos sofredores partilhavam das alegrias celestes. Essa alegria enchia suas mentes com a luz da glória de Deus, fazendo-os brilhar com aquela glória. A doutrina que Pedro nos está ensinando é a seguinte: A religião verdadeira consiste principalmente em emoções santas. Pedro destaca as emoções espirituais de amor e alegria quando descreve a experiência desses cristãos. Lembre-se que ele está falando sobre fiéis que estavam sendo perseguidos. Seu sofrimento purificava sua fé, resultando em que "redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (1Pe 1:7). Estavam, assim, em condição espiritualmente saudável, e Pedro ressalta seu amor e alegria como evidência de sua saúde espiritual.

Deus nos abençoe!

Jonathan Edwards (1703-1758).

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