"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 10 de junho de 2026

“SACERDÓCIO IMUTÁVEL”


“SACERDÓCIO IMUTÁVEL”

“Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:23-25).

O autor da carta aos Hebreus concluiu previamente que era mister que o antigo sacerdócio sofresse interrupção; visto que aqueles que ministravam nele eram homens mortais; mas agora ele simplesmente realça a razão por que Cristo permanece Sumo Sacerdote para sempre. Ele procede argumentando a partir dos opostos. Os antigos sacerdotes eram em maior número em razão de a morte interromper seu sacerdócio. Quanto a Cristo, não há morte que o impeça de cumprir seu ofício.

Por isso, também pode salvar. Nossa salvação é o fruto do sacerdócio eterno, se porventura colhermos tal fruto pela fé, como devemos fazê-lo. Pois onde a morte ou mudança se faz presente, aí buscaremos a salvação sem qualquer resultado. Por isso, aqueles que aderem ao antigo sacerdócio jamais alcançarão a salvação.

Quando diz, os que por ele se chegam a Deus, o autor usa essa circunlocução com o fim de descrever os crentes que são os únicos que desfrutam a salvação comunicada por Cristo. Ao mesmo tempo, indica que gênero de fé deve repousar num mediador. O mais excelente bem humano deve estar radicado no Deus que é a fonte de vida e de todas as bênçãos excelentes. É nossa própria indignidade que impede de nos aproximarmos de Deus. Portanto, é próprio do ofício do Mediador socorrer-nos aqui e estender sua mão para guiar-nos ao céu.

O autor insiste em fazer alusão às antigas sombras da lei. Embora o sumo sacerdote levasse os nomes das doze tribos em seus ombros, e seus símbolos em seu peito, todavia ele entrava sozinho no santuário enquanto o povo permanecia no átrio. Mas agora que descansamos em Cristo como Mediador, entramos pela fé no céu, visto que não há mais véu algum para nos obstruir a passagem. Deus nos aparece abertamente, e amorosamente nos convida a um encontro com ele face a face.

Vivendo sempre para interceder por eles. Qual é a natureza e a extensão da garantia do Amor de Deus para conosco? O fato de Cristo viver para nós e não para si mesmo, bem como o fato de que ele foi recebido na bem-aventurança eterna com o fim de reinar no céu – tal coisa se deu, diz o apóstolo, por nossa causa. Por conseguinte, a vida, o reino e a glória de Cristo visam à nossa salvação como seu alvo, e Cristo nada possui que não seja destinado para o nosso bem, visto que ele nos foi dado pelo Pai nessa condição, ou seja, para que tudo o que é dele sejam também nosso. Ao mesmo tempo o autor nos mostra, por meio do exemplo de Cristo, em sua função de Sacerdote, que fazer intercessão pertence a um sacerdote, a fim de que o povo encontre graça da parte de Deus. Cristo faz isso continuamente, ressuscitou dentre os mortos com esse propósito. Ele justifica seu direito ao título de Sacerdote em sua ininterrupta tarefa de fazer intercessão.

Deus nos abençoe

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

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