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sexta-feira, 19 de junho de 2026

“SEM MISERICÓRDIA MORRE”


“SEM MISERICÓRDIA MORRE”

“Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés” (Hb 10:28).

Quem tiver rejeitado a lei de Moisés. Este é um argumento do menor para o maior. Porque, se violar a lei de Moisés era ofensa capital, como não há de merecer um castigo mais severo aquele que rejeitar o evangelho, sendo que semelhante ato de profanação envolve perversidade tão nefanda? Essa forma de argumentar era muito eficaz para demover os judeus. Porque esse castigo tão severo aplicado aos apóstatas sob o regime da lei não era novo para eles, nem poderia parecer-lhes injusto. É possível que tenham reconhecido como uma punição justa, ainda que severa, por meio da qual Deus, hoje, sanciona a majestade de seu evangelho.

Isso confirma o que me referi anteriormente, ou seja: que o apóstolo não está argumentando sobre pecados específicos, e, sim, sobre uma negação geral de Cristo. A lei não punia com a morte qualquer tipo de transgressão, senão somente a apostasia, quando alguém se afastava irrevogavelmente de sua religião. O apóstolo fez referência à passagem de Deuteronômio 17.2-5, a qual declara que, se alguém transgredir o pacto de seu Deus para servir a outros deuses, então deveria ser levado para fora do portão e apedrejado até à morte.

Ainda que a lei fora promulgada por Deus, e Moisés não fosse seu autor, mas seu ministro, o apóstolo a denomina de lei de Moisés, visto que ela fora entregue por ele. E isso foi dito com o fim de elevar ainda mais a sublimidade do evangelho, o qual nos foi comunicado pelo próprio Filho de Deus.

Pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Essa cláusula não é relevante para a presente passagem, mas é parte da constituição civil de Moisés, visto que duas ou três testemunhas eram requeridas para provar a culpabilidade de um acusado. Contudo, daqui podemos deduzir o gênero de crime que o apóstolo queria enfatizar, pois se esse acréscimo não fosse feito, haveria deixado margem para muitas e falsas conjecturas. Agora, porém, fica provado de maneira indubitável que se tratava de apostasia. Ao mesmo tempo, devemos ter em mente o sentido de justiça que quase todos os estadistas têm observado, ou seja: que ninguém seja condenado sem que sua culpabilidade seja provada pelo testemunho de duas ou três testemunhas.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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