"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 5 de junho de 2026

“O INFERIOR É ABENÇOADO PELO SUPERIOR”


“O INFERIOR É ABENÇOADO PELO SUPERIOR”

“Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior” (Hb 7:7).

Antes de tudo, é preciso perguntar, aqui, o que o termo abençoar significa. Abençoar é um ato solene de invocação, mediante o qual aquele que se acha investido de alguma honra, eminente e pública, apresenta a Deus indivíduos específicos que se encontram sob seu cuidado. Há outra maneira de abençoar, a qual sucede quando oramos sucessivamente uns pelos outros. Essa é uma prática comum entre todas as pessoas piedosas. O abençoar de que o apóstolo fala é símbolo de um poder maior. Dessa forma Isaque abençoa a seu filho Jacó [Gn 27.27], e o próprio Jacó abençoou a seus netos, Efraim e Manassés [Gn 48.15]. Esse abençoar não podia ser feito mutuamente, fazendo o filho igual ao pai, porquanto fazia-se necessário uma autoridade mais elevada para validar a bênção. Além do mais, uma evidência para tal fato pode-se encontrar no capítulo 6.23 de Números, onde, após os sacerdotes receberem a ordem de abençoar o povo, uma promessa é imediatamente adicionada, a saber: aqueles sobre quem ministrassem sua bênção seriam abençoados. A bênção sacerdotal, repito, dependia do seguinte princípio: ela provinha não propriamente do homem, e sim, de Deus. Assim como o sacerdote, ao oferecer sacrifícios, assumia o lugar de Cristo, assim também, ao abençoar o povo, outra coisa não era ele senão servo representante do Deus Altíssimo. Devemos tomar nesse mesmo sentido quando Lucas registra [Lc 24.50] que Cristo estendeu as mãos e abençoou os apóstolos. Indubitavelmente, o rito de estender as mãos ele tomou por empréstimo dos sacerdotes, com o fim de mostrar que ele é aquele por meio de quem Deus o Pai nos abençoa. Encontramos nos Salmos 116.17 e 118.1 uma menção dessa bênção.

Apliquemos agora essa ideia à discussão do apóstolo. Visto que a bênção sacerdotal é uma obra divina, ao mesmo tempo ela é evidência de uma honra mais elevada. Portanto ao abençoar a Abraão, Melquisedeque arrogou para si mesmo um status mais eminente. Ele não fez isso presunçosamente, senão que o fez em consonância com os direitos sacerdotais. Ele, portanto, e mais eminente que Abraão. Não obstante, Abraão é aquele com quem aprove Deus consolidar um pacto de salvação. No entanto, apesar de haver excedido a todos os demais, em eminência, ele só foi suplantado por Melquisedeque.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

Nenhum comentário:

Postar um comentário