“APÓSTATAS - É IMPOSSÍVEL OUTRA VEZ RENOVÁ-LOS PARA ARREPENDIMENTO” - Parte 3
“É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e
provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e
provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é
impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão
crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia” (Hb
6:4-6).
Sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento. Ainda que isso pareça duro, não há
razão para acusar-se a Deus de crueldade quando alguém sofre de tal penalidade
unicamente em virtude de sua rebelião. Esse fato não é inconsistente com outras
passagens bíblicas, onde a misericórdia de Deus é oferecida aos pecadores tão
logo suspirem por ela [Ez 18.27]. Nelas requer-se aquele arrependimento pelo
qual aquele que uma vez apostata completamente do evangelho jamais é realmente
atingido. Tais pessoas são merecidamente privadas do Espírito de Deus e são
entregues a uma mentalidade reprovável de modo que são entregues ao diabo e
caminham para a destruição. Assim sucede que não cessam de acrescentar pecado
sobre pecado, até que, completamente endurecidos, desprezam a Deus ou, à
semelhança daqueles que caem em desespero, o fulminam com seu furioso ódio.
Todos aqueles que apostatam vêm para este clímax: ou são atingidos por profunda
insensibilidade e ausência de temor, ou amaldiçoam a Deus, que é seu Juiz, por
não conseguirem escapar dele.
Sintetizando, o apóstolo está nos afirmando que o arrependimento não
está no poder do homem. Ele é conferido por Deus somente àqueles que não
apostataram da fé completamente. Eis aqui uma advertência que nos é em extremo saudável,
para não suceder que, com o constante adiar para amanhã, nos tornemos mais e
mais distantes de Deus. Os ímpios se enganam com tais sentimentos, como se lhes
bastasse arrepender-se de sua vida ímpia no momento da morte. Mas quando chegam
a esse momento extremo, torturados com medonhos tormentos em sua consciência, então
se convencem de que a conversão do pecador não é um acontecimento comum.
Portanto, quando o Senhor promete perdão a nenhum outro senão àquele que se
arrepende de seus pecados, então não é de admirar que pereçam aqueles que, seja
pelo desespero seja pelo menosprezo, se fizeram empedernidos em sua obstinação
até à morte. Mas se alguém se ergue novamente de sua queda, podemos concluir que,
por mais gravemente tenha ele pecado, o mesmo não é culpado de apostasia.
Visto que de novo, estão crucificando
para si mesmos. O apóstolo
adiciona esta frase para justificar a severidade de Deus contra a difamação
humana. Seria em extremo vexatório para Deus expor seu Filho ao ridículo,
perdoando aqueles que se rebelam contra ele. Portanto, tais pessoas são
indignas de obter misericórdia. Seu propósito em dizer que Cristo é outra vez
crucificado consiste no fato de que morremos com ele precisamente com o propósito
de finalmente entrarmos na nova vida. Portanto, aqueles que se voltam para a
morte necessitam de um segundo sacrifício. Crucificar para si mesmos significa até onde isso depende deles. Seria como se
Cristo fosse um prisioneiro numa procissão triunfal, permitindo que os homens
voltem para ele depois de o haverem negado.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

Nenhum comentário:
Postar um comentário